Quinta, 6/12/2007
9:00 – Abertura
10:00 – Paulo Abrantes (Filosofia, UnB) – Darwinismo e o caráter anômalo da evolução humana
11:15 – Maurício Vieira (Sociologia, UFF)
13:45 – Yuri Leite (Biologia, UFES) – Doenças, sexo e a Rainha Vermelha
14:45 – Renan S. Freitas (Sociologia, UFMG) – Darwin, Popper e os pragmatistas
16:00 – Hilton da Silva (Antropologia, UFRJ) – Saúde, doença e processos microadaptativos em populações neotropicais brasileiras

Sexta, 7/12/2006
9:00 – Gustavo Caponi (Filosofia, UFSC) – A compreensão do vivente: para além da distinção entre as ciências do espírito e as ciências naturais
10:00 – Cláudia Russo (Biologia, UFRJ)
11:15 – Angela Oliva (Psicologia, UERJ) – Origens evolutivas do comportamento social
13:45 – Suzana Herculano-Houzal (Biologia, UFRJ) – Darwin tinha razão: o número de células no cérebro mostra que somos apenas grandes primatas
14:45 – Nélio Bizzo (Educação, USP) – Darwin e o homem: visões darwinistas na literatura brasileira do século XX
16:00 – Ricardo Waizbort (Biologia, Fiocruz) – Darwinismo ativo: o lugar do indivíduo na evolução biológica

De galho em galho

O Brasil tem macacos de tudo quanto é forma, cor e tamanho. Toda essa diversidade deriva de um ancestral que chegou à América 30 milhões de anos atrás. Segundo o trabalho de Gabriel Marroig, da USP, tal frenesi adaptativo se fundamentou em variação de tamanho.

Misterioso? Leia mais na edição de novembro de Pesquisa Fapesp.

Rio fantástico


Copio aqui aviso que acabo de receber.

Já estão abertas as inscrições para o RioFan – I Festival Internacional de Cinema Fantástico do Rio de Janeiro.

Podem se inscrever curtas e longas-metragens, profissionais e amadores, realizados em qualquer parte do Brasil e do mundo. Longas se candidatam automaticamente à mostra competitiva internacional, enquanto curtas-metragens se candidatam a uma vaga em uma das seções informativas do festival. A inscrição é gratuita.

O regulamento do festival e o formulário de inscrição estão disponíveis em nosso site e em nosso blog. Os candidatos devem enviar a ficha de inscrição preenchida e um DVD de seu filme ou vídeo até o dia 15 de fevereiro de 2008.

Além de um tributo ao mestre José Mojica Marins, que receberá um prêmio pelo conjunto da obra, o festival também vai promover um concurso de vídeos com duração máxima de 1 minuto, aberto ao público, cujos vencedores serão exibidos como vinhetas nas sessões oficiais do evento. Além disso, a programação do RioFan vai contar com uma série de eventos temáticos voltados para os fãs de horror, fantasia, quadrinhos e animação, além de exibições de clássicos do gênero e programas com vídeos e curtas-metragens nacionais produzidos pela nova geração do cinema fantástico no Brasil.

O RioFan está previsto para acontecer entre os dias 29 de abril e 11 de maio de 2008. O festival tem patrocínio da Caixa.


Neurônios, circuitos, conexões e microeletrodos

O ramo das neurociências que estabelece comunicação entre cérebros e máquinas vai de vento em popa. Poderá quem sabe até, em breve, devolver pernas a quem não pode andar.

É o que me contou Miguel Nicolelis na semana passada, logo antes de sua palestra no Fórum Nobel – no próprio Instituto Karolinska, que concede os prêmios Nobel. Leia notícia no site da revista.

Nicolelis deu também uma entrevista para o programa de rádio Pesquisa Brasil, que a partir de quarta estará disponível aqui.

Descobri também uma fonte fantástica de informações para quem se encantar pelo assunto. Em julho deste ano a conferência “Your brain and yourself”, no Colorado (EUA), reuniu alguns dos maiores neurocientistas do momento. Ainda não investiguei o site, mas ele anuncia ter vídeos, palestras e um livro. Este eu vi, mas por enquanto li só o capítulo do Nicolelis – que é absolutamente fascinante. Estou louca para conferir os outros.

A foto de Nicolelis e sua assistente, especialista em operar o braço mecânico à distância, é de Jim Wallace, da Universidade Duke.

