{"id":801,"date":"2010-02-15T17:55:26","date_gmt":"2010-02-15T20:55:26","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/2010\/02\/liberdade_de_comercio_e_o_cace\/"},"modified":"2010-02-15T17:55:26","modified_gmt":"2010-02-15T20:55:26","slug":"liberdade_de_comercio_e_o_cace","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2010\/02\/15\/liberdade_de_comercio_e_o_cace\/","title":{"rendered":"&#8220;Liberdade de com\u00e9rcio&#8221; \u00e9 o cacete!"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"title\"><a href=\"http:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2010-02\/osu-ftl021210.php\">Livre com\u00e9rcio e perda de sistemas de apoio est\u00e3o acabando com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos na \u00c1frica<\/a><\/h1>\n<p>CORVALLIS, Oregon &#8211; A despeito das boas inten\u00e7\u00f5es, a press\u00e3o pela privatiza\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es do governo e a insist\u00eancia no &#8220;livre com\u00e9rcio&#8221; que frequentemente \u00e9 injusto, fez cair a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, aumentou a pobreza e uma crise de fome para milh\u00f5es de pessoas em v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es africanas, concluiram os pesquisadores em um recente estudo.<\/p>\n<p>As reformas dos mercados que come\u00e7aram no meio da d\u00e9cada de 1980 e, supostamente, deveriam ajudar o crescimento econ\u00f4mico, sairam pela culatra em algumas das na\u00e7\u00f5es mais pobres do mundo e, nos \u00faltimos anos, levaram a motins de fome, relatam os cientistas hoje em <i>Proceedings of the National Academy of<br \/>\nSciences<\/i>.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas dessas reformas eram projetadas para tornar os pa\u00edses mais eficientes e vistas como uma solu\u00e7\u00e3o para o prec\u00e1rio sistema de ensino, sa\u00fade e infraestrutura em geral&#8221;, declara Laurence Becker, um professor associado de geoci\u00eancias na Universidade do Estado do Oregon (OSU). &#8220;Por\u00e9m elas algumas vezes eliminaram sistemas de apoio cr\u00edticos para fazendeiros pobres que n\u00e3o tinham carro, nem t\u00edtulos de posse, ganhavam US$ 1 por dia e tinham suas economias da ordem de US$ 600 escondidas debaixo do colch\u00e3o&#8221;. <\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o se pedia que essas pessoas competissem com alguns dos sistemas agr\u00edcolas mais eficientes do mundo e elas simplesmente n\u00e3o conseguiam&#8221;, continua Becker. &#8220;Com as barreiras tarif\u00e1rias removidas, a comida importada mais barata inundava os paises, alguns dos quais eram quase que auto-suficientes em agricultura. Muitas pessoas deixaram a agricultura e abandonaram os sistemas que tinham funcionado por s\u00e9culos em suas culturas&#8221;.<\/p>\n<p>A pesquisa chegou \u00e0 conclus\u00e3o que essas for\u00e7as minaram a produ\u00e7\u00e3o de alimentos por 25 anos. A coisa estourou no in\u00edcio de 2008 quando o pre\u00e7o do arroz &#8211; um produto de primeira necessidade em muitas na\u00e7\u00f5es africanas &#8211; dobrou no per\u00edodo de um ano, para consumidores que gastavam grande parte de sua renda unicamente em alimento. Motins de fome e anarquia econ\u00f4mica e pol\u00edtica foram a consequ\u00eancia.<\/p>\n<p>O estudo foi conduzido por pesquisadores da OSU, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles e do Macalester College, tomando como base pesquisas habitacionais e de mercado e dados das produ\u00e7\u00f5es nacionais.<\/p>\n<p>Becker diz que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es simples ou \u00f3bvias, mas que as na\u00e7\u00f5es desenvolvidas e organiza\u00e7\u00f5es tais como o Banco Mundial ou o Fundo Monet\u00e1rio Internacional precisam reconhecer que abordagens que podem ser eficazes em economias mais evolu\u00eddas, n\u00e3o s\u00e3o imediatamente traduz\u00edveis para na\u00e7\u00f5es menos desenvolvidas. <\/p>\n<p>Becker explica que &#8220;n\u00e3o sugerimos que todos os produtores locais, tais como pequenos fazendeiros, vivam em uma economia fict\u00edcia que seja isolada do resto do mundo&#8221;..<\/p>\n<p>&#8220;Mas, ao mesmo tempo, temos que compreender que essas pessoas frequentemente t\u00eam pouca educa\u00e7\u00e3o formal, nenhum sistema de extens\u00e3o, nem contas banc\u00e1rias, quase nunca tem carros, nem estradas. Eles podem cultivar suas fazendas e fornecer comida e empregos para seus pa\u00edses, mas algumas vezes precisam de uma pequena ajuda, de uma forma que funcione para eles. Algumas boas sementes, boa assessoria, um pouco de fertilizante e um mercado local para seus produtos&#8221;. <\/p>\n<p>Muitas pessoas em na\u00e7\u00f5es africanas, prossegue Becker, exploram a terra local em comunidade, como t\u00eam feito por gera\u00e7\u00f5es, sem t\u00edtulos de propriedade ou equipamentos caros, e desenvolveram sistemas que podem n\u00e3o ser avan\u00e7ados, mas s\u00e3o funcionais. Elas frequentemente n\u00e3o est\u00e3o preparadas para competir com multinacionais e sofisticados sistemas de com\u00e9rcio. A perda da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola local as coloca \u00e0 merc\u00ea de s\u00fabitas altas dos pre\u00e7os dos alimentos no mercado mundial. E alguns dos fazendeiros competem com os dos EUA, Leste Asi\u00e1tico e outras na\u00e7\u00f5es que subsidiam escanacaradamente suas agriculturas, enquanto dizem a elas que elas devem adotar totalmente o livre com\u00e9rcio, sem qualquer ajuda.