{"id":52,"date":"2005-10-01T23:29:00","date_gmt":"2005-10-02T02:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/2005\/10\/acidificacao-dos-oceanos-e-diminuicao-das-calotas-polares\/"},"modified":"2005-10-01T23:29:00","modified_gmt":"2005-10-02T02:29:00","slug":"acidificacao-dos-oceanos-e-diminuicao-das-calotas-polares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2005\/10\/01\/acidificacao-dos-oceanos-e-diminuicao-das-calotas-polares\/","title":{"rendered":"Acidifica\u00e7\u00e3o dos Oceanos e diminui\u00e7\u00e3o das calotas polares"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: arial\">Salve, Pessoal! Mais uma not\u00edcia, desta vez do <span style=\"font-style: italic\">Le Monde<\/span>, dando conta das lamban\u00e7as clim\u00e1ticas. La vai:<\/p>\n<blockquote><p><strong>A acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos amea\u00e7a a cadeia alimentar do Oceano Austral<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.lemonde.fr\/web\/article\/0,1-0@2-3244,36-694943@51-690189,0.html\">LE MONDE<\/a> | 01.10.05 | 14h20  \u2022  Atualizado em 01.10.05 | 14h20<br \/>\nA acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos vai desestabilizar, de hoje a 2030-2050, os ecossistemas marinhos? Sem d\u00favida, se acreditarmos em um estudo internacional publicado na quinta-feira 29 de setembro na revista &#8220;Nature&#8221; e realizado por uma dezena de laborat\u00f3rios alem\u00e3es, americanos ou, ainda, franceses. Segundo eles, o crescimento da taxa de di\u00f3xido de carbono na atmosfera vai provocar, em um prazo mais ou menos breve, uma acidifica\u00e7\u00e3o dos mares tal que certos organismos com esqueletos externos n\u00e3o poder\u00e3o nele subsistir. No decurso do s\u00e9culo XX, o pH m\u00e9dio dos oceanos despencou de 0,1 unidade. Esta tend\u00eancia vai se acelerar no decorrer do s\u00e9culo XXI e \u00e9 prevista uma baixa do pH de 0,3 a 0,4 unidades de hoje at\u00e9 2100.<br \/>\n&#8220;Em fun\u00e7\u00e3o de diferentes cen\u00e1rios de desenvolvimento&#8221;, explica Patrick Monfray, co-autor dessa publica\u00e7\u00e3o e pesquisador no Laborat\u00f3rio de Geof\u00edsica e Oceanografia Espaciais (CNRS, IRD, CNES e Universidade de Toulouse-III), &#8220;n\u00f3s demonstramos que a acidez dos oceanos vai crescer at\u00e9 o ponto em que, nas altas latitudes polares, certos organismos dotados de conchas calc\u00e1rias, v\u00e3o estar em uma \u00e1gua t\u00e3o \u00e1cida que ela ser\u00e1 capaz de dissolver suas carapa\u00e7as&#8221;. Se as emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub> n\u00e3o forem dominadas (cen\u00e1rio chamado &#8220;Business as usual&#8221;=&#8221;Neg\u00f3cios como os usuais&#8221;), esse p\u00f3nto ser\u00e1 atingido cerca de 2030, estima o Sr. Monfray. Se, ao contr\u00e1rio, a concentra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico se estabilizar em 650 ppm (partes por milh\u00e3o), chega-se a ele em torno de 2050.<br \/>\nOs organismos cujas conchas s\u00e3o formados de calcita n\u00e3o dever\u00e3o ser os primeiros a serem afetados. Em contrapartida, aqueles com o esqueleto externo constitu\u00eddo de aragonita (CaCO<sub>3<\/sub> ou carbonato de c\u00e1lcio) est\u00e3o particularmente amea\u00e7ados.<br \/>\n\u00c9 notadamente o caso dos moluscos planct\u00f4nicos chamados pter\u00f3podes. Ora, esses organismos se revestem de uma import\u00e2ncia particular. &#8220;Eles formam um elo importante da cadeia alimentar do Oceano Austral&#8221;, explica Patrick Onfray. &#8220;Potencialmente, isso pode gerar fen\u00f4menos em cascata em grande escala&#8221;, que afetar\u00e3o uma grande faixa de esp\u00e9cies (cet\u00e1ceos, salm\u00f4es, etc.).<br \/>\nEstes fatos s\u00e3o ainda mais preocupantes j\u00e1 que, perdurando a tend\u00eancia atual, o fen\u00f4meno vai atingir, em torno de 2100, n\u00e3o somente as altas latitudes, mas, igualmente, as zonas mais meridionais como o Pac\u00edfico Norte. A publica\u00e7\u00e3o destes trabalhos vem de encontro \u00e0quilo que diversas pesquisas recentemente puseram em evid\u00eancia: importantes modifica\u00e7\u00f5es na reparti\u00e7\u00e3o da fauna planct\u00f4nica.