{"id":51,"date":"2005-09-27T20:37:00","date_gmt":"2005-09-27T23:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/2005\/09\/estados-unidos-a-proxima-uniao-sovietica\/"},"modified":"2005-09-27T20:37:00","modified_gmt":"2005-09-27T23:37:00","slug":"estados-unidos-a-proxima-uniao-sovietica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2005\/09\/27\/estados-unidos-a-proxima-uniao-sovietica\/","title":{"rendered":"Estados Unidos: a pr\u00f3xima Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica?"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: arial\">Salve, Pessoal! Um amigo me mandou um link para uma mat\u00e9ria que \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o de uma entrevista com um historiador e dem\u00f3grafo, publicada originalmente pelo jornal franc\u00eas <span style=\"font-style: italic\">Le Figaro<\/span> (eu n\u00e3o sei como essa mat\u00e9ria me escapou, mas, felizmente, eu tenho bons amigos). A mat\u00e9ria \u00e9 de conte\u00fado explosivo e, como esse amigo diz: <\/span><\/div>\n<pre>Esta entrevista com Emmanuel Todd exp\u00f5e poss\u00edveis implica\u00e7\u00f5es profundas do despreparo estadunidense para lidar com o Katrina\n<a href=\"http:\/\/www.truthout.org\/docs_2005\/091205H.shtml\">http:\/\/www.truthout.org\/docs_2005\/091205H.shtml<\/a>\nEmmanuel Todd \u00e9 historiador e dem\u00f3grafo, na d\u00e9cada de setenta publicou artigos prevendo, com precis\u00e3o, detalhes de como se daria o decl\u00ednio sovi\u00e9tico nas d\u00e9cadas seguintes baseado em an\u00e1lise comparativa de dados demogr\u00e1ficos da mortalidade infantil na URSS.\nRecentemente ele escreveu um livro chamado 'Apr\u00e8s l'empire\" (depois do imp\u00e9rio), no qual sugere, apontando evid\u00eancias demogr\u00e1ficas e hist\u00f3rico-econ\u00f4micas, o porvir de uma condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o-hegem\u00f4nica dos EUA.<\/pre>\n<div style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: arial\">Como este amigo n\u00e3o publicou, ele mesmo este texto, preferindo mandar por email, eu vou tomar a liberdade de omitir minha fonte, apresentando apenas a tradu\u00e7\u00e3o (da tradu\u00e7\u00e3o \u2014 eu n\u00e3o localizei a mat\u00e9ria original no <em>Le Figaro<\/em>). Se ele quiser assumir a paternidade, sinta-se livre para faz\u00ea-lo. L\u00e1 vai:<\/p>\n<blockquote><p><strong>Emmanuel Todd: O Espectro de uma Crise no Estilo Sovi\u00e9tico<\/strong><br \/>\nPor Marie-Laure Germon and Alexis Lacroix<br \/>\n<strong>Le Figaro<\/strong><br \/>\n2\u00aa feira, 12 de Setembro de 2005<br \/>\nDe acordo com este dem\u00f3grafo, o Furac\u00e3o Katrina revelou o decl\u00ednio do Sistema Americano.<br \/>\nEngenheiro de pesquisas no Instituto Nacional de Estudos Demogr\u00e1ficos, historiador, autor de <em>&#8220;Apr\u00e8s l&#8217;empire&#8221;<\/em> (&#8220;Ap\u00f3s o Imp\u00e9rio&#8221;), publicado pela Gallimard em 2002 \u2013 um ensaio em que ele prev\u00ea o &#8220;desmoronamento&#8221; do sistema americano \u2013 Emmanuel Todd faz uma revis\u00e3o para <em>Le Figaro<\/em> das s\u00e9rias falhas reveladas pela tempestade.<br \/>\nLe Figaro &#8211; Qual \u00e9 a primeira li\u00e7\u00e3o moral e pol\u00edtica que se pode aprender da cat\u00e1strofe provocada por Katrina? necessidade de uma modifica\u00e7\u00e3o &#8220;global&#8221; em nosso relacionamento com a natureza?