{"id":188,"date":"2007-07-17T21:15:00","date_gmt":"2007-07-18T00:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/2007\/07\/o-que-ha-de-errado-com-o-ensino\/"},"modified":"2007-07-17T21:15:00","modified_gmt":"2007-07-18T00:15:00","slug":"o-que-ha-de-errado-com-o-ensino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2007\/07\/17\/o-que-ha-de-errado-com-o-ensino\/","title":{"rendered":"O que h\u00e1 de errado com o ensino?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2011\/08\/roda127.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 0pt 10px 10px 0pt;float: left;width: 164px;height: 236px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2011\/08\/roda127.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2011\/08\/roda1.21.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 0pt 10px 10px 0pt;float: left;width: 200px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2011\/08\/roda1.21.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2011\/08\/roda1.21.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 0pt 10px 10px 0pt;float: left;width: 200px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2011\/08\/roda1.21.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<div style=\"text-align: right\"><span style=\"font-style: italic;font-family: verdana\">\u00abWhen I think back<\/span><br \/>\n<span style=\"font-style: italic;font-family: verdana\">of all the crap<br \/>\n<\/span> <span style=\"font-style: italic;font-family: verdana\">I&#8217;ve learnt in High School,<br \/>\n<\/span><span style=\"font-style: italic;font-family: verdana\">it&#8217;s a wonder that<br \/>\nI can still think att all&#8221;<\/span><span style=\"font-family: verdana\"><br \/>\nPaul Simon<\/span><\/div>\n<p><span style=\"font-family: verdana\"><br \/>\nEu travei conhecimento com o Daniel (Doro Ferrante) atrav\u00e9s de um <span style=\"font-style: italic\">site <\/span>chamado &#8220;Queremos Saber&#8221;, na \u00e9poca, restrito ao Instituto de F\u00edsica da Universidade Federal do Cear\u00e1. Apesar desse <span style=\"font-style: italic\">site<\/span>, em particular, ter crescido e se tornado muito mais abrangente, eu s\u00f3 gostaria de mencionar uma pergunta, feita por um vestibulando de Direito: \u00abPara que raios eu tenho que saber o &#8220;N\u00famero de Avogadro&#8221;?\u00bb.<\/span><br \/>\nEu levo a coisa mais adiante: para que servem dois ter\u00e7os das baboseiras que aprendemos nos ensinos fundamental e m\u00e9dio?  O que adianta recitar como um papagaio os tempos verbais, se a pessoa n\u00e3o sabe quando e onde us\u00e1-los?<br \/>\nDe que adianta saber o nome dos afluentes da margem direita do Amazonas, se as pr\u00f3prias ruas da sua cidade lhe s\u00e3o desconhecidas?<br \/>\nTodo o mundo sabe que o Brasil foi descoberto em 1500, certo? <span style=\"font-weight: bold\">Errado!<\/span> Os \u00edndios j\u00e1 tinham descoberto esta terra bem antes.<br \/>\nE tome hist\u00f3ria pela vis\u00e3o euroc\u00eantrica, tome geografia de decoreba, ger\u00fandios e adjuntos adverbiais de instrumento, mes\u00f3clises, e conhecimentos tais como que a ponta dos ossos se chama ep\u00edfise&#8230; Ser\u00e1 que \u00e9 de estranahr que o estudante fique divagando, enquanto espera tocar o sinal do recreio, ou mesmo que &#8220;mate aula&#8221; para ir se divertir?&#8230;<br \/>\nE a matem\u00e1tica, ent\u00e3o?&#8230; No lugar de se expor a beleza de que tudo que existe tem uma express\u00e3o baseada na matem\u00e1tica, n\u00e3o!&#8230; Vamos apavorar os meninos com express\u00f5es aritm\u00e9ticas de assustar um Gauss. Vamos propor problemas chatos e insossos.<br \/>\nE, sobrtudo, jamais vamos ensinar \u00e0s crian\u00e7as a pensar com a pr\u00f3pria cabe\u00e7a! O &#8220;conte\u00fado program\u00e1tico&#8221; \u00e9 mais importante&#8230; Ou seja, despeje a mat\u00e9ria sobre as cabe\u00e7as cheias de imagina\u00e7\u00e3o, para soterrar a criatividade. Quanto mais c\u00f3pia da mat\u00e9ria garatujada a giz em um quadro-negro, melhor!