{"id":138,"date":"2006-10-31T00:04:00","date_gmt":"2006-10-31T03:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/2006\/10\/a-ciencia-de-fazer-arte-e-a-arte-de-fazer-ciencia\/"},"modified":"2006-10-31T00:04:00","modified_gmt":"2006-10-31T03:04:00","slug":"a-ciencia-de-fazer-arte-e-a-arte-de-fazer-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2006\/10\/31\/a-ciencia-de-fazer-arte-e-a-arte-de-fazer-ciencia\/","title":{"rendered":"A ci\u00eancia de fazer arte e a arte de fazer ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2011\/08\/roda127.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 0pt 10px 10px 0pt;float: left;width: 200px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2011\/08\/roda127.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: verdana\">A arte \u00e9 uma quest\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o e habilidade nata, enquanto a ci\u00eancia \u00e9 uma quest\u00e3o de observar os fatos, fazer medi\u00e7\u00f5es e extrair dessas observa\u00e7\u00f5es leis gen\u00e9ricas, que possam ser comprovadas por futuras experi\u00eancias.<br \/>\nMas ser\u00e1 s\u00f3 isso, mesmo? O quanto de ci\u00eancia cont\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica? E o quanto de arte tem a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica?<br \/>\nAs rela\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas nas artes pl\u00e1sticas s\u00e3o bem conhecidas, assim como na m\u00fasica. Mas quanta ci\u00eancia haveria em um romance, por exemplo?<br \/>\nPor outro lado, o quanto a inspira\u00e7\u00e3o tem a ver com o trabalho cient\u00edfico?<br \/>\n\u00c9 curioso observar que as grandes obras liter\u00e1rias &#8211; por exemplo &#8211; cont\u00e9m uma grande parcela que se pode identificar como &#8220;ci\u00eancia&#8221;. Os equil\u00edbrios e as disson\u00e2ncias, o emprego da l\u00f3gica (principalmente para levar o leitor a um cl\u00edmax surpreendente) e a forma de abordagem do tema, para a obten\u00e7\u00e3o do efeito desejado: prender a aten\u00e7\u00e3o do leitor e transmitir a mensagem pretendida. \u00c9 isso que diferencia uma grande obra liter\u00e1ria, uma bela poesia, uma narrativa bem feita, da grande maioria das obras liter\u00e1rias que poderiam muito bem nem terem sido paridas.<br \/>\nSempre se pode argumentar que grandes obras art\u00edsticas s\u00e3o produzidas por pessoas com pouco ou nenhum conhecimento cient\u00edfico. Concedo&#8230; O que n\u00e3o significa que a ci\u00eancia n\u00e3o esteja l\u00e1: apenas o autor n\u00e3o tem a no\u00e7\u00e3o consciente disso. A melhor prova disso foi dada por Louis Armstrong &#8211; o genial trompetista &#8211; que respondeu a uma pergunta sobre como improvisar sobre um tema musical: &#8220;cara, se voc\u00ea tem que perguntar, nunca vai entender&#8221;. Qualquer um \u00e9 capaz de improvisar sobre um tema musical, mas s\u00f3 aqueles que sabem como faz\u00ea-lo, v\u00e3o obter resultados que provoquem admira\u00e7\u00e3o. Ci\u00eancia? Em minha opini\u00e3o, sim.<br \/>\nE o trabalho cient\u00edfico? Em sua maior parte a produ\u00e7\u00e3o de dados cient\u00edficos se assemelha \u00e0quelas obras liter\u00e1rias a que me referi acima: poderiam muito bem jamais terem sido feitas&#8230; \u00c9 s\u00f3 verificar os anais do &#8220;Pr\u00eamio IgNobel&#8221; para ver quanto do que passa por trabalho cient\u00edfico nada acrescenta \u00e0 ci\u00eancia.<br \/>\nMas toda e qualquer descoberta inovadora tem um &#8220;que&#8221; de inspira\u00e7\u00e3o. Algo que vai al\u00e9m da mera observa\u00e7\u00e3o dos fatos e seu registro. Aquele momento em que o cientista para de observar o universo com os olhos do cotidiano e tem seu &#8220;momento de artista&#8221;: a inspira\u00e7\u00e3o de raciocinar &#8220;e se &#8211; em lugar de fazer como sempre &#8211; tentarmos uma abordagem diferente?&#8221;<br \/>\nDa mesma forma com que o escultor v\u00ea no bloco de pedra a est\u00e1tua e trata de retirar os peda\u00e7os que sobram, o cientista busca o oculto na apar\u00eancia do cotidiano. De igual modo ao poeta que alinhava palavras &#8211; gastas na repeti\u00e7\u00e3o coloquial di\u00e1ria &#8211; e delas extrai efeitos comoventes, o cientista associa fatos conhecidos e deles extrai novas linhas de racioc\u00ednio que abrem novas fronteiras no conhecimento.<br \/>\nEm resumo: sem o fator &#8220;criatividade&#8221;, tanto a arte como a ci\u00eancia j\u00e1 teriam desaparecido. A arte se resumiria a uma cont\u00ednua repeti\u00e7\u00e3o de f\u00f3rmulas consagradas e a ci\u00eancia a um &#8220;saber enciclop\u00e9dico&#8221;, encerrado nas p\u00e1ginas amareladas do j\u00e1 conhecido.<br \/>\nPor isso, eu &#8211; que n\u00e3o sou artista, nem cientista &#8211; afirmo que, sem sombra de d\u00favida, existe uma ci\u00eancia para fazer (boa) arte, assim como uma arte para fazer (boa) ci\u00eancia.<br \/>\n(Por favor, qualquer coment\u00e1rio deve ser postado <a href=\"http:\/\/rodadeciencia.blogspot.com\/2006\/10\/cincia-de-fazer-arte-e-arte-de-fazer.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n<\/span><\/div>\n<div class=\"blogger-post-footer\">http:\/\/chivononpo.blogspot.com\/atom.xml<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A arte \u00e9 uma quest\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o e habilidade nata, enquanto a ci\u00eancia \u00e9 uma quest\u00e3o de observar os fatos, fazer medi\u00e7\u00f5es e extrair dessas observa\u00e7\u00f5es leis gen\u00e9ricas, que possam ser comprovadas por futuras experi\u00eancias. 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