<br \/>\nEmmanuel Todd &#8211; Vamos nos precaver de uma interpreta\u00e7\u00e3o extrapolada. N\u00e3o devemos perder de vista o fato de que estamos falando de um furac\u00e3o de intensidade extraordin\u00e1ria que teria porduzido danos monstruosos em qualquer lugar. Um elemento que surpreendeu a muitos \u2013 a erup\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra, uma grande maioria neste desastre \u2013 n\u00e3o me surpreendeu pessoalmente, j\u00e1 que eu realizei um grande estudo sobre os mecanismos da segrega\u00e7\u00e3o racial nos Estados Unidos. Eu sabia, h\u00e1 muito tempo, que o mapa da mortalidade infantil nos Estados Unidos \u00e9 sempre uma c\u00f3pia exata da densidade das popula\u00e7\u00f5es negras. Por outro lado, eu fiquei surpreso que os espectadores desta cat\u00e1strofe subitamente se deram conta de que Condolezza Rice e Colin Powell n\u00e3o s\u00e3o \u00edcones particularmente representativos das condi\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica negra. O que realmente fez eco a minha representa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos \u2013 como desenvolvido em <em>Apr\u00e8s l&#8217;empire<\/em> \u2013 foi que os Estados Unidos ficaram desabilitados e ineficazes. O mito da efici\u00eancia e do super-dinamismo da economia americana est\u00e3o em perigo.<br \/>\nN\u00f3s pudemos observar a inadequa\u00e7\u00e3o dos recursos t\u00e9cnicos, dos engenheiros, das for\u00e7as militares no local, para confrontar a crise. Isso levantou o v\u00e9u sobre uma economia americana, percebida como muito din\u00e2mica, benefici\u00e1ria de uma taxa de desemprego baixa, creditada com uma s\u00f3lida taxa de crescimento do PIB. Em confronto com os Estados Unidos, a Europa \u00e9 tida como praticamente pat\u00e9tica, esmagada pelo desemprego end\u00eamico e golpeada com um crescimento an\u00eamico. Mas o que as pessoas n\u00e3o queriam ver \u00e9 que o dinamismo dos Estados Unidos \u00e9 um dinamismo de consumo.<br \/>\nLF &#8211; O consumo dom\u00e9stico americano \u00e9 artificialmente estimulado?<br \/>\nET &#8211; A economia americana est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o de um sistema econ\u00f4mico globalizado e os Estados Unidos funcionam como uma not\u00e1vel bomba de circula\u00e7\u00e3o financeira, importando capital em um n\u00edvel de 700 a 800 bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao ano. Esses fundos, ap\u00f3s a redistribui\u00e7\u00e3o, financiam o consumo de mercadorias importadas \u2013 um setor realmente din\u00e2mico. O que tem caracterizado os Estados Unidos, por anos, \u00e9 a tend\u00eancia de inflar o monstruoso d\u00e9ficit das contas externas, que agora est\u00e1 perto dos 700 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. A grande fraqueza desse sistema econ\u00f4mico \u00e9 que ele n\u00e3o se apoia em uma funda\u00e7\u00e3o de real capacidade industrial dom\u00e9stica.<br \/>\nA ind\u00fastria americana foi sangrada at\u00e9 o fim e \u00e9 o decl\u00ednio industrial que, acima de tudo, explica a neglig\u00eancia de uma na\u00e7\u00e3o confrontada com uma situa\u00e7\u00e3o de crise: para gerenciar uma cat\u00e1strofe natural, voc\u00ea n\u00e3o precisa de t\u00e9cnicas financeiras sofisticadas. ou de advogados especializados na extors\u00e3o de fundos em n\u00edvel global, mas voc\u00ea precisa de material, engenheiros e t\u00e9cnicos, bem como de um sentimento de solidariedade coletiva. Uma cat\u00e1strofe natural em terit\u00f3rio nacional confronta um pa\u00eds com sua identidade mais profunda, com suas capacidades de resposta tecnol\u00f3gica e social. Agora, se a popula\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica pode muito bem concordar em consumir juntos \u2013 o n\u00edvel de poupan\u00e7a dom\u00e9stica \u00e9 praticamente nulo \u2013 em termos de produ\u00e7\u00e3o de material, de preven\u00e7\u00e3o e planejamento de longo prazo, ela se provou desastrosa. A tempesatade mostrou os limites de uma economia virtual que identifica o mundo com um vasto video-game.