OBESIDADE E MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Não sei se chore, se ria.
Algumas ideias da conferência da American Association for the Advancement of Science, e sobre Saúde e Nutrição, onde se fala:

…da pegada ecológica originada pelos excessos alimentares…

“Much of the present high calorie density food production has a massive carbon footprint and requires wasteful amounts of energy and water. If we are to feed the world – 8 billion people in just 20 years time – with a healthy diet, we need to deliver a rescue plan for the planet – not just to address global warming, but to ensure we have sufficient healthy food to feed everyone.”

…do ataque à obesidade, com as mesmas armas com que se combate as alterações climáticas…

“Obesity must be tackled in the same way as climate change with world leaders agreeing to vital steps to transform the environment that is making us fat, a leading international nutritional scientist warned today.”

…de que precisamos que nos defendam de nós próprios…

“Blaming individuals for their personal vulnerability to weight gain is no longer acceptable in a world where the majority is already overweight and obesity is rising everywhere. It is naïve of ill-informed politicians and food industry executives to place the onus on individuals making ‘healthier choices’ whilst the environment in which we live is the overwhelming factor amplifying the epidemic.”

…e muito mais…

Não sei se ria, se chore.

A Idade da Saúde e do Branco continua.

Fonte: Daqui
Imagens – link na primeira e da revista “Environmental Health“, a segunda.

Discussão - 9 comentários

  1. Abobrinha disse:

    Luís”Obesity must be tackled in the same way as climate change”Isto significa não assinar coisas protocolos de compromisso de redução de efeito de estufa. Ou seja, não fazer nada. A parte que citas da defesa de nós mesmos é ambígua e não sei se concordo com a interpretação que lhe dás (ou com o que está escrito). Aado que a informação não está a chegar e permite-se que a comida seja em termos publicitários vendida como felicidade e estatuto, o que é desinformação. Tenho que ler toda a fonte para fazer um juízo mais claro. Pode, de facto, conter vestígios de autoritarismo, mas não sei se é autoritário o texto.

  2. Abobrinha disse:

    LuísLamento dizer-te que li a referência completa e não li o mesmo que tu. As frases que destacas são palavras de ordem ôcas pensadas (erradamente) pelo autor como dando mais impacto à coisa. A parte da pegada de carbono foi particularmente desastrosa, porque (acho eu) que queria dizer qualquer coisa como que o nosso estilo de agricultura intensiva está a esgotar o planeta e que temos que prevenir fomes. Mas não foi isso que disse e não tenho a certeza do que queria dizer. Ficou-me a ideia que ficou só uma afirmação vaga e suspensa.Passando essa parte de declarações inflamadas, diz-se uma série de coisas não necessariamente moralistas mas muito importantes, sobretudo para as crianças, que são educadas pela televisão e pelo apelo de comidas hiper-calóricas. Não está aqui em causa a liberdade de ser um adulto obeso e de comer uma rojãozada, uma feijoada e uma bacalhauzada todos os dias (como aperitivo). Do que se fala neste artigo essencialmente (digo eu, pelo menos do que eu li) é da falta de escolha de crianças, por imposição de uma indústria que (como qualquer indústria) quer fabricar barato e vender muito. Destaco o parágrafo: “Children in the developing world, programmed by a poor environment with inadequate maternal nutrition, are especially vulnerable to Western high fat and sugar diets, bearing up to five times the risk of children born in advantageous environments. With childhood obesity escalating in Latin America, the Caribbean, the Middle East and even Africa, obesity related chronic diseases is already overwhelming their health services.”Como vês, não se trata de um artigo autoritário nem moralizador: trata-se de defender da inevitabilidade de um estilo de vida que só tem como objectivo enriquecer a indústria alimentar. O início do artigo é que pode induzir em erro. Mesmo assim fiquei na dúvida na questão da pegada de carbono da agricultura.

  3. Abobrinha,E se as crianças não têm livre arbítrio, que tal responsabilizar os paizinhos?Ou aceitaremos, de boa vontade, que também esses sejam considerados mentecaptos “Blaming individuals for their personal vulnerability to weight gain is no longer acceptable in a world where the majority is already overweight and obesity is rising everywhere.”Claro que podes afirmar que não há tentativa encapotada de controlar hábitos…Pode ser…Mas que me parece que vem aí uma segunda vaga “anti-tabágica”, parece…O que me deixa curioso é saber qual será o próximo controle: perfumes, um desperdício de recursos biológicos ou um incómodo sensorial?Ou limitar o número de MB de informação a que teremos direito por dia (claro que livros e jornais incluídos na dose diária e devidamente convertidos na unidade binária)?Deixa-me esparvoar…Luís Azevedo Rodrigues

