Surpresas sem fim (sem fim?) na Mata Atlântica

Ontem tive a boa surpresa de abrir O Globo impresso e ser apresentada ao simpático Juliomys ossitenuis. É uma nova espécie de roedor da Mata Atlântica, floresta brasileira campeã mundial em biodiversidade e com níveis assustadores de desmatamento e extinção. A notícia está também no portal G1, mais completa.

Já publiquei a mesma foto, de Pedro Peloso, numa matéria na Pesquisa Fapesp em dezembro passado, em que eu falava sobre como as constantes novas descobertas são uma pista da imensa riqueza que corremos o risco de perder. Na época o Juliomys ainda não fora batizado, agora Reinaldo José Lopes conta um pouco mais da história.

O assunto me entusiasma e maravilha. Mas ainda por cima ao longo do meu doutorado tive a sorte de ouvir muitas lindas histórias de exploração Brasil afora por Leonora Costa e Yuri Leite. Esses dois ainda nos mostrarão muito sobre a Mata Atlântica, fiquem de olho. Obrigada, compadres!

III Mostra de Ciência no Cinema em Campinas

Entre os dias 27 de maio e 03 de junho serão exibidos em Campinas – no Museu da Imagem e do Som (MIS), centro da cidade, e no cursinho comunitário Herbert de Souza, na Vila União, filmes em que os monstros invadiram as telas. O tema da Mostra, monstros, foi escolhido pelo fato dessas fascinantes figuras do cinema trazerem à tona as tensões entre humano e não-humano, normal e anormal, natural e artificial, realidade e ficção, que também atravessam as produções científicas. Ao final da exibição, o público poderá ampliar suas aproximações com as produções cinematográficas em um descontraído bate-papo com pesquisadores e produtores das áreas de educação, cinema, literatura, jornalismo,quadrinhos, artes visuais e animação.

A Mostra é uma produção do projeto “Biotecnologias de Rua”, desenvolvido no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp e financiado pelo CNPq. A programação completa pode ser obtida no site da Mostra (

www.labjor.unicamp.br/mostra) ou pelo telefone (19) 3521-5193.

Programação completa

Dia 27/05 (Domingo): Herbert de Souza

  • 15:00 Shrek (2001), de Andrew Adamson e Vicky Jenson, 100 min. Palestrante: Antonio Carlos Rodrigues de Amorim (Professor e pesquisador do OLHO-FE/Unicamp)
    Em um pântano distante vive Shrek, um ogro solitário que vê sua vida ser invadida por uma série de personagens de contos de fada: três ratos cegos; um grande e malvado lobo; e três porcos que não têm um lugar onde morar.Todos foram expulsos de seus lares por um maligno Lorde. Determinado a recuperar a tranqüilidade de antes, Shrek resolve encontrar o Lorde e com ele faz um acordo: todos poderão retornar aos seus lares se ele e seu amigo Burro resgatarem uma bela princesa, prisioneira de um dragão.(Recomendação: livre)
  • 18:00 A ilha do Dr. Moreau (1996), de John Frankenheimer, 100 min. Palestrante: Edgar Franco (Criador de quadrinhos, professor e pesquisadorda PUC-Poços de Caldas. Em um futuro próximo, um homem em missão militar sofre um acidente no seu avião. Depois de vários dias é resgatado por um cientista que o leva a uma remota ilha onde um famoso geneticista, vencedor do prêmio Nobel, faz experiências com DNA e tenta criar uma raça perfeita, transformando animais selvagens em seres humanos. Porém, esta estranha mutação vai criar situações imprevisíveis. (Recomendação: 18 anos)

Dia 29/05 (Terça): MIS

  • 18:00 Ed Wood (1994), de Tim Burton, 127 Min. Palestrante: Janaina Damaceno (Filósofa, produtora de cinema e pesquisadora da FE/Unicamp) Um retrato da vida de Ed Wood é concentrado nos anos 50, quando se envolveu com atores desajustados incluindo um Bela Lugosi em fim de carreira, e fez filmes de péssima qualidade, que o fizeram passar para a história como o pior diretor de todos os tempos. Tim Burton descreve a trajetória de um homem cuja biografia se molda pela exceção. Tudo em Ed Wood é desviante. Ele é uma espécie de monstro criado por sua própria fantasia. (Recomendação: 12 anos)

Dia 30/05 (Quarta):MIS

  • 18:00 Extermínio (2002), de Danny Boyle, 112 min. Palestrante: Rafael Evangelista (Jornalista e pesquisador do LABJOR Unicamp) Após invadirem um laboratório de pesquisas com macacos, um grupo deativistas encontra chimpanzés presos em gaiolas diante de telas que exibem continuamente cenas de extrema violência. Ignorando os avisos de um cientista que trabalha no local de que os macacos estariam infectos, os ativistas decidem libertá-los. Livres, eles andam como zumbis atacando e disseminando na humanidade o vírus que possuem. (Recomendação: 16 anos)

