{"id":441,"date":"2021-01-20T16:56:25","date_gmt":"2021-01-20T19:56:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/?p=441"},"modified":"2021-01-21T11:06:19","modified_gmt":"2021-01-21T14:06:19","slug":"voce-nao-comemorou-uma-volta-em-torno-do-sol-no-ano-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/2021\/01\/20\/voce-nao-comemorou-uma-volta-em-torno-do-sol-no-ano-novo\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea n\u00e3o comemorou uma volta em torno do Sol no Ano Novo."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Leonardo Sioufi Fagundes dos Santos<\/p>\n\n\n\n<p><em>No \u00faltimo dia 01\/01\/2021, o mundo comemorou o in\u00edcio de um novo ano com a esperan\u00e7a de renova\u00e7\u00e3o e fim da atual pandemia. Muitas pessoas afirmaram \u201ca Terra deu mais uma volta\u201d. Sem querer estragar o prazer dessas pessoas, a Terra n\u00e3o completou uma volta exata em torno do Sol em um ano.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O nosso calend\u00e1rio<\/h3>\n\n\n\n<p>O calend\u00e1rio adotado pelo Brasil e por quase todos os pa\u00edses \u00e9 o gregoriano. O calend\u00e1rio gregoriano veio do juliano, criado pelo imperador romano J\u00falio C\u00e9sar (100 a.C-44a.C.).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00falio C\u00e9sar e os antigos romanos n\u00e3o acreditavam que a Terra girasse em torno do Sol, portanto, o calend\u00e1rio juliano n\u00e3o poderia definir um ano como uma volta da Terra em torno do Sol. Antes de Cop\u00e9rnico (1473-1543), poucos fil\u00f3sofos descreviam a Terra como um corpo em movimento, como por exemplo, o grego Aristarco de Samos (310a.C-230a.C.).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se os antigos romanos n\u00e3o criaram a no\u00e7\u00e3o de ano com base no movimento de transla\u00e7\u00e3o da Terra ao redor do Sol, o que eles comemoravam?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Sol se move?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A men\u00e7\u00e3o ao movimento do Sol n\u00e3o deve ser interpretada como nega\u00e7\u00e3o do heliocentrismo. Todo movimento depende do referencial. No referencial da Terra, o Sol se move. Se algu\u00e9m est\u00e1 em algum lugar no espa\u00e7o sideral onde v\u00ea o Sol fixo, a Terra se move. Os c\u00e1lculos astron\u00f4micos dos movimentos dos outros planetas do Sistema Solar ficam muito simplificados em um referencial imagin\u00e1rio onde o Sol est\u00e1 em repouso. Os c\u00e1lculos das \u00f3rbitas planet\u00e1rias calculadas com o Sol em repouso foram essenciais para a origem da pr\u00f3pria F\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O ano tropical e os tr\u00f3picos.<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Um movimento do Sol no c\u00e9u da Terra bem percept\u00edvel \u00e9 o seu trajeto de Leste para o Oeste com seu reaparecimento no Oriente. Esse movimento \u00e9 o dia. Mas h\u00e1 um segundo movimento, mais sutil, mas n\u00e3o menos importante. A trajet\u00f3ria do Sol no c\u00e9u n\u00e3o \u00e9 a mesma todos os dias, mas desloca-se entre Norte e Sul. Esse ciclo do Sol entre o Norte e o Sul \u00e9 o \u201cano tropical\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As linhas do c\u00e9u que marcam os extremos sul e norte do caminho solar s\u00e3o denominadas respectivamente \u201cTr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio Celeste\u201d e \u201cTr\u00f3pico de C\u00e2ncer Celeste\u201d. Entre os tr\u00f3picos celestes, est\u00e1 a linha do Equador Celeste. O Ano Tropical pode ser entendido como um ciclo entre os tr\u00f3picos celestes (ver figura 1).