{"id":13,"date":"2005-05-25T16:55:00","date_gmt":"2005-05-25T19:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/2005\/05\/afinal-o-que-e-ciencia\/"},"modified":"2005-05-25T16:55:00","modified_gmt":"2005-05-25T19:55:00","slug":"afinal-o-que-e-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2005\/05\/25\/afinal-o-que-e-ciencia\/","title":{"rendered":"Afinal, o que \u00e9 &#8220;ci\u00eancia&#8221;?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial\">Salve, Pessoal! Quem j\u00e1 se deu ao trabalho de ler meus artigos anteriores, pode estar estranhando esta mat\u00e9ria&#8230; Afinal, quem \u00e9 o Jo\u00e3o para tecer coment\u00e1rios sobre &#8220;o que \u00e9 ci\u00eancia&#8221;? Bom&#8230; Apesar de conhecer o ad\u00e1gio &#8220;n\u00e3o v\u00e1 o sapateiro al\u00e9m das sand\u00e1lias&#8221;, conhe\u00e7o tamb\u00e9m o que diz: &#8220;n\u00e3o \u00e9 preciso ser cozinheiro para saber se a comida est\u00e1 bem temperada&#8221;.<\/span><br \/>\nE, por incongruente que isso possa parecer, minhas duas principais \u00e1reas (atuais) de interesse (al\u00e9m de xingar o governo, \u00e9 claro&#8230;) s\u00e3o &#8220;Religi\u00f5es &amp; Teologias&#8221; e &#8220;Cosmologia &amp; F\u00edsica de Part\u00edculas&#8221; (&#8230;t\u00e1 bem, Daniel: &#8220;F\u00edsica de Altas Energias&#8221;). Parece uma contradi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9? &#8220;Misticismo&#8221; e &#8220;Ci\u00eancia&#8221; s\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o, antag\u00f4nicos. Enquanto os m\u00edsticos t\u00eam respostas para tudo, os cientistas t\u00eam perguntas para tudo. O m\u00edstico \u00e9 imbu\u00eddo de f\u00e9, o cientista, de d\u00favida. A \u00fanica semelhan\u00e7a \u00e9 que ambos buscam respostas para o que n\u00e3o compreendem.<br \/>\nVamos deixar o misticismo de lado, por enquanto (prometo que volto ao assunto <span style=\"font-weight: bold\">e eu n\u00e3o jogo basquete<\/span>), e vamos ver algo sobre a &#8220;ci\u00eancia&#8221;.<br \/>\nBem&#8230; A primeira observa\u00e7\u00e3o cab\u00edvel \u00e9 que a <span style=\"font-weight: bold\">ci\u00eancia<span style=\"font-weight: bold\"> <\/span><\/span>n\u00e3o \u00e9 algo <span style=\"font-weight: bold\">definitivo<\/span>. Exemplificando: nos tempos antigos, <span style=\"font-style: italic\">&#8220;todo o mundo&#8221;<\/span> sabia que a Terra era plana e ficava bem no meio do Universo (isso n\u00e3o \u00e9 bem verdade: os fil\u00f3sofos gregos j\u00e1 sabiam que a Terra era redonda e sabiam at\u00e9 qual era o tamanho de sua circunfer\u00eancia, mas <span style=\"font-style: italic\">&#8220;todo o mundo&#8221;<\/span> n\u00e3o se lembrava mais disso). At\u00e9 que apareceram os Galileus e Cop\u00e9rnicos da vida, e demonstraram que <span style=\"font-weight: bold\">n\u00e3o era bem assim<\/span>. E os Colombos e Magalh\u00e3es da vida que demonstraram que a Terra, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o era plana, como <span style=\"font-style: italic\">&#8220;todo o mundo&#8221;<\/span> n\u00e3o era, sequer, <span style=\"font-weight: bold\">&#8220;todo o mundo&#8221;<\/span>. \u00c9 claro que eu estou apresentando a hist\u00f3ria do ponto de vista em que somos ensinados: o ponto de vista europeu, que divide o mundo em Europa (que geopol\u00edticamente inclui as col\u00f4nias dos Estados Unidos e Canad\u00e1), Oriente M\u00e9dio, \u00cdndias, Extremo Oriente, \u00c1frica, o resto das Am\u00e9ricas (derrisivamente chamado de &#8216;Am\u00e9rica Latina&#8221;, como se a Guiana, Belize, Suriname e demais pa\u00edses da Am\u00e9rica Insular nem existissem), Oceania (que, para eles se resume em Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia e &#8220;Ilhas Ex\u00f3ticas&#8221;, a n\u00e3o ser, talvez, pelo Hawaii) e Ant\u00e1ritica. Relutantemente se admite que a civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o nasceu na Europa: fala-se no Antigo Egito e na Mesopot\u00e2mia, enquanto se omite totalmente as civiliza\u00e7\u00f5es dos vales dos rios Indo, Ganges, Mecong, Azul e Amarelo (que s\u00f3 aparecem quando Marco Polo fala nelas: at\u00e9 a\u00ed, elas