Corações partidos no parque

Os casais que, à beira do lago do parque do Ibirapuera, não contemplam as águas nem as garças nem os pavões – porque só têm olhos um pro outro, não precisam se preocupar.

Os corações partidos – e como consertá-los – estarão no auditório improvisado junto à exposição Revolução Genômica. Às 11 da manhã do domingo (29 de junho) José Eduardo Krieger, especialista em hipertensão da Faculdade de Medicina da USP, apresentará a palestra “Genômica, saúde e reparação cardíaca utilizando células-tronco”.

As palestras são gratuitas no pavilhão Armando de Arruda Pereira, que faz parte da marquise do Ibirapuera. Veja mais aqui.

Imagem daqui.

Blogues em português – pra quê?

A internet cada vez mais transborda de informação. Há quem tenha opinião sobre tudo, que explique tudo, exponha fatos sobre tudo. Tal enchente acaba tornando mais difícil pesquisar.

Com a limitação de tempo que impede a maior parte das pessoas de acompanhar os desdobramentos de discussões e assuntos – virtuais ou reais – neste mar virtual, às vezes me parece que quem se aventura a escrever está fadado a falar sozinho. É um pouco o que tem acontecido na roda de ciência.

Fiquei pensando. Qual é a importância de existir uma blogosfera científica em português? Respondo no que me diz respeito: é um ponto de encontro. Muitos pontos de encontro. Para quem ganha o pão de cada dia divulgando ciência, é precioso.

No ciência em dia encontro um colega mais experiente, com quem aprendo tanto concordando como discordando. Encontro também seus visitantes, alguns deles pesquisadores de destaque. Lá conheci o geneticista Marcelo Nóbrega, da Universidade de Chicago, e o físico Osame Kinouchi, da USP de Ribeirão Preto, que (esporadicamente) mantém o blogue Semciência e entra na roda.

No Ecce Medicus encontro um médico que gosta de pensar e discutir ciência e prática médica, sempre alerta a idéias e artigos interessantes.

No Brontossauros em meu jardim encontro o biólogo Carlos Hotta, que por enquanto resiste à minha curiosidade de saber mais sobre o que ele faz durante a semana mas não perco as esperanças.

E por aí vai. Não vou puxar o saco de todo mundo, só umas pinceladinhas para pôr aqui um pouco da diversidade que me encanta e me ajuda no meu trabalho. Fico curiosa para saber o que cada um encontra na sua blogosfera particular.

Isto é parte da discussão atual no roda de ciência.
Comentários, por favor, aqui.

Tirei a bela foto daqui.

Operação grou

O que os ultraleves fazem no meio da passarada? São grous-americanos, a maior (em estatura) ave dos Estados Unidos. E mais ameaçada de extinção.

Vi ontem num vídeo da National Geographic que achei sensacional (“Operation migration”, de 19 de maio).

A turma da “Operation migration” (de onde tirei a foto) se veste nuns sacões brancos para não deixar as aves muito à vontade entre humanos. Eles reproduzem os grous em cativeiro e treinam os bichos a seguir umas reproduções de cabeça de grou que levam como prolongamento do braço.

O problema aparece no inverno, porque os grous do projeto não sabem o caminho para a Flórida. A estranha figura branca disforme que sacode uma cabeça de grou entra então num ultraleve e levanta vôo. Os grous seguem. Depois de uns vôos de treino, rumam para a Flórida. No começo é uma turma desorganizada, mas aos poucos as aves aprendem a usar as correntes de ar quente e o vácuo deixado pelo companheiro motorizado e entram em formação – um V com o ultraleve no vértice.

Uma vez na Flórida sabem voltar para o Wisconsin no final do inverno – e no ano seguinte poderão ensinar o caminho à próxima geração. O projeto já estabeleceu uma população de 600 aves no Wisconsin, onde estavam extintas. A um custo de 100 mil dólares por ave, contando tempo, esforço e doações.

Para quem lamenta ter perdido a palestra do Emilio Moran no sábado – ou viu e quer mais -, outra chance. Hoje às 19h ele vai falar sobre o livro que está lançando, Nós e a natureza (Editora Senac).

Antropólogo com formação em ambiente, ele tem um imenso conhecimento sobre a Amazônia e sobre a relação das pessoas com o meio ambiente de maneira geral, promete ser interessante. Leia mais aqui.

Leia aqui também uma entrevista com ele que a Pesquisa Fapesp publicou há dois anos.

A palestra/lançamento será em São Paulo, na livraria Cultura da avenida Paulista, no Conjunto Nacional – hoje às 19 horas.

Amazônia e arroz no parque

Dois convidados internacionais fazem palestras no próximo fim de semana dentro da programação cultural da exposição Revolução Genômica.

Às 15h do sábado (21/06), o antropólogo cubano naturalizado norte-americano Emilio Moran, da Universidade de Indiana (EUA), fala sobre “Expansão internacional da antropologia ambiental: experiências na Amazônia”.

Às 11h do domingo (22/06), a bióloga norte-americana Robin Buell, da Universidade Estadual de Michigan (EUA), aborda o tema “Arroz: um exemplo de como a genômica pode mudar as abordagens da ciência”.

As duas palestras são gratuitas e ocorrem no auditório anexo ao Pavilhão Armando de Arruda Pereira, antiga sede da Prodam, no Parque do Ibirapuera (portão 10), em São Paulo, onde está em cartaz a exposição científica. A programação cultural da mostra Revolução Genômica está a cargo da revista Pesquisa FAPESP.