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"540\" height=\"300\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2021\/01\/Copia-de-Dorama-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-451\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2021\/01\/Copia-de-Dorama-1.png 540w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2021\/01\/Copia-de-Dorama-1-300x167.png 300w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><figcaption><strong>Figura 1<\/strong>: trajet\u00f3rias do Sol no c\u00e9u ao longo do ano. Fonte: <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1806-11172018000100601&amp;lng=en&amp;nrm=iso\">COSTA, Ivan Ferreira da; MAROJA, Armando de Mendon\u00e7a. Astronomia diurna: medida da abertura angular do Sol e da latitude local. Rev. Bras. Ensino F\u00eds., S\u00e3o Paulo , v. 40, n. 1, e1501, 2018<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A proje\u00e7\u00e3o das linhas celestes dos tr\u00f3picos na Terra corresponde aos tr\u00f3picos terrestres ou simplesmente, tr\u00f3picos. Os Tr\u00f3picos de Capric\u00f3rnio e C\u00e2ncer ficam respectivamente nos hemisf\u00e9rios sul e norte. A linha do Equador \u00e9 a proje\u00e7\u00e3o terrestre do Equador celeste e divide a pr\u00f3pria Terra nos hemisf\u00e9rios sul e norte (<strong>ver figura 2<\/strong>).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"540\" height=\"300\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2021\/01\/Copia-de-Dorama.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-449\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2021\/01\/Copia-de-Dorama.png 540w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2021\/01\/Copia-de-Dorama-300x167.png 300w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><figcaption><strong>Figura 2<\/strong>. Representa\u00e7\u00e3o da Terra e as linhas do Equador e os Tr\u00f3picos de Capric\u00f3rnio e C\u00e2ncer. Cr\u00e9dito da Imagem: CDF &#8211; Ci\u00eancia de Fato<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os dias em que o Sol passa pelos Tr\u00f3picos Celestes s\u00e3o denominados \u201csolst\u00edcios\u201d. O Sol passa pelo Tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio Celeste entre os dias 20 e 21 de dezembro, o que corresponde ao solst\u00edcio de ver\u00e3o no hemisf\u00e9rio sul, e de inverno no norte. No hemisf\u00e9rio sul, o dia \u00e9 o mais longo do ano, enquanto no norte, o mais curto. Ap\u00f3s passar pelo Tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio Celeste, as trajet\u00f3rias do Sol no c\u00e9u deslocam-se para o Norte, atingindo o Equador por volta dos dias 20 ou 21 de mar\u00e7o. Neste dia, a dura\u00e7\u00e3o do dia (no sentido da parte clara do dia) \u00e9 igual a da noite. Este fen\u00f4meno \u00e9 chamado de \u201cequin\u00f3cio\u201d, termo origin\u00e1rio do latim <em>equinox<\/em>, \u201cnoite igual\u201d em uma tradu\u00e7\u00e3o livre. O equin\u00f3cio de mar\u00e7o marca o in\u00edcio do outono e da primavera nos hemisf\u00e9rios sul e norte,&nbsp; respectivamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do equin\u00f3cio de mar\u00e7o, o Sol continua indo ao norte, atingindo o Tr\u00f3pico de C\u00e2ncer Celeste por volta de 20 ou 21 de junho, come\u00e7ando as esta\u00e7\u00f5es inverno e ver\u00e3o respectivamente nos hemisf\u00e9rios sul e norte. Ap\u00f3s essa data, o Sol repete os caminhos rumo ao Sul, retornando ao Equador Celeste em um novo equin\u00f3cio entre 21 e 22 de setembro, in\u00edcio da primavera e outono nos hemisf\u00e9rios sul e norte respectivamente. Enfim, o Sol retorna ao Tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio Celeste e um ano tropical se completa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mas quando o ano come\u00e7ava?