Ciência e Saúde com poesia

Quem lê as colunas de Drauzio Varella na Folha de São Paulo já sabe o que esperar desta coletânea de ensaios que acaba de sair pela Companhia das Letras. Quem não lê, terá o prazer adicional da surpresa.

A maravilha desses textos é que eles são absolutamente informativos a respeito de temas científicos e médicos, mas são também muitas vezes de um lirismo que embala a alma.

“A vida na Terra é um rio que começou a correr há quase 4 bilhões de anos, e chegou até você e eu no meio de uma diversidade espetacular: leões, mosquitos, coqueiros, bactérias, algas marinhas e dezenas de milhões de outras espécies”. Assim começa o livro, e é por esse rio que Drauzio Varella nos conduz ao longo das mais de trezentas páginas que se seguem.

Alguns textos são cheios de poesia, outros mais pragmáticos descrevem mazelas de saúde e afins. Todos aumentam nosso conhecimento sobre o mundo, sobre o nosso dia-a-dia, sobre o funcionamento do corpo humano. E muito mais.

Tive a sorte de organizar o volume, o que quer dizer que li e reli todos os textos. O mundo ficou mais claro, e seus mistérios mais bonitos. Junto minha voz à do autor: “Com todo o respeito pelos que acreditam ter sido o homem criado por um sopro transcendental, a visão de que a vida surgiu aleatoriamente, há quase 4 bilhões de anos, a partir de moléculas capazes de fazer cópias de si mesmas e que, através da seleção natural, formaram seres tão díspares quanto bactérias, árvores e mamíferos encerra mais mistério e poesia.”

Como este texto tem a ver com o tema em discussão na Roda de Ciência, por favor deixe comentários aqui.

1421

Finalmente foi publicado no Brasil o livro 1421 – O ano em que a China descobriu o mundo (Ed. Bertrand Brasil). Da autoria de um oficial reformado da marinha britânica, Gavin Menzies, a obra revoluciona o que se pensava saber sobre as viagens marítimas do séc XV. Para aguçar o apetite basta dizer que talvez não tenha sido james Cook o primeiro a chegar até à Austrália, nem Pedro Álvares Cabral o primeiro a navegar até ao Brasil e muito menos Colombo até…onde mesmo? É muito provável que os chineses tenham chegado primeiro, nas suas viagens de exploração e descoberta ao redor do mundo, entre 1421 e 1423. A Revista Época poupa-me o trabalho de vos contar mais detalhes da investigação detetivesca de Gavin Menzies, publicando este mês uma excelente matéria sobre o livro que pode ser lida aqui.

Já tinha lido o livro há algum tempo, na sua edição lusitana (Dom Quixote, 2004) e é pena que apenas agora esteja disponível no Brasil, sendo o tema relevante para a sua história. O livro poderá ser polémico, mas com certeza fascinante. No final, aceitando a hipótese de 1421, fica a pergunta de como o mundo teria sido diferente se a China não tivesse resolvido abandonar as Viagens devido a várias fatalidades que atingiram o império logo após a armada ter zarpado.

É que a China do então imperador Zhu Di não parecia ter intenção de colonizar, o seu fim era o conhecimento do mundo à sua volta e o estabelecimento de uma rede de comércio mundial mais ou menos “livre”. Pois eu diria que já vamos com quase seis séculos de atraso!

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