{"id":110,"date":"2006-08-07T18:05:00","date_gmt":"2006-08-07T21:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/2006\/08\/sobre-enzimas-e-evolucao\/"},"modified":"2006-08-07T18:05:00","modified_gmt":"2006-08-07T21:05:00","slug":"sobre-enzimas-e-evolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2006\/08\/07\/sobre-enzimas-e-evolucao\/","title":{"rendered":"Sobre enzimas e evolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: verdana\">Um artigo interessante que apareceu no <em>The Times<\/em>.<\/p>\n<blockquote><p><a href=\"http:\/\/www.timesonline.co.uk\/article\/0,,6-2302071,00.html\"><strong>Confie em mim, eu sou uma acetil-transferase<\/strong><\/a><br \/>\n<em>Como encontrar virtudes em uma enzima<\/em><br \/>\nScience Notebook por Terence Kealey<br \/>\nThe Times 7 de agosot de 2006<br \/>\nEM SUA OBRA, &#8220;A Riqueza das Na\u00e7\u00f5es&#8221;, Adam Smith mostrou como o crescimento econ\u00f4mico era dependente da especializa\u00e7\u00e3o: um homem, sozinho, podia fazer somente 20 alfineites por dia, mas uma equipe de homens, cada um com um servi\u00e7o especializado, um fazendo o corpo do alfineite, outro afiando a ponta, outro fazendo a cabe\u00e7a, e por a\u00ed afora, podiam montar 4.800 alfineites por dia.<br \/>\nAssim \u00e9 a Natureza. Experi\u00eancias mostram que uma sopa primordial que imite as condi\u00e7\u00f5es da jovem Terra (uma solu\u00e7\u00e3o de am\u00f4nia, cianeto e outras subst\u00e2ncias qu\u00edmicas t\u00f3xicas), quando aquecida e eletrocutada, faz aparecer uma subst\u00e2ncia chamada RNA <span style=\"color: #ff0000\">[nota do tradutor: RNA = \u00e1cido ribonucleico. A descri\u00e7\u00e3o \u00e9 algo exagerada: aparecem alguns amino\u00e1cidos que comp\u00f5em o RNA, n\u00e3o um RNA pronto]<\/span> . O RNA \u00e9 not\u00e1vel porque, tal como o DNA <span style=\"color: #ff0000\">[N.T: DNA = \u00e1cido desoxirribonucleico, a &#8220;dupla-h\u00e9lice&#8221; do c\u00f3digo gen\u00e9tico] <\/span>ele pode codificar sua pr\u00f3pria reprodu\u00e7\u00e3o (o que \u00e9 a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o de vida) <span style=\"color: #ff0000\">[outra N.T: outra afirma\u00e7\u00e3o simplista e exagerada \u2013 um v\u00edrus \u00e9 capaz disso, mas n\u00e3o est\u00e1, exatamente, vivo]<\/span> e \u00e9, tamb\u00e9m, um catalizador que pode dirigir rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas. Portanto, presumivelmente a vida primitiva tinha como base o RNA que servia tanto como molde para reprodu\u00e7\u00e3o, como de catalizador para esta reprodu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMas o RNA, de certa forma, \u00e9 como o solit\u00e1rio fabricante de alfineites. Ele n\u00e3o \u00e9 um bom molde para a reprodu\u00e7\u00e3o (ao contr\u00e1rio do DNA, ele \u00e9 inst\u00e1vel), nem um bom catalizador (prote\u00ednas s\u00e3o melhores). Uma vez que o RNA pode servir de c\u00f3digo para o DNA, e como o RNA tamb\u00e9m pode ligar amino\u00e1cidos em prote\u00ednas, a vida evoluiu de uma forma que o DNA se especializou em heran\u00e7a, enquanto as prote\u00ednas, tais como enzimas, se especializaram em cat\u00e1lises de alto desempenho. O RNA \u00e9 um mero mensageiro entre os dois.<br \/>\nA vida continuou a se especializar. As c\u00e9lulas de animais e plantas mais evolu\u00eddos cont\u00e9m organelas tais como mitoc\u00f4ndrias (que se especializaram em usar o oxig\u00eanio) que uma vez foram bact\u00e9rias livres. Eles agora coabitam com nossas c\u00e9lulas ancestrais, mas mant\u00e9m seu pr\u00f3prio DNA como prova de seu estado independente anterior.<br \/>\nIgualmente, os pr\u00f3prios animais e plantas surgiram quando as c\u00e9lulas se juntaram em organismos multicelulares. Todas as nossas c\u00e9lulas atualmente se especializam \u2013 elas n\u00e3o s\u00e3o mais auto-suficientes e, quando isoladas do corpo principal, morrem \u2013 mas o que elas perderam em auto-sufici\u00eancia, ganharam com a coopera\u00e7\u00e3o com outras c\u00e9lulas no complexo do corpo de um animal ou planta.