<\/h3>\n\n\n\n<p>Os antigos romanos marcavam o in\u00edcio do ano no come\u00e7o da primavera do hemisf\u00e9rio norte, ou seja, em um dos equin\u00f3cios. No calend\u00e1rio atual, o in\u00edcio do ano seria por volta de 20 ou 21 de mar\u00e7o. Para os romanos, as esta\u00e7\u00f5es do in\u00edcio para o fim do ano eram primavera (<em>prima vera<\/em>, primeiro ver\u00e3o), ver\u00e3o, outono e inverno. Mas o imperador romano J\u00falio C\u00e9sar criou em 46 a.C. o j\u00e1 mencionado calend\u00e1rio juliano. O ano come\u00e7aria no primeiro dia de seu reinado, n\u00e3o mais em uma posi\u00e7\u00e3o do Sol no c\u00e9u. Este seria o dia 1 de janeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e9culos depois, o Papa Greg\u00f3rio criou o calend\u00e1rio gregoriano, fazendo com que o dia 4 de outubro de 1582 fosse sucedido por 16\/10\/1582. Com a omiss\u00e3o destes 10 dias em outubro de 1582 e da n\u00e3o contagem de 1700, 1800 e 1900 como anos bissextos, o dia 1 de janeiro de 2021 do calend\u00e1rio juliano corresponde a 13\/01\/2021 do gregoriano. Mas por que esses dias foram suprimidos do calend\u00e1rio gregoriano?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A<\/strong>daptando o calend\u00e1rio<\/h3>\n\n\n\n<p>A base do calend\u00e1rio juliano s\u00e3o os c\u00e1lculos astron\u00f4micos eg\u00edpcios. De acordo com os sacerdotes africanos do Egito, se o ano tropical durasse 365 dias, a cada 4 anos os solst\u00edcios e equin\u00f3cios atrasariam em um dia. Por exemplo, se o in\u00edcio do outono no hemisf\u00e9rio sul em 2021 fosse no dia 20\/3, em 2025 seria em 19\/03, 18\/03 em 2029, etc. Tal fen\u00f4meno mostrava que o ano tropical n\u00e3o durava exatamente 365 dias. Com o atraso de 1 dia=24 horas no come\u00e7o das esta\u00e7\u00f5es a cada 4 anos, a conclus\u00e3o era que o ano tropical tinha 365 dias e 24\/4=6 horas. Uma solu\u00e7\u00e3o para a corre\u00e7\u00e3o do Ano Novo seria colocar essas 6 horas extras na contagem do ano. Por exemplo, o ano de 2021 come\u00e7aria \u00e0s 00h00min, 2022, \u00e0s 06h00min, 2023, ao meio-dia, 2024, \u00e0s 18h00min, etc.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o encontrada foi mais simples e pr\u00e1tica. A cada 4 anos se acrescenta um dia extra no ano, corrigindo a falha. O imperador J\u00falio C\u00e9sar escolheu fevereiro como o m\u00eas que recebe o dia extra.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Anos seculares e bissextos<\/h3>\n\n\n\n<p>Os anos de 365 dias s\u00e3o denominados \u201canos seculares\u201d. Os anos com um dia extra, os chamados \u201canos bissextos\u201d, possuem 365+1=366 dias. O termo bissexto \u00e9 uma refer\u00eancia ao par de algarismo \u201c6\u201d no n\u00famero \u201c366\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O calend\u00e1rio juliano come\u00e7ou com um erro na implementa\u00e7\u00e3o dos anos bissextos, uma interpola\u00e7\u00e3o de 1 dia a cada 3 anos. O imperador Augusto (63a.C-14d.C) corrigiu a falha, decretando que entre 12a.C e 8d.C os anos bissextos n\u00e3o fossem contados. Assim, desde 8d.C, os anos bissextos foram colocados como os m\u00faltiplos de 4. Os anos bissextos foram herdados pelo calend\u00e1rio gregoriano \u201cquase totalmente\u201d. Por exemplo, 2020, 2024, 2028, 