n\u00e3o existiam). Deixem eu voltar \u00e0 vaca fria&#8230;<br \/>\nBom&#8230; Saltando dessa concep\u00e7\u00e3o primitiva do Cosmos, vamos para o que, atualmente, \u00e9 reconhecido como <span style=\"font-weight: bold\">ci\u00eancia<\/span>: a Terra \u00e9 um planetinha fuleiro (a <span style=\"font-style: italic\">Terceira Pedrinha, a partir do Sol<\/span>), que faz parte de um bin\u00e1rio Terra &#8211; Lua (a Lua \u00e9 grande demais para ser um mero sat\u00e9lite), que circunda em \u00f3rbita el\u00edptica uma estrelinha de 5\u00aa, na periferia de <span style=\"font-weight: bold\">um<\/span> dos bra\u00e7os de uma gal\u00e1xia espiral de tamanho mediano, que faz parte de um grupo local de gal\u00e1xias (algumas delas bem maiores do que nossa Via L\u00e1ctea), que \u00e9 apenas um dos incont\u00e1veis grupos de gal\u00e1xias em um Universo Conhec\u00edvel, porque j\u00e1 se admite que devem existir mais coisas no Universo do que jamais poderemos ver&#8230;<br \/>\nUm pouquinho diferente daqueles &#8220;mapas mundi&#8221; da Idade M\u00e9dia que botavam Jerusal\u00e9m (por que n\u00e3o Bel\u00e9m?) no centro do &#8220;Mundo&#8221; que, por sua vez, era o Centro do Universo, n\u00e9?<br \/>\nPor outro lado, quando <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paracelso\">Paracelso<\/a> enunciou que <span style=\"font-style: italic\">&#8220;todas as doen\u00e7as eram um resultado de um desequil\u00edbrio (al)qu\u00edmico no corpo&#8221;<\/span>, o que passava por <span style=\"font-weight: bold\">ci\u00eancia<\/span>, na \u00e9poca, \u00e9 que havia quatro <span style=\"font-weight: bold\">elementos: terra, \u00e1gua, ar e fogo<\/span>, aos quais Teofrasto acrescentava tr\u00eas <span style=\"font-style: italic\">&#8220;subst\u00e2ncias&#8221;<span style=\"font-style: italic\">: o enx\u00f4fre, o merc\u00fario e o sal<\/span><\/span>. \u00c9 bem verdade que os <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Atomistas\">atomistas<\/a> gregos, no s\u00e9culo V A.C., j\u00e1 tinham apresentado um conceito diferente de &#8220;mat\u00e9ria&#8221;, mas a <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Alquimia\">alquimia<\/a> lidava com <span style=\"font-style: italic\">&#8220;subst\u00e2ncias&#8221;<\/span> que supunha serem compostas de diferentes misturas dos <span style=\"font-style: italic\">&#8220;elementos&#8221;<\/span>. A <span style=\"font-weight: bold\">ci\u00eancia<\/span> dos tempos de Paracelso n\u00e3o estava apta a comprovar o acerto de sua teoria, porque seu conhecimento da estrutura da mat\u00e9ria (principalmente da mat\u00e9ria org\u00e2nica) era totalmente insuficiente. <span style=\"font-weight: bold\">Errado? N\u00e3o!<\/span> O que, naquele tempo, era conhecido como <span style=\"font-style: italic\">elementos<\/span>, hoje \u00e9 conhecido como <span style=\"font-style: italic\">fases da mat\u00e9ria<\/span>, a saber: s\u00f3lido, l\u00edquido, gasoso e plasma (Condensados de Bose-Einstein e Mat\u00e9ria Degenerada n\u00e3o vale&#8230;). E o pr\u00f3prio conceito de <span style=\"font-weight: bold\">\u00e1tomo<\/span> de <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Leucipo_de_Mileto\">Leucipo<\/a> e <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Dem%C3%B3crito_de_Abdera\">Dem\u00f3crito<\/a> era bem diferente do atual conceito, que \u00e9 tamb\u00e9m bastante diferente daquele apresentado por <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ernest_Rutherford\">Rutherford<\/a>, que nem sonhava com a exist\u00eancia das For\u00e7as Nucleares.