<br \/>\nLF &#8211; \u00c9 l\u00edcito relacionar o sistema americano de margem de lucro \u2013 esse &#8220;neo-liberalismo&#8221; denunciado pelos comentaristas europeus \u2013 e a cat\u00e1strofe que atingiu Nova Orleans?<br \/>\nET &#8211; A ger\u00eancia da cat\u00e1strofe teria sido muito melhor nos Estados Unidos do passado. Depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos asseguravam metade da produ\u00e7\u00e3o dos bens produzidos no planeta. Hoje em dia, os Estados Unidos se mostram com pontas soltas, atolado em um Iraque devastado que eles n\u00e3o conseguem reconstruir. Os americanos levaram um longo tempo para blindar seus ve\u00edculos, para proteger suas pr\u00f3prias tropas. Eles tiveram que importar muni\u00e7\u00e3o leve. Que diferen\u00e7a dos Estados Unidos da Segunda Guerra que, ao mesmo tempo, esmagou o ex\u00e9rcito japon\u00eas com sua frota de porta-avi\u00f5es, organizou os desembarques na Normandia, reequipou o Ex\u00e9rcito russo com material leve, contribuiu magistralmente para a liberta\u00e7\u00e3o da Europa e manteve as popula\u00e7\u00f5es europ\u00e9ia e alem\u00e3, libertas de Hitler, vivas. Os americanos sabiam como dominar a tempestade nazista com uma maestria de que hoje se mostram incapazes em uma \u00fanica de suas regi\u00f5es. A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: o capitalismo americano daquela era foi um capitalismo industrial, com base na produ\u00e7\u00e3o de bens; em resumo, um mundo de engenheiros e t\u00e9cnicos.<br \/>\nLF &#8211; N\u00e3o seria mais pertinente reconhecer que, virtualmente, n\u00e3o h\u00e1 mais desastres puramente naturais, em uma defini\u00e7\u00e3o rigorosa, em virtude da falta de modera\u00e7\u00e3o das atividades humanas? N\u00e3o seria o caso de que o &#8220;American Way of Life&#8221; deva se auto-reformar? Por exemplo, aceitando as limita\u00e7\u00f5es do Protocolo de Kyoto?<br \/>\nET &#8211; As sociedades e incorpora\u00e7\u00f5es socias da Europa e dos Estados Unidos s\u00e3o radicalmente diferentes. A Europa \u00e9 parte de uma economia agr\u00edcola muito antiga, acostumada a tirar sua subsist\u00eancia do solo com dificuldade em um clima relativamente temperado, a salvo das cat\u00e1strofes naturais. Os Estados Unidos s\u00e3o um tipo de sociedade inteiramente nova que come\u00e7ou trabalhando um solo virgem e f\u00e9rtil no cora\u00e7\u00e3o de um ambiente natural mais hostil. Seu clima continental, muito mais violento, n\u00e3o constituiu um problema para os Estados Unidos enquanto eles desfrutaram de uma real vantagem econ\u00f4mica, isto \u00e9, enquanto eles detinham os meios t\u00e9cnicos para dominar a natureza. No presente, a hip\u00f3tese de uma dramatiza\u00e7\u00e3o humana da natureza, nem \u00e9 mais necess\u00e1ria. A simples deteriora\u00e7\u00e3o da capaciade t\u00e9cnica de uma economia americana, n\u00e3o mais produtiva, criou a amea\u00e7a de que a Natureza fa\u00e7a nada mais do que retomar seus direitos (naturais).<br \/>\nOs americanos precisam de mais aquecimento no inverno e mais ar-condicionado no ver\u00e3o. Se n\u00f3s formos, um dia, confrontados com uma pen\u00faria, n\u00e3o mais relativa, mas absoluta, os europeus v\u00e3o se adaptar a ela melhor porque seu servi\u00e7o de transporte \u00e9 muto mais concentrado e econ\u00f4mico. Os Estados Unidos foram concebidos, com respeito ao consumo de energia e espa\u00e7o, de uma maneira quase caprichosa, n\u00e3o bem pensada.