2032 s\u00e3o anos bissextos. Mas de 1582 para c\u00e1, o calend\u00e1rio gregoriano omitiu como bissextos apenas tr\u00eas anos m\u00faltiplos de 4, 1700, 1800 e 1900. A raz\u00e3o dessa omiss\u00e3o ser\u00e1 explicada a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto no in\u00edcio do calend\u00e1rio juliano a primavera na Europa come\u00e7ava em 21 de mar\u00e7o aproximadamente, no s\u00e9c. XVI, o equin\u00f3cio estava ocorrendo por volta do dia 11 do mesmo m\u00eas. Isso significava que o ano tropical tinha menos do que 365 dias e 6 horas porque a contagem do calend\u00e1rio estava 10 dias adiantados. O mesmo adiantamento de 10 dias ocorria com o outro equin\u00f3cio e com os solst\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 interessante lembrar que o erro do calend\u00e1rio gerava um problema religioso. Desde a reuni\u00e3o conhecida como Conc\u00edlio de Niceia em 325, os cat\u00f3licos comemoravam a P\u00e1scoa no primeiro domingo de Lua Cheia ap\u00f3s o come\u00e7o da primavera no hemisf\u00e9rio norte. Como a data estimada para o in\u00edcio da primavera era 21\/03, os cat\u00f3licos escolhiam a primeira Lua Cheia ap\u00f3s este dia para a P\u00e1scoa. Mas como a estimativa de 21\/03 para o equin\u00f3cio da primavera tinha um atraso de 11 dias, os cat\u00f3licos estavam errando a data correta da P\u00e1scoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Distribuindo estes 10 dias desde a implementa\u00e7\u00e3o do ano bissexto a cada 4 anos em 8 d.C., os astr\u00f4nomos do Papa Greg\u00f3rio XVI estimaram que o ano tinha 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos, ou em termos fracion\u00e1rios, 365,2422 dias. Ao considerar o ano como tendo 365 dias, o erro acumulado em 4 anos era 0,2422&#215;4=0,9688 dia, ou seja, 23 horas, 15 minutos e 4 segundos. Colocar um dia a mais a cada 4 anos significa um excesso de 1- 0,9688=0,0312 dia, ou seja, 44 minutos e 56 segundos. Esse excesso a cada 4 anos parece n\u00e3o ser nada, mas em 400 anos ele fica 0,0312&#215;100=3,12 dias. A decis\u00e3o do Papa e de sua equipe de estudiosos foi retirar 3 dias a cada 400 anos. Ainda sobrariam 0,12 dias n\u00e3o corrigidos a cada 400 anos, o que resulta em 0,12&#215;10=1,2 dias em 4.000 anos. Mesmo acreditando na vida eterna, os astr\u00f4nomos papais n\u00e3o corrigiram esse erro. Isso ser\u00e1 problema para futuras gera\u00e7\u00f5es se a humanidade n\u00e3o acabar antes.<\/p>\n\n\n\n<p>A regra para a retirada de 3 dias a cada 400 anos \u00e9 baseada em uma propriedade matem\u00e1tica dos m\u00faltiplos de 4. Todo n\u00famero terminado em 00 \u00e9 m\u00faltiplo de 4, portanto deveria ser bissexto. Em 4 n\u00fameros seguidos terminados em 00, 3 n\u00e3o s\u00e3o m\u00faltiplos de 400. Por exemplo, no intervalo 1600, 1700, 1800 e 1900, os 3 \u00faltimos n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o m\u00faltiplos de 400. A regra do calend\u00e1rio gregoriano \u00e9 n\u00e3o contabilizar como bissextos os anos terminados em 00 que n\u00e3o s\u00e3o m\u00faltiplos de 400. Assim, 1700, 1800 e 1900 foram contados como anos seculares. J\u00e1 os anos de 1600 e 2000 foram bissextos porque terminam em 00 e s\u00e3o m\u00faltiplos de 400. O pr\u00f3ximo ano terminado em 00 \u00e9 2100, que n\u00e3o ser\u00e1 bissexto por n\u00e3o ser m\u00faltiplo de 400.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O ano sideral<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No referencial do Sol, o ano sideral \u00e9 o tempo de uma volta completa da Terra em torno do Astro Rei. Um ano sideral dura 365,2564 dias ou 365 dias, 6 horas, 9 minutos e 10 segundos.