{"id":245,"date":"2007-11-15T15:48:00","date_gmt":"2007-11-15T18:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/2007\/11\/um-oceano-de-problemas\/"},"modified":"2007-11-15T15:48:00","modified_gmt":"2007-11-15T18:48:00","slug":"um-oceano-de-problemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2007\/11\/15\/um-oceano-de-problemas\/","title":{"rendered":"Um Oceano de Problemas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2011\/08\/roda127.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 0pt 10px 10px 0pt;float: left;width: 200px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2011\/08\/roda127.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: arial\"><span style=\"font-style: italic\">&#8220;Na terra onde o mar n\u00e3o bate,<br \/>\nn\u00e3o bate o meu cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO mar onde o c\u00e9u flutua,<br \/>\nonde morre o Sol e a Lua,<br \/>\ne acaba o caminho do ch\u00e3o&#8221;<\/span><br \/>\n(Gilberto Gil, Beira Mar)<br \/>\n<\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: verdana\">\u00c9, no m\u00ednimo, curioso que, tendo mais de 71% de sua superf\u00edcie coberta por \u00e1guas, este planeta seja chamado &#8220;Terra&#8221;. E este &#8220;bairrismo&#8221; do ser humano vai mais longe.<br \/>\nVai t\u00e3o longe quanto o Sputnik 1, lan\u00e7ado para al\u00e9m da atmosfera em 04 de outubro de 1957, enquanto que o fundo da Fossa das Marianas s\u00f3 foi atingido pelo &#8220;Trieste&#8221; em 23 de janeiro de 1960&#8230;<br \/>\nO fasc\u00ednio pelas estrelas \u00e9 quase t\u00e3o velho como a humanidade e seu estudo, como as mais antigas civiliza\u00e7\u00f5es. Mas o mar &#8211; ber\u00e7o de toda a vida no planeta &#8211; continuou a ser um inimigo a ser conquistado. Os &#8220;anjos&#8221; habitavam o &#8220;c\u00e9u&#8221;, enquanto as profundezas marinhas eram a morada de &#8220;monstros&#8221;. O &#8220;Gigante Adamastor&#8221; estava l\u00e1, \u00e0 espreita, para destruir aquele que se atrevesse a cruzar sua superf\u00edcie. E, se a vastid\u00e3o das terras maravilhava os homens, a vastid\u00e3o ainda maior dos oceanos o intimidava. Nos astros, a humanidade buscava ind\u00edcios de seu futuro. Mas o mar era a sepultura dos destemidos e incautos. Para n\u00f3s, macumbeiros, o Cemit\u00e9rio \u00e9 a &#8220;Calunga Pequena&#8221;, o mar \u00e9 a &#8220;Calunga Grande&#8221;&#8230; Jeov\u00e1, quando resolveu se livrar da humanidade que criou e que n\u00e3o lhe prestava as devidas homenagens, mandou que as \u00e1guas cobrissem as terras&#8230;<br \/>\nPois \u00e9&#8230;<br \/>\nMapeamos os c\u00e9us muito antes de conhecermos mais sobre as profundezas dos mares. At\u00e9 mesmo &#8220;recuperamos&#8221; \u00e1reas de terra, n\u00e3o s\u00f3 dos p\u00e2ntanos e alagadi\u00e7os, mas at\u00e9 do pr\u00f3prio mar. Dos mares, s\u00f3 se tirou&#8230; Tiraram os peixes, cet\u00e1ceos e crust\u00e1ceos. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, at\u00e9 o bendito petr\u00f3leo conseguiram tirar do fundo dos mares. Minto!&#8230; N\u00e3o &#8220;s\u00f3 se tirou&#8221;&#8230; Ao contr\u00e1rio: todos os dejetos e lixos que produzimos foram atirados \u00e0s \u00e1guas (afinal, os mares s\u00e3o grandes&#8230;)<br \/>\nE, como mariposas atra\u00eddas pela l\u00e2mpada, nos esfor\u00e7amos em arte e engenho para desvendar os segredos do Cosmo&#8230;  e esquecemos daquilo que estava do nosso lado, o tempo todo: o mar. S\u00f3 agora os f\u00edsicos aplicam seus modelos matem\u00e1ticos (criados para explicar as curvaturas do espa\u00e7o-tempo) para estudar as intera\u00e7\u00f5es entre as correntes marinhas e o clima (no que afeta os continentes, \u00e9 claro&#8230; quem se importa &#8211; al\u00e9m dos marinheiros &#8211; se chove ou neva nos mares?