<br \/>\nN\u00e3o vamos apontar nossos dedos para o agravamento das condi\u00e7\u00f5es naturais, mas preferencialmente para a deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de um sociedade que tem que se confrontar com uma natureza muito mais violenta. Os europeus, como os japoneses, demonstraram sua excel\u00eancia com respeito \u00e0 economia de energia, durante os antecedentes &#8220;choques do petr\u00f3leo&#8221;. Era de se esperar: as sociedades europ\u00e9ia e asi\u00e1tica se desenvolveram gerenciando a escassez e, ao final, v\u00e1rias d\u00e9cadas de abund\u00e2ncia de energia v\u00e3o parecer um breve par\u00eanteses em um dia de sua hist\u00f3ria. Os Estados Unidos foram constru\u00eddos na abund\u00e2ncia e n\u00e3o sabem gerenciar a esacassez. Dessa forma, eles agora s\u00e3o confrontados com o desconhecido. Os passos iniciais dessa adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se mostraram muito promissores: os europeus t\u00eam estoques de gasolina, os americanos t\u00eam estoques de petr\u00f3leo cru \u2013 eles n\u00e3o construiram uma s\u00f3 refinaria desde 1971.<br \/>\nLF &#8211; Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no sistema econ\u00f4mico que voc\u00ea p\u00f5e a culpa?<br \/>\nET &#8211; Eu n\u00e3o estou fazendo um julgamento moral. Eu focaliso minha an\u00e1lise no apodrecimento de todo o sistema. <em>Apr\u00e8s l&#8217;impire<\/em> desenvolve teses que, em seu todo, eram bem moderadas e que eu me sinto tentado a radicalizar hoje. Eu predisse o colapso da do sistema sovi\u00e9tico com base no aumento das taxas de mortalidade infantil, durante o per\u00edodo de 1970 a 1974. Agora, os \u00faltimos n\u00fameros publicados sobre este tema pelos Estados Unidos \u2013 os de 2002 \u2013 demonstram um recrudescimento das taxas de mortalidade infantil para todas as, assim chamadas, &#8220;ra\u00e7as&#8221; americanas. O que se pode deduzir a partir disso? Em primeiro lugar, que devemos evitar o enforque estritamente racial na interpreta\u00e7\u00e3o da cat\u00e1strofe do Katrina e trazer tudo \u00e0 conta do problema dos negros, em particular a desintegra\u00e7\u00e3o da sociedade local e o problema dos saques. Isso constituiria um problema de esconde-esconde ideol\u00f3gico. O saque dos supermercados \u00e9 s\u00f3 uma repeti\u00e7\u00e3o nos escal\u00f5es mais baixos da sociedade, do sistema predat\u00f3rio que est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do sistema social americano de hoje.<br \/>\nLF &#8211; O sistema predat\u00f3rio?<br \/>\nET &#8211; Este sistema social n\u00e3o se assenta mais sobre a \u00e9tica Calvinista dos &#8220;Founding Fathers&#8221; (&#8220;Pais Fundadores&#8221;) e seu gosto pela poupan\u00e7a \u2013 mas, ao contr\u00e1rio, em um novo ideal (eu n\u00e3o ouso falar em \u00e9tica ou moral): a busca da maior remunera\u00e7\u00e3o em troco do m\u00ednimo de esfor\u00e7o. Dinheiro adquirido rapidamente, por especula\u00e7\u00e3o e, por que n\u00e3o, por roubo. A gangue de negros desempregados que saqueia um supermercado e o grupo de oligarcas que tentam organizar o seq\u00fcestro do s\u00e9culo das reservas de hidrocarbonetos do Iraque, t\u00eam um princ\u00edpio de a\u00e7\u00e3o em comum: preda\u00e7\u00e3o. As disfun\u00e7\u00f5es em Nova Orleans refletem certos elementos centrais da cultura americana presente.<br \/>\nLF &#8211; Voc\u00ea postula que o gerenciamento do Katrina revela uma preocupante fragmenta\u00e7\u00e3o territorial, acrescida do pouco caso do aparato militar. O que devemos ent\u00e3o temer no foturo?