<\/p>\n\n\n\n<p>No referencial da Terra, \u00e0 noite, as estrelas percorrem o c\u00e9u de Leste a Oeste. A cada dia, as trajet\u00f3rias das estrelas no c\u00e9u noturno mudam, fazendo com que algumas estrelas desapare\u00e7am e reapare\u00e7am. Ap\u00f3s um ano sideral, o mapa estelar do c\u00e9u noturno ser\u00e1 exatamente o mesmo. No referencial do Sol, o c\u00e9u noturno corresponde a parte do Universo que a face sombreada da Terra est\u00e1 voltada. Ap\u00f3s uma volta em torno do Sol, a Terra se dirige a mesma regi\u00e3o do Universo. Isso explica a rela\u00e7\u00e3o entre a volta da Terra em torno do Sol no referencial solar e a repeti\u00e7\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es das estrelas no c\u00e9u noturno. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento do Sol no c\u00e9u visto da Terra \u201cdeveria\u201d corresponder a transla\u00e7\u00e3o da Terra em torno do Sol no referencial solar. Afinal, ap\u00f3s uma volta completa da Terra em torno do Sol, o Astro Rei visto da Terra percorreria a mesma linha no c\u00e9u no sentido norte-sul. O ano sideral \u201cdeveria\u201d coincidir com o tropical. Se o eixo da Terra apontasse em uma dire\u00e7\u00e3o fixa, o ano tropical e o sideral coincidiriam. No entanto, o eixo da Terra gira como se o planeta fosse um pi\u00e3o. Esse movimento \u00e9 denominado \u201cprecess\u00e3o\u201d. Esse giro faz com que a orienta\u00e7\u00e3o da Terra em rela\u00e7\u00e3o ao Sol se repita um pouco antes de uma volta completa, fazendo com que a trajet\u00f3ria solar vista da Terra se antecipe um pouco antes de um ano sideral. Esse \u201cum pouco antes\u201d corresponde a diferen\u00e7a entre os anos sideral e tropical, 20 minutos e 27 segundos. O movimento completo de precess\u00e3o da Terra dura 25.770 anos tropicais. Assim, 25.770 anos tropicais equivalem a 25.771 tropicais (ver figura 3).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"300\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2021\/01\/precessiontorque.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-453\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2021\/01\/precessiontorque.jpg 400w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2021\/01\/precessiontorque-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2021\/01\/precessiontorque-97x73.jpg 97w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption><strong>Figura 3<\/strong>: Movimento da Terra em torno do Sol com precess\u00e3o do eixo terrestre, fen\u00f4meno respons\u00e1vel pela diferen\u00e7a entre os anos tropical e sideral. Cr\u00e9dito da Imagem: \u201c<a href=\"http:\/\/astro.if.ufrgs.br\/fordif\/node8.htm\">Precess\u00e3o do eixo terrestre\u201d, Kepler de Souza Oliveira Filho e Maria de F\u00e1tima Oliveira Santana<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O fato do ano sideral ser quase id\u00eantico ao tropical faz com a trajet\u00f3ria do Sol de dia corresponda a uma certa constela\u00e7\u00e3o \u00e0 noite. Mas a precess\u00e3o da Terra no referencial do Sol faz com que o c\u00e9u \u201cgire\u201d para quem est\u00e1 na Terra. Esse giro altera a Terra ao longo de s\u00e9culos e \u00e9 conhecido como \u201cprecess\u00e3o dos equin\u00f3cios\u201d porque o Equador Celeste relacionado aos equin\u00f3cios rotaciona junto com o c\u00e9u. Na verdade, os Tr\u00f3picos Celestes tamb\u00e9m sofrem essa rota\u00e7\u00e3o junto com o Equador Celeste. Por exemplo, nos tempos do Imp\u00e9rio