O problema é nosso

Mais uma vez vai chegando o fim da vigência de um tema no roda de ciência e não consegui participar. Juro que não é de propósito! Hoje finalmente consegui me pôr a par da discussão, mas continuo de certa forma paralisada. A mesma paralisia, me parece, que impede que cada um – eu inclusive – incorpore ao seu modo de vida a consciência de que nós (eu, você e os outros) contribuímos para a devastação do mundo e agora temos que ir atrás de remediar o malfeito.

O problema é que a tarefa parece hercúlea, tão grande que não se sabe por onde começar. Daí a paralisia. Então esperemos que os governos decidam o que fazer, enquanto lemos os jornais – na melhor das hipóteses.

A imprensa tem acompanhado o assunto de perto, afinal não se pode ficar de fora do assunto do momento. Costumo ler a Folha de S. Paulo e praticamente todos os dias a página de ciência traz algo sobre mudanças climáticas. São estudos que demonstram que o aquecimento global já chegou, são discussões, são políticas. Mas fico sempre vazia depois da leitura. Acho que é o problema costumeiro em divulgação de ciência: as informações vêm de cima, de longe. O cientista – e quem dirá seu conhecimento – está muito longe de cada um de nós. Não envolve, portanto.

Como fazer para incluir todos e qualquer um nessa discussão, como participantes ativos? Não sei a resposta, pergunto aqui para que me ajudem a pensar. Vejo na televisão algumas campanhas nesse sentido. Como a da ONG Greenpeace, que conclui uma sucessão aterrorizante de imagens de devastação com declarações como: “A sua geração não queria mudar o mundo? Parabéns, vocês conseguiram”. No alto de seu site, uma foto de floresta destruída. Com o cursor do mouse (“rato”, dirão o Caio e o João – e concordo que é muito melhor) o internauta pode “fazer algo”. Uma apresentação inteligente. Mas não basta brincar com fotografias nem dar dinheiro ao Greenpeace.

Talvez museus de ciências, daqueles interativos, possam fazer algo. Usar os modelos e o conhecimento acumulado em brincadeiras-simulações que mostrem às crianças (e seus pais) atitudes pequenas e grandes que podem fazer diferença no dia-a-dia. Será que estão fazendo isso? Vou perguntar ao Marcelo Knobel, físico e divulgador de ciência que está percorrendo os Estados Unidos com uma bolsa da fundação Eisenhower para pesquisar em que pé está a cultura científica por lá (acompanhe seu diário de viagem).

Está lançado o desafio: como criar um debate e uma participação reais que envolvam a sociedade mundial?

Em termos de políticas de governo, li nalgum lugar que a China (acho) vai fazer umas cidades planejadas ecológicas. Reconstruir o mundo é complicado, mas que tal estipular regras para tudo o que for feito de novo respeite o ambiente? Novas casas e prédios deveriam ser obrigados a usar a tecnologia mais moderna de economia de recursos, fontes alternativas de energia, tratamento de efluentes, sei lá mais o quê. Não parece tão difícil.

Este texto é parte da discussão sobre aquecimento global no roda de ciência.
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Encontros com a pesquisa: Sérgio Pena fala sobre as origens africanas do brasileiro

Os escravos trazidos da África deixaram um legado incontestável no povo brasileiro. A extensa miscigenação racial que se vê hoje faz de grande parte dos brasileiros um amálgama genético.

Sérgio Pena, geneticista da Universidade Federal de Minas Gerais, contribuiu para detalhar as origens de nossos genes. Os resultados de seu trabalho, descritos na matéria de capa da revista Pesquisa Fapesp de abril (nas bancas), quantificam não só essa mistura, mas detalham quais regiões da África mais contribuíram para o contingente africano no Brasil.

Pena falará hoje em São Paulo, como parte da série “Encontros com a pesquisa”, promovida pela Pesquisa Fapesp em colaboração com a livraria Cultura. A palestra, gratuita e aberta a qualquer interessado, será na Cultura do Shopping Villa Lobos, hoje (25 de abril) às 19h.

A vida na lama

O catador de caranguejo depende do manguezal para viver. Dali ele tira seu parco sustento e a sabedoria que passa de uma geração para outra. Mas não é predador. Sua colaboração e seu conhecimento são essenciais para a própria conservação do caranguejo-uçá, espécie de destaque na culinária brasileira.

A foto ao lado é de André Alves, do Projeto Caranguejo.

Leia matéria na Pesquisa Fapesp que acaba de chegar às bancas. E abaixo, relato de quem sabe mais do que eu.

O homem da lama

Acorda todo dia pra se atolar
Na fábrica chamada manguezá
Ele, o homem do caranguejo-uçá
Seu relógio é a maré e sua persistência a fé
Pra catar o bicho
Que anda de marcha a ré
Numa verdadeira batalha
Com a mão ou com o pé
Nessa jornada sem fim ele nem imagina
Que esteja tudo tão ruim
E olha pro seu amigo caranguejo
E diz assim:
O que aconteceu
Com o mangue meu e teu?
Ó meu Deus…

Valdemar Vergarta Filho,
Manguezal em cordéis, copiado do
site do Projeto Caranguejo

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