<br \/>\nAs &#8220;ci\u00eancias&#8221; devem ser apresentadas como uma decoreba dos sistemas do corpo humano, da tabela peri\u00f3dica dos elementos e dos bra\u00e7ais c\u00e1lculos sobre o &#8220;N\u00famero de Avogadro&#8221; (que, por falar nisso, nem dele \u00e9&#8230;).<br \/>\nSabem por que eu sou uma rematada besta em biologia? Porque eu nunca aguentei decorebar o latin\u00f3rio. E, como me faz falta a f\u00edsica de 2\u00ba grau, escondida atr\u00e1s de f\u00f3rmulas que tinham que ser decorebadas.<br \/>\nEu devo muito a minha cultura geral a duas professoras de Portugu\u00eas do gin\u00e1sio (ambas pegaram a minha turma como &#8220;coroamento&#8221;): elas me ensinaram a redigir, a ter carinho pela linguagem como forma de comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas, e a buscar o modo mais correto para exprimir meus pensamentos (o que me levou a expandir meu vocabul\u00e1rio, para poder empregar os termos mais exatos poss\u00edveis).<br \/>\nAlguns, como eu, nascem curiosos; outros s\u00f3 enxergam as aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas das coisas. V\u00e1 explicar a uma &#8220;garota de programa&#8221; (que fatura em uma noite mais do que uma professora em muitos meses) que a juventude n\u00e3o \u00e9 eterna&#8230;<br \/>\nE, enquanto isso, a m\u00eddia enche nossos sentidos com um &#8220;consuma! consuma!&#8221; dos mais variados produtos in\u00fateis ou de efic\u00e1cia duvidosa. E fica o rapaz a se imaginar um famoso jogador de futebol, para ter uma Ferrari, e as meninas sonhando com o status de <span style=\"font-style: italic\">Maria Chuteiras<\/span>&#8230;<br \/>\nEnquanto isso, os professores que acabaram de aprender o mais novo modismo em t\u00e9nica de ensino (a \u00faltima not\u00edcia que eu tive foi quando as &#8220;intelig\u00eancias m\u00faltiplas&#8221; perderam seu <span style=\"font-style: italic\">status<\/span> de &#8220;novidade&#8221; para o &#8220;construtivismo&#8221;), correndo atr\u00e1s de t\u00e9cnicas de ensino e deixando de lado o mais importante: <span style=\"font-weight: bold\">ensinar as crian\u00e7as a raciocinar<\/span>.<br \/>\nO rendimento dos alunos est\u00e1 baixo? N\u00e3o tem problema: aumente-se a carga hor\u00e1ria&#8230; (com que professores, eu n\u00e3o sei&#8230;)<br \/>\nE n\u00e3o pensem que eu estou falando apenas das mazelas do Brasil. Robert A. Heinlein j\u00e1 denunciava, nos idos de 1960, que a maior parte dos americanos que chegava \u00e0 academia, era semi-analfabeta. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 &#8220;falta de recursos financeiros&#8221;.<br \/>\nToda a estrutura do ensino precisa passar por uma re-engenharia urgente. Sen\u00e3o, o <span style=\"font-style: italic\">gap<\/span> entre os letrados e os analfabetos funcionais s\u00f3 tende a aumentar. E qualquer na\u00e7\u00e3o de semi-analfabetos est\u00e1 pronta para cair nas m\u00e3os dos caudilhos, sejam do tipo Bush, seja do tipo Chavez, seja do tipo Bin Laden&#8230;<br \/>\nBrecht j\u00e1 punha na boca de Galileu: &#8220;infeliz do povo que precisa de her\u00f3is&#8221;. E eu pergunto, como botar na cabe\u00e7a de um infeliz que nem sabe se expressar direito, no\u00e7\u00f5es como &#8220;civilidade&#8221;, &#8220;meio-ambiente&#8221; e &#8220;cidadania&#8221;?<br \/>\nAs escolas de hoje est\u00e3o parecidas com os Comandos na Marinha: o atual sempre d\u00e1 saudades do anterior&#8230;<br \/>\nComent\u00e1rios <a href=\"http:\/\/rodadeciencia.blogspot.com\/2007\/07\/o-que-h-de-errado-com-o-ensino.html\">aqui<\/a>, por favor.<\/div>\n<div class=\"blogger-post-footer\">http:\/\/chivononpo.blogspot.com\/atom.xml<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abWhen I think back of all the crap I&#8217;ve learnt in High School, it&#8217;s a wonder that I can still think att all&#8221; Paul Simon Eu travei conhecimento com o Daniel (Doro Ferrante) atrav\u00e9s de um site chamado &#8220;Queremos Saber&#8221;, na \u00e9poca, restrito ao Instituto de F\u00edsica da Universidade Federal do Cear\u00e1. 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