{"id":86,"date":"2006-07-10T00:19:00","date_gmt":"2006-07-10T03:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/chivononpo\/2006\/07\/physics-news-update-n-783\/"},"modified":"2006-07-10T00:19:00","modified_gmt":"2006-07-10T03:19:00","slug":"physics-news-update-n-783","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/2006\/07\/10\/physics-news-update-n-783\/","title":{"rendered":"Physics News Update n\u00b0 783"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: arial\"><strong>PHYSICS NEWS UPDATE<\/strong><br \/>\nO Boletim de Not\u00edcias da F\u00edsica do Instituto Americano de F\u00edsica, n\u00famero 783, de 30 de junho de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi    <a href=\"http:\/\/www.aip.org\/pnu\">Physics News Update<\/a><br \/>\nCANALIZANDO AS PROFUNDEZAS DO EL\u00c9TRON. A cuidadosa observa\u00e7\u00e3o de um el\u00e9tron singelo em uma armadilha at\u00f4mica, por um per\u00edodo de v\u00e1rios meses, resultou na melhor medi\u00e7\u00e3o, at\u00e9 agora, do momento magn\u00e9tico do el\u00e9tron e um valor mais preciso para &#8220;alfa&#8221;, a constante de estrutura fina, o par\u00e2metro que estabelece a for\u00e7a gen\u00e9rica da for\u00e7a eletromagn\u00e9tica. Os el\u00e9trons, \u00e9 claro, fazem parte de todos os \u00e1tomos e, como tais, s\u00e3o um essencial &#8220;tijolo&#8221; na constru\u00e7\u00e3o do universo. E alfa \u00e9 um membro importante do sistema de constantes fundamentais usadas para descrever a natureza. O el\u00e9tron, muito menor do que o pr\u00f3ton, e geralmente considerado como uma part\u00edcula puntual, \u00e9 um objeto t\u00e3o fundamental para estudos, quanto se possa desejar na f\u00edsica. N\u00e3o obstante, a intera\u00e7\u00e3o do el\u00e9tron com o v\u00e1cuo \u00e9 qualquer coisa, menos simples. A teoria da eletrodin\u00e2mica qu\u00e2ntica (Quantum Electrodynamics, QED) prediz que o el\u00e9tron pulula perpetuamente com part\u00edculas virtuais \u2013 tais como f\u00f3tons e pares pos\u00edtron\/el\u00e9tron \u2013 que emergem brevemente do v\u00e1cuo circundante. Na aus\u00eancia dessas intera\u00e7\u00f5es, o momento magn\u00e9tico do el\u00e9ton (referido pela letra &#8220;g&#8221;), que relaciona o magnetismo do el\u00e9tron com seu spin intr\u00ednseco, teria um valor de 2. Mas as medi\u00e7\u00f5es diretas de &#8220;g&#8221; mostraram um valor ligeiramente diferente de 2. Quanto mais refinadas se tornaram essas medi\u00e7\u00f5es, melhor se pode avaliar a natureza qu\u00e2ntica do el\u00e9tron e a pr\u00f3pria QED. Al\u00e9m disso, se o el\u00e9tron tivesse uma estrutura (da forma que os pr\u00f3tons, por exemplo, s\u00e3o constitu\u00eddos por quarks), isso tamb\u00e9m apareceria nas medi\u00e7\u00f5es de &#8220;g&#8221;. Para obter o maior controle poss\u00edvel sobre o el\u00e9tron e seu ambiente, Gerald Gabrielse e seus estudantes Brian Odom e David Hanneke, em Harvard, criaram um \u00e1tomo macrosc\u00f3pico artificial, composto por um \u00fanico el\u00e9tron que executava uma trajet\u00f3ria infinita fechada, dentro de uma armadilha de eletrodos carregados<br \/>\n<\/span><span style=\"font-family: arial\">\u2013<\/span><span style=\"font-family: arial\"> um eletrodo central positivamente carregado e dois eletrodos negativamente carregados, acima e abaixo \u2013 suplementados por bobinas que produziam um campo magn\u00e9tico. A combina\u00e7\u00e3o