{"id":2141,"date":"2016-03-25T18:23:00","date_gmt":"2016-03-25T21:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/?p=2141"},"modified":"2016-03-25T18:23:00","modified_gmt":"2016-03-25T21:23:00","slug":"a-procura-das-ondas-gravitacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2016\/03\/25\/a-procura-das-ondas-gravitacionais\/","title":{"rendered":"A procura das ondas gravitacionais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.insidescience.org\/\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i73.photobucket.com\/albums\/i222\/joaocarlos_photos\/BannernovodoISNS_zps9eeff269.png\" alt=\"Inside Science News Service\" width=\"540\" height=\"120\" align=\"center\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<div id=\"zone-preface\" class=\"zone zone-preface clearfix container-12\">\n<div id=\"region-preface-first\" class=\"grid-4 region region-preface-first\">\n<div class=\"region-inner region-preface-first-inner\">\n<div id=\"block-block-46\" class=\"block block-block block-46 block-block-46 odd block-without-title\"><\/div>\n<div id=\"block-views-department-herald-block\" class=\"block block-views block-department-herald-block block-views-department-herald-block even block-without-title\">\n<div class=\"block-inner clearfix\">\n<div class=\"content clearfix\">\n<div class=\"view view-department-herald view-id-department_herald view-display-id-block view-dom-id-0200471f3088d0bd66e55813ff6dd21c\">\n<div class=\"view-content\">\n<div class=\"item-list\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"zone-content\" class=\"zone zone-content clearfix container-12\">\n<div id=\"region-content\" class=\"grid-8 region region-content\">\n<div class=\"region-inner region-content-inner\">\n<h4 id=\"page-title\" class=\"title\">Link para o original: <a href=\"https:\/\/www.insidescience.org\/content\/some-einsteins-space-time-ripples-have-yet-break-their-silence\/3811\">For Some, Einstein&#8217;s Space-Time Ripples Have Yet To Break Their Silence<\/a><\/h4>\n<div class=\"tabs clearfix\"><\/div>\n<div id=\"block-system-main\" class=\"block block-system block-main block-system-main even block-without-title\">\n<div class=\"block-inner clearfix\">\n<div class=\"content clearfix\">\n<article id=\"node-news-article-3811\" class=\"node node-news-article node-promoted node-published node-not-sticky author-llancaster odd clearfix\">\n<div class=\"content clearfix\">\n<div class=\"field field-name-field-article-image field-type-image field-label-hidden clearfix\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.insidescience.org\/sites\/default\/files\/IMG_1868-straight_0.jpg\" alt=\"\" width=\"730\" height=\"450\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"field field-name-field-top-image-caption field-type-text field-label-hidden clearfix\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\" style=\"text-align: center\">O Telesc\u00f3pio Green Bank em West Virginia<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"field field-name-field-top-image-credit field-type-text field-label-inline clearfix clearfix\">\n<div class=\"field-label\" style=\"text-align: center\">Cr\u00e9dito do Imagem:\u00a0Gabriel Popkin (licen\u00e7a padr\u00e3o da Creative Commons)<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"field field-name-field-top-image-reuse-info field-type-text field-label-inline clearfix clearfix\"><\/div>\n<div class=\"field field-name-field-youtube-video field-type-text-long field-label-hidden clearfix\"><\/div>\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text-long field-label-hidden clearfix\">\n<div class=\"field-items\">\n<h3 class=\"field-item even\">Avaliando o que a detec\u00e7\u00e3o pelo LIGO significa para outros meios de busca de ondas gravitacionais.