{"id":412,"date":"2020-12-22T17:34:22","date_gmt":"2020-12-22T20:34:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/?p=412"},"modified":"2021-01-20T18:12:15","modified_gmt":"2021-01-20T21:12:15","slug":"viver-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/2020\/12\/22\/viver-em-marte\/","title":{"rendered":"Seria possivel viver em Marte?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Texto de Paulo Costa<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Recentemente, a fic\u00e7\u00e3o passou a explorar temas associados a viagens e coloniza\u00e7\u00e3o do planeta vermelho. Para que isso ocorra, diversos cientistas v\u00eam pensando as condi\u00e7\u00f5es estruturais da viagem, bem como quest\u00f5es sobre sa\u00fade f\u00edsica e emocional que possam influenciar uma poss\u00edvel tripula\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez o maior an\u00fancio de nossa pequenez \u00e9 o c\u00e9u noturno. Desde os tempos antigos, milhares de estrelas vistas a olho nu nos mostravam o quanto a realidade ao nosso redor \u00e9 maior do que poder\u00edamos imaginar. Com o desenvolvimento do conhecimento sobre o universo, bem como a descoberta de tantos planetas dentro e fora do sistema solar, viver em outro mundo \u00e9, possivelmente, o pr\u00f3ximo passo rumo a um caminho de integra\u00e7\u00e3o humana com o universo a sua volta. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E dado o conhecimento atual, Marte seria a melhor op\u00e7\u00e3o por enquanto. Afinal, al\u00e9m de estar a uma dist\u00e2ncia poss\u00edvel para a nossa tecnologia, este \u00e9 ainda o planeta que mostra-se mais parecido com a Terra. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas tal epop\u00e9ia, seria realmente poss\u00edvel?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marte tem um pouco mais da metade do tamanho da Terra e, para o alcan\u00e7armos, seria necess\u00e1rio uma viagem de sete meses contando s\u00f3 a ida, em meio a radia\u00e7\u00e3o ionizante do espa\u00e7o (1). Chegando l\u00e1, os primeiros exploradores encontrariam um planeta \u00e1rido, com uma atmosfera que consiste em fra\u00e7\u00e3o do que vivenciamos aqui em nosso planeta (2).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pensando a sa\u00fade f\u00edsica<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos equipamentos para chegarmos at\u00e9 l\u00e1, uma viagem a outro planeta requer que a sa\u00fade f\u00edsica dos colonizadores seja pensada. Da\u00ed a necessidade de se conhecer as condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias de Marte.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A atmosfera marciana: poder\u00edamos respirar por l\u00e1?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 para se ter uma id\u00e9ia, ao n\u00edvel do mar, aqui em nosso planeta a press\u00e3o atmosf\u00e9rica \u00e9 de 760 mm Hg. Entretanto, em Marte, a press\u00e3o atmosf\u00e9rica gira em torno de 4,5 mm Hg , ou seja, 0.6% da atmosfera encontrada aqui em nossa morada. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas como isso impactaria no corpo humano? De forma geral, o ponto de ebuli\u00e7\u00e3o de l\u00edquidos diminui a medida que a press\u00e3o cai. Assim, sem um traje espacial adequado, tentar caminhar em Marte faria com que os gases dissolvidos em nossa corrente sangu\u00ednea passassem ao estado gasoso e, literalmente, ter\u00edamos o nosso sangue fervendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando falamos da composi\u00e7\u00e3o da atmosfera de Marte, esta consiste, dentre outros gases, em aproximadamente 96 % de di\u00f3xido de carbono e menos de 1% de oxig\u00eanio molecular (2). Esta falta de oxig\u00eanio tamb\u00e9m \u00e9 um claro impeditivo para a sobreviv\u00eancia humana no planeta vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra caracter\u00edstica do planeta vermelho \u00e9 a aus\u00eancia da camada de oz\u00f4nio. Aqui na terra esta funciona como um filtro para radia\u00e7\u00e3o nociva, permitindo somente a passagem de luz vis\u00edvel e pequenas por\u00e7\u00f5es de radia\u00e7\u00e3o ultravioleta. Em contraste, em Marte existe um bombardeio de quantidades letais de radia\u00e7\u00e3o ultravioleta solar (6).