de for\u00e7as el\u00e9tricas e magn\u00e9ticas mantinham o el\u00e9tron em sua \u00f3rbita &#8220;ciclotron&#8221; circular. Al\u00e9m desse movimento planar, o eletron oscilava para cima e para baixo verticalmente, na dire\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico. O cora\u00e7\u00e3o dessa experi\u00eancia de Harvard \u00e9 explorar esses dois movimentos <\/span><span style=\"font-family: arial\">\u2013 o movimento circular, que \u00e9 conforme \u00e0s regras qu\u00e2nticas, e o movimento vertical, que \u00e9 conforme \u00e0 f\u00edsica cl\u00e1ssica <\/span><span style=\"font-family: arial\">\u2013 de uma nova maneira.<\/span><span style=\"font-family: arial\"> Em primeiro lugar, a parte qu\u00e2ntica. Como em qualquer \u00e1tomo verdadeiro, este \u00e1tomo artificial est\u00e1 sob o dom\u00ednio das regras qu\u00e2nticas e o el\u00e9tron cativo s\u00f3 pode possuir certas energias permitidas. El\u00e9trons j\u00e1 foram confinados em armadilhas como essa, antes, mas essa nova experi\u00eancia \u00e9 a primeira em que o el\u00e9tron pode residir em seu estado qu\u00e2ntico ciclotr\u00f4nico mais baixo. A aparelhagem faz isso controlando energias esp\u00farias, tal como inibir o aquecimento de corpo negro do el\u00e9tron, por meio da refriger\u00e7\u00e3o do compartimento central a uma temperatura de 100 mK e pela inibi\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o do pr\u00f3prio el\u00e9tron por um engenhoso projeto da cavidade da armadilha at\u00f4mica. O dispositivo todo funciona como ciclotron qu\u00e2ntico mono-el\u00e9tron. Segundo, a parte cl\u00e1ssica. A experi\u00eancia de Harvard \u00e9 a primeira a introduzir um objeto microsc\u00f3pico para ajustar suas pr\u00f3prias oscila\u00e7\u00f5es, com base em suas intera\u00e7\u00f5es com seu ambiente (ver sua publica\u00e7\u00e3o de um ano atr\u00e1s: D&#8217;Urso et al., Physical Review Letters, 25 de mar\u00e7o de 2005).   O el\u00e9tron, ao se mover verticalmente, induz uma mudan\u00e7a de voltagem extremamente pequena nos circuitos externos que alimentam os eletrodos.  Ao sentir essa mudan\u00e7a, o circuito pode ajustar a voltagem dos eletrodos para ampliar ou reduzir as excurs\u00f5es para cima ou para baixo do el\u00e9tron. Essa auto-excita\u00e7\u00e3o induzida por retroalimenta\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o for muito grande ou muito pequena, permite aos pesquisadores medirem uma freq\u00fc\u00eancia de oscila\u00e7\u00e3o, a qual \u00e9, por sua vez, relacionada com o estado qu\u00e2ntico do el\u00e9tron. \u00c9 esse quase total controle sobre os movimentos sobre os movimentos do el\u00e9tron e a capacidade de medir os n\u00edveis de energia do ambiente qu\u00e2ntico artificial do el\u00e9tron que permite ao grupo de Harvard melhorar as medi\u00e7\u00f5es de &#8220;g&#8221; em um fator de 6 sobre os trabalhos anteriores. A nova incerteza no valor, estabelecido em um artigo a ser publicado na Physical Review Letters, est\u00e1 agora em um n\u00edvel de 0,76 partes por trilh\u00e3o. N\u00e3o menos importante do que &#8220;g&#8221; \u00e9 alfa. Inserindo o novo valor de &#8220;g&#8221;, e gra\u00e7as a c\u00e1lculos de QED aperfei\u00e7oados de alt\u00edssima precis\u00e3o, os experimentadores e te\u00f3ricos juntos determinaram um novo valor para alfa, um com uma precis\u00e3o dez vezes melhor do que o