Código de barras

Hoje acordei e tinha um código de barras tatuado.

Impedia-me de fumar, de pensar sequer num mísero bafo nicotínico.
Ainda que no recanto do meu quarto.
Fui para a sala e no lugar da proibida árvore da Natal estava um enorme monte de branco.
Inodoro, frio e imóvel.
Na cozinha mais branco.
Nem vestígios de sangue, espinhas, ossos ou algo que recordasse vida.
Apenas plástico a embrulhar branco.
Branco por todo o lado e igual a todo o branco.
Excepto o negro do meu código de barras.

Discussão - 11 comentários

  1. Abobrinha disse:

    LuísIlegais??? Pão, carne de porco preto e presunto? Ilegais porquê?? Como pode ser? Ora explica lá isso!Quanto ao tabaco, experimenta viver do lado de um não-fumador a querer tomar um cafezinho sem levar com o fumo nas trombas: não consegues! Não é possível! Isso do Natal no Reino Unido já tinha ouvido falar e é uma grande treta de pseudo-tolerância e respeito pelas culturas. Independementente de achar que discutir se a Europa tem ou não uma matriz cristã ou não é uma grande perda de tempo, não podemos perseguir os nossos próprios costumes. E o Natal tornou-se quase não religioso, mas cultural. Assim como assim prefiro a Páscoa! Mas isso sou eu, e celebro o Natal como toda a gente.Também ouvi falar em pôr putos não muçulmanos a compreender o Ramadão e inclusive pô-los a jejuar (coisa que o Islão não faz, para começar). Resultado: irritar muçulmanos e não muçulmanos. A diversidade é a soma das diferenças e uma convivência cuidada que respeite todos os lados o mais possível. A mistura das diferenças já é uma coisa inteiramente diferente. Pode pretender ser uma mestiçagem, mas nem sempre é (e nem sempre é recomendável). E quando é, nem sempre funciona da melhor maneira.Mas tens que explicar essa do porco alentejano!

  2. Cara Abobrinha,A imagem foi retirada de um artigo do Público, publicado está a fazer agora um ano.Nele se descreviam algumas actividades que estavam a ser “perseguidas” pelas normas europeias e da sua mui diligente mão em portugal a ASAE.Entre elas, e apenas alguns exemplos, a matança do porco, o fabrico de enchidos caseiros, e como me foi contado pessoalmente num restaurante das “Terras do Demo”, matar uma galinha e utilizar o sangue para uma cabidela.Agora que já “afastei” todos os vegetarianos, parece-me que se está a cair num “branco” asséptico e uniforme, onde tudo o que siaa da norma, neste caso alimentar, deve ser reprimido e combatido.Não afirmo que não devem existir normas de higiene mínimas mas se sempre se matou o porco, num cerimonial gastronómico, cultural e familiar, e continuámos vivos, porque raio me “desinfectam” tudo, numa cruzada normalizante?Como me disseram colegas espanhóis “sim, sim, as normas europeias são as mesmas em Espanah mas nós não lhes ligamos!!”Quanto ao tabaco, concordo que devem existir mais regras, mais de bom-senso que repressoras, para o convívio entre fumadores e não-fumadores.O que me deixa de “pé atrás” é o que virá a seguir à perseguição ao tabaco?Quanto à “desinfecção” religiosa mencionada nem comento mais porque de tão imbecil não merece outra atitude…BeijinhosLuís Azevedo Rodrigues

  3. Abobrinha disse:

    LuísIsto não é asseptismo: é parvoíce no seu melhor e não ligar pevide às tradições nacionais. Ou seja, mais uma vez, parvoíce!Não afastaste vegetariano nenhum, pelo menos não a mim que ainda aqui estou. Só porque eu não como carne nem peixe, não obrigo ninguém a fazer o mesmo. Nem sei se eu estarei certa, mas sou vegetariana por causa de poupar recursos e para diminuir a crueldade para com os animais. Um mata-porco (a que já assisti e até já mexi o sangue) é horrível! Mas (parecendo que não) o porco tem que morrer para se comer a carne do dito! E morre de igual modo (ou pior) em matadouros. Os enchidos são tradição nossa. O presunto igual e a cabidela a mesma coisa. Quem não compreende isso não merece estar à frente de uma “comixão” europeia de nada. E não merece comer nenhuma dessas maravilhas (sou vegetariana, não sou parva!). Quem percebe um bocadinho de saúde também entenderá que um bocadinho de porcaria nunca fez mal a ninguém. Possivelmente a pessoas mais debilitadas em termos de sistema imunitário, mas essas já sabem o que a casa gasta. Mas todos precisamos de um bocadinho de procaria, nem que não seja para o sistema imunitário saber que está vivo e não começar a fazer disparates como alergias e doenças auto-imunes. Voltando ao porco, não creio que a criação e matança domésticas comparem à criação e matança industriais em qualidade ou mesmo em humanidade. E quando se fazem leis parvas, a tendência é desobedecer. Mas não devia: devia ser lutar para elas serem alteradas! Ou seja, espanhóis e portugueses em vez de fazer ouvidos de mercador deviam refilar e fazer ver que isso é nosso e ninguém no-lo tira. O que me lembra o foie-gras, que hipocritamente não é feito em França, mas se pode comprar em França. Isso sim é horrível: provocar dolorosamente uma doença a um bicho para lhe comer o fígado. Que nojo! Por bom que possa ser (nunca experimentei), é cruel!Em relação ao tabaco, não creio que a lei seja pouco razoável ao poupar os não fumadores de um ambiente de fumo. E a maioria dos fumadores são muito pouco razoáveis, acredita em mim! Imaginas tu que pedindo com jeitinho qualquer fumador deixa de fumar com um sorriso e faz o que se lhe pediu educadamente. A minha experiência não é essa. Já tive ocasiões de pedir para não se fumar (em sítios onde era proibido para começar) em locais de trabalho partilhados por muita gente e tive problemas. Chegaram a dizer-me “nunca ninguém se queixou”. Ora eu não conto?? E na realidade, depois de eu me queixar todos os não-fumadores se queixaram. Mas a má fui eu! Chamas a isso ser razoável? Não creio!Agora se fizerem coisas como ouvi nos EUA de médicos se recusarem a operar pacientes cancerosos e fumadores… bem, aí a coisa pia fino e serei a primeira a saltar em defesa dos fumadores!Mas olha que envelhece! E dá cabo da potência! E cheira mal! Tudo bons argumentos para deixar!