<\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"field field-name-field-date field-type-datetime field-label-inline clearfix clearfix\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\"><em><strong><span class=\"date-display-single\">25 de mar\u00e7o de 2016 <\/span><\/strong><\/em><\/div>\n<div class=\"field-item even\"><em><strong><span class=\"date-display-single\">Por:\u00a0<\/span>Gabriel Popkin, Contribuidor do ISNS<\/strong><\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden clearfix\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p style=\"text-align: justify\">(Inside Science) \u2014 Quando os chefes do\u00a0Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory, ou LIGO, anunciaram em fevereiro <a href=\"https:\/\/www.insidescience.org\/content\/gravitational-waves-spotted-confirming-einsteins-ripples-spacetime\/3656\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a primeira detec\u00e7\u00e3o direta jamais feita de uma onda gravitacional<\/a>, os astrof\u00edsicos Scott Ransom do National Radio Astronomy Observatory e Andrea Lommen da Franklin and Marshall University em Lancaster, Pennsylvania, tiveram sentimentos mistos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por um lado, isso significava que as equipes que eles e outros lideravam, fazendo a busca pelas ondas gravitacionais com radiotelesc\u00f3pios e apontadas para o tipo de estrela conhecido como pulsar, n\u00e3o iam conseguir ser os primeiros. &#8220;N\u00f3s ador\u00e1vamos a ideia de sermos os azar\u00f5es do p\u00e1reo&#8221;, admitiu Ransom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por outro lado, eles ficaram entusiasmados pelos seus colegas no LIGO \u2014 e pela astronomia de ondas gravitacionais. &#8220;Eu fiquei realmente entusiasmado por um dia inteiro, penso eu, at\u00e9 que bateu o ci\u00fame&#8221;, diz Lommen. &#8220;N\u00f3s todos vinhamos trabalhando nesse campo que n\u00e3o detectou coisa alguma por 20, 30 anos \u2014 e agora temos uma detec\u00e7\u00e3o. As pessoas n\u00e3o podem mais rir de nossas caras&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Acima de tudo, Ransom, Lommen e seus colegas tinham a esperan\u00e7a que, como uma mar\u00e9 enchente, o entusiasmo acerca da descoberta desse um novo impulso \u00e0 pesquisa por ondas gravitacionais \u2013 inclusive suas pr\u00f3prias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O campo precisava dessa valida\u00e7\u00e3o. Os r\u00e1diotelesc\u00f3pios e os futuros observat\u00f3rios de ondas gravitacionais no espa\u00e7o tinham sofrido os maiores cortes no or\u00e7amento nos \u00faltimos anos e, o que parecia em 2014 ser uma descoberta das ondas gravitacionais do Big Bang, <a href=\"https:\/\/www.insidescience.org\/blog\/2014\/09\/23\/you-cannot-ignore-dust\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">se revelou ser apenas poeira c\u00f3smica<\/a>. Em contraste, o sucesso do LIGO que parece quase certo que permanecer\u00e1, promete ser apenas o come\u00e7o da era da astronomia de ondas gravitacionais, na qual v\u00e1rios tipos de instrumentos v\u00e3o come\u00e7ar a responder quest\u00f5es cr\u00edticas acerca dessas ondas \u2014 e sobre os objetos que as produzem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por\u00e9m o LIGO n\u00e3o pode fazer tudo sozinho. Segundo a teoria da relatividade geral de Einstein e as observa\u00e7\u00f5es feitas pelos astr\u00f4nomos no \u00faltimo s\u00e9culo, o universo deveria estar cheio de ondas gravitacionais de v\u00e1rias pot\u00eancias e frequ\u00eancias. Entretanto o LIGO s\u00f3 pode detectar ondas de alta frequ\u00eancia, tais como a detectada em 14 de setembro de 2015, gerada pelos momentos finais da fus\u00e3o de dois buracos negros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 a\u00ed onde entram tr\u00eas outras maneiras de detectar ondas gravitacionais: rastreamento de pulsares, interferometria laser no espa\u00e7o e estudo das radia\u00e7\u00f5es vinda do universo quando jovem. Tal como os telesc\u00f3pios atuais que podem enxergar