<br \/>\nNo princ\u00edpio do s\u00e9culo passado, ocorreram duas verdadeiras revolu\u00e7\u00f5es na F\u00edsica. Uma foi a introdu\u00e7\u00e3o do conceito dos <span style=\"font-style: italic\">quanta<\/span> de energia, que levou ao ramo da <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/F%C3%ADsica_de_part%C3%ADculas\">F\u00edsica de Altas Energias<\/a>, onde se estuda as part\u00edculas subat\u00f4micas, ou seja: a composi\u00e7\u00e3o mais detalhada poss\u00edvel daquilo que chamamos de &#8220;realidade&#8221;. A outra foi a formula\u00e7\u00e3o, por <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Einstein\">Albert Einstein<\/a>, da <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teoria_da_relatividade\">Teoria da Relatividade<\/a>, que, em \u00faltima an\u00e1lise, trata da estrutura do Universo. (\u00c9 importante notar que o <span style=\"font-style: italic\">link<\/span> para a WikiPedia em Portugu\u00eas fala somente da Relatividade Restrita ou Especial. A Teoria da Relatividade Geral, que \u00e9 o que se aplica no atual estudo da cosmologia, \u00e9 mencionada, <span style=\"font-style: italic\">en passant<\/span>, como &#8220;publicada, dez anos depois, incorporando a gravidade&#8221;, como se isso fosse um detalhe menor&#8230;). J\u00e1 na primeira vers\u00e3o a Teoria da Relatividade incluia a famosa equa\u00e7\u00e3o: <span style=\"font-weight: bold\">E = mc\u00b2<\/span>. Isso nos diz que mat\u00e9ria e energia s\u00e3o a mesm\u00edssima coisa, ou dizendo de uma forma mais rigorosa, que a mat\u00e9ria (massa) pode ser traduzida em termos de energia.<br \/>\nBom, n\u00e9?&#8230; <span style=\"font-weight: bold\">S\u00f3 que, quase um s\u00e9culo depois, ainda n\u00e3o conseguiram conciliar a Cosmologia Relativ\u00edstica com a F\u00edsica de Altas Energias!<\/span> Parece brincadeira, mas n\u00e3o \u00e9!&#8230; E o que \u00e9 pior, <span style=\"font-weight: bold\">com a tecnologia que dispomos atualmente, ambas as abordagens sobre a &#8220;realidade do Universo&#8221; parecem rigorosamente corretas<\/span>, s\u00f3 que n\u00e3o integr\u00e1veis. \u00c9 como se o Universo se comportasse de uma maneira na escala &#8220;macro&#8221; e de outra, na escala &#8220;micro&#8221;&#8230; As abordagens que, inicialmente, pareciam mais promissoras, como as teorias das Cordas (<span style=\"font-style: italic\">Strings<\/span>) e &#8220;M&#8221;, envolvem a exist\u00eancia de uma grande quantidade de dimens\u00f5es extras (al\u00e9m das quatro do espa\u00e7o-tempo relativ\u00edstico) e t\u00eam um grande defeito: <span style=\"font-weight: bold\">n\u00e3o oferecem previs\u00f5es comprov\u00e1veis por experi\u00eancias!<\/span> Ou seja, um monte de matem\u00e1tica complicad\u00edssima e totalmente fora do alcance de n\u00f3s, meros mortais, e que, at\u00e9 agora, n\u00e3o explicou coisa alguma&#8230;<br \/>\nSer\u00e1 que, ent\u00e3o, eu estou afirmando que a &#8220;ci\u00eancia&#8221; \u00e9 uma farsa? Eu estaria parafraseando S\u00e3o Paulo: <span style=\"font-style: italic\">&#8220;toda a sabedoria humana \u00e9 loucura aos olhos de Deus&#8221;<\/span>? <span style=\"font-weight: bold\">Nada disso!<\/span><br \/>\nQuando <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Amedeo_Avogadro\">Avogadro<\/a> previu que um determinado volume de qualquer g\u00e1s, em condi\u00e7\u00f5es fixas de temperatura e press\u00e3o, deveria conter um mesmo n\u00famero de mol\u00e9culas, ningu\u00e9m tinha a menor no\u00e7\u00e3o do que eram &#8220;mol\u00e9culas&#8221; (ali\u00e1s, usava-se livremente os termos &#8220;\u00e1tomo&#8221; e &#8220;mol\u00e9cula&#8221;, um pelo outro). O n\u00famero de mol\u00e9culas s\u00f3 foi calculado em 1865 por Johann Joseph Loschmidt. E, aquilo que nos \u00e9 apresentado na escola como uma &#8220;constante&#8221;, na verdade \u00e9 uma decorr\u00eancia da defini\u00e7\u00e3o de &#8220;grama&#8221;, em termos da massa at\u00f4mica do is\u00f3topo de Carbono 12. Da mesma forma, o valor da &#8220;constante&#8221; da velocidade da luz no v\u00e1cuo \u00e9 que define o valor do &#8220;metro&#8221;.<br \/>\n<span style=\"font-weight: bold\">Ci\u00eancia \u00e9 isso: a melhor explica\u00e7\u00e3o que se pode obter com a tecnologia dispon\u00edvel, daquilo que \u00e9 observ\u00e1vel! <\/span><\/p>\n<div class=\"blogger-post-footer\">http:\/\/chivononpo.blogspot.com\/atom.xml<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salve, Pessoal! Quem j\u00e1 se deu ao trabalho de ler meus artigos anteriores, pode estar estranhando esta mat\u00e9ria&#8230; Afinal, quem \u00e9 o Jo\u00e3o para tecer coment\u00e1rios sobre &#8220;o que \u00e9 ci\u00eancia&#8221;? 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