{"id":287,"date":"2026-02-27T15:30:22","date_gmt":"2026-02-27T18:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/?p=287"},"modified":"2026-02-27T15:30:25","modified_gmt":"2026-02-27T18:30:25","slug":"sindrome-dolorosa-trocanterica-por-que-a-bursite-do-quadril-quase-nunca-e-apenas-bursite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/sindrome-dolorosa-trocanterica-por-que-a-bursite-do-quadril-quase-nunca-e-apenas-bursite\/","title":{"rendered":"S\u00edndrome Dolorosa Trocant\u00e9rica: por que a \u201cbursite do quadril\u201d quase nunca \u00e9 apenas bursite?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><strong>S\u00edndrome Dolorosa Trocant\u00e9rica: por que a \u201cbursite do quadril\u201d quase nunca \u00e9 apenas bursite?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A <strong>s\u00edndrome dolorosa trocant\u00e9rica (SDT)<\/strong>, tamb\u00e9m conhecida internacionalmente como <em>Greater Trochanteric Pain Syndrome (GTPS)<\/em>, \u00e9 uma das causas mais comuns de <strong>dor lateral no quadril<\/strong>. Apesar de tradicionalmente chamada de <strong>bursite trocant\u00e9rica<\/strong>, estudos atuais mostram que, na maioria dos casos, o problema n\u00e3o est\u00e1 apenas na inflama\u00e7\u00e3o da bursa, mas principalmente em uma <strong>tendinopatia dos gl\u00fateos m\u00e9dio e m\u00ednimo<\/strong>, frequentemente associada a degenera\u00e7\u00e3o tend\u00ednea e sobrecarga mec\u00e2nica. Essa mudan\u00e7a de entendimento \u00e9 fundamental para melhorar o diagn\u00f3stico e, principalmente, o tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Do ponto de vista anat\u00f4mico, a SDT envolve as estruturas peritrocant\u00e9ricas \u2014 especialmente os tend\u00f5es abdutores que se inserem no <strong>grande troc\u00e2nter do f\u00eamur<\/strong>. A disfun\u00e7\u00e3o desses tend\u00f5es leva a dor, perda de for\u00e7a e altera\u00e7\u00f5es da biomec\u00e2nica da marcha. Fatores como sexo feminino, obesidade, lombalgia associada, altera\u00e7\u00f5es do eixo dos membros inferiores e sobrecarga esportiva aumentam o risco. A preval\u00eancia \u00e9 significativa, principalmente em mulheres entre 40 e 60 anos, tornando-se uma das principais causas de dor cr\u00f4nica no quadril nessa faixa et\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Clinicamente, a <strong>dor no lado do quadril<\/strong>, pior ao deitar sobre o lado afetado ou subir escadas, \u00e9 caracter\u00edstica. O exame f\u00edsico revela dor \u00e0 palpa\u00e7\u00e3o do troc\u00e2nter maior e fraqueza dos m\u00fasculos abdutores. Testes como o <em>single-leg stance test<\/em> e o <em>FABER<\/em> podem reproduzir sintomas. A <strong>resson\u00e2ncia magn\u00e9tica<\/strong> e a <strong>ultrassonografia musculoesquel\u00e9tica<\/strong> ajudam a identificar tendinopatia gl\u00fatea, roturas parciais e espessamento da bursa, mas o diagn\u00f3stico permanece essencialmente cl\u00ednico \u2014 um ponto crucial para evitar exames desnecess\u00e1rios e overdiagnosis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">As evid\u00eancias cient\u00edficas atuais, incluindo revis\u00f5es sistem\u00e1ticas indexadas no PubMed, refor\u00e7am que o <strong>tratamento conservador \u00e9 a primeira linha terap\u00eautica<\/strong>. Programas estruturados de fisioterapia com foco em fortalecimento progressivo dos abdutores, controle de carga e corre\u00e7\u00e3o biomec\u00e2nica apresentam melhores resultados a m\u00e9dio e longo prazo quando comparados a infiltra\u00e7\u00f5es isoladas com corticosteroide. A educa\u00e7\u00e3o do paciente sobre manejo de carga e modifica\u00e7\u00e3o de atividades \u00e9 parte central do tratamento moderno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos anos, os <strong>ortobiol\u00f3gicos<\/strong> ganharam espa\u00e7o no manejo da s\u00edndrome dolorosa trocant\u00e9rica, especialmente em casos refrat\u00e1rios ao tratamento convencional. O <strong>plasma rico em plaquetas (PRP)<\/strong> tem sido estudado como alternativa \u00e0s infiltra\u00e7\u00f5es com corticoide, com evid\u00eancias mostrando melhor resposta cl\u00ednica sustentada em m\u00e9dio prazo, particularmente em pacientes com tendinopatia gl\u00fatea cr\u00f4nica. O racional biol\u00f3gico est\u00e1 na libera\u00e7\u00e3o de fatores de crescimento que estimulam reparo tecidual e modula\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do PRP, o <strong>aspirado concentrado de medula \u00f3ssea (BMA \u2013 Bone Marrow Aspirate)<\/strong> representa uma estrat\u00e9gia ainda mais avan\u00e7ada dentro da medicina regenerativa. Rico em c\u00e9lulas mesenquimais e citocinas bioativas, o BMA busca potencializar a regenera\u00e7\u00e3o tend\u00ednea