obten\u00edvel por qualquer outro processo. Esta \u00e9 a primeira vez que um valor mais preciso para alfa \u00e9 anunciado, desde 1987. O novo alfa, publicado em um artigo seguinte na Physical Review Letters, tem uma incerteza de 0,7 partes por bilh\u00e3o. O valor medido de &#8220;g&#8221; tamb\u00e9m pode ser usado para avaliar os hipot\u00e9ticos componentes do el\u00e9tron. Tais componentes, mostra o novo valor medido de &#8220;g&#8221;, n\u00e3o podem ser menores do que 130 GeV. Com base nessa experi\u00eancia, pode-se tamb\u00e9m impor um limite no tamanho do el\u00e9tron; ele n\u00e3o pode ser maior do que 10<sup>-18<\/sup>m de di\u00e2metro. Esses n\u00e3o s\u00e3o necessariamente os melhores limites no tamnho e na estrutura do el\u00e9tron, mas \u00e9 um trabalho que, patentemente, est\u00e1 no reino da f\u00edsica at\u00f4mica de baixas temperaturas e n\u00e3o no reino dos aceleradores de part\u00edculas de altas energias, onde normalmente se mede as propriedades das part\u00edculas. A experi\u00eancia com a armadilha de Harvard se prolongou por vinte anos e rendeu mais de meia d\u00fazia de PhDs. De acordo com Gabrielse, um valor mais preciso para alfa deve (entre outras coisas) contribuir para o pendente ajuste das constantes fundamentais, dirigidas a redefinir o quilograma de forma a evitar o uso do atual peso, mantido dentro de um vidro em Paris. (Odom et al., e Gabrielse et al., em dois artigos a serem publicados na Physical Review Letters, website do laborat\u00f3rio em <a href=\"http:\/\/hussle.harvard.edu\/%7Egabrielse\/\">http:\/\/hussle.harvard.edu\/~gabrielse\/ <\/a>)<br \/>\n***********<br \/>\nPHYSICS NEWS UPDATE \u00e9 um resumo de not\u00edcias sobre f\u00edsica que aparecem em conven\u00e7\u00f5es de f\u00edsica, publica\u00e7\u00f5es de f\u00edsica e outras fontes de not\u00edcias. \u00c9 fornecida de gra\u00e7a, como um meio de disseminar informa\u00e7\u00f5es acerca da f\u00edsica e dos f\u00edsicos. Por isso, sinta-se \u00e0 vontade para public\u00e1-la, se quiser, onde outros possam ler, desde que conceda o cr\u00e9dito ao AIP (American Institute of Physics = Instituto Americano de F\u00edsica). O boletim Physics News Update \u00e9 publicado, mais ou menos, uma vez por semana.<br \/>\n**************<br \/>\nComo divulgado no numero anterior, este boletim \u00e9 traduzido por um curioso, com um dom\u00ednio apenas razo\u00e1vel de ingl\u00eas e menos ainda de f\u00edsica. Corre\u00e7\u00f5es s\u00e3o bem-vindas.<br \/>\n<\/span><\/div>\n<div class=\"blogger-post-footer\">http:\/\/chivononpo.blogspot.com\/atom.xml<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PHYSICS NEWS UPDATE O Boletim de Not\u00edcias da F\u00edsica do Instituto Americano de F\u00edsica, n\u00famero 783, de 30 de junho de 2006 por Phillip F. Schewe, Ben Stein, e Davide Castelvecchi Physics News Update CANALIZANDO AS PROFUNDEZAS DO EL\u00c9TRON. A cuidadosa observa\u00e7\u00e3o de um el\u00e9tron singelo em uma armadilha at\u00f4mica, por um per\u00edodo de v\u00e1rios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":480,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"class_list":["post-86","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fisica"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/480"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/chivononpo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}