{"id":1460,"date":"2013-05-29T17:09:58","date_gmt":"2013-05-29T20:09:58","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/?p=1460"},"modified":"2013-05-29T17:09:58","modified_gmt":"2013-05-29T20:09:58","slug":"novo-fenomeno-observado-em-um-magnetar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2013\/05\/29\/novo-fenomeno-observado-em-um-magnetar\/","title":{"rendered":"Novo fen\u00f4meno observado em um Magnetar"},"content":{"rendered":"<div><span style=\"line-height: 1.6em\">29 de maio de 2013<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Os astr\u00f4nomos que empregam o Telesc\u00f3pio Espacial de Raios-X Swift da NASA, observaram a s\u00fabita diminui\u00e7\u00e3o da velocidade de rota\u00e7\u00e3o de uma estrela de n\u00eautrons, o que pode dar pistas para compreender o que se passa nesses objetos estelares extremamente densos.<\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma estrela de n\u00eautrons \u00e9 o n\u00facleo esmagado de uma estrela massiva que extinguiu seu combust\u00edvel, colapsou sob seu pr\u00f3prio peso e explodiu como uma supernova. Uma estrela de n\u00eautrons pode girar t\u00e3o r\u00e1pido quanto 43.000 rota\u00e7\u00f5es por minuto e exibir um campo magn\u00e9tico um trilh\u00e3o de vezes mais forte do que o da Terra. A mat\u00e9ria de uma estrela de n\u00eautrons \u00e9 t\u00e3o densa que uma colher de ch\u00e1 dessa mat\u00e9ria pesaria cerca de um bilh\u00e3o de toneladas na Terra.<\/p>\n<p><a title=\"'s rendering of an outburst on an ultra-magnetic neutron star, also called a magnetar\" href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/images\/content\/751988main_magnetar_art_large.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"artist's rendering of an outburst on an ultra-magnetic neutron star, also called a magnetar\" alt=\"artist's rendering of an outburst on an ultra-magnetic neutron star, also called a magnetar\" src=\"http:\/\/www.nasa.gov\/images\/content\/751989main1_magnetar_art_673.jpg\" width=\"673\" height=\"378\" align=\"Bottom\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: center\">Uma concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica de uma emana\u00e7\u00e3o partida de uma estrela de n\u00eautrons magn\u00e9tica, tamb\u00e9m chamada de magnetar.<br \/>\n<b>Cr\u00e9dito:<\/b>\u00a0Centro de Voo Espacial Goddard da NASA<br \/>\n<b><b><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/images\/content\/751988main_magnetar_art_large.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\">\u203aImagem ampliada<\/a><\/b><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta estrela de n\u00eautrons, 1E 2259+586, fica a cerca de 10.000 anos-luz da Terra, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o Cassiopeia. Ela \u00e9 uma das cercas de duas d\u00fazias de estrelas de n\u00eautrons chamadas magnetares, que t\u00eam poderosos campos magn\u00e9ticos e ocasionalmente produzem explos\u00f5es ou pulsos de alta energia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As observa\u00e7\u00f5es dos pulsos de Raios-X da 1E 2259+586, de julho de 2011 at\u00e9 meados de abril de 2012, indicavam que a rota\u00e7\u00e3o do magnetar estava diminuindo gradualmente, desde uma vez a cada sete segundos, ou seja: cerca de oito revolu\u00e7\u00f5es por minuto. Em 28 de abril de 2012, os dados mostraram que a taxa de rota\u00e7\u00e3o caiu abruptamente em 2,2 milion\u00e9simos de segundo e que o magnetar estava freando sua rota\u00e7\u00e3o mais rapidamente.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/images\/content\/751995main_CTB109_large.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\"><img decoding=\"async\" title=\"false-color X-ray image of the CTB 109 supernova remnant\" alt=\"false-color X-ray image of the CTB 109 supernova remnant\" src=\"http:\/\/www.nasa.gov\/images\/content\/751996main1_CTB109_673.jpg\" width=\"673\" height=\"379\" align=\"Bottom\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<div>O 1E 2259+586 brilha em um branco azulado luminoso nesta imagem de raios-X com cores falsas dos remanescentes da supernova CTB que ficam a cerca de 10.000 anos-luz de dist\u00e2ncia na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o Cassiopeia. A CTB 109 \u00e9 somente um dos tr\u00eas remanescentes de supernovas em nossa gal\u00e1xia conhecidos por abrigarem um magnetar. Os raios-X de baixa, m\u00e9dia e alta energias s\u00e3o mostrados respectivamente nas cores vermelho, verde e azul nesta imagem criada a partir de observa\u00e7\u00f5es obtidas pelo sat\u00e9lite XMM-Newton da Ag\u00eancia Espacial Europ\u00e9ia em 2002.<br \/>\n<b>Cr\u00e9dito:<\/b>\u00a0ESA\/XMM-Newton\/M. Sasaki et al.<br \/>\n<b><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/images\/content\/751995main_CTB109_large.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\">\u203a Imagem ampliada<\/a><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><span style=\"line-height: 1.6em\">&#8220;Os astr\u00f4nomos testemunharam\u00a0<\/span>centenas<span style=\"line-height: 1.6em\">\u00a0de eventos, chamados <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Glitch\">glitches<\/a>, associados com s\u00fabitos aumentos na rota\u00e7\u00e3o de estrelas de n\u00eautrons, por\u00e9m esta s\u00fabita diminui\u00e7\u00e3o da rota\u00e7\u00e3o nos pegou com a guarda baixa&#8221;, declarou Victoria Kaspi, professora de f\u00edsica na Universidade McGill \u00a0em Montreal. Ela lidera uma equipe que usa o Swift para monitorar os magnetares rotineiramente.