Dançarinos emplumados

Graças ao biólogo Mercival Francisco, da Universidade Federal de São Carlos em Sorocaba, e seu aluno Juninho, pude me meter no mato atrás dos discretos e esplêndidos tangarás-dançarinos.

Durante o doutorado me encantei com outra espécie de tangará, que minha amiga e colega Emily estudava no Panamá. Foram muitos os cafés que tomamos em que ela me relatava as coreografias dos passarinhos, muitas visitas à sala dela em que admirei fotos e vídeos.

Estes daqui dançam com mais espetáculo – até oito machos coordenados para atrair uma fêmea. Mas têm uma deficiência, a meu ver: os panamenhos têm pernas cor-de-laranja que acho um luxo.

Na viagem ao Parque Estadual Carlos Botelho (que vale a visita, muitos bichos numa bela mata) em busca de fotografar a dança dos tangarás, eles nos driblaram. Enquanto esse macho da foto comia perto de mim (para me distrair?), eu ouvia a vocalização típica da dança acontecendo ali perto. Não consegui ver.

Mas se quiser ver o bichinho de frente, mais o texto completo que está na edição de Pesquisa Fapesp agora nas bancas, e mais um vídeo da dança, olhe aqui.

Discussão - 3 comentários

  1. João Carlos disse:

    Muito interessante a “dança” dos tangarás!… No artigo que acompanha o vídeo, vem a inevitável pergunta: “e o que os ‘figurantes’ ganham com isso?”Isso me lembrou um outro tipo de animal, o lobo (mais exatamente as lobas) que têm uma particularidade: só a fêmea “alfa” tem direito a parir ninhadas. Mas todas as lobas são extremamente “maternais” com os filhotes.São essas “sofisticações” no comportamento de espécies com “inteligência” muito limitada que me levam a pensar que superestimamos demais nosso “discernimento humano”…

  2. Maria Guimarães disse:

    pois é, foi exatamente esse o tema que motivou meu doutorado. li muito sobre o assunto, agora peno pra me manter mais ou menos a par dos avanços. o essencial é que não se trata aí de inteligência, mas de evolução. muito do que acontece nessas sociedades não é voluntário – mais para instintivo. e pesquisadores penam para explicar quais são os mecanismos que regulam comportamentos complexos.quando não há espaço para todos se reproduzirem, por um ou outro motivo, a seleção natural cria mecanismos para restringir a reprodução. e quando a mãe não basta para cuidar dos filhotes, as espécies onde não evoluiu alguma forma de socialidade acabaram extintas.

  3. João Carlos disse:

    quando não há espaço para todos se reproduzirem, por um ou outro motivo, a seleção natural cria mecanismos para restringir a reprodução.É exatamente isso que me assusta quanto à espécie humana!… Nenhum outro animal trata doenças (os com alguma imunidade natural sobrevivem, ou a espécie se extingue…) Nenhum outro “leva consigo seu ambiente” (ou se adapta, como os pingüins das Galápagos, ou… É perfeitamente possível encontrar “rituais” como esses dos animais nas culturas humanas primitivas. Mas a sociedade dos telefones celulares e ar condicionado se transformou até mesmo em uma ameaça aos humanos que ainda vivem na “idade da pedra” (vide as tribos isoladas na Amazônia que causaram tanto sucesso na mídia…)Quem sabe o Rogério não teria uma boa explicação psicanalítica para nos mostrar onde nosso comportamento “sofisticado” não passa de “racionalização” para algo puramente instintivo?… 😀

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