Sem pernas

A foto ao lado é de uma cena triste da corrida dos 3 mil metros com barreiras, hoje nas olimpíadas de Pequim. No final da prova a espanhola Marta Domínguez deu um pique muito forte em busca do pódio mas acabou tropeçando numa barreira. Um mico olímpico, segundo o site globo esporte (onde achei a foto rotulada).

O que me impressionou foi que, quando ela tentou se levantar, as pernas não obedeciam. Mesmo com ajuda, num primeiro momento ela não tinha como ficar de pé e caminhar. E não parecia cansaço, os músculos simplesmente pareciam contrair e relaxar independente da vontade da atleta.

Não tenho como saber se foi o caso, mas me lembrou a matéria que escrevi para a edição de agosto (agora nas bancas) da Pesquisa Fapesp. Se trata da pesquisa do pneumologista da Unifesp Alberto Neder, que vem mostrando o que acontece quando pulmões e pernas competem por oxigênio.

Frenesi de Marte

Nasa

Acho um pouco assustadora toda a especulação que circula quanto aos achados em Marte. É interessante saber se há vida por lá, ou possibilidade dela. Seria um prato cheio para evolucionistas, analisar como é uma vida surgida independentemente da que temos por aqui. Seria como voltar a fita da evolução, como dizia o Stephen Jay Gould acho que no Vida maravilhosa.

Mas às vezes parece que as expectativas são outras, como se fôssemos ver marcianos brincando de esconde-esconde com a sonda fênix. Na semana retrasada a Nasa anunciou que encontrou sais chamados percloratos, que podem ter efeito oxidativo – ou seja, destruir certas moléculas – ou possibilitar vida por ser fonte de oxigênio. Dizia o comunicado que os cientistas ainda não sabiam se o achado era positivo ou negativo para a possibilidade de vida em Marte. Isso se a amostra analisada fosse representativa do resto do planeta.

A Nasa fez a opção, dizem eles, de mostrar ao público a ciência em ação. Assim, afirmam que noticiam logo todas as descobertas feitas, antes mesmo de serem de fato estudadas. Comunicados e fotos aparecem periodicamente no site deles.

Eis que leio uma matéria por aí dizendo que os cientistas da Nasa afirmam que o perclorato é muito promissor para que se encontre vida em Marte, ou algo que o valha. E que bactérias terráqueas que resistem até a explosões nucleares devem existir em Marte. Essas bactérias sugerem que a vida seria possível nas condições que existem em Marte, mas isso não quer dizer que elas estejam lá. O que quer que haja lá surgiu independentemente do que há aqui e não há indícios de que seria parecido. A não ser que tenha ido de carona na fênix.

Tentei baixar um pouco a bola da histeria marciana no programa “Pesquisa Brasil” da semana passada.

Mais podcast


Custou muita insistência, mas agora é possível assinar o programa de rádio “Pesquisa Brasil”, parceria entre a revista Pesquisa Fapesp e a rádio Eldorado, como podcast.

O programa passa todo sábado às 11 da manhã (e de vez em quando estou eu lá fazendo comentários), e no início da semana vai para o site da revista, onde é possível ouvi-lo. Programas antigos estão também arquivados.

Se você usa itunes ou similar, basta colar o url do rss na janelinha onde se assina podcasts.

Novo tema no roda de ciência

Um novo tema está em votação no blogue “roda de ciência“. Para quem não conhece: é um ponto de encontro bloguístico onde participantes escrevem sobre um mesmo tema a cada mês – e discutem.

A discussão está aberta para quem se interessar sobre o tema, passe lá e palpite! O blogue está também de portas abertas para novos participantes, basta dizer.

Participante ou não, passe lá e vote no próximo tema.

Pelos bares da Malásia

Com esses olhos alertas, as tupaias da Malásia, da espécie Ptilocercus lowii (foto ao lado, de Annette Zitzmann – co-autora do trabalho), enganam. Não só são notívagas, como beberronas. Passam em média 138 minutos por noite lambendo as flores da palmeira Eigeissona tristis. O sistema de produção de néctar e pólen dessas plantas é peculiar – o néctar abundante passa um bom tempo fermentando e chega a um teor alcóolico de 3,8% – o mais alto já encontrado na natureza, semelhante a algumas cervejas. Em entrevista para o podcast “Science in action“, da BBC, o coordenador da pesquisa Frank Wiens, da universidade alemã de Bayreuth, disse que a quantidade de néctar que as tupaias consomem é como se uma pessoa tomasse 8 taças de vinho por noite!