<\/span><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">O astr\u00f4nomos batizaram o evento de &#8220;anti-glitch&#8221;, segundo o co-autor Neil Gehrels, principal investigador \u00a0da miss\u00e3o Swift no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. &#8220;Ele afetou o magnetar de maneira exatamente oposta a qualquer outro glitch claramente identificado em qualquer outra estrela de n\u00eautrons j\u00e1 visto&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta descoberta tem importantes implica\u00e7\u00f5es para a compreens\u00e3o das extremas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas presentes dentro das estrelas de n\u00eautrons, onde a mat\u00e9ria \u00e9 comprimida at\u00e9 densidades v\u00e1rias vezes maiores do que em um n\u00facleo at\u00f4mico. Nenhum laborat\u00f3rio na Terra consegue duplicar essas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um relat\u00f3rio das descobertas ser\u00e1 publicado na edi\u00e7\u00e3o de 30 de maio da\u00a0<em>Nature<\/em>.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/images\/content\/751993main_Manhattan_NS_large.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-4\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\"><img decoding=\"async\" title=\"artist concept of neutron star compared to satellite image of Manhattan for scale\" alt=\"artist concept of neutron star compared to satellite image of Manhattan for scale\" src=\"http:\/\/www.nasa.gov\/images\/content\/751994main1_Manhattan_NS_673.jpg\" width=\"673\" height=\"379\" align=\"Bottom\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<div>Uma estrela de n\u00eautrons \u00e9 o objeto mais denso que os astr\u00f4nomos podem observar diretamente, onde meio milh\u00e3o de massas da Terra s\u00e3o comprimidos em uma esfera de cerca de 24 km de di\u00e2metro, ou seja, mais ou menos o tamanho da ilha de Manhattan, como mostrado nesta ilustra\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<b>Cr\u00e9dito:<\/b>\u00a0Centro de Voo Espacial Goddard da NASA<br \/>\n<b><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/images\/content\/751993main_Manhattan_NS_large.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-5\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\">\u203a Imagem ampliada<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/svs.gsfc.nasa.gov\/goto?11260\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><br \/>\n<\/a><\/b><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">A estrutura interna das estrelas de n\u00eautrons \u00e9 um quebra-cabe\u00e7as h\u00e1 muito tempo. A teoria corrente mant\u00e9m que uma estrela de n\u00eautrons tem uma crosta feita de el\u00e9trons e \u00edons; um interior que cont\u00e9m extravag\u00e2ncias que incluem um superfluido de n\u00eautrons, que \u00e9 um bizarro estado da mat\u00e9ria sem fric\u00e7\u00e3o; e uma superf\u00edcie que acelera correntes de part\u00edculas de alta energia atrav\u00e9s do intenso campo magn\u00e9tico da estrela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As part\u00edculas das correntes drenam a energia da crosta. A crosta perde rota\u00e7\u00e3o, por\u00e9m o fluido no interior resiste a essa frenagem. Esta tens\u00e3o fratura a crosta. Quando isso acontece, ocorre um a glitch. Acontece uma emiss\u00e3o de raios-X e a estrela ganha um impulso na rota\u00e7\u00e3o de seu interior que est\u00e1 girando mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um processo que leve a uma s\u00fabita frenagem na rota\u00e7\u00e3o \u00a0constitu\u00ed um novo desafio te\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 21 de abril de 2012, apenas uma semana antes do Swift observar o anti-glitch, a 1E 2259+586 produziu uma emiss\u00e3o breve por\u00e9m intensa de raios-X, detectada pelo Monitor de Raios-X a bordo do Telesc\u00f3pio Espacial de Raios Gama Fermi da NASA. Os cientistas pensam que esta erup\u00e7\u00e3o de luz de alta energia de 36 milissegundos provavelmente assinalou as mudan\u00e7as que causaram a frenagem do magnetar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;O que \u00e9 realmente digno de nota neste evento \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o da frenagem abrupta do magnetar, a emiss\u00e3o de raios-X e o fato de que agora observamos a estrela girando cada vez mais devagar&#8221;, diz o principal autor, Robert Archibald, estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na McGill.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Centro Goddard gerencia o Swift, lan\u00e7ado em novembro de 2004. O telesc\u00f3pio \u00e9 operado em colabora\u00e7\u00e3o com a Universidade do Estado da Pennsylvania em University Park, o Laborat\u00f3rio Nacional de Los Alamos no Novo M\u00e9xico e a Orbital Sciences Corp. em Dulles, Virg\u00ednia. Os colaboradores internacionais s\u00e3o o Reino Unido e a It\u00e1lia e a miss\u00e3o conta com contribui\u00e7\u00f5es da Alemanha e do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0# # #<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/swift\/bursts\/new-phenom.html\">NASA&#8217;s Swift Reveals New Phenomenon in a Neutron Star<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>29 de maio de 2013 Os astr\u00f4nomos que empregam o Telesc\u00f3pio Espacial de Raios-X Swift da NASA, observaram a s\u00fabita diminui\u00e7\u00e3o da velocidade de rota\u00e7\u00e3o de uma estrela de n\u00eautrons, o que pode dar pistas para compreender o que se passa nesses objetos estelares extremamente densos. 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