{"id":248,"date":"2007-11-15T19:10:00","date_gmt":"2007-11-15T22:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/2007\/11\/crise-que-crise\/"},"modified":"2007-11-15T19:10:00","modified_gmt":"2007-11-15T22:10:00","slug":"crise-que-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2007\/11\/15\/crise-que-crise\/","title":{"rendered":"Crise?&#8230; Que crise?&#8230;"},"content":{"rendered":"<p class=\"fly-title\" style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: verdana\">Um amigo (que eu n\u00e3o vou identificar, por motivos \u00f3bvios) me mandou essa:<\/span><\/p>\n<p>Recess\u00e3o na Am\u00e9rica<br \/>\nA economia vulner\u00e1vel da Am\u00e9rica<br \/>\n15 de novembro de 2007<br \/>\nDa edi\u00e7\u00e3o impressa da <em>The Economist<\/em><br \/>\n<strong>A recess\u00e3o na Am\u00e9rica parece cada vez mais prov\u00e1vel. Os mercados emergentes em expans\u00e3o podem salvar a economia mundial?<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/files\/2011\/08\/4607LD11.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 0pt 10px 10px 0pt;float: left\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2011\/08\/4607LD12.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/a>EM 1929, dias ap\u00f3s o &#8220;crack&#8221; da Bolsa, a Harvard Economic Society reconfortava seus assinantes: \u201cUma recess\u00e3o grave est\u00e1 fora dos limites da probabilidade\u201d. Em uma pesquisa, em mar\u00e7o de 2001, 95% dos economistas americanos disseram que n\u00e3o haveria uma recess\u00e3o, embora uma j\u00e1 tivesse come\u00e7ado. Hoje, a maior parte dos economistas n\u00e3o prev\u00eaem uma recess\u00e3o na Am\u00e9rica, mas o lament\u00e1vel registro das previs\u00f5es desses profissionais n\u00e3o d\u00e3o muito consolo. Nossa \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o (ver <a href=\"http:\/\/www.economist.com\/printedition\/displaystory.cfm?story_id=10134077\">artigo<\/a>) sugere que os Estados Unidos podem estar muito bem a caminho de uma recess\u00e3o.<br \/>\nCerto, o PIB cresceu uns robustos 3,9%, em uma taxa anual, no terceiro quadrimestre. Certo, tamb\u00e9m, que revis\u00f5es podem muito bem rever estes n\u00fameros para cima. Mas isso foi o passado. Sinais mais atuais sugerem que a economia pode despencar neste quadrimestre. No come\u00e7o do pr\u00f3ximo ano, a produ\u00e7\u00e3o e os empregos podem estar encolhendo. A principal causa \u00e9 a implos\u00e3o do mercado imobili\u00e1rio. Os experts disseram que os pre\u00e7os dos im\u00f3veis jamais poderiam cair por todo o pa\u00eds. Mas eles ca\u00edram, sim, em 5% nos \u00faltimos 12 meses. O investimento em moradias entrou em colapso, mas um estoque de casas n\u00e3o vendidas significa ue os pre\u00e7os ainda t\u00eam muito o que cair. Os gastos dos americanos devem sofrer um efeito negativo maior da queda dos pre\u00e7os das casas do que o do colapso da Bolsa em 2001. Com o pre\u00e7o das casas menor e condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito mais apertadas como resultado da crise dos empr\u00e9stimos <span style=\"font-style: italic\">subprime<\/span>, as fam\u00edlias n\u00e3o poder\u00e3o mais tomar empr\u00e9stimos contando com ganhos de capital para financiar seus gastos.<br \/>\nO petr\u00f3leo mais caro deve apertar o or\u00e7amento das fam\u00edlias mais ainda (n\u00e3o obstante a queda desta semana no pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo bruto). A confian\u00e7a dos consumidores j\u00e1 caiu vertiginosamente. N\u00e3o deve demorar muito para que os gastos dos consumidores desabem, o que, por sua vez, vai prejudicar os lucros e os investimentos das firmas. O d\u00f3lar fraco vai estimular as exporta\u00e7\u00f5es, mas, consistindo em apenas 12% do PIB, as exporta\u00e7\u00f5es s\u00e3o pequenas demais para compensar um enfraquecimento dos gastos dos consumidores, que responde por 70%.