Oceanos alterados

Para começar a falar sobre os mares do planeta, tema da discussão deste mês no roda de ciência, dou a palavra a Kenneth Weiss e Usha McFarling. E arregalo os olhos diante das imagens de Rick Loomis. A aterradora série de reportagens Oceanos alterados, publicada no ano passado pelo Los Angeles Times, valeu à equipe o prestigioso prêmio de jornalismo Pulitzer de 2007. Prêmio para lá de merecido. Dou aqui uma palhinha à guisa de isca. O conjunto é longo mas vale a pena.
Na primeira parte, “Uma maré primordial de toxinas”, uma erva-daninha marítima – na verdade uma bactéria – se espalha com velocidade espantosa e se prende às redes dos pescadores. É a erva-de-fogo, e quem se aproxima sente a pele queimar, os olhos incharem, a garganta fechar-se. Terrível para os pescadores na costa da Austrália e também para pesquisadores que tentam descobrir de onde vem tamanha toxicidade e se expõem aos vapores sufocantes. A erva-de-fogo não é novidade, não surgiu do nada. O que espanta é a densidade que atinge – conseqüência do desequilíbrio ecológico que tem origem no uso dos mares pelo homem. E esse não é, nem de longe, o único exemplo.

Leões-marinhos magros, desorientados e com convulsões têm aparecido nos centros de atendimento de mamíferos marinhos na Califórnia. Muitos morrem, apesar dos esforços dos veterinários. “Sentinelas sob ataque” mostra o que acontece com os predadores maiores depois de comer peixes que se alimentaram de algas tóxicas que proliferaram de maneira anormal. E não são só os leões-marinhos que correm perigo. Também somos predadores do topo da cadeia alimentar.

E não adianta virar vegetariano. A maré periodicamente traz à costa da Flórida uma profusão de peixes mortos e algas tóxicas que atacam o sistema respiratório de quem passa por perto. O jeito é tapar o nariz e trancar-se em casa, como mostra “Marés escuras, ventos nefastos”. E os sintomas não param em falta de ar, tosse e inchaço nos olhos. Há quem sofra também conseqüências neurológicas, como formigamentos e dificuldade em caminhar. Se continuar assim, os paraísos na Terra deixarão de ser à beira-mar.

E se poluição química assusta, o lixo que bóia não assalta só os olhos sensíveis. Em “Praga de plástico sufoca os mares” aves marinhas morrem vítimas do que achavam ser comida. Plástico não desaparece. Cada saco, brinquedo ou garrafa que conquistou os mares nos últimos 50 anos ainda bóia por aí. Em pedacinhos menores, talvez, mas não menos nocivos. Há quem se dedique a limpar mares e praias. O trabalho de Sísifo, que na mitologia grega rolava uma pedra montanha acima, era moleza.

E ainda contamos com os mares para suavizar os efeitos dos gases estufa que soltamos na atmosfera. O oceano de fato absorve gás carbônico, mas há limites. E conseqüências. Uma é o aumento da acidez da água marinha, que chega a corroer as conchas de moluscos – que têm ali sua única morada. É “Um desequilíbrio químico” que está perto de um ponto de quebra devastador. Não só para o próprio oceano. Quando as águas marinhas chegarem ao ponto de liberar gases em vez de absorvê-los, as mudanças climáticas podem atingir força inesperada.

Este texto é parte da discussão de novembro do roda de ciência.
Comentários aqui, por favor.

Amazônia globalizada?

Ouvi dizer que a New York Review of Books, que publica boas resenhas que vão além de resenhar livros, está com todo seu conteúdo gratuito na internete. E com ótimos podcasts, também. Mas não cheguei lá. ao entrar na página deles, dei de cara com a foto ao lado. Trata-se de uma queimada perto de Imperatriz, na Amazônia, para substituir floresta por pastos.

A resenha, por John Terborgh, analisa o livro The Last Forest: The Amazon in the Age of Globalization, de Mark London e Brian Kelly. Para Terborgh, o livro peca por ser superficial – apesar de terem percorrido a Amazônia brasileira para entrevistar caboclos, parece que nenhum dos autores fala português. Não sei como eles fizeram, nem até que ponto essa limitação os impediu de enxergar o que viram.

O resenhista não deve conhecer o Brasil. Descreve o Cerrado como uma campina, em vez de dizer que é uma savana. Mas não impede que diga coisas interessantes. Ele rememora uma vez em que sobrevoou a floresta amazônica, a caminho entre o Peru e Miami. Descreve a massa verde até onde os olhos alcançam, interrompida de repente por uma pista de pouso. Não há transição entre o concreto e a floresta, como se vê noutras paragens.

Não há negociação, portanto, entre urbe e selva. As plantações de soja em zona de Cerrado mostram que basta um pouco de tecnologia para tornar produtiva uma área silvestre. Segundo o livro, a primeira ameaça a segunda com o projeto Avança Brasil. “Se o Avança Brasil for adiante como planejado, ele transformará a região amazônica. Trechos de terra da rodovia Transamazônica serão asfaltados, rios serão dragados e ganharão comportas para permitir o tráfego de balsas, novos portos serão construídos e represas serão construídas para fornecer energia hidrelétrica para novas cidades e indústrias. Melhor acesso proporcionado por estradas precipitarão um frenesi de desmatamento e especulação. A indústria madeireria, agora concentrada ao longo das bordas leste e sul da Amazônia, avançarão para as porções central e ocidental da bacia.”