Romano, no solst\u00edcio de dezembro, a trajet\u00f3ria diurna do Sol correspondia a uma linha noturna que cruzava a constela\u00e7\u00e3o de Capric\u00f3rnio. Devido a isso, o Tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio recebeu esse nome. Devido \u00e0 rota\u00e7\u00e3o dos c\u00e9us em 25.770 anos tropicais, atualmente, o Tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio Celeste no dia do solst\u00edcio de dezembro cruza a constela\u00e7\u00e3o de Sagit\u00e1rio \u00e0 noite (ver figura 4)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2021\/01\/Ilustrac\u0327a\u0303o-do-Sol-sobre-a-linha-do-horizonte-leste-L-em-21-de-dezembro-de-2017-Bahia.-Stellarium.org_.-Blog-O-Guardador-de-Estrelas.-2-768x480-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-454\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2021\/01\/Ilustrac\u0327a\u0303o-do-Sol-sobre-a-linha-do-horizonte-leste-L-em-21-de-dezembro-de-2017-Bahia.-Stellarium.org_.-Blog-O-Guardador-de-Estrelas.-2-768x480-1.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-content\/uploads\/sites\/171\/2021\/01\/Ilustrac\u0327a\u0303o-do-Sol-sobre-a-linha-do-horizonte-leste-L-em-21-de-dezembro-de-2017-Bahia.-Stellarium.org_.-Blog-O-Guardador-de-Estrelas.-2-768x480-1-300x188.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption><strong>Figura 4<\/strong>: Trajet\u00f3ria do Sol de dia com a noite correspondente. A linha percorrida pelo Sol, o Tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio, cruza a constela\u00e7\u00e3o de Sagit\u00e1rio. Cr\u00e9dito da Imagem: <a href=\"https:\/\/blogs.ibahia.com\/a\/blogs\/estrelas\/2017\/12\/22\/efemerides-astronomicas-de-21-a-31-de-dezembro-2017\/\">\u201cEfem\u00e9rides astron\u00f4micas: de 21 a 31 de dezembro 2017\u201d, Fernando Munaretto<\/a>.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A escolha pelo Ano Tropical.<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Como a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, a locomo\u00e7\u00e3o e toda a vida humana est\u00e1 condicionada pela temperatura, umidade e ilumina\u00e7\u00e3o, o ciclo das 4 esta\u00e7\u00f5es foi considerado mais importante do que o aparecimento das estrelas. Assim, o ciclo mais importante para os antigos eg\u00edpcios que inspiraram os romanos era o ano tropical, n\u00e3o o sideral. \u00c9 por isso que o calend\u00e1rio gregoriano, herdeiro do juliano, \u00e9 baseado no ano tropical, n\u00e3o no sideral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A comemora\u00e7\u00e3o do ano novo \u00e9 de um ciclo do movimento do Sol no c\u00e9u entre os Tr\u00f3picos Celeste visto da Terra. Mais exatamente, o ano gregoriano \u00e9 um per\u00edodo de 365 ou 366 dias ajustados para ter em m\u00e9dia um ano tropical.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00f3xima comemora\u00e7\u00e3o de ano novo, em 2022, quando o leitor disser \u201cFeliz ano Novo\u201d, lembre que est\u00e1 comemorando mais um movimento solar no c\u00e9u no sentido Norte-Sul, n\u00e3o uma volta da Terra em torno do Sol.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Para saber mais:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/<http:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/portalpion\/index.php\/artigos\/292-a-pascoa-e-a-astronomia>&#8220;><strong>A P\u00e1scoa e a Astronomia.<\/strong> Santos, Leonardo Sioufi Fagundes dos. Portal P\u00edon<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1806-11172018000100601&amp;lng=en&amp;nrm=iso\"><strong>Astronomia diurna: medida da abertura angular do Sol e da latitude local.