em radiofrequ\u00eancia, infravermelho, ultravioleta e raios X, al\u00e9m da luz vis\u00edvel, continuam a revelar novas facetas de nosso universo, somente com todos os quatro m\u00e9todos de detec\u00e7\u00e3o os astr\u00f4nomos poder\u00e3o ter acesso a todas as informa\u00e7\u00f5es que as ondas gravitacionais podem fornecer. Tal como Gabriela Gonzalez, f\u00edsica da Louisiana State University em Baton Rouge e porta-voz do LIGO colocou na confer\u00eancia de imprensa de 11 de fevereiro passado que anunciou a descoberta inicial: &#8220;Eu quero ver todas essas janelas se abrirem t\u00e3o logo poss\u00edvel&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.insidescience.org\/sites\/default\/files\/47_Tuc.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>O n\u00facleo do aglomerado globular Tucanae, uma vasta nuvem de velhas estrelas \u00a0encontradas na constela\u00e7\u00e3o do Tucano, que cont\u00e9m 25 pulsares de milissegundo conhecidos. Cr\u00e9dito: ESO,\u00a0<a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by\/4.0\/\">http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by\/4.0\/<\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ouvindo os pulsares<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Albert Einstein predisse a exist\u00eancia das ondas gravitacionais em 1916, um ano ap\u00f3s publicar sua teoria da relatividade geral. Por\u00e9, j\u00e1 que mesmo uma forte onda gravitacional teria efeitos muito diminutos sobre a Terra, fazendo com que os objetos se deslocassem por muito menos do que o di\u00e2metro de um pr\u00f3ton,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.insidescience.org\/content\/how-kill-gravitational-wave\/3661\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Einstein desistiu de jamais detectar uma delas experimentalmente<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, no entanto, a ca\u00e7ada come\u00e7ou. A National Science Foundation financiou os primeiros estudos que, eventualmente, levariam ao LIGO e os pesquisadores j\u00e1 come\u00e7avam a pensar em outras maneiras de detectar as pequenas ondula\u00e7\u00f5es da gravidade. Uma delas era estudar os sinais vindos de estrelas que giram rapidamente, os pulsares. Um pulsar \u00e9 formado quando um estrela com pelo menos 1,4 massas solares explode como supernova e sua massa restante colapsa em uma esfera de n\u00eautrons densa e com giro r\u00e1pido. Essas estrelas de n\u00eautrons se tornam magnetizadas e emitem radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica, frequentemente na frequ\u00eancia das ondas de r\u00e1dio, tonando-as gigantescos far\u00f3is c\u00f3smicos. Se um pulsar estiver pr\u00f3ximo o bastante e seus pulsos voltados para a Terra, os modernos telesc\u00f3pios podem detect\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No final da d\u00e9cada de 1970 e in\u00edcio da de 1980, a mudan\u00e7a no tempo de chegada dos sinais de um pulsar em \u00f3rbita de outra estrela de n\u00eautrons forneceu um ind\u00edcio indireto para a exist\u00eancia de ondas gravitacionais, o que levou ao Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica em 1993. Ent\u00e3o, em 1982, o astrof\u00edsico Donald Backer da University of California, Berkeley, propos que os cientistas poderiam usar certos &#8220;pulsares de milissegundo&#8221; (que giram neste tempo) para uma detec\u00e7\u00e3o mais direta, medindo as pequenas diferen\u00e7as de tempo de chegada \u00e0 Terra dos pulsos, j\u00e1 que as ondas gravitacionais passantes deslocariam levemente o planeta na dire\u00e7\u00e3o de alguns pulsares e na oposta de outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O &#8220;sistema de temporiza\u00e7\u00e3o de pulsares&#8221; imaginado por Backer seria como uma teia de aranha gal\u00e1ctica, na qual a Terra repousaria no centro e ficaria conectada a cada pulsar por um fio. Quantos mais fios houvesse, mais facilmente