Apesar de consumirem uma grande quantidade de álcool para suas 50 gramas de corpo, as tupaias não saem trocando pernas (veja vídeo). E não são as únicas. O grupo de pesquisadores sentiu o cheiro familiar de uma cervejaria perto da planta e observou ao todo sete espécies de mamíferos que se refestelam com o festim etílico da palmeira – mas poucos tão boêmios quanto a tupaia. Outra espécie que se destaca é o lóris-lento (Nycticebus coucang, foto abaixo, daqui), que restringe suas noitadas no bar a 86 minutos em média. Talvez a lentidão que lhe dá nome seja cautela, para não dar bandeira (vídeo aqui). O artigo foi publicado na semana passada na revista PNAS, da Academia de Ciências dos Estados Unidos.

O assunto andou nas notícias e não me chamou a atenção só pela simpatia de bichos bebuns em tempos de lei seca. Também deixou de cabelos em pé esta que já foi estudiosa de mamíferos e mantém a preferência. As tupaias, também conhecidas como musaranhos-arborícolas, apareceram pela mídia como roedores. Não posso me furtar ao protesto: estão muito longe de roedores!

Para não deixar dúvidas, ponho aqui uma filogenia dos mamíferos, abaixo (do Tree of Life) – observe como uma árvore genealógica. As tupaias, que aparecem como “Scandentia”, são na verdade mais aparentadas aos primatas do que aos roedores (“Rodentia”). Os lórises são prossímios, incluídos no ramo dos primatas junto com os lêmures. A confusão não vem só da nossa ignorância dessa fauna do sul e sudeste da Ásia: na Malásia, a palavra tupai indica tanto esquilos (esses sim roedores) como tupaias. Outra confusão surge do termo “musaranho-arborícola”. Musaranhos propriamente ditos também não têm muito a ver com as tupaias (aparecem como “Insectivora” na árvore).



É exatamemente por serem quase primatas que o alcoolismo das tupaias é interessante. O próximo passo é entender em detalhes o que na fisiologia delas – e dos lórises lhes permite ingerir tanto álcool sem sofrer as conseqüências motoras – sem falar em ressacas. O interesse maior dos pesquisadores é mesmo compreender a evolução desse aspecto da fisiologia, e porque nós ficamos alegres com uma fração do álcool que as tupaias encaram sem achar que é mais do que uma refeição. Mas pode até, quem sabe, vir a ser útil para tratar dependência alcóolica.

Semana da amamentação – blogagem coletiva

Quando, semana passada, comentei um artigo que falava de amamentação, não sabia que a Semana Mundial da Amamentação estava próxima. Começa hoje.

Fiquei sabendo ao abrir a Folha de S.Paulo hoje de manhã e ver que no Brasil, as crianças ganham amamentação exclusiva por dois meses em média. Os dados estão no relatório da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS), promovido em 2006 pelo Ministério da Saúde, que promove esta semana uma campanha pela amamentação.

Dois meses é pouco. A Organização Mundial da Saúde recomenda que nos primeiros seis meses de vida o leite materno seja a única fonte de amamentação. A partir daí começam as papinhas, mas o ideal é manter alguma amamentação até os dois anos de idade. Haja peito…

Além das vantagens de saúde, ouvi recentemente que bebês amamentados têm paladar mais diverso. Foi no meu podcast favorito, The naked scientists. Um estudo na Dinamarca (veja aqui) demonstrou que sabores do que a mãe come realmente passam para o leite. Isso pode ter grande influência em aumentar o repertório do paladar do bebê. Parece que crianças restritas a leite industrializado mais tarde se tornam mais frescas para comer…

Agora fiquei sabendo, pelo “uma malla pelo mundo“, que o blogue “síndrome de estocolmo” está promovendo hoje uma blogagem coletiva sobre amamentação. Fica aqui a referência.

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