Falar simples na roda de ciência

Simples,

o quê? para quem?

…para o leigo,

informado?
intelectual?

conformado?
alienado?

digital?

operário?

eficiente?

suficiente?

camponês?

sem-terra?

transgénico?

clonado?

eleito?

povo?

néscio?

o leigo? [agora de baixo para cima,e para baixo outra vez!]

Simples para muitos,
e ainda complexo para a maioria.

Para este, duas frases cifradas

para aquele, o cosmos,

ou o caos.

Àqueloutro, simplificar a história da
grande explosão,

ou do grande salto em frente,

do camarada Mao,
e do bom Adolfo.
Haverá sempre aqueles que,
uma, outra vez, e sempre,
quererão ouvir a história da criação

deus salva, é fiel e fala simples,
ao coração,
É bom de concluir,

quem ganhará a parada!?
Mas então,
não haverá salvação,
do destino traçado na escritura fatal?
Mas sim, mas sim,
curiosamente,
anunciada de forma simples,
em várias escrituras fatais,
bíblias, origens das espécies,
e outras que tais:
procriai-vos, replicai-vos!
No vosso rebanho,
induzí a fala simples,
do pensamento complexo,
e o inverso como exercício lúdico,
o culto ao símbolo,
e seus propágulos,
sentidos múltiplos,
múltiplos leitores,
multi-formato,
leitor múltiplo,
verso e reverso,
evoluído,
de Alexandria para Thistledown,
pois está na boa tradução,
a alma da solução.

Excerto do manifesto do Movimento pelo Bolsa-Ciência do Brasil (MCBC).

Para fazer algum comentário ou para ler outros textos do debate “Falar e escrever simples…”, rebole-se aqui na
Roda de ciência.

Mamíferos descobertos

Extinções são uma grande preocupação hoje em dia, com as cidades tomando o lugar das florestas em boa parte do mundo.
Muitas vezes perdemos animais e plantas que nem chegamos a conhecer, ainda há muito a descobrir.
Novas espécies são descobertas o tempo todo, notícia boa mas alarmante também – é difícil proteger o desconhecido.
Acaba de sair um novo número da revista Pesquisa Fapesp, que traz um texto meu sobre novas espécies de mamíferos. Ele pode ser lido aqui, mas vale a pena dar uma olhada na revista impressa – é mais gostoso de ler e o tratamento gráfico é de primeira.

DNA e sensacionalismo

Não canso de me impressionar como tudo o que diz respeito ao material genético – o humano, sobretudo – ganha proporções exageradas, vira manchete de jornal, assunto para a hora do café no trabalho. “Você viu? Descobriram que o DNA não é nada como se pensava!”, e por aí vai. É muito fácil afastar-se rapidamente do que realmente dizem os artigos científicos.

O assunto do mês passado, que deu origem à capa ao lado no jornal britânico The Independent, foi a descoberta de uma variação inesperada no DNA de humanos. A informação vem de dois artigos, um deles na Nature de 23 de novembro.

Os pesquisadores responsáveis pelos artigos reanalisaram as seqüências obtidas no Projeto Genoma Humano e encontraram uma variação imensa que não vem de substituições na seqüência do DNA, mas de repetições ou deleções de partes do material genético. Uma mutação do tipo “clássico” transformaria um gene com seqüência AATGCCTGACTGAGGGTT em AATGCCTGTCTGAGGGTT, por exemplo. O que se viu, ao contrário, foi algo do tipo AATGCCTGACGACGACGACTGAGGGTT. Esse tipo de alteração foi detectado em 12% dos genes, e pode representar uma diferença de milhares de bases (cada uma dessas letras) entre uma pessoa e outra. Os geneticistas sugerem que, como vários dos genes com esse tipo de variação estão ligados a doenças, talvez venha a se verificar que o número de repetições tenha algo a ver com propensão a desenvolver tais enfermidades. Pus o itálico para chamar atenção para a cautela expressa nos artigos científicos, que parafraseei livremente.

A revista Pesquisa Fapesp de dezembro traz na seção “Laboratório” de sua edição de dezembro um resumo para lá de sumário do artigo da Nature. A decisão por apresentar o achado numa pequena nota foi consciente. Afinal, a descoberta é importantíssima, pois abre caminho para vasculhar o material genético com mais discernimento e tentar compreender como ele funciona, mas passa muito longe de representar “o livro da vida reescrito”, como apresentou o Independent.

A culpa pelo sensacionalismo não é totalmente da imprensa. A Nature e outros organismos de apoio a jornalistas produzem textos já mastigados, muitas vezes simplesmente reproduzidos em meios de comunicação. No mínimo servem de guia. Esses releases destacavam a diferença entre pessoas, que pode ser maior do que se esperava, e a importância para manifestação de doenças. A imprensa repetiu esses destaques, às vezes com certo exagero como no caso do Independent.

Procurei nos artigos originais qual seria então a semelhança entre eu e você, se não é 99,9%. Não encontrei. Porque não era mesmo o ponto central. Esse número é ainda mais interessante porque na semana anterior as revistas Science e Nature tinham publicado artigos sobre o genoma seqüenciado do homem de Neandertal, a espécie extinta mais aparentada à nossa. Aí sim, um dos pontos centrais era a semelhança entre eles e nós, 99,5%. Segundo o Estado de São Paulo, o artigo da Nature de 23 de novembro estabelece essa mesma semelhança entre dois humanos atuais. Será então que o neandertal era a mesma espécie, na verdade? O espaço para especulações é imenso. Na brincadeira com os números, a diferença entre eu e você chegou a 12% em algum jornal – uma transposição selvagem da variação que foi encontrada em 12% dos genes.

Quanto à questão da propensão a doenças, ela ainda é mera especulação. Aposto que se passará muito tempo ainda até que se descubra como – e se – essa variação se manifesta no funcionamento do genoma, e mais ainda até que se avalie seu impacto na saúde das pessoas. Marcelo Leite, em sua coluna na Folha de São Paulo (reproduzida no blogue Ciência em dia – texto “Bíblia de araque“, 3 de dezembro de 2006), aproveitou o assunto para reforçar sua cruzada anti-determinismo. Claro, ainda temos muito a descobrir sobre o que há entre a seqüência do DNA e suas manifestações no organismo; mas não há aí nenhuma munição para dizer que o genoma na verdade não tem tanta influência assim sobre nós.

É preciso mais cuidado, ao escrever sobre genes e afins. É muito fácil desinformar. Não consigo deixar de comentar uma notinha na Folha de São Paulo de hoje. Uma análise do DNA em uma amostra de sangue teria provado que o motorista responsável pela morte da princesa Diana tinha bebido muito mais do que o permitido pela lei francesa. Fiquei fascinada: de onde tiraram uma amostra de sangue a esta altura?!?!? E acima de tudo, desde quando o DNA traz informações etílicas?!!! Ufa, o João achou a notícia na BBC: a análise foi feita na época, mas contestou-se que o sangue seria do motorista. Parece que foi isso que a análise mostrou, o sangue era dele mesmo. Já estava preocupada com a cervejinha de ontem à noite escrita nos meus genes…

Aves da Mata Atlântica

Será lançado hoje em São Paulo o livro acima, na livraria Cultura do Shopping Villa Lobos. Ainda não vi o livro, mas as fotos de Edson Endrigo são sempre lindas e revelam aos olhos esses animais que encantam tanta gente mas são tão difíceis de ver… A riqueza da Mata Atlântica é imensa e merece ser explorada.

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