{"id":427,"date":"2008-11-27T15:11:35","date_gmt":"2008-11-27T18:11:35","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/2008\/11\/essa-superficie-da-terra-e-mais-velha-do-que-se-pensava\/"},"modified":"2008-11-27T15:11:35","modified_gmt":"2008-11-27T18:11:35","slug":"essa-superficie-da-terra-e-mais-velha-do-que-se-pensava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2008\/11\/27\/essa-superficie-da-terra-e-mais-velha-do-que-se-pensava\/","title":{"rendered":"Essa superf\u00edcie da Terra \u00e9 mais velha do que se pensava"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2011\/08\/EAHeaderTop38.gif\" border=\"0\" alt=\"\" width=\"405\" height=\"39\" \/><br \/>\n<span class=\"relinst\"><a href=\"http:\/\/www.newsroom.ucla.edu\/\">University of California &#8211; Los Angeles<\/a><\/span><\/p>\n<h3 class=\"title\"><a href=\"http:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2008-11\/uoc--pts112508.php\">A Tect\u00f4nica de Placas Come\u00e7ou h\u00e1 mais de 4 bilh\u00f5es de anos, relatam Ge\u00f3logos<\/a><\/h3>\n<h5 class=\"subtitle\">An\u00e1lise de minerais em velhos magmas pinta um novo quadro da jovem Terra<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\">Est\u00e1 emergindo uma nova figura da jovem Terra que inclui a surpreendente descoberta de que a <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tect%C3%B3nica_de_placas\">tect\u00f4nica de placas<\/a> pode ter come\u00e7ado h\u00e1 mais de 4 bilh\u00f5es de anos \u2014 muito antes do que os cientistas acreditavam, de acordo com uma nova pesquisa dos geoqu\u00edmicos da UCLA relatada na <em>Nature <\/em>(edi\u00e7\u00e3o de 27 de novembro).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEstamos propondo que j\u00e1 havia atividade tect\u00f4nica de placas nos primeiros 500 milh\u00f5es de anos da hist\u00f3ria da Terra\u201d, explica o professor de geoqu\u00edmica Mark Harrison, diretor do Instituto de Geof\u00edsica e de F\u00edsica Planet\u00e1ria da UCLA e co-autor do\u00a0 artigo na <em>Nature<\/em>. \u201cEstamos relatando os primeiros ind\u00edcios deste fen\u00f4meno\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cDiferente de uma jovem Terra infernal, seca, desolada, sem continentes, parece que, assim que a Terra se formou, entrou no mesmo regime din\u00e2mico que continua atualmente\u201d, prossegue Harrison. \u201cA tect\u00f4nica de placas era inevit\u00e1vel. Na jovem Terra, parece ter havido oceanos; pode ter havido vida \u2014 completamente contradit\u00f3rio com a hist\u00f3ria fantasiosa que contamos para n\u00f3s pr\u00f3prios\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEstamos revelando um novo quadro do que pode ter se parecido com a jovem Terra\u201d, declarou a autora principal, Michelle Hopkins, uma estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em ci\u00eancias da Terra e espaciais na UCLA, \u201cNo ensino m\u00e9dio, nos ensinam a ver a Terra como um planeta avermelhado, infernal, de lava derretida. Agora estamos vendo um quadro novo, mais parecido com o que h\u00e1 hoje, com continentes, \u00e1gua, c\u00e9u azul, oceano azul, muito mais cedo do que pens\u00e1vamos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Terra tem 4,5 bilh\u00f5es de anos. Alguns cientistas pensam que a tect\u00f4nica de placas \u2014 o fen\u00f4meno geol\u00f3gico que envolve o movimento de grandes placas da crosta que comp\u00f5em a superf\u00edcie da Terra, por cima do interior fundido do planeta \u2014 come\u00e7ou a 3,5 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s; outros, que isso come\u00e7ou ainda mais recentemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A pesquisa realizada por Harrison, Hopkins e Craig Manning, um professor de geologia e geoqu\u00edmica da UCLA, \u00e9 baseada em antigos gr\u00e3os minerais, conhecidos como <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Zirc%C3%A3o\">zirc\u00e3o<\/a>, encontrado dentro de rochas derretidas, ou magmas, vindos do Oeste da Austr\u00e1lia que t\u00eam cerca de 3 bilh\u00f5es de anos. Os zirc\u00f5es s\u00e3o minerais pesados e dur\u00e1veis, relacionados com a <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Zirc%C3%B4nia_c%C3%BAbica\">zirc\u00f4nia c\u00fabica<\/a>, usada para falsos diamantes e bijuteria. Os zirc\u00f5es estudados nas rochas australianas t\u00eam uma espessura de cerca de duas vezes a de um cabelo humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hopkins analisou os zirc\u00f5es com a microssonda i\u00f4nica de alta-resolu\u00e7\u00e3o da UCLA, um instrumento que permite aos cientistas datarem e estabelecerem a exata composi\u00e7\u00e3o de amostras com enorme precis\u00e3o. A microssonda dispara um feixe de \u00edons (\u00e1tomos com carga el\u00e9trica) sobre uma amostra, o que faz com que a amostra libere seus pr\u00f3prios \u00edons que s\u00e3o, ent\u00e3o, analisados em um espectr\u00f4metro de massa. Os cientistas podem mirar o feixe de \u00edons para \u00e1reas microsc\u00f3picas espec\u00edficas da amostra e realizar uma an\u00e3lise de is\u00f3topos de alta resolu\u00e7\u00e3o das amostras sem destruirem o objeto.<\/p>\n<p>&#8220;A microssonda \u00e9 o instrumento perfeito para estabelecer a idade dos zirc\u00f5es&#8221;, disse Harrison.