Ela por ele

Já me aconteceu várias vezes, em especial no oriente.
Antecipando um colega ele, surpreender-me quando me deparava com uma ela.
A técnica redentora deste engano passa por inúmeros contorcionismos comportamentais, que não vou descrever a fim de não reviver o embaraço.
Coisas que acontecem quando não se domina o género dos nomes e num ambiente que não nos é familiar.
Nada de especial.

Acontece também em jornalismo de ciência.
Recentemente, um artigo importante relaciona o aumento da acidez dos oceanos com a uma maior fragilização da carapaça microrganismos que são um elo muito importante das cadeias alimentares oceânicas.
Num artigo, hoje publicado no DN, Filomena Naves apelida os “foraminíferos” de “foraminíferas”, por mais do que uma vez.
Bem sei que, neste tempos alucinantes, os ininterruptos comunicados das agências noticiosas não nos dão sossego, mas traduzir “foraminifera” para “foraminíferas” é, como dizê-lo, nominalmente errado.
O importante é que a notícia foi divulgada.
Ainda que no género errado.

Referência
Andrew D. Moy, William R. Howard, Stephen G. Bray, Thomas W. Trull. Reduced calcification in modern Southern Ocean planktonic foraminifera. Nature Geoscience (08 Mar 2009), doi: 10.1038/ngeo460, Letters.

Imagem daqui

Discussão - 5 comentários

  1. geocrusoe disse:

    embora paleontologia e estratigrafia não fossem as minhas áreas predilectas (embora goste de todos os ramos da geologia, mas uns mais que outros) reconheço que cedo simpatizei com estes pequenos seres e divertia-me a ver a diversidade de conchas à lupa e ainda hoje quando olho a areia quase negra dos açores, procuro as suas conchas que sempre me enterneceram, tal como agora.

  2. L. Felipe A. disse:

    Lembro de uma vez que acompanhei um grupo de estudantes intecambistas num passeio ecologico, e tinha de ser em ingles, entao eu sempre chamava as plantas de “she” e a natureza da mesma forma, e os tradutores ficavam me corrigindo, mas dai eu disse p eles que via a natureza como uma grande e bela mulher hehe…é a tradução dessa notica deixou a desejar, mas saber mais desses pequenos é sempre bom, ate por que eles nao sao tao popstars nao é mesmo?abraços

  3. O conhecimento técnico ou científico em Geologia nos meios de comunicação lusos não é o melhor. É mesmo mau… São constantes os erros (o que é grave), as baralhações, as imprecisões, os portuguesismos ou os brasileirismos… enfim.

  4. Luiz Bento disse:

    Isso me lembra outro erro clássico (pelo menos aqui no Brasil). A confusão entre frutos e frutas.

  5. Sibele disse:

    Tempos atrás o Canal Futura mostrou um programa em que durante meia hora chamaram o morcego de animal “frutífero”, em vez de frugívoro. Talvez trate-se de uma nova espécie… :)))

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