os cientistas poderiam dizer quando a Terra tivesse se movido ligeiramente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em particular, Backer pensou que os pulsares poderiam ser usados para detectar as ondas gravitacionais que os cientistas acreditam que estejam sendo contiunamente emitidos por enormes buracos negros do tamanho de gal\u00e1xias \u2014 objetos esses milh\u00f5es ou at\u00e9 bilh\u00f5es de vezes mais massivos que os buracos negros detectados pelo LIGO \u2013 que orbitam em torno um do outro no universo distante. Uma vez que esses pares levam anos para completar uma \u00f3rbita, as ondas gravitacionais emitidas teriam uma frequ\u00eancia extremamente baixa e mostruosamente longa \u2013 comprimentos de onda da ordem de anos luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O efeito que Backer se propos a medir era muito maior do que aquele detectado pelo LIGO, por\u00e9m ainda muito pequeno em termos do cotidiano \u2014 cerca de uma parte em 10 elevado \u00e0 d\u00e9cima sexta pot\u00eancia \u2014e os cientistas precisariam de anos de medi\u00e7\u00f5es de pulsares antes de poderem ter certeza de ter uma verdadeira detec\u00e7\u00e3o. Precisaria tamb\u00e9m de encontrar e rastrear muitos pulsares de milissegundos do que aqueles conhecidos pelos astr\u00f4nomos na \u00e9poca que Backer propos o experimento. &#8220;Pulsares de milissegundo, o LIGO e alguns experimentos qu\u00e2nticos s\u00e3o de longe as experi\u00eancias f\u00edsicas mais precisas que se pode fazer&#8221;, disse Ransom.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.insidescience.org\/sites\/default\/files\/AR1390.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>O radiotelesc\u00f3pio Parkes em Nova Gales do Sul, Austr\u00e1lia, que come\u00e7ou a operar em1961. \u00a0<a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by\/3.0\/\">http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by\/3.0\/<\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Construindo redes de detec\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em\u00a02004, o astrof\u00edsico Richard Manchester da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO) na Australia iniciou um esfor\u00e7o para descobrir e rastrear os tempos dos pulsares no Hemisf\u00e9rio Sul, usando o radiotelesc\u00f3pio Parkes de 64m de di\u00e2metro. Nesse ponto, Ransom, Lommen e Fredrick Jenet, f\u00edsico da University of Texas em Brownsville, iniciaram discuss\u00f5es que levaram ao que eles chamaram de North American Nanohertz Observatory for Gravitational Waves ou NANOGrav. &#8220;N\u00f3s vimos que havia uma competi\u00e7\u00e3o internacional&#8221;, disse said Ransom. &#8220;E foi a\u00ed que a coisa ficou mesmo s\u00e9ria&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A equipe NANOGrav agora usa o telesc\u00f3pio de 100m de Green Bank Telescope na West Virginia e o telesc\u00f3pio de 300m em Arecibo, Puerto Rico \u2014 atualmente os dois radiotelesc\u00f3pios mais poderosos \u2014 para rastrear pulsares de 54 milissegundos \u00a0e procurar por outros mais. Os enormes pratos s\u00e3o necess\u00e1rios para refletir o bastante dos sinais extremamente fracos de radiofrequ\u00eancia dos pulsares at\u00e9 um receptor que captura os sinais \u2014 pulsos t\u00e3o regulares como os do mais preciso rel\u00f3gio na Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto isso, a equipe australiana rastreou 24 pulsares e, no \u00faltimo ver\u00e3o, <a href=\"http:\/\/science.sciencemag.org\/content\/349\/6255\/1522\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publcou na Science<\/a>\u00a0uma an\u00e1lise de mais de uma d\u00e9cada de dados de seus quatro pulsares mais regulares. Eles n\u00e3o encontraram qualquer ind\u00edcio de ondas gravitacionais, muito embora v\u00e1rios modelos te\u00f3ricos predissessem que pares de buracos negros supermassivos, emissores de ondas gravitacionais, se