{"id":616,"date":"2008-09-28T12:06:00","date_gmt":"2008-09-28T15:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cienciaaonatural\/2008\/09\/ir\/"},"modified":"2008-09-28T12:06:00","modified_gmt":"2008-09-28T15:06:00","slug":"ir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaaonatural\/2008\/09\/28\/ir\/","title":{"rendered":"Ir"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_SAoSarqIdnE\/SN9WymRgSeI\/AAAAAAAABe4\/OShrlHDQIzA\/s1600-h\/Imagem+135+%28Large%29.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 0pt 10px 10px 0pt;float: left;cursor: pointer\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_SAoSarqIdnE\/SN9WymRgSeI\/AAAAAAAABe4\/OShrlHDQIzA\/s400\/Imagem+135+%28Large%29.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a>O trabalho cient\u00edfico, para o p\u00fablico em geral, \u00e9 feito no recato de laborat\u00f3rios e gabinetes. Um trabalho rotineiro, de pequenas ou grandes pr\u00e1ticas, em ambientes id\u00eanticos, dia ap\u00f3s dia. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">No caso da Paleontologia de Vertebrados esses procedimentos podem ser iguais ao de qualquer investigador ou mesmo de qualquer profissional.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Mas tamb\u00e9m podem ser totalmente distintos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Uma das componentes de um paleont\u00f3logo de vertebrados (mas n\u00e3o s\u00f3) envolve a recolha de amostras dos animais que estudamos (ossos, na maioria das vezes, mas tamb\u00e9m dentes, pele, s\u00e3o analisadas pegadas, entre outros vest\u00edgios fossilizados).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A prospec\u00e7\u00e3o e recolha dos f\u00f3sseis implica que o paleont\u00f3logo se tenha que deslocar \u00e0s jazidas rochosas onde previamente j\u00e1 foram descobertos vest\u00edgios ou novas jazidas que, pelas caracter\u00edsticas rochosas (litologia, idade, etc.), apresentem boas possibilidades de se mostrarem produtivas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Em termos pr\u00e1ticos os paleont\u00f3logos t\u00eam que ir para o campo!<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_SAoSarqIdnE\/SN9V0KqHC_I\/AAAAAAAABeo\/JSUBByV4lIM\/s1600-h\/eeeg+%28Medium%29.JPG\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 0pt 10px 10px 0pt;float: left;cursor: pointer\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_SAoSarqIdnE\/SN9V0KqHC_I\/AAAAAAAABeo\/JSUBByV4lIM\/s400\/eeeg+%28Medium%29.JPG\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a>Esse \u00e9 uma dos elementos que a maioria dos paleont\u00f3logos mais aprecia e anima.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Para al\u00e9m do potencial profissional que pode implicar (novas esp\u00e9cies ou melhor e maior quantidade de material fossilizado) existe um lado inerente \u00e0 sua actividade, e partilhado por outros cientistas das Ci\u00eancias Naturais, que os enriquecem como pessoas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Falo do contacto impl\u00edcito com a Natureza.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Apesar de todas a contrariedades inerentes &#8211; por vezes estamos sem contactar a fam\u00edlia v\u00e1rias semanas, sem nada de parecido sequer com um chuveiro, frios nocturnos e can\u00edcula insuport\u00e1vel diurna, comidas nem sempre com os standards gastron\u00f3micos&#8230; &#8211; existem experi\u00eancias inolvid\u00e1veis.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Apenas alguns exemplos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_SAoSarqIdnE\/SN9Tll-2rcI\/AAAAAAAABeY\/fPpdnv1WJVw\/s1600-h\/Imagem+173+%28Large%29.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 0pt 10px 10px 0pt;float: left;cursor: pointer\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_SAoSarqIdnE\/SN9Tll-2rcI\/AAAAAAAABeY\/fPpdnv1WJVw\/s400\/Imagem+173+%28Large%29.