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A an\u00e1lise estabeleceu que alguns dos zirc\u00f5es encontrados nos magmas tinham mais de 4 bilh\u00f5es de anos. Tamb\u00e9m se descobriu que eles foram formados em uma regi\u00e3o com um fluxo de calor muito mais baixo do que a m\u00e9dia global na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cO fluxo de calor m\u00e9dio nos primeiros 500 milh\u00f5es de anos da Terra era avaliado entre cerca de 200 a 300 miliwatts por metro quadrado\u201d, diz Hopkins. \u201cNossos zirc\u00f5es indicam um fluxo de apenas 75 miliwatts por metro quadrado \u2014 um n\u00famero que se pode esperar encontrar em zonas de subdu\u00e7\u00e3o, onde duas placas convergem, com uma mergulhando por baixo da outra\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cOs dados que estamos relatando v\u00eam de zirc\u00f5es formados entre 4 e 4,2 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s\u201d, diz Harrison. \u201cOs ind\u00edcios s\u00e3o indiretos, por\u00e9m fortes. N\u00f3s avaliamos d\u00fazias de cen\u00e1rios, tentando imaginar como criar magmas em um fluxo de calor t\u00e3o baixo quanto o que encontramos, sem tect\u00f4nica de placas e nada funcionou; nenhum deles explicava a qu\u00edmica das inclus\u00f5es ou a baixa temperatura de fus\u00e3o dos granitos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os ind\u00edcios para a exist\u00eancia de \u00e1gia durante os primeiros 500 milh\u00f5es de anos da Terra s\u00e3o, agora, incontest\u00e1veis, de acordo com Harrison.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se tem tect\u00f4nica de placas em um planeta seco\u201d, completou ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fortes ind\u00edcios da exist\u00eancia de \u00e1gua l\u00edquida na ou pr\u00f3xima da superf\u00edcie da Terra, h\u00e1 4,3 bilh\u00f5es de anos, j\u00e1 havia sido apresentada por Harrison e colegas em uma mat\u00e9ria de capa da <em>Nature <\/em>de 11 de janeiro de 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cAgora s\u00e3o cinco linhas de ind\u00edcios que apoiam essa hip\u00f3tese que j\u00e1 foi considerada radical\u201d, declarou Harrison. \u201cAs inclus\u00f5es que econtramos nos dizem que os zirc\u00f5es nasceram em magmas saturados por \u00e1gua. Atualmente observamos um gradiente geot\u00e9rmico surpreendentemente baixo, uma baixa taxa na qual a temperatura aumenta na Terra. O \u00fanico mecanismo que reconhecemos que \u00e9 consistente com tudo o que vemos \u00e9 que a forma\u00e7\u00e3o desses zirc\u00f5es tenha acontecido em uma zona de converg\u00eancia de placas tect\u00f4nicas. Al\u00e9m disso, a qu\u00edmica de inclus\u00e3o nos zirc\u00f5es \u00e9 caracter\u00edstica dos dois tipos de magmas que vemos hoje nas zonas de converg\u00eancia de placas tect\u00f4nicas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cN\u00f3s criamos essa vis\u00e3o de que a tect\u00f4nica de placas era imposs\u00edvel na jovem Terra\u201d, acrescentou Harrison. \u201cAgora, fizemos observa\u00e7\u00f5es do \u00e9on <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hadeano\">Hadeano<\/a> (o primeiro \u00e9on geol\u00f3gico da Terra) \u2014 esses pequenos gr\u00e2nulos cont\u00e9m um registro das condi\u00e7\u00f5es nas quais fora formados \u2014 e os zirc\u00f5es est\u00e3o dizendo que se formaram em uma regi\u00e3o com um fluxo de calor anormalmente baixo. Onde, na Terra atual, se tem um fluxo de calor que \u00e9 um ter\u00e7o da m\u00e9dia global, que \u00e9 o que descobrimos nos zircoes? S\u00f3 h\u00e1 um lugar onde voc\u00ea tem um fluxo de calor t\u00e3o baixo, onde se formam magmas: zonas de converg\u00eancia de placas tect\u00f4nicas\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos, Harrison e seus colegas aplicaram um t\u00e9cnica para estabelecer a temperatura dos antigos zirc\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;N\u00f3s descobrimos que a temperatura na qual esses zirc\u00f5es se formaram era constante e muito baixa&#8221;, explica Harrison. &#8220;N\u00e3o se pode obter um magma em qualquer temperatura mais baixa do que vemos nesses zirc\u00f5es. N\u00f3s vemos concep\u00e7\u00f5es art\u00edsticas da jovem Terra, com objetos vindos do espa\u00e7o exterior abrindo grandes crateras; isso deveria fazer zirc\u00f5es centenas de graus cent\u00edgrados mais quentes do que os que vemos. A \u00fanica maneira de criar zirc\u00f5es em baixas temperaturas \u00e9 se o material fundido estiver saturado por \u00e1gua. Teria que haver muita \u00e1gua. Isso \u00e9 uma grande surpresa porque nossa concep\u00e7\u00e3o, desde h\u00e1 muito, \u00e9 que a Terra jovem era seca\u201d<\/p>\n<div>###<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>University of California &#8211; Los Angeles A Tect\u00f4nica de Placas Come\u00e7ou h\u00e1 mais de 4 bilh\u00f5es de anos, relatam Ge\u00f3logos An\u00e1lise de minerais em velhos magmas pinta um novo quadro da jovem Terra Est\u00e1 emergindo uma nova figura da jovem Terra que inclui a surpreendente descoberta de que a tect\u00f4nica de placas pode ter come\u00e7ado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":480,"featured_media":428,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-427","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geologia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-content\/uploads\/sites\/224\/2011\/08\/EAHeaderTop3.gif","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/480"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/428"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}