formariam t\u00e3o frequentemente que a equipe de Parkes deveria ter detectado algum. Com base em sua an\u00e1lise, os pesquisadores sugeriram que a comunidade de medi\u00e7\u00e3o de pulsares poderia ter que esperar alguns anos at\u00e9 que o Sistema de Quil\u00f4metro Quadrado (Square Kilometer Array), um sistema de radiotelesc\u00f3pio gigantesco planejado entre a Austr\u00e1lia e a \u00c1frica do Sul, entrasse em opera\u00e7\u00e3o para ter a chance de uma detec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por\u00e9m a equipe <a href=\"http:\/\/arxiv.org\/abs\/1602.06301\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">NANOGrav redarguiu<\/a>\u00a0 que ainda h\u00e1 muito que os cientistas ainda n\u00e3o sabem sobre a frequ\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o de pares de buracos negros supermassivos e que a equipe de Parkes os havia descartado apenas com os modelos mais otim\u00edsticos. Em um <a href=\"http:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8205\/819\/1\/L6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">artigo publicado no m\u00eas passado em Astrophysical Journal Letters<\/a>, os membros da NANOGrav apresentam seu argumento de adicionar mais pulsares ao sistema para aumentar a sensibilidade, predizendo uma detec\u00e7\u00e3o dentro de uma d\u00e9cada se mantido o curso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As equipes NANOGrav, Parkes e outra equipe europ\u00e9ia tamb\u00e9m concordaram em compartilhar seus dados, formando o International Pulsar Timing Array, ou IPTA, o que deve ajudar os cientistas a melhorar seus conhecimentos da taxa de fus\u00f5es de buracos negros supermassivos ainda mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Esta \u00e9 a primeira vez que sistemas de temporiza\u00e7\u00e3o de pulsares foram capazes de fazer astrof\u00edsica de verdade&#8221;, disse Ransom. &#8220;Para n\u00f3s, \u00e9 entusiasmante&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O grupo est\u00e1 preparando uma segunda apresenta\u00e7\u00e3o de dados para o fim deste ano e isto deve por fim \u00e0 competi\u00e7\u00e3o que existia entre eles, disse George Hobbs, astrof\u00edsico do CSIRO e atual diretor da equipe Parkes. &#8220;De repente o IPTA se tornou a coisa mais importante e \u00e9 isso que todos quer\u00edamos ver&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.insidescience.org\/sites\/default\/files\/Liftoff_of_Vega_VV06_carrying_LISA_Pathfinder.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>La\u00e7amento do foguete\u00a0Vega VV06 que transporta o \u00a0LISA Pathfinder. Cr\u00e9dito: ESA<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Preenchendo o espectro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mais ou menos na mesma \u00e9poca em que os sonhos do LIGO e dos sistemas de temporiza\u00e7\u00e3o de pulsares estavam ganhando forma, os pesquisadores come\u00e7aram a propor um experimento semelhante ao LIGO, mas com o detector no espa\u00e7o. As vantagens sobre um detector com base no solo s\u00e3o muitas \u2014 os &#8220;bra\u00e7os&#8221; poderiam ter milh\u00f5es de km de comprimento, em lugar de uns poucos, assim como o ru\u00eddo de eventos terrestres frequentes, tais como quedas de \u00e1rvores e ondas que quebram nas praias (ambos t\u00eam impacto sobre o LIGO) seriam eliminados \u2013 tornando um tal detector sens\u00edvel a um n\u00famero bem maior de ondas gravitacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A ideia se materializou em um projeto conjunto NASA-ESA chamado Laser Interferometer Space Antenna, ou LISA e deveria ter sido lan\u00e7ado nesta d\u00e9cada. Por\u00e9m a NASA abandonou o projeto em 2012, por conta dos custos. A ESA refez o projeto como evolved LISA, ou eLISA, cujos bra\u00e7os ter\u00e3o 1 milh\u00e3o de km. Embora a data projetada para o lan\u00e7amento de eLISA seja em 2034, em dezembro