{"id":2098,"date":"2013-01-06T20:55:19","date_gmt":"2013-01-06T19:55:19","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cienciaaonatural\/?p=2098"},"modified":"2013-01-06T20:55:19","modified_gmt":"2013-01-06T19:55:19","slug":"os-caes-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/2013\/01\/06\/os-caes-do-estado\/","title":{"rendered":"Os C\u00e3es do Estado"},"content":{"rendered":"<p>O risco parece ser o tempero principal do prato que nos servem nos dias em que nos assam.<br \/>\nAs elites governativas apelam a que cada um de n\u00f3s largue o gatinhar seguro e se atire, sem medos, para a iniciativa pr\u00f3pria.<br \/>\n<strong>Arriscar e aguentar<\/strong>, dizem eles, que o <strong>Estado j\u00e1 fez o que devia<\/strong> e todos devemos largar o consolo a que nos habitu\u00e1mos por direito.<br \/>\nDevemos arriscar mais, fugindo da seguran\u00e7a que o Estado nos deveria proporcionar.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cienciaaonatural\/2013\/01\/os-caes-do-estado\/01ladies-carpaccio-large\/\" rel=\"attachment wp-att-2099\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" alt=\"01ladies CARPACCIO (Large)\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/wp-content\/uploads\/sites\/230\/2013\/01\/01ladies-CARPACCIO-Large-545x806.jpg\" width=\"327\" height=\"484\" \/><\/a>A <strong>hist\u00f3ria evolutiva dos c\u00e3es<\/strong> apresenta, como explica\u00e7\u00f5es para o seu aparecimento, duas alternativas. A mais comummente aceite \u00e9 a de que os seus ancestrais lobos foram seleccionados artificialmente pelo Homem e, assim, adquiriram as caracter\u00edsticas comportamentais, primeiro, e f\u00edsicas, depois, que interessam e agradam ao ser humano.<br \/>\nUma segunda alternativa, defendida por <strong>Raymond Coppinger [1]<\/strong> envolve, para al\u00e9m da selec\u00e7\u00e3o artificial dos nossos antepassados de alguns lobos, a selec\u00e7\u00e3o natural. <strong>Em resumo, os lobos, como outros animais, apresentam graus distintos do que se designa por \u201cdist\u00e2ncia de fuga\u201d<\/strong>, ou seja, a dist\u00e2ncia m\u00ednima que um animal est\u00e1 disposto aceitar \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o de um ser humano, ou outro perigo, antes de iniciar a fuga. Intuitivamente compreendemos este conceito de \u201cdist\u00e2ncia de fuga\u201d, tanto mais que j\u00e1 todos vimos, pelo menos na televis\u00e3o, que diferentes animais apresentam \u201cdist\u00e2ncias de fuga\u201d distintas e, mesmo dentro da mesma esp\u00e9cie, esta dist\u00e2ncia variar\u00e1 de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo. <strong>Se n\u00e3o acreditam, experimentem alimentar pombos ou gaivotas\u2026<\/strong><br \/>\nA <strong>\u201cdist\u00e2ncia de fuga\u201d<\/strong> est\u00e1 relacionada com a sobreviv\u00eancia do animal, seja por permitir que obtenha alimento f\u00e1cil arriscando mais, seja por poder ser ferido ou morto caso se aproxime do eventual perigo que est\u00e1 entre ele e o alimento.<br \/>\nO autor referido apresenta como <strong>motivo para a domestica\u00e7\u00e3o do lobo<\/strong> e consequente aparecimento do c\u00e3o que a dist\u00e2ncia de fuga dos lobos que circundavam os acampamentos humanos primitivos se ter\u00e1 reduzido. Por outras palavras, <strong>alguns lobos arriscavam mais e seriam esses que despertaram o esp\u00edrito de domestica\u00e7\u00e3o dos nossos antepassados<\/strong>. No surgimento do c\u00e3o parece ter estado um aumento do esp\u00edrito de risco ou a diminui\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia de fuga por parte de alguns lobos.<\/p>\n<p><strong>Ora o risco e empreendedorismo, bandeiras que se devem aplicar \u00e0 Banca mais do que a nenhum outro sector da economia, parecem ter ficado na gaveta.