Arte e ciência na roda

Este texto faz parte da discussão de outubro na Roda de ciência: a relação entre ciência e arte.

Entre as muitas abordagens possíveis, acabei chegando ao que busco no meu caminho profissional: falar de ciência com arte, e quem sabe até mesmo falar de arte com ciência.

Me lembrei de um dia de trabalho de campo, quando eu era bióloga em tempo integral. Estava na Patagônia, andando de um lado para o outro com uma antena que captava sinais de coleirinhas instaladas em tuco-tucos – uns roedores subterrâneos de charme inigualável. De vez em quando um deles espiava para fora da toca, dava um grito pra me avisar que estavam de olho em mim. Aquela paisagem fantástica, os bichos que rondavam – lebres, cavalos, guanacos, raposas… e eu ali tentando entender a relação dos tuco-tucos com a natureza. Me ocorreu que o que me fazia ser bióloga era a poesia embutida na vida. Descobri que vinha daí uma certa sensação de peixe fora d’água, não chega a ser um motivo muito acadêmico pra se fazer ciência. Acho que começou aí a estrada que me fez continuar perto da biologia, mas olhando de fora o fazer científico.

Li um texto que adorei na revista piauí, cujo primeiro número está nas bancas. Se chama “A primeira menina do mundo” e conta a história de Salem, que morreu aos três anos de idade há mais de 3 milhões de anos, e teve seu esqueleto encontrado recentemente. O texto é literário. E o texto é científico. É saboroso, conta como se fosse ficção. Mas está tudo ali, todo o contexto e significado científico da descoberta. Fiquei extasiada, pensando que é por aí que quero caminhar.

Não é caminho fácil. Quando me embrenho num assunto científico, volta e meia o texto fica seco e acadêmico. E se tento fugir disso, tem logo ali o precipício da imprecisão. Não é fácil. Mas é delicioso.

Mais sobre o tema no Roda de Ciência
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II Mostra de Ciência no Cinema em Campinas

O Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), a Faculdade de Educação (FE) e o Museu Exploratório de Ciências da Unicamp convidam para a II Mostra de Ciência no Cinema, entre os dias 16 e 22 de outubro. Neste ano, a Mostra acontecerá em três locais na cidade de Campinas, cada qual com suas sessões: no Museu de Imagem e do Som (MIS), na NanoAventura e no Planetário do Parque Taquaral. A mostra faz parte das atividades da III Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e vai abordar questões ligadas à biotecnologia como clonagem humana, melhoramentos genéticos, da transformação do corpo, entre outros. Após cada sessão, haverá um espaço para discussão, com um palestrante convidado. Contamos com a sua participação!

Confira a programação:

Museu de Imagem e do Som (MIS)
De 17 a 19 de outubro
Rua Regente Feijó, 859 – Centro
Sessões às 16h30

*Dia 17 (Terça-feira): Tudo sobre minha mãe. Palestrante convidada: Carolina Cantarino (Labjor-Unicamp).
*Dia 18 (Quarta-feira): A batalha dos vegetais. Palestrante convidada: Susana Dias (Olho/Labjor-Unicamp).
*Dia 19 (Quinta-feira): Código 46. Palestrante convidada: Germana Barata (Labjor- Unicamp).

NanoAventura
De 16 a 20 de outubro
Localizada no antigo Observatório a Olho Nu (Obonu)/ Unicamp
Sessões às 17hs
*Dia 16 (Segunda-feira): Curandeiro da Selva. Palestrante convidada: Senilde Guanaes (Faculdade de Jaguariúna)
*Dia 17 (Terça-feira): Código 46. Palestrante convidada: Marta Kanashiro (CteMe/Labjor-Unicamp).
*Dia 18 (Quarta-feira): Os doze macacos. Palestrantes convidados: Wagner Geribello (PUC-Campinas) e Cristina Bruzzo (Olho/FE-Unicamp).
*Dia 19 (Quinta-feira): A batalha dos vegetais. Palestrante convidada: Flávia Natércia (Labjor-Unicamp).
*Dia 20 (Sexta-feira): Tudo sobre minha mãe. Palestrante convidado: Wencesláo Machado de Oliveira Júnior (Olho/FE-Unicamp).

Planetário/Taquaral
De 21 e 22 de outubro
*Dia 21 (Sábado):
14hs – X-Men 2. Palestrante convidado: Gazy Andraus (ECA-USP).
17hs – A mosca. Palestrante convidado: Edgar Franco (PUC-Minas Gerais).
*Dia 22 (Domingo):
14hs – A batalha dos vegetais. Palestrante convidado: Elenise Andrade (Olho/FEUnicamp).
17hs – Código 46. Palestrante convidado: Antonio Carlos Amorim (Olho/FE-Unicamp).

Visite o passado na Fazenda Pinhal

“A Fazenda Pinhal é um milagre de beleza”, me disse Helena Carvalhosa. É verdade, o lugar é mágico. Helena é bisneta do conde e da condessa do Pinhal, que fizeram da fazenda o que ela foi e o que ainda é, e tem a sorte de poder passar lá o tempo que quiser.

Mas a fazenda é também um hotel, onde vale a pena passar nem que seja um fim de semana. O pomar é sensacional, com suas aléias de jabuticabeiras centenárias. A comida deliciosa, com ingredientes em grande parte produzidos ali mesmo. O cuidado com receber se assemelha ao que um livro (disponível nos quartos, para deleite do hóspede) descreve a respeito dos tempos da condessa: travesseiros “optimos”, lençóis bordados do melhor algodão. Nada ostensivo, mas um luxo total. No bom sentido.

Enfim, mas não é esse o assunto. A fazenda Pinhal está na origem da fundação de São Carlos, dali saiu a procissão que fundou a cidade. O conde foi quem estabeleceu a ferrovia que passa por ali e foi fundamental para o progresso do interior de São Paulo. É patrimônio histórico tombado pelo Iphan, e faz isso muito bem. Com o intuito de preservar a memória viva para fins de pesquisa e ensino, a fazenda tem associação com diversas universidades e pesquisadores.

Escrevi uma reportagem sobre a maquinaria de beneficiar café, que foi restaurada este ano. Ver funcionar aquela gigantesca máquina do século XIX, feita de madeira e ferro, é emocionante. Tive que ir atrás de saber um pouco mais.

Leia a matéria na Ciência e Cultura.

Olha o passarinho!

Reprodução: Aves brasileiras, Tomas Sigrist


Os amantes de aves estão bem servidos. Há nas livrarias uma proliferação de guias com os quais podem deleitar-se e reconhecer os emplumados que encontram rua afora.

Veja mais no novo número da revista Ciência e Cultura.

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