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A temperatura m\u00e9dia de Marte \u00e9 de -63 graus centigrados (3). Entretanto, grandes varia\u00e7\u00f5es de temperatura podem ocorrer por l\u00e1, dependendo da hora do dia, local de medi\u00e7\u00e3o e \u00e9poca do ano. Assim, temperaturas de 20 graus Celsius podem ser observadas localmente (4). J\u00e1 durante o ver\u00e3o marciano, ao meio dia, o Rover Oportunity registrou temperaturas acima de 30 graus Celsius (5). Tais dados nos mostram que, embora muito frio, Marte possui momentos em que sua temperatura assemelha-se as observadas aqui em nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, os primeiros habitantes, al\u00e9m de precisarem se proteger dos extremos de temperatura, radia\u00e7\u00e3o nociva e baixa press\u00e3o, necessitariam tamb\u00e9m obter oxig\u00eanio, \u00e1gua e alimento de forma sustent\u00e1vel, para poderem sobreviver.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Como obter\u00edamos \u00e1gua e oxig\u00eanio?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que diz respeito as tecnologias adequadas para obten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e oxig\u00eanio, tais problemas podem ser contornados atrav\u00e9s de tecnologias que inclu\u00edssem reciclagem de \u00e1gua, bem como utiliza\u00e7\u00e3o de rea\u00e7\u00f5es de eletr\u00f3lise (8) e Sabatier (7). Tais tecnologias foram primeiramente pensadas para Mir, a antiga esta\u00e7\u00e3o espacial russa, e atualmente foram aprimoradas na ISS, a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, os primeiros habitantes de Marte precisariam reciclar a \u00e1gua proveniente de chuveiros, pias, suor, bem como a pr\u00f3pria urina dos astronautas, como j\u00e1 \u00e9 feito na esta\u00e7\u00e3o espacial. Outra estrat\u00e9gia complementar seria o uso do pr\u00f3prio di\u00f3xido de carbono resultante da respira\u00e7\u00e3o dos astronautas, que ap\u00f3s rea\u00e7\u00e3o com o hidrog\u00eanio sob condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, geraria \u00e1gua (7) .<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 para a produ\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio, os primeiros exploradores poderiam utilizar-se desta mesma \u00e1gua, que ap\u00f3s eletr\u00f3lise se decomporia em hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio. Este \u00faltimo utilizado para respira\u00e7\u00e3o(8).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se observarmos bem, podemos perceber que esse \u201cciclo\u201d para produ\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio e \u00e1gua \u00e9 uma boa id\u00e9ia. Mas dizer que ele seria auto sustent\u00e1vel \u00e9 outra hist\u00f3ria. Afinal sempre h\u00e1 perdas no processo. Assim, chegando no planeta vermelho, os primeiros humanos deveriam encontrar dep\u00f3sitos de \u00e1gua que \u201calimentem\u201d este pretenso ciclo para manter os astronautas vivos por l\u00e1.<br><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Mas onde encontrar \u00e1gua em Marte?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente sabe-se que Marte teve em seu passado distante, \u00e1gua l\u00edquida em abund\u00e2ncia, com a exist\u00eancia inclusive de oceanos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Infelizmente, hoje em dia, Marte abriga \u00e1gua majoritariamente no estado s\u00f3lido (9; 10), embora algumas evid\u00eancias sugiram a presen\u00e7a de \u00e1gua l\u00edquida em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Na sua forma s\u00f3lida, a \u00e1gua em Marte existe nas calotas polares norte e sul do planeta. Durante o inverno no hemisf\u00e9rio norte \u00e9 adicionado a esta calota, gelo de di\u00f3xido de carbono que pode atingir cerca de um metro de espessura (11).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a \u00e1gua l\u00edquida, h\u00e1 evid\u00eancias indiretas de sua presen\u00e7a na superf\u00edcie de Marte (12; 13), como a observa\u00e7\u00e3o de encostas com caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas de \u00e1gua que fluiu na superf\u00edcie de Marte (13). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas se Marte \u00e9 t\u00e3o fria, como h\u00e1 \u00e1gua no estado l\u00edquido? As pesquisas sugerem alta concentra\u00e7\u00e3o de sais dissolvidos nessa \u00e1gua, reduzindo o ponto de congelamento da mesma. A consequ\u00eancia direta seria a forma\u00e7\u00e3o de salmouras l\u00edquidas que evaporam quando a temperatura sobe, ap\u00f3s o nascer do sol (12). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, recentemente, foi encontrado na calota polar sul de Marte um lago de \u00e1gua l\u00edquida subterr\u00e2neo com cerca de 20 quil\u00f4metros de extens\u00e3o. Sugere-se que a perman\u00eancia de \u00e1gua l\u00edquida neste lago se d\u00ea tamb\u00e9m pela alta concentra\u00e7\u00e3o de sais dissolvidos, bem como de uma camada de gelo isolante sobre a estrutura (9). Assim, a prospec\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios de \u00e1gua e o entendimento de como estas se comportam no planeta vermelho, \u00e9 ainda um ponto a se avaliar melhor antes da chegada ao homem no planeta vermelho.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O Alimento<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desta forma, supondo que a quest\u00e3o da \u00e1gua e oxig\u00eanio sejam resolvidos em breve, ter\u00edamos ainda que conseguir comida por l\u00e1. Afinal levarmos comida em grande quantidade da Terra seria um problema ainda maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa ideia foi explorada no filme &#8220;Perdido em Marte&#8221;. Na hist\u00f3ria, um astronauta abandonado no planeta vermelho tem que obter alimento para manter se vivo por meses sozinho. Num planeta sem vida o \u00fanico jeito seria plantar. Dessa forma o protagonista, munido de poucas batatas, resolve ent\u00e3o p\u00f4r m\u00e3os \u00e0 obra e se tornar um tipo de agricultor marciano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas ent\u00e3o nos perguntamos: Isso seria realmente vi\u00e1vel? E o que \u00e9 preciso no solo para que plantas que nos forneceriam alimento, possam prosperar por l\u00e1?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o vamos por partes: Lembrando, Marte tem uma atmosfera \u00ednfima e temperaturas extremas. Dessa forma seria mandat\u00f3rio o uso estufas climatizadas, com oxig\u00eanio, \u00e1gua e luz suficientes. Isso j\u00e1 seria um bom come\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando pensamos sobre o solo, a coisa j\u00e1 se complica um pouco. Sabemos que aqui na Terra os tr\u00eas principais nutrientes para que plantas possam se desenvolver s\u00e3o nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio (14). Tais nutrientes constituem a chamada tr\u00edade NPK. Enxofre, magn\u00e9sio e c\u00e1lcio tamb\u00e9m s\u00e3o importantes. Al\u00e9m disso, tra\u00e7os de ferro, molibd\u00eanio, mangan\u00eas, zinco, cobre e boro tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rios (14;15). Assim, \u00e9 razo\u00e1vel pensar que tais nutrientes sejam necess\u00e1rios para que qualquer coisa possa crescer por l\u00e1 tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para uma avalia\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, no que diz respeito a tr\u00edade NPK, as primeiras miss\u00f5es em superf\u00edcie marciana j\u00e1 haviam identificado f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio em Marte (16). Entretanto, o nitrog\u00eanio ainda n\u00e3o havia sido observado. No solo de nosso planeta, o nitrog\u00eanio \u00e9 fixado na forma de nitrato e este processo \u00e9 essencial para o crescimento das plantas. Assim, aqui, a fixa\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio ocorre de forma bi\u00f3tica, atrav\u00e9s de bact\u00e9rias como a do g\u00eanero Rhizobium, embora tamb\u00e9m se sugira a fixa\u00e7\u00e3o de g\u00e1s nitrog\u00eanio por meio de processos abi\u00f3ticos (21), da mesma maneira que pode ter acontecido no nosso planeta na atmosfera primitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pouco se sabia a respeito de reservat\u00f3rios de nitrog\u00eanio em Marte, incluindo as formas fixadas de nitrog\u00eanio, como NH<sub>3<\/sub>, NH<sub>4<\/sub><sup>+<\/sup>, or NO<sub>3<\/sub><sup>\u2212<\/sup> (17). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, no filme Perdido em Marte, o astronauta acaba encontrando um jeito de resolver o assunto: ele utiliza adubo! No filme, ao chegar em Marte, o personagem  n\u00e3o tinha acesso a nenhum fertilizante comercial. Assim, ele resolve utilizar o pr\u00f3prio excremento para fertilizar o solo. Na fic\u00e7\u00e3o, funcionou! Assim, as batatas proliferaram-se e sanaram sua fome por fim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A id\u00e9ia proposta no filme diante das evid\u00eancias da \u00e9poca, tinha sentido. Mas atualmente as coisas mudaram um pouco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dados obtidos recentemente pelo rover Curiosity na Cratera Gale evidenciaram a presen\u00e7a de nitrato no solo marciano em quantidades superiores aos que observamos aqui na Terra (17). O resultado foi realmente animador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto no mesmo per\u00edodo, outro estudo relacionado ao solo marciano tornou a nossa ida at\u00e9 l\u00e1 mais complicada. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi identificado na superf\u00edcie marciana mol\u00e9culas de perclorato na concentra\u00e7\u00e3o de 0,5 a 1% (18). Nesta concentra\u00e7\u00e3o, considerada extremamente alta, tal composto pode ser t\u00f3xico para os astronautas (e plantas) que l\u00e1 desembarcarem. Al\u00e9m disso, atrav\u00e9s de simula\u00e7\u00f5es, observou-se que a radia\u00e7\u00e3o que atinge a superf\u00edcie marciana pode tornar tal composto bactericida, com potencial gera\u00e7\u00e3o de hipoclorito. Sim, o mesmo composto presente nos nossos conhecidos alvejantes (19). Tal caracter\u00edstica pode criar na superf\u00edcie do planeta uma camada germicida capaz de inibir qualquer tentativa de se desenvolver vida por l\u00e1. Isso claro, se esse perclorato existir de forma relativamente equ\u00e2nime pela superf\u00edcie do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas como na ci\u00eancia podemos pensar em formas de se contornar problemas, atualmente j\u00e1 \u00e9 proposto um processo para resolver a quest\u00e3o. Esse processo, elaborado por cientistas, sugere o uso de sistemas bioqu\u00edmicos que decomponham o perclorato em cloro e oxig\u00eanio reutiliz\u00e1vel, baseado em extratos concentrado de enzimas naturais (18).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sa\u00fade emocional<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, e n\u00e3o menos importante, temos a quest\u00e3o psicol\u00f3gica de nossos primeiros exploradores. Tal ponto mostra-se de suma import\u00e2ncia e por isso foi descrito em um estudo publicado em 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso, os cientistas tentaram avaliar os efeitos psicol\u00f3gicos ocasionados por uma miss\u00e3o a Marte. Dessa forma, seis indiv\u00edduos permaneceram durante 520 dias confinados numa \u00e1rea de 550 metros c\u00fabicos (o equivalente a uma casa), simulando com fidelidade uma viagem de ida e volta ao planeta vermelho. A avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica dos participantes evidenciou o surgimento de ins\u00f4nia, conflitos, estresse e depress\u00e3o nos participantes (20).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal quest\u00e3o vale uma reflex\u00e3o. Sabemos que chegar a Marte seria um grande feito para humanidade e um momento \u00fanico para os primeiros exploradores que vislumbram um planeta alien\u00edgena. Num primeiro momento tudo seria novo, cheio de coisas para se descobrir. Mas e depois?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do que foi observado no estudo de 2015, ter\u00edamos tamb\u00e9m a percep\u00e7\u00e3o de um planeta gelado e des\u00e9rtico. A perman\u00eancia em um local de confinamento, como seriam as c\u00e1psulas em que os astronautas viveriam juntos, provavelmente n\u00e3o seria f\u00e1cil. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A falta do c\u00e9u azul de ver\u00e3o, de \u00e1rvores, florestas, animais e mares. Tudo isso geraria forte impacto na mente humana a m\u00e9dio e longo prazo. Una a isso dificuldades de relacionamento que no geral s\u00e3o imprevis\u00edveis, e ter\u00edamos muito problemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Projetos como o extinto Mars One, que visava enviar dois homens e duas mulheres numa viagem s\u00f3 de ida para o planeta vermelho esbarrariam em algo nesse sentido. Problemas psicol\u00f3gicos que atingissem somente um dos astronautas, por fim, poderiam afetar a todos. Afinal, aqui em nosso mundo, quando as coisas n\u00e3o est\u00e3o boas e algo nos incomoda, sa\u00edmos para espairecer. Mas e l\u00e1? Ir\u00edamos para onde?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em adi\u00e7\u00e3o, sabemos que humanos s\u00e3o seres sociais, e por isso \u00e9 razo\u00e1vel pensar que poderiam se formar casais. Mas e se estes casais fossem desfeitos? Literalmente, perder\u00edamos a \u00faltima mulher (ou homem) do mundo. Algo dif\u00edcil de se resolver. O fato \u00e9 que em um local como este, at\u00e9 o menor dos problemas se torna grande e, provavelmente tudo isso afetaria fortemente os primeiros humanos nesse planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De qualquer maneira, quando pensamos em viagens interplanet\u00e1rias e coloniza\u00e7\u00e3o de outros planetas, precisamos nos conscientizar que humanos fazem parte do planeta Terra. E que assim, precisariam de uma mir\u00edade coisas que s\u00f3 encontramos aqui, mesmo sem perceber. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Migrar para Marte ou qualquer outro lugar que escolh\u00eassemos, n\u00e3o seria s\u00f3 um esfor\u00e7o para que cheg\u00e1ssemos at\u00e9 l\u00e1. Mas principalmente, uma epop\u00e9ia para que pud\u00e9ssemos carregar conosco um grande n\u00famero de ferramentas para a resolu\u00e7\u00e3o dos mais diversos problemas. Afinal, l\u00e1 longe, n\u00e3o haveria a quem mais recorrer. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para erros.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(1)Mars One presents an updated mission roadmap. 2031: First crew of four astronauts departs and travels to Mars in approximately 7 months, http:\/\/www.mars\u2010one.com\/news\/press\u2010releases\/mars\u2010one\u2010presents\u2010an\u2010updated\u2010mission\u2010roadmap<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(2) Igor Levchenko et al. Mars Colonization: Beyond Getting There. Glob Chall. 3(1): 1800062,2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(3) <a href=\"Sheethttps:\/\/nssdc.gsfc.nasa.gov\/planetary\/factsheet\/marsfact.html\">NASA. Mars Fact. Mars\/Earth Comparison<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(4) Jan Raack et al. Water induced sediment levitation enhances downslope transport on Mars. 8:1151,2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(5) https:\/\/mars.nasa.gov\/mer\/spotlight\/20070612.html<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(6) Kenneth R. Lang, Charles A. Whitney. 1st Edition. Wanderers in Space: Exploration and Discovery in the Solar System (Ingl\u00eas) 1st Edition,1991.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(7) K Murdoch et al. Advantages of Sabatier for extended duration manned missions. 5(4):423-6,1998.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(8) Amor A. Menezes et al.Towards synthetic biological approaches to resource utilization on space missions. J R Soc Interface. 