<br \/>\n<strong>Eu quero me libertar<\/strong><br \/>\nSer\u00e1 que uma recess\u00e3o na Am\u00e9rica vai arrastar o resto do mundo para o buraco junto com ela?  As economias da Europa e do Jap\u00e3o reagiram fortemente no terceiro quadrimestre, mas parecem fadadas a diminuir o ritmo. Embora ambas possam ser capazes de rastejar por si pr\u00f3prias, nenhuma delas parece ser capaz de estabelecer um ritmo maior. Moedas fortiicadas v\u00e3o prejudicar os exportadores em ambos os lugares. Mesmo os pr\u00f3prios mercados imobili\u00e1rios fortes da Europa est\u00e3o enfraquecendo e alguns de seus bancos sofreram efeitos colaterais das mazelas dos <span style=\"font-style: italic\">subprime<\/span> da Am\u00e9rica.<br \/>\nAs maiores esperan\u00e7as de que o crescimento global possa permanecer firme reside, em lugar destas, nas economias emergentes. Na d\u00e9cada passada, a id\u00e9ia de que tanto pudesse depender desses locais sujeitos a crises seria terrificante. Entretanto, gra\u00e7as (e muitas) a reformas econ\u00f4micas, suas taxas de crescimento anual subiram para o entorno dos 7%. Neste ano, elas v\u00e3o contribuir com metade do PIB mundial, medido em taxas de c\u00e2mbio de mercado, mais de tr\u00eas vezes mais do que a Am\u00e9rica. No passado, economias emergentes freq\u00fcentemente precisaram de ajudas emergenciais do mundo rico. Desta vez elas podem ser as salvadoras.<br \/>\n\u00c9 claro que uma recess\u00e3o na Am\u00e9rica vai reduzir as exporta\u00e7\u00f5es das economias emergentes, mas elas est\u00e3o menos vulner\u00e1veis do que costumavam ser. A import\u00e2ncia da Am\u00e9rica como a locomotiva do crescimento global foi exagerada. Desde 2000 sua parcela de importa\u00e7\u00f5es mundiais caiu de 19% para 14%. Seu vasto d\u00e9ficit na conta-corrente come\u00e7ou a diminuir, o que significa que a Am\u00e9rica n\u00e3o est\u00e1 mais arrastando atr\u00e1s de si o resto do mundo. Entretanto, o crescimento nas economias emergentes se acelerou, gra\u00e7as, parcialmente, \u00e0s demandas dom\u00e9sticas. Na primeira metade deste ano, o aumento nos gastos dos consumidores (em termos de d\u00f3lares atuais) na China e na \u00cdndia acrescentaram mais ao crescimento do PIB mundial do que na Am\u00e9rica.<br \/>\nA maior parte das economias emergentes est\u00e3o com uma sa\u00fade melhor do que nunca (ver <a href=\"http:\/\/www.economist.com\/printedition\/displaystory.cfm?story_id=10136509\">artigo<\/a>). Elas n\u00e3o s\u00e3o mais dependentes financeiramente do resto do mundo, por\u00e9m t\u00eam  grandes reservas cambiais externas \u2014 nada menos do que tr\u00eas quartos do total global. Embora existam algumas excess\u00f5es not\u00e1veis, a maioria delas t\u00eam pequenos d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios (outra mudan\u00e7a quanto ao passado), de forma que elas podem alavancar os gastos para contrabalan\u00e7ar as exporta\u00e7\u00f5es menores, se tiver que ser assim.<br \/>\nIsto n\u00e3o significa que as economias emergentes v\u00e3o crescer r\u00e1pido o bastante para compensar toda a queda da produ\u00e7\u00e3o americana. A maior parte delas vai exibir um desaquecimento no crescimento no ano que vem: por exemplo, a taxa de crescimento da China deve cair para \u201cs\u00f3\u201d 10%. De forma que o crescimento global vai diminuir \u2014o que, depois de cinco anos de uma m\u00e9dia de quase 5%, pr\u00f3xima do maior patamar jamais observado, ele precisa fazer. Mas, gra\u00e7as ao vigor dos novos tit\u00e3s, vai continuar acima de sua m\u00e9dia de 3,5% dos \u00faltimos 30 anos.