Quem diz isso é Terborgh. Avança Brasil não aparece no livro, que se limita a dizer vagamente que o desenvolvimento é inevitável na Amazônia. O resenhista concorda que é impossível manter a floresta como ela é, mas defende que ela não será perdida graças às áreas de proteção que existem – que pode chegar, calcula, a 50% da área amazônica. Mas o equilíbrio ali é delicado: pesquisas indicam que o desmatamento causará secas que se estenderão para oeste e o Cerrado entrará Amazônia adentro.

Muito se estuda sobre a Amazônia seu valor não só em biodiversidade mas como moderadora do clima global. The Last Forest, parece, não é uma referência essencial. Não vou poder agora ir atrás de mais, deixo aqui a isca. Quem encara inglês, vale a pena ler a resenha que é bastante longa.

Mosquiteiros salva-vidas

Quer acabar com a malária, doença que na África mata cerca de 1 milhão de pessoas por ano? Distribua mosquiteiros. É o que advoga o economista Jeffrey Sachs.

Parece simples, mas não é bem assim. Uma boa revisão dos prós e contras está na reportagem de Leslie Roberts na edição de 26 de outubro da revista Science e no podcast (este é gratuito, mas requer ouvido treinado para o inglês) do mesmo dia.

Sachs estima que distribuir mosquiteiros para cada quarto na África custaria 60 centavos de dólar por pessoa por ano. São mosquiteiros tratados com inseticida, de maneira que não protegem só quem está debaixo dele. Pousar na rede basta para matar o transmissor da malária, portanto se boa parte das casas de um vilarejo está protegida, o benefício se estende até para quem dorme à mercê dos insetos. O chamado efeito de rebanho, segundo Sachs, poderia significar uma queda de 90% na transmissão da malária no continente.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou a estratégia e recomenda que todos tenham acesso a mosquiteiros, de graça ou a preços reduzidos. Dados recentes mostram, no Quênia, uma queda de 44% na mortalidade por malária após um esforço concentrado de distribuição de mosquiteiros cujo efeito inseticida dura 5 anos.

Maravilha. Mas há quem discorde. Segundo Leslie Roberts, especialistas em malária temem que o investimento maciço em mosquiteiros desvie recursos que seriam direcionados para a pesquisa – desenvolvimento de vacinas, por exemplo, que ainda não existem. Além disso, a distribuição depende de imensas doações. E se os doadores cansarem da benevolência e não houver recursos para substituir ou recauchutar os mosquiteiros gastos? Alguns especialistas afirmam que nesse caso o problema não voltaria à estaca zero: ficaria bem pior. A idéia é que, com alguns anos longe da malária, o sistema imunológico dos africanos perderia o que tem de resistência à doença, e uma reincidência seria muito mais letal do que é hoje.

Além disso, distribuir mosquiteiros para todos os vilarejos e cidades africanos não custa só o preço das redes e do inseticida. Distribuir gasta combustível, gasta tempo de trabalho, depende de logística por vezes complexa. Se realmente funcionar, vale a pena. Senão, são recursos valiosos em regiões tão pobres. Resta muito a discutir.

Nas Américas a situação é melhor do que na África, mas está longe de controlada. A cada ano são registrados 1 milhão de novos casos de malária, segundo a Organização Pan Americana da Saúde (Opas – em espanhol aqui). Dia 6 de novembro, na semana que vem, é o Dia da Malária nas Américas, em que a Opas pretende fazer campanhas de conscientização e buscar parcerias que permitam estratégias de luta contra a malária neste continente. Mas a campanha é ainda tímida: o documento na página da Opas lista eventos só na Guiana, em Honduras e na capital norte-americana, Washington.

Usar mosquiteiros por estas bandas está nos planos da Opas. Seria uma luta integrada contra a dengue também, que este ano atinge níveis sem precedentes (escrevo assediada por mosquitos Aedes aegyptis, transmissores da dengue). Está nos planos, mas não sei se já está sendo feito.

PS. Acabo de ver um artigo na Plos Medicine sobre a uma experiência contra malária em Zanzibar, que inclui redes tratadas com inseticida. Não tive tempo de ler ainda, mas deixo a referência.

PS. Mais uma atualização: o site do Ministério da Saúde anuncia que mosquiteiros tratados estão entrando no Brasil, a começar pelo Acre.

A foto, de uma família protegida por uma rede tratada, eu peguei na página da OMS.

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