Dia 31/05 (Quinta): MIS

  • 18:00 O homem-elefante (1980), de David Lynch, 118 min. Palestrante:Wagner Geribelo (Jornalista, professor e pesquisador da Faculdade de ArtesVisuais-PUC-Campinas) A história de John Merrick, um desafortunado cidadão da Inglaterra vitoriana, portador do caso mais grave de neurofibromatose múltipla registrado, tendo 90% do seu corpo deformado. Esta situação tendia a fazer com que ele passasse toda a sua existência se exibindo em circos de variedades como um monstro. (Recomendação: 16 anos)

Dia 01 (Sexta): MIS

  • 18:00 Resident evil – O hóspede maldito (2002), de Paul Anderson, 100 min. Palestrante: Flávio Shimoda (Produtor de cinema, professor e pesquisador da Faculdade de Artes Visuais-PUC-Campinas) Alguma coisa terrível está oculta na “Colméia”, um enorme laboratório subterrâneo utilizado para pesquisa genética que é controlado pela Umbrella, uma dos maiores conglomerados do mundo. Lá há uma epidemia do T-Vírus, uma arma biológica de grande poder que acaba matando todos os cientistas que lá trabalhavam. Mas eles não morrem, são transformados em zumbis. (Recomendação: 16 anos)

Dia 02 (Sábado): MIS

  • 13:00 Monstros S.A. (2001), de Peter Docter e David Silverman, 106 min. Palestrante: Elenise Pires de Andrade (Professora da Faculdade Network epesquisadora do OLHO-FE/Unicamp) Uma fábrica de sustos constrói portais que levam os monstros para os quartos das crianças, onde eles poderão lhes dar sustos e gerar a fonte de energia necessária para a sobrevivência da fábrica. Entre os monstros que lá trabalham o mais assustador é James P. Sullivan, um grande e intimidador monstro de pêlo azul e chifres, chamado de Sully. Seu assistente é Mike Wzowski, um pequeno ser de um olho só com quem tem por missão assustar as crianças, consideradas tóxicas pelos monstros e cujo contato com eles seria catastrófico para seu mundo. (Recomendação:livre)
  • 16:00 À meia-noite levarei sua alma (1964), de José Mojica Marins, 78 min. Palestrante: Orestes Augusto Toledo (Historiador do MIS) O sádico e cruel coveiro Zé do Caixão pretende gerar um filho perfeito para dar continuidade ao seu sangue. Mas sua mulher não consegue engravidar e ele acaba violentando a mulher do seu melhor amigo. A moça violentada pelo coveiro quer se suicidar, para regressar do mundo dos mortos e levar a alma de Zé do Caixão. (Recomendação: 18 anos)

Dia 03/06 (Domingo): Herbert de Souza

  • 15:00 A noiva-cadáver (2005), de Tim Burton e Mike Johnson, 78 min. Palestrante: Victor F. Epifanio (Produtor de cinema, artista plástico, pesquisador bolsista do LABJOR/Unicamp) Em um vilarejo europeu do século XIX vive Victor Van Dorst, um jovem queestá prestes a se casar com Victoria Everglot. Porém acidentalmente Victor se casa com a Noiva-Ca
    dáver, que o leva para conhecer a Terra dos Mortos. Desejando desfazer o ocorrido para poder enfim se casar com Victoria, aos poucos Victor percebe que a Terra dos Mortos é bem mais animada do que o meio vitoriano em que nasceu e cresceu. (Recomendação: livre)
  • 18:00 Corpo fechado (2000), de M. Night Shyamalan, 106 min. Palestrante: Giovana Scareli (Pesquisadora do OLHO-FE/Unicamp) Um espantoso desastre de trem choca os Estados Unidos. Todos os passageiros morrem, com exceção de David Dunne, que sai completamente ileso do acidente, para espanto dos médicos e de si mesmo. Buscando explicações sobre o ocorrido, ele encontra Elijah Price, um estranho que apresenta uma explicação bizarra para o fato. (Recomendação: 12 anos)

Locais da Mostra:
MIS – Museu da Imagem e do Som – Rua Regente Feijó, 859, Centro.Telefone: 3236-7851Herbert de Souza – Cursinho Pré-Vestibular – Rua Dusolina Leone Tournieux, 249, Vila União . Telefone: 3223-0617Dia 27/05 (Domingo): Herbert de Souza

Resumos dos filmes adaptados de: http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/
Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Parcerias: Museu da Imagem e do Som (MIS), Cursinho Pré-Vestibular Herbert de Souza
Apoio:100% Vídeo

Viva a mata

Quem estiver em São Paulo no próximo fim de semana, inclua esta nas possibilidades de passeio: o Viva a Mata no parque do Ibirapuera.