<br \/>\n<strong>Uma hist\u00f3ria de dois pre\u00e7os <\/strong><br \/>\nA import\u00e2ncia crescente dos novos gigantes mundiais n\u00e3o s\u00f3 vai alavancar o crescimento.  Tamb\u00e9m vai afetar os pre\u00e7os relativos, notadamente os do petr\u00f3leo e do d\u00f3lar. E as conseq\u00fc\u00eancias ser\u00e3o menos confort\u00e1veis para as na\u00e7\u00f5es desenvolvidas, especialmente a Am\u00e9rica.<br \/>\nO pre\u00e7o do petr\u00f3leo tem subido principalmente por causa da forte demanda nas economias emergentes, que responderam por quatro quintos do aumento total do consumo de petr\u00f3leo nos \u00faltimos cinco anos. Nas recess\u00f5es americanas do passado, o pre\u00e7o do petr\u00f3leo usualmente caiu. Desta vez \u00e9 prov\u00e1vel que ele se mantenha. Isto n\u00e3o s\u00f3 vai prejudicar as finan\u00e7as dos consumidores ocidentais, como pode tornar a tarefa dos seus Presidentes de Bancos Centrais mais dif\u00edceis, combinando a press\u00e3o inflacion\u00e1ria com desaquecimento econ\u00f4mico.<br \/>\nO d\u00f3lar enfraquecido \u2014 ultimamente na casa de US$1,50 por euro \u2014 ficar\u00e1 ainda mais fraco sem as enormes compras feitas pelos bancos centrais das economias emergentes. Este apoio agora est\u00e1 minguando. A China e outros est\u00e3o colocando uma menor parcela de aumentos de reservas na moeda americana. E os pa\u00edses asi\u00e1ticos e do oriente m\u00e9dio, cujas moedas s\u00e3o ligadas ao d\u00f3lar, est\u00e3o confrontadas com aumentos de infla\u00e7\u00e3o, mas a queda nas taxas de juros americanas torna mais dif\u00edcil apertar sua pr\u00f3pria pol\u00edtica monet\u00e1ria. Eles podem ter que deixar suas moedas se valorizarem contra o verdinho doente, o que significa que eles v\u00e3o ter que comprar menos d\u00f3lares. Mais importante, na medida em que os investidores internacionais acordarem para o enfraquecimento relativo do poder econ\u00f4mico da Am\u00e9rica, eles seguramente v\u00e3o se questionar sobre por que eles devem manter a maior parte de sua riqueza em d\u00f3lares. O decl\u00ednio do d\u00f3lar j\u00e1 significa o maior calote da hist\u00f3ria, tendo varrido muito mais do valor dos investimentos estrangeiros do que qualquer economia emergente jamais conseguiu.<br \/>\nO vigor das economias emergentes \u00e9 uma boa not\u00edcia para a economia mundial: para seu crescimento, ela tem muito menos necessidade de uma Am\u00e9rica forte. A m\u00e1 not\u00edcia para a Am\u00e9rica e que, por sua vez, isto pode significar que o mundo tenha menos necessidade do d\u00f3lar.<\/p>\n<div style=\"text-align: center\">= #=<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: verdana\">\u00a9 The Economist, devidamente violado&#8230;<br \/>\nCom a palavra os <span style=\"font-style: italic\">experts<\/span> tupiniquins: e o Brasil que tem rezado tanto pela cartilha do FMI? Vai fazer suposit\u00f3rio das enormes reservas cambiais em d\u00f3lar, ou vai usar esses d\u00f3lares para desarrochar a economia brasileira?&#8230;<br \/>\n<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"blogger-post-footer\">http:\/\/chivononpo.blogspot.com\/atom.xml<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um amigo (que eu n\u00e3o vou identificar, por motivos \u00f3bvios) me mandou essa: Recess\u00e3o na Am\u00e9rica A economia vulner\u00e1vel da Am\u00e9rica 15 de novembro de 2007 Da edi\u00e7\u00e3o impressa da The Economist A recess\u00e3o na Am\u00e9rica parece cada vez mais prov\u00e1vel. Os mercados emergentes em expans\u00e3o podem salvar a economia mundial? 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