Tecnologias convergentes e a construção do novo homem

Os genes vão ficar em segundo plano na palestra de terça-feira (01/04) que dá seqüência à programação cultural paralela à exposição Revolução Genômica, em cartaz no Pavilhão Armando de Arruda Pereira (a antiga sede do Prodam), no Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo.

Às 17h, Esper Abrão Cavalheiro, 58 anos, professor titular de neurologia experimental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), fala sobre o tema “Tecnologias convergentes e a construção do novo homem”. A entrada para a palestra, que ocorre no auditório do pavilhão da mostra, é gratuita. Recomenda-se fazer reserva para a apresentação por meio do site (clique no item “Atividades Culturais” e escolha o evento desejado). A programação cultural da mostra está a cargo da revista Pesquisa FAPESP.

As chamadas tecnologias convergentes, um conceito formalmente forjado neste século 21, formam uma vasta área de interação da pesquisa em nanotecnologia, biotecnologia, tecnologia da informação e ciência cognitiva com potencial para alterar profundamente os mais variados aspectos da vida do ser humano no futuro próximo. Da junção de conhecimentos dessas disciplinas científicas, pode surgir um cenário que, em alguns casos, beira a ficção cientítica. Setores totalmente distintos, como a defesa militar, a saúde e o próprio limite físico do homem, poderão sofrer alterações radicais com a ascensão das tecnologias convergentes.

Ex-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e atual assessor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Cavalheiro no momento se dedica a fomentar o debate na sociedade brasileira sobre o impacto potencial das tecnologias convergentes. O neurocientista não quer que o país se mantenha à margem das discussões sobre a nova área.

Os genes na evolução humana e nas doenças do coração

Neste fim de semana, a programação cultural paralela à exposição Revolução Genômica traz um dos principais cientistas do mundo na área de genética de populações e de evolução – o norte-americano Alan Templeton, da Universidade Washington, em Saint Louis, Missouri.

Às 15h de sábado (29/03), o pesquisador fala sobre o tema “A evolução humana nos últimos 2 milhões de anos: genes”.

Às 11h do domingo (30/03), a apresentação aborda o assunto “Usando abiologia evolutiva para estudar doenças arteriais coronarianas”.

Após a apresentação dominical, haverá exibição do filme O Enigma de Andrômeda, de Robert Wise, um clássico da ficçãocientífica de 1971.

Com fama de provocador e amante dos embates científicos, Templeton costuma questionar em seus trabalhos, muitos de caráter multidisciplinar, conceitos evolutivos tidos como consagrados. Seus estudos envolvem a aplicação de estatísticas e técnicas de genética molecular e de populações emvários tipos de problemas evolutivos, tanto em áreas básicas como aplicadas. Usa, por exemplo, a abordagem evolutiva em trabalhos de genética clínica, para estudar doenças coronárias (tema dasegunda palestra) ou o desenvolvimento do vírus da Aids em pacientes infectados pelo HIV.

A área de conservação biológica também é alvo de seus estudos de genética evolutiva. Seu principal foco de interesse é o impacto causado por queimadas em florestas manejadas na estrutura genéticadas populações que habitam essas áreas, como as do lagarto Crotaphytus collaris collaris.

Templeton, que foi por um breve período professor visitante na Universidade de São Paulo (USP) no ano de 1976, também se debruça sobre temas básicos da biologia, como o conceito de espécies e a evolução humana recente.

Filme – No domingo, após a segunda palestra de Templeton, haverá a exibição da fita “O Enigma de Andrômeda”, de Robert Wise, um clássico da ficção científica de 1971. Baseada no bestseller homônimo do escritor Michael Crichton, a produção norte-americana conta a história de uma pequena cidade infectada por uma bactéria fatal e misteriosa trazida à Terra pela queda de um satélite espacial. Com duração de 131 minutos, o filme mostra a luta dos cientistas para encontrar a cura dessa estranha enfermidade.

Onde: Pavilhão Armando de Arruda Pereira (a antiga sede do Prodam), em frente ao planetário, noParque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo.

A entrada para os eventos, organizados pela revista Pesquisa FAPESP, é gratuita. Recomenda-se fazer inscrição para as palestras no site www.revolucaogenomica.com.br (em “Atividades Culturais”).

Genes e cérebro

Chegar ao parque do Ibirapuera numa terça às 17 h não é para qualquer um. Mas se não for de todo impossível, amanhã vale a pena.

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis apresentará a palestra Genes, circuitos e comportamentos: navegando na fronteira da neurociência (veja cartaz na postagem abaixo), dentro da programação cultural da exposição Revolução Genômica.

Já escrevi sobre o trabalho do Nicolelis aqui. Ele conseguiu avanços importantes em neurociências ao desvendar algo da linguagem usada pelo cérebro. Suficiente, em alguns casos, para tornar possível a comunicação entre cérebro e máquina. O grande objetivo é tornar realidade próteses robóticas que devolvam movimento a acidentados.

Ele também está desenvolvendo a neurociência e o ensino de ciências no Nordeste, a começar pelo Rio Grande do Norte – onde fundou o Instituto Internacional de Neurociências em Natal – Edmond e Lily Safra.

Não sei o que ele tem a dizer sobre genes, mas amanhã passarei a saber.

Prêmio Nobel na Revolução Genômica

O próximo fim de semana tem programação animada na exposição Revolução Genômica.

Veja cartaz ao lado, e também aqui.

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