  4. Luís,Penso que é relevante distinguir entre proibir o presunto e exigir que o comércio de presunto cumpra normas de higiéne, criação e abate. Neste caso, penso que ASAE só fiscaliza o comércio e não o consumo ou a produção para consumo próprio.

  5. Cara Abobrinha,Concordo em absoluto com o que dizes. Tal como na alimentação e brincadeiras de crianças, considero que o cada vez maior carácter asséptico só traz desvantagens. Referiste algumas. Alergias, por exemplo. Mas noutras actividades esse “branco” a tender para o universal é pernicioso pois evita que tomemos contacto e o nosso sistemas imunitário, com e sem aspas, esteja preparado para tudo o que de bom e mau a vida nos reserva.Em relação à situação que referiste dos médicos se recusarem operar doentes fumadores, comentários para quê? O que virá a seguir? Recusarem-se a tratar doentes…doentes?Nada que compare mas quando estive na State University of New York, tive que ir muitas vezes ao Hospital universitário pois os paleontólogos com que estava a trabalhar eram os professores de anatomia. Não podia fumar a menos de 100 metros da entrada dos hospital!!!Luís Azevedo Rodrigues

  6. Caro Ludwig,Este post, mais do que me debruçar sobre as questões em concreto que foram referidas, apesar de importantes, pretendia ser uma reflexão sobre a cada vez maior uniformização de costumes e hábitos (vê por favor o comentário anterior que fiz à Abobrinha).Sobre sse “branco” que invade tudo.“Só” isso.AbraçoLuís Azevedo Rodrigues

  7. Abobrinha disse:

    LuísNão percebeste a cena dos 100 metros: era para te esforçares e dares conta que os pulmões ao fim de um tempo refilavam. Assim deixarias de fumar! Está visto que se aumentassem a distância para 1 km é que funcionaria. Ou não, mas ao menos estarias em boa forma. Não sei que te diga, odeio tabaco, acho um vício horrível. Mas isso sou eu. Em relação ao mata-porco e arroz de cabidela, estava a falar a sério: porque não consagrá-los como património nosso e criar (por exemplo) procedimentos próprios para eles? Mais racional que ignorar e depois apanhar uma castanhada da ASAE! Que, diga-se, é diligente demais às vezes. Fossem outras forças de justiça tão diligentes e isto andaria melhor. Olha, se andassem a apanhar caloteiros e juízes que não perebem nada e recebessem 1 euro por cabeça estavam ricos a esta hora! Quando as leis não fazem sentido, o povo tem que as fazer reformular. Coisas menos justas se conseguiram, como o estatuto de excepção na porra dos touros de morte para Barrancos. O que foi (na minha opinião, mas eu não disse que estava certa) dos maiores retrocessos na lei, justiça e humanidade da história do país. Dito isto, a concorrência pelo título é feroz.

  8. 🙂 Cara Abobrinha,Como alguém disse (falta-me a referência) “Não confies num homem que não tenha um vício”!Quanto à questão do fumo concordo que poderia estar em melhor forma se não fumasse mas mesmo assim ainda acho que grande parte dos não-fumadores da minha idade ficariam a ver-navios numa corrida de 1km…Não quero fazer a apologia do tabaco; apenas lembrar que a seguir ao tabaco outro tom será o perseguido na palete binária que se aproxima…tudo a preto e branco.Luís Azevedo Rodrigues

  9. Abobrinha disse:

    LuísOs vícios não são todos iguais. E há uns mais interessantes que os outros! E o tabaco… lamento… cheira mal!POde argumentar-se que pela “liberdade” (as aspas são porque colide com a minha) de fumar poderá arrastar outras “liberdades”. É tudo uma questão de equilíbrio e eu sou por princípio radicalmente anti-radical (o que em si é um paradoxo, mas eu acho os paradoxos o máximo).Para falar verdade, pode argumentar-se sempre muita coisa. E há que ter cuidado com rasteiras mais ou menos lógicas de todos os lados. A liberdade, como o asseptismo não são absolutas. Poucas coisas são absolutas, para falar verdade. E em tudo é preciso ter muito cuidado.

  10. Luís,Mas os costumes que se estão a perder são costumes bons, ou só se lamenta a perda por serem costumes?Eu proponho um costume novo: avaliar as coisas pelo que são e não pelos anos de tradição 🙂

  11. Caro Ludwig,A ancestral idade das coisas e hábitos não deve ser critério para justificar da sua bondade.Concordo.Mas o inverso também não o deve ser.Mostrar trabalho só por mostrar e aplicar cegamente normas e normalizações apenas por queremos tudo bem enquadrado não deve ser considerado necessariamente uma boa atitude.Os casos referidos, em especial os que dizem respeito, parecem-me exageros normativos.AbraçoLuís Azevedo Rodrigues

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