12(102): 20140715,2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(9) R. Orosei et al. Radar evidence of subglacial liquid water on Mars. Science.v.361:6401.p 490-493,2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(10) Joseph M et al.Ancient oceans in the northern lowlands of Mars: Evidence from impact crater depth\/diameter relationships. Journal of Geophysical Research.v110. E03008,2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(11) Darling, David. &#8220;Mars, polar caps&#8221;. Encyclopedia of Astrobiology, Astronomy, and Spaceflight. Retrieved,2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(12) F. Javier Mart\u00edn-Torres et al. Transient liquid water and water activity at Gale crater on Mars. Nature Geoscience. v. 8, p. 357\u2013361,2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(13) Mellon, M. T., and Phillips, R. J. Recent gullies on Mars and the source of liquid water, J. Geophys. Res., 106( E10), 23165\u2013 23179,2001.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(14) https:\/\/www.dpi.nsw.gov.au\/agriculture\/soils\/improvement\/plant-nutrients<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(15) <a href=\"http:\/\/extension.msstate.edu\/publications\/secondary-plant-nutrients-calcium-magnesium-and-sulfur#:~:text=Calcium%2C%20magnesium%2C%20and%20sulfur%20are,nitrogen%2C%20phosphorus%2C%20and%20potassium.&amp;text=Calcium%20and%20magnesium%20both%20increase,some%20sources%20reduces%20soil%20pH.\">Mississipi State University.  Extention. Secondary Plant Nutrients: Calcium, Magnesium, and Sulfur <\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(16) See Bruckner, J. et al. Mars Exploration Rovers: Chemical Composition by the APX, in The Martian Surface: Composition, Mineralogy, and Physical Properties, J.F. Bell III, Ed.; Cambridge University Press: Cambridge, UK, p. 58,2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(17) Stern JC et al. Evidence for indigenous nitrogen in sedimentary and aeolian deposits from the Curiosity rover investigations at Gale crater, Mars. Proc Natl Acad Sci. 7;112(14):4245-50,2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(18) Alfonso F. Davila et al. Perchlorate on Mars: a chemical hazard<br>and a resource for humans. International Journal of Astrobiology. p. 1-5.2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(19) Jennifer Wadsworth &amp; Charles S. Cockell .Perchlorates on Mars enhance the bacteriocidal effects of UV light. Scientific Reports.7: 4662,2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(20) Mathias Basner et al.Mars 520-d mission simulation reveals protracted crew hypokinesis and alterations of sleep duration and timing. PNAS. 12, 110 (7) 2635-2640,2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(21) Matthieu Laneuville et al. Earth Without Life: A Systems Model of a Global Abiotic Nitrogen Cycle. Astrobiology. 18(7): 897\u2013914,2018<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sobre o autor<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Paulo Costa<\/strong> \u00e9 bacharel em farm\u00e1cia. Possui tamb\u00e9m Mestrado e Doutorado em C\u00eancias pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Recentemente, a fic\u00e7\u00e3o passou a explorar temas associados a viagens e coloniza\u00e7\u00e3o do planeta vermelho. Para que isso ocorra, diversos cientistas v\u00eam pensando as condi\u00e7\u00f5es estruturais da viagem, bem como quest\u00f5es sobre sa\u00fade f\u00edsica e emocional que possam influenciar uma poss\u00edvel tripula\u00e7\u00e3o. <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/2020\/12\/22\/viver-em-marte\/\" title=\"Seria possivel viver em Marte?\">Leia mais<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":637,"featured_media":413,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[12,4,29],"tags":[14,65],"class_list":["post-412","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-astronomia","category-fisica","category-quimica","tag-astronomia","tag-marte"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2020\/12\/marte.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/637"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=412"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/412\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":461,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/412\/revisions\/461"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/413"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}