<\/strong> COSTA, Ivan Ferreira da; MAROJA, Armando de Mendon\u00e7a. Rev. Bras. Ensino F\u00eds., S\u00e3o Paulo , v. 40, n. 1, e1501, 2018 .&nbsp;<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/redeglobo.globo.com\/globociencia\/noticia\/2013\/05\/tropicos-meridianos-e-circulos-entenda-linhas-que-cortam-terra.html#:~:text=Marca%C3%A7%C3%B5es%20foram%20determinadas%20pela%20inclina%C3%A7%C3%A3o%20da%20Terra%20em%20rela%C3%A7%C3%A3o%20ao%20Sol&amp;text=Tr%C3%B3picos%20de%20Capric%C3%B3rnio%20e%20C%C3%A2ncer,c%C3%ADrculos%20polares%20%C3%81rtico%20e%20Ant%C3%A1rtico.&amp;text=Dependendo%20da%20regi%C3%A3o%20do%20pa%C3%ADs,com%20a%20Linha%20do%20Equador\"><strong>Tr\u00f3picos, meridianos e c\u00edrculos, entenda as linhas que cortam a Terra. <\/strong>Entrevista com Enios Picazzo. <\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/redeglobo.globo.com\/globociencia\/noticia\/2013\/05\/tropicos-meridianos-e-circulos-entenda-linhas-que-cortam-terra.html#:~:text=Marca%C3%A7%C3%B5es%20foram%20determinadas%20pela%20inclina%C3%A7%C3%A3o%20da%20Terra%20em%20rela%C3%A7%C3%A3o%20ao%20Sol&amp;text=Tr%C3%B3picos%20de%20Capric%C3%B3rnio%20e%20C%C3%A2ncer,c%C3%ADrculos%20polares%20%C3%81rtico%20e%20Ant%C3%A1rtico.&amp;text=Dependendo%20da%20regi%C3%A3o%20do%20pa%C3%ADs,com%20a%20Linha%20do%20Equador\"><strong>Precess\u00e3o do eixo terrestre.<\/strong> OLIVEIRA Filho, Kepler de Souza; SANTANA, Maria de F\u00e1tima Oliveira. <\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.ibahia.com\/a\/blogs\/estrelas\/2017\/12\/22\/efemerides-astronomicas-de-21-a-31-de-dezembro-2017\/\"><strong>Efem\u00e9rides astron\u00f4micas: de 21 a 31 de dezembro 2017. MUNARETTO<\/strong> Fernando. <\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Leonardo Sioufi Fagundes dos Santos<\/strong> \u00e9 um eterno estudante e professor de F\u00edsica da UNIFESP Diadema. Apaixonado pela F\u00edsica, Matem\u00e1tica e Divulga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>No \u00faltimo dia 01\/01\/2021, o mundo comemorou o in\u00edcio de um novo ano com a esperan\u00e7a de renova\u00e7\u00e3o e fim da atual pandemia. Muitas pessoas afirmaram \u201ca Terra deu mais uma volta\u201d. Sem querer estragar o prazer dessas pessoas, a Terra n\u00e3o completou uma volta exata em torno do Sol em um ano.  <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/2021\/01\/20\/voce-nao-comemorou-uma-volta-em-torno-do-sol-no-ano-novo\/\" title=\"Voc\u00ea n\u00e3o comemorou uma volta em torno do Sol no Ano Novo.\">Leia mais<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":637,"featured_media":458,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[66,71,72,70,68,69,67],"class_list":["post-441","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-astronomia","tag-ano-novo","tag-ano-sideral","tag-ano-tropical","tag-calendario-gregoriano","tag-equinocio","tag-solsticio","tag-translacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/441","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/users\/637"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=441"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/441\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":499,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/441\/revisions\/499"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/media\/458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=441"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cdf\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}