<\/p>\n<p>Becker declara: &#8220;Um mercado realmente livre \u00e9 coisa que n\u00e3o existe neste mundo. N\u00f3s n\u00e3o temos um, mas dizemos \u00e0s pessoas famintas que elas deveriam ter&#8221;.&nbsp; <\/p>\n<p>Esta pesquisa examinou os problemas em G\u00e2mbia e Costa do Marfim na \u00c1frica Ocidental, onde os problemas dessa natureza se agravaram recentemente. Tamb\u00e9m foram examinadas as condi\u00e7\u00f5es no Mali, que, em contraste, foi mais capaz de sustentar a produ\u00e7\u00e3o local de alimentos &#8211; por causa de uma melhor malha vi\u00e1ria, uma posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica que torna o arroz importado mais caro, uma tradi\u00e7\u00e3o cultural de prefer\u00eancia pelos produtos locais e outros fatores. . <\/p>\n<p>Os governos historicamente corruptos continuam a ser um problema, dizem os pesquisadores.<\/p>\n<p>&#8220;Em muitas na\u00e7\u00f5es africanas, o governo \u00e9 encarado como um saqueador, n\u00e3o como uma ajuda ou como protetores dos direitos&#8221;, afirma Becker. &#8220;Apesar disso, temos que conseguir um resultado melhor em fazer com que o governo preste um m\u00ednimo de apoio para ajudar a agricultura local a sobreviver&#8221;. <\/p>\n<p>A \u00eanfase sobre uma maior responsabilidade do setor privado que come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1980, diz o relat\u00f3rio, funcionou at\u00e9 certo ponto, enquanto o pre\u00e7o dos alimentos importados, especialmente do arroz, permaneceu barato. Mas isso causou um crescente desemprego e uma eros\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o local de alimentos que, em 2007-08 explodiu em uma crise de alimentos global, motins urbanos e viol\u00eancia. As t\u00e9cnicas sofisticadas e a \u00eanfase da &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o Verde&#8221; podem ter causado mais males do que bens em v\u00e1rios locais, conclui o estudo.<\/p>\n<p>Outro problema, afirmama os pesquisadores&#8221; foi uma &#8220;tend\u00eancia urbana&#8221; nos programas assistenciais dos governos, onde os poucos sistemas de apoio que funcionavam, eram mais orientados para as necessidades da popula\u00e7\u00e3o urbana do que da rural.<\/p>\n<p>As poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es, concluem os pesquisadores, incluem uma maior diversidade de cultivos locais, barreiras tarif\u00e1rias adequadas e os sistemas de cr\u00e9dito, vi\u00e1rio e de processamento locais necess\u00e1rios a processar as colheitas locais e lev\u00e1-las aos mercados locais.<\/p>\n<div align=\"center\">###<\/p>\n<div align=\"left\">Eu n\u00e3o costumo comentar os press-releases que traduzo, mas este, n\u00e3o d\u00e1 para calar&#8230;<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, ainda bem que apareceu um estudo honesto que diz o que todos j\u00e1 sabiam, mas fingiam que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu s\u00f3 gostaria de saber se algum desses luminares do FMI, por exemplo, aceitaria aprender a jogar poker, apostando toda sua renda com um profissional&#8230; <\/p>\n<p>A conclus\u00e3o de Becker: &#8220;N\u00e3o temos um mercado livre de verdade, mas dizemos aos famintos que eles t\u00eam que ter&#8221;, \u00e9 uma re-descoberta da p\u00f3lvora!<\/p>\n<p>O que me leva a sombrias considera\u00e7\u00f5es sobre as campanhas contra a destrui\u00e7\u00e3o das florestas e contra o aquecimento global&#8230; <\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o paramos de poluir e gastar \u00e0 rodo, mas voc\u00eas t\u00eam que limpar e economizar&#8230; por mais que passem fome&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Ora!&#8230; Passe ontem!&#8230;<\/p>\n<p><\/div>\n<p><\/div>\n<hr>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livre com\u00e9rcio e perda de sistemas de apoio est\u00e3o acabando com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos na \u00c1frica CORVALLIS, Oregon &#8211; A despeito das boas inten\u00e7\u00f5es, a press\u00e3o pela privatiza\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es do governo e a insist\u00eancia no &#8220;livre com\u00e9rcio&#8221; que frequentemente \u00e9 injusto, fez cair a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, aumentou a pobreza e uma crise [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":480,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[13,39],"tags":[],"class_list":["post-801","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-politica"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/801","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/480"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=801"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/801\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=801"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=801"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}