passado a ESA lan\u00e7ou a miss\u00e3o \u00a0LISA Pathfinder, que testar\u00e1 a tecnologia necess\u00e1ria para eLISA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A China tamb\u00e9m est\u00e1 pensando em lan\u00e7ar seu pr\u00f3prio detector ou de fazer uma parceria com a ESA. De qualquer forma o tempo de detec\u00e7\u00e3o poder\u00e1 diminuir, dizem os cienteistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um quarto m\u00e9todo de busca para ondas gravitacionais recebeu uma aten\u00e7\u00e3o especial em 17 de mar\u00e7o de 2014, quando os f\u00edsicos de Harvard e v\u00e1rias outras institui\u00e7\u00f5es anunciaram o uso do telesc\u00f3pio BICEP2 no Polo Sul para detectar a impress\u00e3o das ondas gravitacionais no fundo c\u00f3smico de micro-ondas, aquele brilhareco de luz vindos da forma\u00e7\u00e3o dos primeiros \u00e1tomos de hidrog\u00eanio depois do Big Bang, o qual \u00e9 o limite do universo observ\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muitas das principais teorias do nascimento do universo sugerem que o universo inflou rapidamente logo ap\u00f3s o Big Bang, durante um per\u00edodo chamado de &#8220;infla\u00e7\u00e3o&#8221;. Este violento surto de crescimento, que ocorreu quando toda a massa\/energia estava em um volume pequeno, deve ter liberado enormes ondas gravitacionais. Uns 380.000 anos depois, essas ondas, agora j\u00e1 esticadas por milh\u00f5es ou bilh\u00f5es de anos luz, teria interagido com o fundo c\u00f3smico de micro-ondas de uma forma particular e que poderia ser detectada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma previs\u00e3o fascinante como esta inspirou v\u00e1rias equipes de pesquisas a projetas telesc\u00f3pios de micro-ondas para buscar tal assinatura. <a href=\"http:\/\/journals.aps.org\/prl\/abstract\/10.1103\/PhysRevLett.114.101301\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O grupo do BICEP2, em conjunto com a equipe do sat\u00e9lite Planck da ESA, eventualmente declararam seus achado inconclusivos<\/a>\u00a0, depois que outros apontaram que a poeira na Via L\u00e1ctea poderia produzir o mesmo sinal que eles estvam interpretando como uma polariza\u00e7\u00e3o do fundo c\u00f3smicod e micro-ondas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda assim, novos telesc\u00f3pios est\u00e3o se juntando \u00e0 busca pelas ondas gravitacionais primevas. Um dos mais poderosos \u00e9 o Cosmology Large Angular Scale Surveyor, ou CLASS, que est\u00e1 sendo constru\u00eddo no deserto de Atacama no Chile. O CLASS vai efetuar medi\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios comprimentos de onda necess\u00e1rios para distinguir a radia\u00e7\u00e3o de fundo dos sinais emitidos pela poeira e outras fontes pr\u00f3ximas, e vai cobrir uma larga faixa dos c\u00e9us para capturar as informa\u00e7\u00f5es mais completas. A experimento precisa de um sofisticado sistema de detec\u00e7\u00e3o, levado at\u00e9 pr\u00f3ximo do zero absoluto, no limite da atual tecnologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Uma vez que n\u00f3s decidimos fazer medi\u00e7\u00f5es em larga escala, a quest\u00e3o era o que \u00e9 necess\u00e1rio para faz\u00ea-lo e, mesmo que seja dif\u00edcil, o que precisa ser feito&#8221;, disse Charles Bennett, cosmologista da Universidade Johns Hopkins University, que lidera o projeto CLASS. Bennett espera que o CLASS comece a funcionar ainda neste ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.insidescience.org\/sites\/default\/files\/gbt_sunset.