<br \/>\nENXUGAR OS EXCESSOS<br \/>\nNo Atl\u00e2ntico Norte, por exemplo, certos planctons migram para o norte, sob o efeito do reaquecimento das \u00e1guas da superf\u00edcie (ver mat\u00e9ria do Le Monde de 20 de setembro de 2004). Entre uma acidez crescente ao Norte e o aumento da temperatura mais ao Sul, a din\u00e2mica dessas esp\u00e9cies ser\u00e1 realmente profundamente perturbada a curto prazo.<br \/>\nOs recifes de coral \u2013 nichos de uma abundante biodiversidade \u2013 poder\u00e3o sofrer tamb\u00e9m com a acidifica\u00e7\u00e3o dos mares, acrescentam os pesquisadores. Ainda assim, este ponto continua em discuss\u00e3o. Um estudo controvertido, publicado em dezembro de 2004 na revista &#8220;Geophysical Research Letters&#8221;, conclu\u00eda que os corais poderiam, ao contr\u00e1rio, se benefeiciar do aquecimento. Com efeito, se a baixa do pH tende a reduzir o conte\u00fado de aragonita na \u00e1gua do mar (e, portanto, desacelerar os fen\u00f4menos de calcifica\u00e7\u00e3o) o aumento da temperatura da \u00e1gua contrabalancearia esta tend\u00eancia.<br \/>\nMesmo se estas discuss\u00f5es permane\u00e7am na comunidade cient\u00edfica, a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos \u00e9 objeto de inquietudes crescentes. Porque ela conduz, por outro lado, \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da capacidade dos oceanos em absorver o CO<sub>2<\/sub> produzido pela atividade humana. Quanto mais o oceano ficar \u00e1cido, menos ser\u00e1 capaz de enxugar os excessos produzidos pelo homem.<br \/>\nEm suma, explica o Sr. Onfray, este \u00e9 um caso de &#8220;realimenta\u00e7\u00e3o positiva&#8221;, Ou seja, este efeito tamp\u00e3o do oceano n\u00e3o pode ser negligenciado porque as \u00e1guas da superf\u00edcie absorvem mais de um ter\u00e7o dos rejeitos de g\u00e1s carb\u00f4nico engendrados pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<br \/>\nSt\u00e9phane Foucart<br \/>\n(Quadro anexo ao artigo)<br \/>\nForte redu\u00e7\u00e3o da calota glacial \u00e1rtica<br \/>\nA calota glacial \u00e1rtica ficou fortemente reduzida este ano e isso pelo quarto ver\u00e3o consecutivo, indicaram na quarta-feira 28 de setembro os cientistas americanos. Este fen\u00f4meno, atribu\u00eddo ao aquecimento do clima vai, provavelmente, se acelerar. &#8220;Dado o baixo n\u00edvel recorde dos gelos este ano, no fim de setembro, 2005 vai, praticamente com certeza, ultrapassar 2002 em ter a mais fraca calota de gelo no \u00c1rtico em um s\u00e9culo&#8221;, declarou Julienne Stroeve do Centro Americano de Dados sobre Neves e Gelo (NSIDC). &#8220;Neste r\u00edtmo, o \u00c1rtico n\u00e3o ter\u00e1 mais gelo, durante a esta\u00e7\u00e3o do Ver\u00e3o, bem antes do fim deste s\u00e9culo&#8221;, acrescentou ela. A zona gelada do Oceano \u00c1rtico fica normalmente reduzida a seu m\u00ednimo em setembro, no fim do ver\u00e3o. Em 21 de setembro de 2005 a banquisa n\u00e3o tinha mais do que 5,32 milh\u00f5es de km<sup>2<\/sup>, ou seja, a mais t\u00eanue superf\u00edcie jamais medida pelos sat\u00e9lites, precisaram os cientistas em um comunicado. Os &#8220;experts&#8221; do NSIDC calcularam que a calota glacial do \u00c1rtico vai se reduzir em 8% em m\u00e9dia, a cada dec\u00eanio. \u2013 (AFP.)<br \/>\nArtigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de 02.10.05<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Quando ser\u00e1 que os idiotas v\u00e3o ver que est\u00e3o pondo fogo na pr\u00f3pria casa???<\/strong><br \/>\n<\/span><\/div>\n<div class=\"blogger-post-footer\">http:\/\/chivononpo.blogspot.com\/atom.xml<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salve, Pessoal! Mais uma not\u00edcia, desta vez do Le Monde, dando conta das lamban\u00e7as clim\u00e1ticas. La vai: A acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos amea\u00e7a a cadeia alimentar do Oceano Austral LE MONDE | 01.10.05 | 14h20 \u2022 Atualizado em 01.10.05 | 14h20 A acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos vai desestabilizar, de hoje a 2030-2050, os ecossistemas marinhos? 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