{"id":69,"date":"2006-04-07T21:22:00","date_gmt":"2006-04-08T00:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/2006\/04\/cooperacao-forcada\/"},"modified":"2006-04-07T21:22:00","modified_gmt":"2006-04-08T00:22:00","slug":"cooperacao-forcada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2006\/04\/07\/cooperacao-forcada\/","title":{"rendered":"Coopera\u00e7\u00e3o for\u00e7ada"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: arial\">Salve, Pessoal!<br \/>\nUm artigo, bem a prop\u00f3sito, apareceu na edi\u00e7\u00e3o de hoje do The New York Times. Fala sobre cooperativismo e o poder de coer\u00e7\u00e3o. Sem mais coment\u00e1rios, ei-lo:<\/p>\n<blockquote><p><strong><a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2006\/04\/07\/science\/07punish.html\">Estudo liga Puni\u00e7\u00e3o com Capacidade de Tirar Proveito<\/a><\/strong><br \/>\nPor BENEDICT CAREY<br \/>\nPublicado em: 7 de Abril de 2006.<br \/>\nOs soci\u00f3logos sabem, h\u00e1 muito tempo, que comunidades e outros grupos cooperativos, usualmente entram em colapso por conta de questi\u00fanculas e debandam, a menos que tenham m\u00e9todos claros para punir os membros que se tornem egoistas ou exploradores.<br \/>\nAgora, uma experi\u00eancia conduzida por um grupo de economistas alem\u00e3es, descobriu uma raz\u00e3o porque a puni\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante: grupos que permitem puni\u00e7\u00f5es podem ser mais proveitosos do que os que n\u00e3o permitem.<br \/>\nPermitida a op\u00e7\u00e3o, a maior parte das pessoas que jogavam um jogo de investimentos, criado pelos pesquisadores, incialmente se decidiu por se unir a um grupo que n\u00e3o penalizava seus membros. Mas quase todos rapidamente mudaram-se para uma comunidade punitiva, quando viram que a mudan\u00e7a poderia ser pessoalmente proveitosa.<br \/>\nO estudo, publicado hoje na &#8220;Science&#8221;, sugere que grupos com poucas regras atraem muitas pessoas exploradoras que rapidamente minam a coopera\u00e7\u00e3o. Em contraste, comunidades que permitem puni\u00e7\u00f5es e nas quais o poder \u00e9 distribu\u00eddo eq\u00fcanimemente, atraem mais pessoas que, mesmo com sacrif\u00edcio pr\u00f3prio, t\u00eam a disposi\u00e7\u00e3o de confrontar os delinq\u00fcentes.<br \/>\nUma <em>expert<\/em> n\u00e3o envolvida no estudo, Elinor Ostrom, co-diretora do <em>Workshop<\/em> de Teoria Pol\u00edtica e An\u00e1lise de Pol\u00edticas na Universidade de Indiana, disse que isto ajudava a clarear as condi\u00e7\u00f5es nas quais as pessoas penalizar\u00e3o as outras, a fim de promover a coopera\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00abEu estou muito contente em ver essa experi\u00eancia realizada e seus resiltados publicados com tanta proemin\u00eancia\u00bb, disse a Dra. Ostrom, \u00abporque ainda temos muitos quebra-cabe\u00e7as a resolver, quando se trata do efeito das puni\u00e7\u00f5es sobre o comportamento.\u00bb<br \/>\nA Dra. Ostrom realizou trabalhos de campo com cooperativas por todo o mundo e disse que, freq\u00fcentemente, perguntava a outros pesquisadores e estudantes se eles conheciam algum grupo comunit\u00e1rio longevo que n\u00e3o empregasse um sistema de puni\u00e7\u00f5es. \u00abNingu\u00e9m conseguiu me dar um \u00fanico exemplo\u00bb, disse ela.<br \/>\nNa experi\u00eancia, os pesquisadores na Universidade de Erfurt (Alemanha) recrutaram 84 estudantes para o jogo de investimento e deram a cada um 20 &#8220;moedas&#8221; para cada, para iniciar. A cada rodada do jogo, cada participante decidia se ia manter as &#8220;moedas&#8221; ou investir algumas em um fundo cujo retorno garantido era distribu\u00eddo igualmente por todos os membros do grupo, inclusive os &#8220;caronas&#8221; que ficassem sentados em cima de seu dinheiro. Como o lucro era determinado a partir de um m\u00faltiplo das &#8220;moedas&#8221; investidas, cada participante que tivesse contribu\u00eddo para o fundo, receberia um retorno menor do que seria, se os &#8220;caronas&#8221; tamb\u00e9m tivessem contribu\u00eddo.