  4. Abobrinha disse:

    LuísTocaste num ponto sensível: responsabilizar os pais. Como? Entrando na esfera privada e íntima destes? Não seria preferivel pressionar a indústria alimentar para ter melhores práticas? Do mesmo modo que se controla toda a indústria em termos de poluição e de direitos laborais.Este artigo falou da influência desmesurada da indústria alimentar nos hábitos alimentares, focando os países em desenvolvimento e como estão sensíveis a esse problema. A lógica da indústria alimentar é só de lucro, mas o lucro não é incompatível com alimentação saudável. É só ver que a obesidade é hoje um problema de pobres e não de ricos. E é um problema por falta de informação e sensibilidade ao consumo do mais barato e que (aparentemente) é mais saboroso. Na volta se te tivesses cruzado ontem no ginásio com uma turma de meninos francamente obesos (criancinhas de 7-8 aninhos, acompanhadas por pais francamente obesos) pensarias de outro modo. Na volta se pensasses que poderias ser tu se tivesses nascido uns 20 e tal anos mais tarde pensarias de maneira diferente. Sou sensível ao teu problema de autoritarismo em relação ao tabaco e serei mais feroz na defesa dos direitos fundamentais de cidadãos (fumadores, no caso). Porque recusar-lhes assistência médica me parece 1000 vezes mais grave (ou nem sequer comparável) que eu levar com fumo passivo. Lembro-te que em termos de discriminação, os obesos têm um factor de discriminação natural nos hospitais: as anestesias são arriscadas, pelo que podem ter intervenções cirúrgicas adiadas ou mesmo canceladas para reduzir o risco de matar o paciente sequer. Isto não mencionas tu. O que se passa novamente é que não creio que neste artigo se veja o que tu lhe apontas, compreendes? Mas se se vir e quando se vir, cá estarei para refilar.

  5. Abobrinha, e sem muito tempo, digo o seguinte:A questão não se prende só com o fumo, a obesidade ou seja lá o que for.A questão é a cada vez maior infantilização a que os cidadãos se remetem, obrigados ou não, por parte do Estado ou outros estruturas.Deixamos tudo na mão desses “grandes irmãos”: tirem-me a comida da frente, se não eu como, tirem-me o cigarro da frente, se não eu fumo…a seguir virá o “tirem-me esse livro da frente, se não eu leio, etc, etc.No caso das crianças obesas que referes não culpo mais ninguém que os pais.Nunca se viveu numa era de tão grande oferta de informação e, ainda assim, têm que nos guiar pela mão, nas trevas da ignorância.Cresçam e assumam as opções que fazem e não se desculpem por tudo e por nada nos “grandes irmãos”!Luís Azevedo RodriguesP.S.- espero que não me acuses de por em causa a validade científica dos estudos em causa; apenas questiono as implicações comportamentais, de carácter compulsivo, que se podem daí retirar.

  6. Abobrinha disse:

    LuísSe reparaste eu não pus em causa os comedores por prazer de feijoadas, bacalhauzadas e afins (o que considerei, talvez por preconceito, comezainas informadas e responsáveis). Do mesmo modo que não me viste refilar contra não haver variedade e qualidade de pratos vegetarianos nos restaurantes. Ninguém tem culpa de eu ser vegetariana, mas já vi restaurntes a introduzir a contra-gosto pratos para que os clientes vegetarianos não peçam só uma saladinha. Isso é problema dos restaurantes que perdem a oportunidade de me sacar mais dinheiro (e ajuda-me a manter a linha, que eu sou uma queimadora lenta. É uma dificuldade manter um peso decente para os meus lados). Este artigo tem tiradas dramáticas e um pouco à deriva. Não tem consequências nem pede mais que algo que nem sequer concretiza. Não é autoritário nem infantilizante. Chama a atenção para as crianças e tens que admitir isso e a importância disso.O que me parece legítimo pensar é que os adultos sejam infantilizados pela publicidade e que isso deva ser travado. Não proibindo a publicidade mas sim juntando informação nutricional. Por exemplo, no McDonald’s tem tabelas nutricionais. Só quem quer é que acredita que uma refeição de Big Mac é coisa normal. Mas tem liberdade para o fazer. Agora repara uma coisa: eu sou sensível a essas derivas autoritárias. Mas não creio que esta seja uma delas. Estarei atenta quando vier uma.

  7. Abobrinha disse:

    LuísEu entendi que não era a validade científica que estavas a questionar. Mas se fosse… era! Nada é sagrado e se tivesses argumentos, seria legítimo pôr em causa.

  8. Joaninha disse:

    Eu se fosse a ti chorava. Porque o zum zum que corre por ai sobre os obesso rapidamente se alastrará a outras situações, tal como dizes e a liberdade individual vai pelo cano. A mim dá-me vontade de chorar 😉

  9. Anonymous disse:

    Só queria dizer que a palavra “ocas” não tem acento.

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