Professor de antropologia e diretor do Centro Antropológico para Treinamento e Pesquisa em Mudanças Ambientais Globais da Universidade de Indiana, Emilio Moran foi um dos primeiros pesquisadores a lançar um olhar de cientista social sobre o debate do aquecimento global, por muito tempo confinado ao âmbito da meteorologia. Estudioso do Brasil, é autor de vários livros sobre a Amazônia e o impacto das mudanças ambientais. Participa também do Experimento do LBA, o maior projeto de pesquisa internacional sobre a floresta tropical.

Pesquisadora do departamento de biologia vegetal da Universidade Estadual de Michigan, Robin Buell estuda aspectos genômicos da biologia vegetal e dos patógenos que atacam as plantas. Com grande conhecimento em bioinformática, teve participação fundamental nos trabalhos de montagem e de anotação do genoma de duas importantes culturas agrícolas, o arroz e a batata. O genoma do arroz é considerado como modelo para o estudo do DNA de outros cereais.

Ciência sem roda

O João Carlos acaba de pôr a roda de ciência de volta em movimento. Fica aqui o aviso e minha torcida de que ela não acabe como esse moinho português.

Milho e memes

Andei lendo as reflexões recentes do Jean-Claude Bernardet sobre o livro O dilema do onívoro, de Michael Pollan. Para quem gosta de pensar, vale a pena matutar sobre como o milho acabou por nos domesticar, o que isso tem a ver com as idéias do filósofo Edgar Morin e com os memes de Richard Dawkins.

Roda viva na rede

Vale a pena conferir “Memória Roda Viva”, um projeto conjunto entre Fundação Padre Anchieta, Fapesp, Labjor e Nepp (Unicamp).

No site já estão algumas das entrevistas feitas no programa da TV Cultura, mas o plano é que todas estejam armazenadas ali: vídeo, fotos e transcrição incrementada com informações adicionais sobre certos verbetes.

A idéia é que seja um instrumento de pesquisa valioso em cima de um arquivo que detém preciosidades do pensamento contemporâneo.

Dançarinos emplumados

Graças ao biólogo Mercival Francisco, da Universidade Federal de São Carlos em Sorocaba, e seu aluno Juninho, pude me meter no mato atrás dos discretos e esplêndidos tangarás-dançarinos.

Durante o doutorado me encantei com outra espécie de tangará, que minha amiga e colega Emily estudava no Panamá. Foram muitos os cafés que tomamos em que ela me relatava as coreografias dos passarinhos, muitas visitas à sala dela em que admirei fotos e vídeos.

Estes daqui dançam com mais espetáculo – até oito machos coordenados para atrair uma fêmea. Mas têm uma deficiência, a meu ver: os panamenhos têm pernas cor-de-laranja que acho um luxo.

Na viagem ao Parque Estadual Carlos Botelho (que vale a visita, muitos bichos numa bela mata) em busca de fotografar a dança dos tangarás, eles nos driblaram. Enquanto esse macho da foto comia perto de mim (para me distrair?), eu ouvia a vocalização típica da dança acontecendo ali perto. Não consegui ver.

Mas se quiser ver o bichinho de frente, mais o texto completo que está na edição de Pesquisa Fapesp agora nas bancas, e mais um vídeo da dança, olhe aqui.

Mistério dos morcegos

Foto de Alan Hicks, do Departamento de Conservação Ambiental de Nova York

Imagine entrar numa caverna e, além de ver morcegos pendurados nas reentrâncias do teto, ter que tomar cuidado para não pisar nos inúmeros cadáveres dos pequenos mamíferos voadores. É o que tem acontecido no leste dos Estados Unidos.

Não é novo, mas é das coisas que há meses ando com vontade de comentar. E o mistério continua. Duas espécies de morcegos do gênero Myotis têm morrido às pencas, sempre com focinho e asas polvilhados por um fungo branco. A doença foi por isso batizada de “síndrome do nariz branco” (White Nose Syndrome).

Na semana passada pesquisadores de vários lugares se reuniram em Albany, no estado de Nova York, para juntar dados e mentes. Não sei se chegaram a algo, mas até agora o que ouvi é que eles não sabem o que está causando a mortalidade. O fungo está lá, mas parece haver um consenso de que ele é uma infecção secundária, não a causa do problema.

Bactéria, vírus… uma coisa em comum entre os morcegos que morrem é que estão todos abaixo do peso. Uma hipótese é que eles – por algum motivo desconhecido – não conseguem engordar que chegue antes da hibernação. Aí começam a hibernar já meio magrinhos e, depois de uns meses inertes sem comer, ficam suscetíveis a qualquer infecção. E nunca chegam a acordar para ver a primavera.

Algumas explicações aventadas são: eles não estão se alimentando que chegue, talvez por alterações na composição vegetal do ambiente (plantações) ou porque pesticidas estão matando os insetos que eles comeriam (plantações outra vez); ou estão acordando no meio do período de hibernação (oscilações na temperatura?) e com isso perdem energia preciosa. São possibilidades graves que remetem ao desequilíbrio ecológico causado por atividades humanas.

Lembra o que vem acontecendo com as abelhas, outro mistério ainda no ar que aponta para desequilíbrio ambiental em vários níveis. Escrevi sobre isso há quase um ano na Pesquisa Fapesp.

Mais informações (em inglês) sobre os morcegos no site da sociedade espeleológica norte-americana.

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