{"id":12,"date":"2005-01-24T16:05:00","date_gmt":"2005-01-24T19:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cienciaaonatural\/2005\/01\/464\/"},"modified":"2005-01-24T16:05:00","modified_gmt":"2005-01-24T19:05:00","slug":"464","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/2005\/01\/24\/464\/","title":{"rendered":"O mam\u00edfero que comia dinoss\u00e1urios"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size:130%\">O mam\u00edfero que comia dinoss\u00e1urios<\/span><br \/><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_SAoSarqIdnE\/RbYzPB8OnAI\/AAAAAAAAACo\/3puTTtSpC-Y\/s1600-h\/dinomammal1-150pix_3712_1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"cursor: pointer\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_SAoSarqIdnE\/RbYzPB8OnAI\/AAAAAAAAACo\/3puTTtSpC-Y\/s320\/dinomammal1-150pix_3712_1.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>Em 2003 agricultores chineses descobriram dois esqueletos de um tipo do animal nunca antes visto: um mam\u00edfero do tamanho de um c\u00e3o que viveu h\u00e1 135 milh\u00f5es de anos.<br \/>A descoberta revoluciona o conhecimento actual de que os mam\u00edferos mais desenvolvidos da \u00e9poca dos dinoss\u00e1urios n\u00e3o eram do tamanho de pequenos roedores.<br \/>No interior de um dos esqueletos &#8211; onde foi outrora o seu est\u00f4mago &#8211; os paleont\u00f3logos encontraram um conjunto de min\u00fasculo dos ossos, os restos que pertenceram a um pequeno dinoss\u00e1urio de aproximadamente 13 cm de comprimento &#8211; o Psittacosaurus.<br \/>Os cientistas dizem que o achado ir\u00e1 provocar a reavalia\u00e7\u00e3o dos actuais conhecimentos sobre as rela\u00e7\u00f5es entre mam\u00edferos e dinoss\u00e1urios durante o Mesoz\u00f3ico &#8211; os mam\u00edferos afinal n\u00e3o eram os seres indefesos e min\u00fasculos que at\u00e9 hoje se pensava.<br \/>Os f\u00f3sseis, classificados como Repenomamus, foram encontrados na prov\u00edncia de Liaoning na China, uma regi\u00e3o que tem fornecido numerosos f\u00f3sseis originais nos \u00faltimos anos. Esta descoberta aparece publicada no jornal cient\u00edfico Nature.<br \/>Os mam\u00edferos, tradicionalmente encarados como pequenos e perif\u00e9ricos na evolu\u00e7\u00e3o dos vertebrados do Mesoz\u00f3ico s\u00e3o, em face desta nova descoberta, olhados com outros olhos &#8211; j\u00e1 imagino a satisfa\u00e7\u00e3o e os sorrisos dos meus colegas paleont\u00f3logos que estudam mam\u00edferos, que agora j\u00e1 t\u00eam tamb\u00e9m as suas estrelas nos &#8220;combates&#8221; jur\u00e1ssicos!!<br \/>Os mam\u00edferos procuravam e consumiam aquilo que podiam (\u00e0 semelhan\u00e7a do que acontece actualmente), at\u00e9 dinoss\u00e1urios. Alguns dos nossos antepassados de maior dimens\u00e3o competiam com os dinoss\u00e1urios por territ\u00f3rios e alimentos. Nem sempre os le\u00f5es s\u00e3o os reis da savana tal como os dinoss\u00e1urios n\u00e3o eram os senhores absolutos do Mesoz\u00f3ico!<br \/>Outras mudan\u00e7as importantes no conhecimento cient\u00edfico da Hist\u00f3ria da Vida no obrigaram a rever conceitos anteriormente estabelecidos. \u00c9 o caso da descoberta do Celacanto na d\u00e9cada de 40 do s\u00e9culo passado. At\u00e9 esse momento pensava-se que este peixe estava extinto, limitando-se os investigadores a analisarem o seu registo f\u00f3ssil. O Celacanto \u00e9 considerado actualmente um f\u00f3ssil vivo pois, ao longo dos \u00faltimos milh\u00f5es de anos, n\u00e3o apresenta diferen\u00e7as anat\u00f3micas significativas com os seus parentes actuais.<br \/>Um outro caso de como os conceitos cient\u00edficos s\u00e3o alterados diz respeito aos dinoss\u00e1urios saur\u00f3podes. Estes animais de enorme tamanho e peso, com caudas grandes, foram, nos prim\u00f3rdios da Paleontologia, descritos como animais que necessitariam viver semi-imersos em ambientes aqu\u00e1ticos (um pouco \u00e0 semelhan\u00e7a dos hipop\u00f3tamos). Este facto era devido \u00e0 sua enorme massa corporal que, segundo os cientistas do in\u00edcio do s\u00e9culo passado, os impediria de viver em terra firme. Hoje em dia, gra\u00e7as aos estudos de biomec\u00e2nica e de an\u00e1lise das suas pegadas, sabemos que eram animais din\u00e2micos e activos, deslocando-se um pouco como os actuais elefantes e n\u00e3o estando confinados a viverem mergulhados na \u00e1gua<br \/>A Paleontologia, tal como outros campos da Ci\u00eancia, \u00e9 feita de revis\u00f5es, de avan\u00e7os e mudan\u00e7as de rumo, de olharmos a mesma coisa com olhos diferentes ou com os mesmos olhos olharmos novas coisas.<br \/><span style=\"font-size:85%\"><span style=\"font-weight: bold\">(Publicado no jornal O Primeiro de Janeiro a 24\/01\/2005)<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mam\u00edfero que comia dinoss\u00e1uriosEm 2003 agricultores chineses descobriram dois esqueletos de um tipo do animal nunca antes visto: um mam\u00edfero do tamanho de um c\u00e3o que viveu h\u00e1 135 milh\u00f5es de anos.A descoberta revoluciona o conhecimento actual de que os mam\u00edferos mais desenvolvidos da \u00e9poca dos dinoss\u00e1urios n\u00e3o eram do tamanho de pequenos roedores.No [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":470,"featured_media":13,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[8,11,26,30],"tags":[],"class_list":["post-12","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronicas-pj","category-dinossaurios","category-paleontologia-emocional","category-tempo-geologico"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/wp-content\/uploads\/sites\/230\/2011\/08\/dinomammal1-150pix_3712_1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/470"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}