É um evento organizado pela ONG SOS Mata Atlântica, que chama a atenção para a floresta em cima da qual São Paulo – e tantas outras cidades – foi instalada.

São palestras, atividades, apresentações de painéis de pesquisa sobre a Mata Atlântica, etc. Promete ser interessante. Veja mais no site.

Encontros com a Pesquisa: Júlio César Voltarelli

O imunologista Julio César Voltarelli, do Centro de Terapia Celular (CTC) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, ligada à Universidade de São Paulo, faz a terceira palestra da série Encontros com a Pesquisa, às 19 horas do dia 15, terça-feira. A série é uma promoção conjunta da revista Pesquisa FAPESP e da Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos, de São Paulo. Voltarelli vai falar sobre o uso de células-tronco adultas em tratamentos experimentais contra o diabetes melito do tipo 1, também chamado de juvenil, e outras doenças auto-imunes.

O trabalho de Voltarelli foi notícia no mundo todo em abril, quando os promissores resultados de um experimento conduzido por sua equipe foram divulgados. Por meio de uma abordagem clínica que recorre a altas doses de quimioterapia seguidas de um transplante de células-tronco adultas originárias da medula do próprio paciente, Voltarelli e seus colegas de Ribeirão Preto conseguiram livrar 14 diabéticos recém-diagnoticados da necessidade diária de tomar doses de insulina. A terapia, cara e arriscada, ainda não é a cura da doença, mas representa um passo importante nesse sentido.

Professor titular do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Voltarelli tem experiência em imunologia clínica, com ênfase em transplante de células-tronco hematopoéticas em doenças auto-imunes, doenças hematológicas malignas e benignas. Também é especialista no diagnóstico e tratamento de imunodeficiências secundárias, doenças reumáticas e na seleção de doadores para transplantes renais e de medula óssea.

Encontros com a Pesquisa é um evento com uma palestra aberta, seguida de debate com o público, que ocorre um vez por mês com um cientista de ponta que vai falar de seu trabalho e comentar temas que serviram de base para reportagens de Pesquisa FAPESP. O trabalho de Voltarelli está na edição de maio da revista Pesquisa Fapesp.


A Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos fica na Av. Nações Unidas, 4777, cidade de São Paulo (tel: 11 3024-3599).

O que são raças?

Falar em raças humanas arrepia a gente. Lembra racismo, eugenia, discriminação, desigualdade social. Daí a necessidade de organizar o pensamento. A meu ver racismo e raça são duas discussões diferentes. Neste caso, se existem raças, é uma questão biológica e não social.

Li recentemente um artigo de Sérgio Pena, da UFMG, e Maria Cátira Bortolini, da UFRGS, ambos geneticistas. Eles apresentam uma análise genética muito interessante da população brasileira, um amálgama de origens africanas, européias e indígenas. Mas discordo de vários aspectos e um deles é a ausência de definição de raças.

Uma fonte de confusão é a dificuldade em distinguir aspectos biológicos e sociológicos. Não é a biologia, mas as oportunidades sociais, que fazem com que poucos negros cheguem ao topo da escala social brasileira. Isso diz muito sobre injustiça social, mas nada sobre a existência de raças.

O artigo dos geneticistas mostra que é possível distinguir geneticamente grupos continentais – africanos, europeus e ameríndios, no caso. Para mim, essas são as raças. O brasileiro é uma mistura, tudo bem, mas isso não prova a inexistência dessas raças originais.

É comum o argumento de que são poucos os genes responsáveis pela cor da pele, portanto desimportantes. Desimportantes por quê? São responsáveis por características que se diferenciaram nos grupos continentais devido a pressões ambientais diversas ao longo do processo evolutivo. São desimportantes sim em conferir mais ou menos valor às pessoas, mas aí entramos no âmbito social.

A edição de abril da revista Pesquisa Fapesp veio recheada com raças, do ponto de vista biológico e social. Muito do que acho sobre o assunto já escrevi neste mesmo blogue, não repetirei. De lá para cá, pouco mudou no meu pensamento. Mas li mais e vi a palestra do Sérgio Pena, e aprendi uma coisa: no Brasil já não faz sentido falar em raças. Mesmo do ponto de vista médico, que em muitos casos deve levar em conta diferenças genéticas pois geram fisiologias distintas, neste país a miscigenação já não permite associar aparência física a características genéticas.

Mas mais uma vez, isso não quer dizer que raças não existam! Eu acho que existem e ainda bem.

Este texto integra a discussão de maio do roda de ciência.
Por favor, comentários aqui.

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