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a>No segundo ano que estive na prov\u00edncia de <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neuqu%C3%A9n_Province\">Neuqu\u00e9n<\/a>, na Patag\u00f3nia argentina, cheguei ao acampamento, a cerca de 150 km da povoa\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima, durante a noite (<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cienciaaonatural\/2007\/09\/na-patagonia-i-continua.php\">o di\u00e1rio da expedi\u00e7\u00e3o foi j\u00e1 publicado n&#8217;O Primeiro de Janeiro<\/a>). <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Cerca das tr\u00eas da manh\u00e3 e por motivos fisiol\u00f3gicos tive que deixar a tenda. Mal sa\u00ed fui &#8220;assaltado&#8221; pela enormidade do c\u00e9u estrelado que ao mesmo tempo me atra\u00eda e assustava. O c\u00e9u parecia abarcar tudo, provocando quase uma sensa\u00e7\u00e3o f\u00edsica de t\u00e3o intenso e grande. Senti-me de uma pequenez extrema&#8230; S\u00f3 pela vista deste c\u00e9u a terr\u00edvel viagem j\u00e1 havia valido a pena. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Durante o tempo que permaneci na Patag\u00f3nia fui diversas vezes &#8220;atacado&#8221; pela beleza da paisagem, ao mesmo tempo in\u00f3spita e terrivelmente atraente; o nunca acabar da plan\u00edcie, o percebermos que somos t\u00e3o pequenos&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Aliado a este lado atraente, que a maioria das pessoas facilmente entende e deseja, existe um outro &#8211; a camaradagem. Como referi, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida em expedi\u00e7\u00f5es paleontol\u00f3gicas s\u00e3o as mais b\u00e1sicas que se pode imaginar. Apesar disso, surgem rela\u00e7\u00f5es humanas de camaradagem e amizade que, noutros enquadramentos mais sofisticados, dificilmente poderiam nascer.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_SAoSarqIdnE\/SN9V8vQrMkI\/AAAAAAAABew\/h-pLI0ZinUU\/s1600-h\/rhhr+%28Large%29.JPG\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 0pt 10px 10px 0pt;float: left;cursor: pointer\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_SAoSarqIdnE\/SN9V8vQrMkI\/AAAAAAAABew\/h-pLI0ZinUU\/s400\/rhhr+%28Large%29.JPG\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a>Em especial \u00e0 noite, \u00e0 volta de uma fogueira readquirem-se h\u00e1bitos ancestrais esquecidos -contam-se hist\u00f3rias em grupo, fazem-se sil\u00eancios enquanto crepita o fogo, esquecem-se hierarquias acad\u00e9micas, ouvem-se pequenos desabafos pessoais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Quis apenas relembrar e celebrar um dos aspectos envolvidos no processo cient\u00edfico da Paleontologia &#8211; o trabalho de campo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">N\u00e3o vem nos relat\u00f3rios nem nas publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. N\u00e3o existem tratados nem comp\u00eandios que o analisem e sistematizem. Apesar de tudo isso tenho constatado que \u00e9 das coisas que colocam um sorriso sincero na cara de cada paleont\u00f3logo &#8211; &#8220;Vais para o campo?&#8221; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Esquecem-se labutas di\u00e1rias de obten\u00e7\u00e3o de fundos, de preenchimento de formalidades burocr\u00e1ticas, da falta de perspectivas profissionais de futuro.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">E vai-se&#8230;<\/p>\n<p><span style=\"font-size:85%\">P.S.:Este texto \u00e9 um agradecimento pelo outro lado do trabalho cient\u00edfico a que me dedico.<\/span> <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size:85%\">E que, tendo a sorte de o ter, o gostaria de partilhar.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size:100%\"><span style=\"font-size:85%\"><span style=\"font-weight: bold\">(Publicado no jornal O Primeiro de Janeiro a 5\/3\/2007)<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size:100%\"><span style=\"font-size:85%\"><span style=\"font-weight: bold\">Imagens &#8211; <\/span><span>Lu\u00eds Azevedo Rodrigues<\/span><span style=\"font-weight: bold\"><br \/><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O trabalho cient\u00edfico, para o p\u00fablico em geral, \u00e9 feito no recato de laborat\u00f3rios e gabinetes. 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