<br \/>\nEm outra de suas grandes obras, &#8220;A Teoria dos Sentimentos Morais&#8221;, Adam Smith mostrou que as equipes de seres humanos s\u00f3 podem sobreviver se forem embasadas em um sistema de confian\u00e7a que impe\u00e7a a trapa\u00e7a. Igualmente, a coopera\u00e7\u00e3o entre as c\u00e9lulas depende do policiamento da trapa\u00e7a ou do individualismo, ou vai surgir uma auto-destrui\u00e7\u00e3o, tal como o c\u00e2ncer.<br \/>\nEm um fascinante artigo, publicado na <em>Nature<\/em>, Gregory Velicer, do Instituto Max Plank em T\u00fcbingen, Alemanha, pode ter identificado uma primitiva qu\u00edmica de confian\u00e7a. <em>Myxococcus xanthus<\/em> \u00e9 uma bact\u00e9ria do solo que, quando o alimento \u00e9 escasso, se engaja em um ato de auto-sacrif\u00edcio altru\u00edstico. Cerca de 100.000 indiv\u00edduos se fundem em um esporo que alimenta, com os restos dos 100.000, uns poucos indiv\u00edduos, permitindo sua sobreviv\u00eancia.<br \/>\nPor\u00e9m existem cepas trapaceiras de <em>M xanthus<\/em> que simplesmente invadem os esporos altru\u00edsticos e roubam a comida, levando os altr\u00edstas \u00e0 morte. Aparentemente, as trapaceiras s\u00e3o mais espertas do que as altru\u00edstas. Entretanto, elas s\u00e3o suic\u00eddas, bem como assassinas, porque quando as cepas trapaceira e altru\u00edsta s\u00e3o misturadas, sob condi\u00e7\u00f5es de inani\u00e7\u00e3o, todas as bact\u00e9rias morrem, porque as trapaceiras matam as altru\u00edstas sem ter uma estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia pr\u00f3pria.<br \/>\nPor\u00e9m, Velicer mostrou, agora, que as trapaceiras s\u00e3o realmente espertas porque, sob estas condi\u00e7\u00f5es, elas pr\u00f3prias podem, algumas vezes, evoluir por muta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea em altru\u00edstas. Assim, na verdade, elas podem sobreviver, uma vez tendo matado as altru\u00edstas originais, se tornando elas pr\u00f3prias fabricantes altru\u00edstas de esporos. E Velicer mostrou, agora, que o gene que sofre a muta\u00e7\u00e3o para promover o altru\u00edsmo \u00e9 um que codifica uma prote\u00edna chamada acetil-transferase. Em resumo, acetil-transferase \u00e9 uma enzima virtuosa. Como? Isso Velicer ainda n\u00e3o sabe.<br \/>\nMas a acetil-transferase tem ainda outro truque na manga, porque ela assegura que as novas cepas altru\u00edstas resistam \u00e0 invas\u00e3o por outras trapaceiras. Isto \u00e9 esperteza, porque a coopera\u00e7\u00e3o que fica restrita aos membros de uma comunidade \u00e9 o segredo do sucesso, n\u00e3o somente entre as bact\u00e9rias. Empresas de especialistas de fabrica\u00e7\u00e3o de alfineites podem triunfar sobre fabricantes solit\u00e1rios de alfineites, da mesma forma que, na pol\u00edtica, as democracias podem suplantar as tiranias porque seus cidad\u00e3os cooperam mais eficientemente. Como Velicer mostra agora, a base para o sucesso dos grupos provavelmente reside em uma classe de enzimas que n\u00f3s compartilhamos com as bact\u00e9rias, a classe das acetil-transferases, cujo impacto sentimos da Bolsa de Valores, at\u00e9 o Parlamento.<\/p><\/blockquote>\n<p>Boas novas!&#8230; Parece que o mau-caratismo \u00e9 mesmo anti-natural. Comparem com o artigo <a href=\"http:\/\/chivononpo.blogspot.com\/2006\/04\/cooperao-forada.html\">Coopera\u00e7\u00e3o For\u00e7ada<\/a>, neste mesmo Blog.<br \/>\n<\/span><em><br \/>\n<\/em><\/div>\n<div class=\"blogger-post-footer\">http:\/\/chivononpo.blogspot.com\/atom.xml<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um artigo interessante que apareceu no The Times. 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