Sem rede de segurança

Quando criança, Maria Bethânia queria ser trapezista. A lembrança está no final do filme “Maria Bethânia, pedrinha de Aruanda”, de Andrucha Waddington. “Acabei não indo para a escola de circo, mas no fundo é esse o meu ofício”, ela reflete enquanto contempla um picadeiro vazio. “Sem rede”.

Quem já a acompanhou palco adentro sabe. E quem viu o filme andou junto, sentiu a tensão, a intensidade da oração em busca de força e concentração, a coragem para correr e mergulhar nos brados amantes da multidão. O sorriso que rasga o rosto de lado a lado não é simpatia, não é teatro, não é triunfo. É a energia que ela recebe e transborda. E é a música que aflora, não cabe só na voz.

A lição maior é avançar pela vida sem rede de segurança. Não importa se há um deus (ou muitos), nem seu nome: a vida vale muito mais se a gente enxerga o sagrado das coisas. Entrar num rio e parar diante de uma cachoeira, admirar a força sem combatê-la, fazer parte. Estar junto com quem se ama. Tudo sagrado.

A foto eu peguei aqui.

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