<\/strong><br \/>\nVerdadeiros lobos, os bancos arvoram-se, historicamente, como basti\u00f5es do risco e da independ\u00eancia face \u00e0 protec\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMas o que verifica recentemente \u00e9 que o esp\u00edrito protector e paternalista parece ter assolado as mentes de quem nos governa. S\u00f3 uma m\u00e3ozinha, que eles s\u00e3o pequeninos, justificam. Era mesmo s\u00f3 o que lhes faltava, este naco de carne dado \u00e0 boca, que os bancos de pedigree n\u00e3o singram sem esta ajuda, carpem os que mandam no Estado.<br \/>\nDo que me ensina a evolu\u00e7\u00e3o dos lobos e dos c\u00e3es resta-me adivinhar que os bancos, protegidos e esquecidos do risco, saltem para ao colo dos seus donos.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cienciaaonatural\/2013\/01\/os-caes-do-estado\/4892685898_ef8ed1d949_b-large\/\" rel=\"attachment wp-att-2107\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-2107\" alt=\"4892685898_ef8ed1d949_b (Large)\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/wp-content\/uploads\/sites\/230\/2013\/01\/4892685898_ef8ed1d949_b-Large-545x817.jpg\" width=\"327\" height=\"490\" \/><\/a><strong>E para qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 que tomar conta dos rebanhos, especulo.<br \/>\nH\u00e1 que fazer companhia financeira, quando dela precisarem os futuros ex-governantes.<br \/>\n<strong>E quem melhor para estas tarefas?<\/strong><br \/>\nEstes novos c\u00e3es do estado, amansados e alimentados \u00e0 m\u00e3o.<br \/>\nPena \u00e9 que quem manda se esque\u00e7a que por vezes os c\u00e3es mordem a m\u00e3o de quem os alimenta.<br \/>\nE estes, ao contr\u00e1rio dos c\u00e3es de quatro patas, j\u00e1 deram provas de que o far\u00e3o.<br \/>\nMais tarde, ou mais cedo.<br \/>\nE a n\u00f3s, o que nos resta?<br \/>\n<strong>Voltar \u00e0 selva, que o canil do Estado, que todos pag\u00e1mos, j\u00e1 est\u00e1 ocupado.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><br \/>\n[1] Dawkins, R. 2009. O Espect\u00e1culo da Vida &#8211; A Prova da Evolu\u00e7\u00e3o. P\u00e1ginas: 430. Casa das Letras. ISBN: 9789724619354 \u2013 p\u00e1ginas consultadas 75-78.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/dinheiro\/estado-injeta-1-100-milhoes-euros-na-recapitalizacao-banif\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cEstado injecta 1 100 milh\u00f5es de euros na recapitaliza\u00e7\u00e3o do Banif\u201d jornal i 31 de Dezembro de 2012<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.dn.pt\/inicio\/economia\/interior.aspx?content_id=2081735\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cInjec\u00e7\u00f5es de dinheiro no BPN ascendem a 8,5 mil milh\u00f5es\u201d jornal DN 25 de Outubro de 2011<\/a><\/p>\n<p><strong>Imagens:<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Vittore_Carpaccio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vittore Carpaccio<\/a> \u201cTwo Venetian Ladies\u201d (1510)<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cienciaaonatural\/2013\/01\/os-caes-do-estado\/01ladies-carpaccio-large\/\" rel=\"attachment wp-att-2099\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/agentthirteen\/4892685898\/sizes\/l\/in\/photostream\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Daqui<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.sulinformacao.pt\/2013\/01\/os-caes-do-estado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>\u00a0(PUBLICADO NO JORNAL SUL INFORMA\u00c7\u00c3O)<\/strong><\/p>\n<p><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O risco parece ser o tempero principal do prato que nos servem nos dias em que nos assam. 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