<br \/>\nET &#8211; A hip\u00f3tese do decl\u00ednio, desenvolvida em <em>Apr\u00e8s l&#8217;empire<\/em>, evoca uma possibilidade do simples retorno dos Estados Unidos ao normal, certamente associado a uma queda no padr\u00e3o de vida de 15 a 20%, por\u00e9m garantindo para a popula\u00e7\u00e3o um n\u00edvel de consumo e de energia &#8220;padr\u00e3o&#8221; no mundo desenvolvido. Eu s\u00f3 estava atacando o mito da superpot\u00eancia. Hoje, eu tenho medo de ter sido muito otim\u00edstico. A inabilidade dos Estados Unidos em responder a uma competi\u00e7\u00e3o industrial, seu grande d\u00e9ficit em bens de alta tecnologia, o recrudescimento das taxas de mortalidade infantil, a perda de efici\u00eancia (e pr\u00e1tica inefici\u00eancia) do aparato militar, a persistente neglig\u00eancia das elites, incitam-me a considerar a possibilidade de uma real crise do tipo sovi\u00e9tico nos Estados Unidos.<br \/>\nLF &#8211; Seria uma tal crise uma conseq\u00fc\u00eancia da pol\u00edtica da Administra\u00e7\u00e3o Bush, que voc\u00ea estigmatiza por seus aspectos paternal\u00edsticos e de Darwinismo social? Ou seriam suas causas mais estruturais?<br \/>\nET &#8211; O neo-conservadorismo americano n\u00e3o deve ser culpado sozinho. O que me parece mais chocante \u00e9 a maneira como esta Am\u00e9rica que encarna o absoluto oposto da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, est\u00e1 ao ponto de causar a mesma cat\u00e1strofe pela caminho oposto. O comunismo, em sua loucura, sup\u00f4s que a sociedade era tudo e o indiv\u00edduo n\u00e3o era nada, uma base ideol\u00f3gica que causou sua pr\u00f3pria ru\u00edna. Hoje, os Estados Unidos nos asseguram, com uma f\u00e9 cega t\u00e3o intensa como a de St\u00e1lin, que o indiv\u00edduo \u00e9 tudo, o mercado \u00e9 o suficiente e que o Estado \u00e9 odioso. A intensidade da fixa\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica \u00e9 totalmente compar\u00e1vel \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o do del\u00edrio comunista. Esta postura individualista e inequalit\u00e1ria desorganiza a sociedade americana para a a\u00e7\u00e3o. O mist\u00e9rio real, para mim, reside a\u00ed: como pode uma sociedade renunciar ao bom-senso e pragmatismo a um tal ponto, e entrar em um tal processo de auto-destrui\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica? \u00c9 um beco-sem sa\u00edda hist\u00f3rico para o qual eu n\u00e3o tenho resposta e o problema n\u00e3o pode ser abstra\u00eddo das pol\u00edticas da atual administra\u00e7\u00e3o somente. \u00c9 toda a sociedade americana que parece estar se lan\u00e7ando em uma pol\u00edtica de escorpi\u00e3o, um sistema doentio que termina se aplicando seu pr\u00f3prio veneno. Este comportamento n\u00e3o \u00e9 racional, mas, ao mesmo tempo, ele n\u00e3o contradiz a l\u00f3gica da hist\u00f3ria. As gera\u00e7\u00f5es p\u00f3s-guerra perderam a familiaridade com a trag\u00e9dia e com o espet\u00e1culo dos sistemas auto-destrutivos. Mas a realidade emp\u00edrica da hist\u00f3ria humana \u00e9 que isto n\u00e3o \u00e9 racional.<\/p><\/blockquote>\n<p>Apavorante, n\u00e3o?&#8230;<br \/>\n<\/span><\/div>\n<div class=\"blogger-post-footer\">http:\/\/chivononpo.blogspot.com\/atom.xml<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salve, Pessoal! Um amigo me mandou um link para uma mat\u00e9ria que \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o de uma entrevista com um historiador e dem\u00f3grafo, publicada originalmente pelo jornal franc\u00eas Le Figaro (eu n\u00e3o sei como essa mat\u00e9ria me escapou, mas, felizmente, eu tenho bons amigos). 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