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>O Telesc\u00f3pio\u00a0Green Bank \u00a0ao por do Sol. Foto de Harry Morton. Cortesia da NRAO\/AUI e Harry Morton (NRAO),\u00a0<a href=\"http:\/\/images.nrao.edu\/image_use.shtml\">http:\/\/images.nrao.edu\/image_use.shtml<\/a>\u00a0(cc 3.0)<\/em><\/p>\n<p><strong>Financiando o futuro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m de olhar para os c\u00e9us, os ca\u00e7adores de ondas gravitacionais t\u00eam que manter um olho em Washington e as recentes mensagens vindas de l\u00e1 est\u00e3o confusas. A temporiza\u00e7\u00e3o de pulsares recebeu um grande incentivo em 2015, quando a NSF alocou um fundo US$ 14,5 milh\u00f5es ao longo de cinco anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao mesmo tempo, a NSF est\u00e1 querendo se desfazer dos telesc\u00f3pios da NANOGrav. Um comit\u00ea de revis\u00e3o recomendou que seja desativado o telesc\u00f3pio de Green Bank e talvez o de Arecibo, dando prioridade a outras instala\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por enquanto, a NSF financiar\u00e1 parcialmente os dois telesc\u00f3pios, enquanto outras fontes, tais como o bilion\u00e1rio projeto russo\u00a0Yuri Milner&#8217;s Breakthrough Listen, procuram por sinais de r\u00e1dio de civiliza\u00e7\u00f5es extra-terrestres e ajudam a preencher o v\u00e1cuo. Por\u00e9m o futuro desses telesc\u00f3pios \u00e9 incerto \u2013 n\u00e3o porque eles n\u00e3o produzam boa ci\u00eancia, mas porque simplesmente n\u00e3o h\u00e1 dinheiro suficiente para financiar todos os projetos bons, como explica James Ulvestad, diretor da Divis\u00e3o de Astronomia da NSF.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A perda de qualquer um desses telesc\u00f3pios vai retardar uma detec\u00e7\u00e3o de ondas gravitacionais por anos, ao menos at\u00e9 que a China ponha para funcionar seu prato de 500m no fim da d\u00e9cada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Neste ponto da hist\u00f3ria \u2026 quando estamos apenas abrindo a era das ondas gravitacionais na f\u00edsica&#8221;, reclama Lommen, &#8220;\u00e9 uma vergonha falar em fechar qualquer um dos dois telesc\u00f3pios que fazem uma tremenda falta&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ransom acredita que o sucesso do LIGO \u2014 e outros \u2014 pode revigorar o campo e ajudar a manter os telesc\u00f3pios funcionando. &#8220;Eu espero que n\u00e3o seja apenas otimismo&#8221;, diz ele. &#8220;N\u00f3s estamos fazendo astrof\u00edsica de verdade e chegando a limites que realmente s\u00e3o significativos e podem mudar o pensamento das pessoas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;As ondas gravitacionais est\u00e3o se tornando relevantes para a astronomia&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Gabriel Popkin (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/GabrielPopkin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@gabrielpopkin<\/a>) \u00e9 um escritor de ci\u00eancias independente de Washington, DC. J\u00e1 publicou em\u00a0Science News, ScienceNOW, Johns Hopkins Magazine \u00a0e outras publica\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Link para o original: For Some, Einstein&#8217;s Space-Time Ripples Have Yet To Break Their Silence O Telesc\u00f3pio Green Bank em West Virginia Cr\u00e9dito do Imagem:\u00a0Gabriel Popkin (licen\u00e7a padr\u00e3o da Creative Commons) Avaliando o que a detec\u00e7\u00e3o pelo LIGO significa para outros meios de busca de ondas gravitacionais. 25 de mar\u00e7o de 2016 Por:\u00a0Gabriel Popkin, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":480,"featured_media":2143,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[2,3],"tags":[199,245],"class_list":["post-2141","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-astrofisica","category-astronomia","tag-ligo","tag-ondas-gravitacionais"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2016\/03\/IMG_1868-straight_0.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2141","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/480"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2141"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2141\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2143"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}