em casos de degenera\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ada ou roturas parciais. Embora os estudos ainda sejam heterog\u00eaneos e em expans\u00e3o, resultados preliminares indicam melhora funcional e redu\u00e7\u00e3o da dor em pacientes selecionados, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de indica\u00e7\u00e3o criteriosa baseada em evid\u00eancia cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">\u00c9 importante destacar que os ortobiol\u00f3gicos n\u00e3o substituem a reabilita\u00e7\u00e3o, mas atuam como <strong>terapia adjuvante em protocolos multimodais<\/strong>. O sucesso depende de diagn\u00f3stico preciso, escolha adequada do paciente e integra\u00e7\u00e3o com fisioterapia especializada. Guidelines internacionais e revis\u00f5es recentes refor\u00e7am que a abordagem individualizada \u00e9 superior a protocolos padronizados indiscriminados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><strong>Conclus\u00e3o \u2014 Opini\u00e3o do especialista<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Como ortopedista e professor, considero que a maior evolu\u00e7\u00e3o no entendimento da s\u00edndrome dolorosa trocant\u00e9rica foi reconhecer que estamos lidando principalmente com uma <strong>tendinopatia do quadril e n\u00e3o apenas com uma bursite inflamat\u00f3ria simples<\/strong>. Esse conceito muda completamente o racioc\u00ednio terap\u00eautico. A integra\u00e7\u00e3o entre reabilita\u00e7\u00e3o baseada em evid\u00eancia e terapias ortobiol\u00f3gicas, como PRP e BMA, representa um avan\u00e7o promissor, mas deve ser aplicada com crit\u00e9rio cient\u00edfico e indica\u00e7\u00e3o individualizada. O futuro do tratamento do quadril passa pela medicina personalizada \u2014 e a SDT \u00e9 um excelente exemplo dessa transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">\ud83d\udcda Referencias Bibliogr\u00e1ficas <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Begkas D et al. Platelet-rich plasma versus corticosteroid injections for greater trochanteric pain syndrome. <em>Clin Rheumatol.<\/em> 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Fearon AM et al. Greater trochanteric pain syndrome: defining the clinical syndrome. <em>Br J Sports Med.<\/em> 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Grimaldi A, Mellor R, Hodges P, et al. Gluteal tendinopathy: a review of mechanisms, assessment and management. <em>Sports Med.<\/em> 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Fitzpatrick J et al. The effectiveness of platelet-rich plasma in the treatment of tendinopathy: systematic review and meta-analysis. <em>Am J Sports Med.<\/em> 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Jacobson JA et al. Greater trochanteric pain syndrome: ultrasound and MRI findings. <em>AJR Am J Roentgenol.<\/em> 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Sconfienza LM et al. Conservative treatment of greater trochanteric pain syndrome: systematic review. <em>Br Med Bull.<\/em> 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Hernigou P et al. Biologic augmentation of tendon repair with bone marrow aspirate concentrate. <em>Int Orthop.<\/em> 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00edndrome Dolorosa Trocant\u00e9rica: por que a \u201cbursite do quadril\u201d quase nunca \u00e9 apenas bursite? A s\u00edndrome dolorosa trocant\u00e9rica (SDT), tamb\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"author":767,"featured_media":289,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[21,41,13],"tags":[66,74,65,20,68,71,70,72,69,73,64,67,75],"class_list":["post-287","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fisioterapia","category-ortopedia-quadril","category-tratamento-nao-cirurgico","tag-bursitetrocanterica","tag-dorlateraldoquadril","tag-dornoquadril","tag-fisioterapia","tag-greatertrochantericpainsyndrome","tag-medicinaregenerativa","tag-ortobiologicos","tag-ortopedia-2","tag-prpnoquadril","tag-quadril-2","tag-sindromedolorosatrocanterica","tag-tendinopatiaglutea","tag-tratamentodoquadril"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/wp-content\/uploads\/sites\/300\/2026\/02\/sindrome-dolorosa-trocanterica.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/wp-json\/wp\/v2\/users\/767"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=287"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/287\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":290,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/287\/revisions\/290"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/wp-json\/wp\/v2\/media\/289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciadoquadril\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}