A vida na lama

O catador de caranguejo depende do manguezal para viver. Dali ele tira seu parco sustento e a sabedoria que passa de uma geração para outra. Mas não é predador. Sua colaboração e seu conhecimento são essenciais para a própria conservação do caranguejo-uçá, espécie de destaque na culinária brasileira.

A foto ao lado é de André Alves, do Projeto Caranguejo.

Leia matéria na Pesquisa Fapesp que acaba de chegar às bancas. E abaixo, relato de quem sabe mais do que eu.

O homem da lama

Acorda todo dia pra se atolar
Na fábrica chamada manguezá
Ele, o homem do caranguejo-uçá
Seu relógio é a maré e sua persistência a fé
Pra catar o bicho
Que anda de marcha a ré
Numa verdadeira batalha
Com a mão ou com o pé
Nessa jornada sem fim ele nem imagina
Que esteja tudo tão ruim
E olha pro seu amigo caranguejo
E diz assim:
O que aconteceu
Com o mangue meu e teu?
Ó meu Deus…

Valdemar Vergarta Filho,
Manguezal em cordéis, copiado do
site do Projeto Caranguejo

Discussão - 4 comentários

  1. João Carlos disse:

    Salve, Maria! Este é mais um exemplo de “chi fá, non sá” (e, também, de “chi vó, non pó”). As condições de vida desses caçadores de caranguejos nos manguezais são comparáveis às dos catadores de lixo, nos “lixões”.Por que – eu me pergunto – nenhum governo, em qualquer escalão, pensa em se valer dessas pessoas para ajudar a manter os sistemas de manguezais?… Sim, porque quem ainda não souber a importância dos manguezais para os ecossistemas, basta dar uma voltinha pelo fundo da Baía de Guanabara. Onde o manguezal sumiu, sumiram os peixes, sumiu a água límpida e sobram dejetos…Mas só quando as m****s aparecem boiando nas praias oceânicas da Zona Sul, a mídia se pronuncia, os governos prometem providências e surge mais outro projeto faraônico (que rapidamente vai se tornar um objeto de disputa de espaço na mídia entre os governos municipal, as miríades de Agências Estaduais e o oniausente IBAMA, sem contar com algumas patacoadas de membros do Minsitério Público, de olho em cargos eletivos…)Pois é… Não precisa ser um PhD em biologia: basta ter a vivência de um catador de caranguejos e um pouco de bom-senso… Mas isso é muito mais do que se pode esperar dos “próceres” de nossa sociedade.

  2. Maria Guimarães disse:

    você tem razão. mas desta vez leu a matéria? o Jaime Doxsey, do Projeto Caranguejo, acredita realmente que conseguiu uma melhoria importante para os catadores da grande Vitória – trabalhando com apoio do ibama local. é uma experiência isolada, mas que ele já fez um ensaio de reproduzir noutro lugar. quem sabe não mostra um caminho a seguir em outros lugares, por outras pessoas?

  3. João Carlos disse:

    A Universidade Federal Fluminense (Niterói) começou um programa semelhante com o pessoal dos manguezais da Baía de Guanabara. Adivinha por que não foi à frente?…Tomara que o projeto, em Vitória, seja vitorioso (desculpe, mas o Osame é contagioso…) e alguém perceba isso.Eu fui meio injusto com os biólogos, no comentário anterior: eles (os biólogos) sempre se valeram dos conhecimentos dos “nativos”. Mas, veja bem: o Doxsei conseguiu juntar um bom argumento – o valor comercial dos caranguejos. Mas garanto que ele está muito mais interessado na manutenção do ecossistema dos manguezais do que em comer um caranguejo (por gostoso que seja – eu sou alérgico…)

  4. Maria Guimarães disse:

    o doxsey me pareceu mesmo mais interessado na melhoria de vida dos catadores. ele é sociólogo, não biólogo (como eu!) – então não se enquadra entre os aproveitadores que você denuncia.biólogos que respeitem o conhecimento tradicional de fato tentam aprender com quem sabe mais. mas não vejo isso como aproveitar-se. quem se aproveita do conhecimento tradicional são as indústrias de cosméticos e que tais.não sabia desse projeto abortado da universidade fluminense. pena, teria sido bom conversar também com esse pessoal.

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