&#8230;)<br \/>\nApenas agora \u00e9 que esses habitantes de parte dos 29% restantes da superf\u00edcie do planeta est\u00e3o se dando conta de que aqueles 71% s\u00e3o bem mais importantes do que nossa v\u00e3 filosofia percebia&#8230;<br \/>\nSe as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas mudarem &#8211; pouco importa se brusca ou paulatinamente &#8211; e esta esp\u00e9cie arrogante que chama a si mesma de &#8220;S\u00e1bia&#8221; for varrida da face da terra, junto com o restante da vida nesses 29% da superf\u00edcie, a natureza voltar\u00e1 a povoar o planeta&#8230; a partir dos mares. Os registros f\u00f3sseis est\u00e3o a\u00ed para comprovar isso: vide <a href=\"http:\/\/chivononpo.blogspot.com\/2007\/08\/oceanos-txicos.html\">&#8220;Oceanos T\u00f3xicos?&#8221;<\/a>. E ainda h\u00e1 tempo suficiente: o Sol ainda vai continuar est\u00e1vel por tempo suficiente para que outra esp\u00e9cie evolua o suficiente para se adonar da Terra.<br \/>\nE, afinal?&#8230; Essas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ser\u00e3o somente decorrentes das a\u00e7\u00f5es humanas ou ser\u00e3o um ciclo natural do planeta?&#8230; Que as emiss\u00f5es de poluentes est\u00e3o agravando o problema, n\u00e3o h\u00e1 mais d\u00favida plaus\u00edvel. Corais branqueados, corais macios derretidos, n\u00edveis de acidez crescentes nas \u00e1guas rasas, satura\u00e7\u00e3o da capacidade dos mares em absorver o CO<sub>2<\/sub>, concentra\u00e7\u00f5es de O<sub>3<\/sub> na superf\u00edcie, furac\u00f5es e tuf\u00f5es cada vez mais freq\u00fcentes e devastadores&#8230; faltou alguma coisa?&#8230; sei l\u00e1!&#8230; Plantar \u00e1rvores para &#8220;sequestrar CO<sub>2<\/sub>&#8221; \u00e9 uma boa medida&#8230; Mas &#8211; e o CO<sub>2<\/sub> nos mares?&#8230; 71% da superf\u00edcie, lembram?&#8230; N\u00e3o adianta coisa alguma tentar salvar as terras, se os mares estiverem mortos. E mortos n\u00e3o s\u00f3 pela absor\u00e7\u00e3o direta das emiss\u00f5es de poluentes atmosf\u00e9ricos, mas tamb\u00e9m pela polui\u00e7\u00e3o dos rios que vazam para os mares, com lixo, agrot\u00f3xicos, esgoto <em>in natura<\/em> e at\u00e9 com res\u00edduos de transg\u00eanicos.<br \/>\nQual ter\u00e1 sido o erro maior: interromper a conquista do espa\u00e7o exterior (pelo menos ter\u00edamos para onde fugir) ou ignorar sistematicamente a maior parte da superf\u00edcie do planeta?<br \/>\nAh!&#8230; Tanto faz&#8230; Daqui a pouco o H5N1 arruma uma muta\u00e7\u00e3o que vai tornar isso tudo bem mais f\u00e1cil de resolver&#8230;<br \/>\n<a href=\"http:\/\/rodadeciencia.blogspot.com\/2007\/11\/um-oceano-de-problemas.html\">Coment\u00e1rios aqui, por favor<\/a>.<br \/>\n<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"blogger-post-footer\">http:\/\/chivononpo.blogspot.com\/atom.xml<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Na terra onde o mar n\u00e3o bate, n\u00e3o bate o meu cora\u00e7\u00e3o. O mar onde o c\u00e9u flutua, onde morre o Sol e a Lua, e acaba o caminho do ch\u00e3o&#8221; (Gilberto Gil, Beira Mar) \u00c9, no m\u00ednimo, curioso que, tendo mais de 71% de sua superf\u00edcie coberta por \u00e1guas, este planeta seja chamado &#8220;Terra&#8221;. 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