<br \/>\nAs &#8220;moedas&#8221; poderiam ser trocadas por dinheiro de verdade no fim da experi\u00eancia.<br \/>\nCerca de dois ter\u00e7os dos estudantes escolheram, inicialmente, jogar no grupo que n\u00e3o permitia puni\u00e7\u00f5es. No outro grupo, os estudantes tinham a op\u00e7\u00e3o de, a cada rodada, penalizar os outros jogadores; custava uma &#8220;moeda&#8221; para multar um outro jogador em tr\u00eas &#8220;moedas&#8221;. Todos os participantes podiam ver quem estava contribu\u00edndo com quanto, \u00e0 medida em que o jogo progredia, e podiam mudar de grupo antes de cada rodada.<br \/>\nNa altura da quinta rodada, cerca de metade dos que come\u00e7aram o estudo no grupo sem penalidades, tinham mudado para o grupo com puni\u00e7\u00f5es. Um n\u00famero menor de estudantes emigrou na outra dire\u00e7\u00e3o, mas, na altura da 20\u00aa rodada, a maioria tinha voltado e a comunidade sem puni\u00e7\u00f5es tinha virado, virtualmente, uma cidade-fantasma.<br \/>\n\u00abO &#8220;ponto final&#8221; da publica\u00e7\u00e3o \u00e9 que, quando voc\u00ea tem pessoas com padr\u00f5es compartilhados e alguns com a coragem moral para sancionar os outros, informalmente, ent\u00e3o esse tipo de sociedade obt\u00e9m muito sucesso\u00bb, disse a autora-s\u00eanior do estudo, Bettina Rockenbach, a quem se juntaram na pesquisa Bernd Irlenbusch, agora na Escola de Economia de Londres, e Ozgur Gurek.<br \/>\nAs mudan\u00e7as de grupos freq\u00fcentemente causavam memor\u00e1veis mudan\u00e7as de atitude nos estudantes. Muitos dos que tinham sido &#8220;caronas&#8221; no grupo <em>laissez-faire<\/em>, come\u00e7aram avidamente a penalizar outros jogadores ego\u00edstas, quando da mudan\u00e7a. A Dra. Rockenbach compara essas pessoas a tabagistas que insistem em seu direito de fumar, at\u00e9 que deixam de fumar. \u00abA\u00ed, elas se tornam os anti-fumantes mais militantes\u00bb, disse ela.<br \/>\nSer explorado pareceu causar profunda frustra\u00e7\u00e3o e raiva na maior parte dos estudantes, disse ela.<br \/>\nOutros <em>experts<\/em> disseram que os resultados s\u00e3o uma importante demonstra\u00e7\u00e3o de como o interesse pr\u00f3prio pode vencer a avers\u00e3o das pessoas a normas punitivas, pelo menos no laborat\u00f3rio. No mundo de fora, disseram eles, usualmente n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o claro ver quem est\u00e1 &#8220;tomando carona&#8221;, nem mesmo ver se um dado grupo est\u00e1 encorajando um comportamento cooperativo para a maioria das pessoas.<br \/>\n\u00abO mist\u00e9rio, se \u00e9 que h\u00e1 algum, \u00e9 como essas institui\u00e7\u00f5es come\u00e7am a se desenvolver\u00bb, disse por e-mail Duncan J. Watts, um soci\u00f3logo em Col\u00fambia, \u00abisto \u00e9, antes que se torne aparente a qualquer um que se pode resolver o problema de coopera\u00e7\u00e3o.\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p>Atribuem a Napole\u00e3o Buonaparte a frase: \u00abUma pessoa lutar\u00e1 com mais entusiasmo por seus interesses do que por seus direitos\u00bb.<br \/>\nSe ele n\u00e3o disse, deveria ter dito&#8230;<br \/>\n<\/span><\/div>\n<div class=\"blogger-post-footer\">http:\/\/chivononpo.blogspot.com\/atom.xml<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salve, Pessoal! Um artigo, bem a prop\u00f3sito, apareceu na edi\u00e7\u00e3o de hoje do The New York Times. Fala sobre cooperativismo e o poder de coer\u00e7\u00e3o. Sem mais coment\u00e1rios, ei-lo: Estudo liga Puni\u00e7\u00e3o com Capacidade de Tirar Proveito Por BENEDICT CAREY Publicado em: 7 de Abril de 2006. 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