Fotografias do ano

Aceitei a proposta do Carlos Hotta e fui à página do Wildlife Photographer of the Year pra escolher minhas favoritas. Aqui vão.

Quem vai comer quem, a cobra ou a perereca? O embate aconteceu numa floresta em Belize, e quem desistiu primeiro foi o fotógrafo David Maitland, do Reino Unido.

Olhem o penteado desse amigo do fotógrafo italiano Stefano Unterthiner! Ele vive na ilha de Sulawesi, na Indonésia.

Mais um campeão do penteado. O espanhol Ramon Navarro teve que usar artifícios para fotografar de longe. Essas aves exibidas costumam escolher bem o seu alvo de sedução. E não costuma ser fotógrafos…

Adoro corujas-buraqueiras! Ficam olhando com toda a atenção, prontas pra defender seu ninho. Quando eu morava em Rio Claro, eu e o cão Marley tomávamos muitos rasantes desses bichos, que nessas horas faziam de tudo para não ser simpáticos. Esta foi fotografada em Florianópolis por Adriano Ebenriter.

Sou louca por uma boa selva urbana. Londres foi aqui flagrada surgindo das nuvens por Piers Calvert, de máquina em punho enquanto o avião se preparava para encontrar seu caminho em meio à neblina.

O tempo vivido e o tempo da sala de aula

Palestras de 1º. de novembro (15h) exploram as idéias de Einstein na Filosofia e na Educação

“De Galileu a Einstein: do tempo da física ao tempo vivido”, Pablo Rubén Mariconda, filósofo e professor da USP

Mariconda mostrará as ligações de Galileu Galilei e Albert Einstein em torno de três aspectos: a questão do tempo físico e da organização espaço-temporal dos eventos naturais; a idéia de relatividade e a caracterização físico-matemática do movimento; a finitude do movimento da luz e a infinitude do Universo. Essas três características no pensamento de Galileu convergem para a concepção relativista de Einstein. Mariconda falará também sobre a aceleração do tempo cultural e suas relações com o tempo da física e com o tempo psicológico (ou vivido).

“É possível produzir um Einstein? Algumas reflexões sobre Einstein e a Educação”, Antônio Augusto Videira, filósofo, pesquisador do CBPF e professor da UERJ

Videira discutirá as idéias de Einstein sobre educação de jovens e crianças – muitas delas opostas ao pensamento dominante – e as possibilidades de educação e formação dos físicos atualmente. Ao longo da apresentação, ele antecipa, “procurarei refletir sobre a seguinte pergunta: poderiam as idéias de Einstein ser aplicadas com sucesso em nosso tempo?”

Entrada gratuita,

Pavilhão Armando de Arruda Pereira – antigo prédio da PRODAM (ao lado da exposição “Einstein”)

Parque do Ibirapuera – Portão 10

Av. Pedro Alvares Cabral, s/nº

Ciência é ficção?

“A imaginação é mais importante que o conhecimento” disse Albert Einstein.

Fiquei pensando nisso quando ouvi uma entrevista (em inglês) com os criadores da nova ópera “Doctor Atomic“, que está em cartaz em Nova York. Trata realmente da confecção da bomba atômica, o personagem principal é o Robert Oppenheimer.

Quando perguntaram à diretora da ópera, Penny Woolcock, como era fazer um espetáculo sobre ciência – ela que não tem conhecimentos na área, ela respondeu o seguinte. Ela aprendeu o que precisava sobre ciência porque um ex-sogro dela é Nobel de química. Convivendo com ele, ela descobriu que a ciência na verdade não é muito diferente da arte. As grandes descobertas são inspiração, dependem sobretudo de criatividade. No início. Depois tem muito trabalho para verificar se é isso mesmo.

Me senti um pouco redimida, quando eu estava no doutorado um dia concluí que querer ser cientista por motivos poéticos não podia ser lícito.

O Luís Fernando Veríssimo escreveu lindamente (e divertidamente) a mesma coisa que a Penny disse, vejam.


Encontros e Desencontros (Zero Hora, 18/03/2007)

Einstein morreu e, assim que chegou ao céu, Deus mandou chamá-lo.

– Einstein! – exclamou Deus, quando o viu.
– Todo-Poderoso! – exclamou Einstein, já que estavam usando sobrenomes. E continuou: – Você está muito bem para uma projeção antropomórfica do monoteísmo judaico-cristão.
– Obrigado. Você também está com ótimo aspecto.
– Para um morto, você quer dizer.
– Eu tinha muita curiosidade em conhecê-lo – diz Deus.
– É mesmo?
– Juro por Mim. Há anos que espero esta chance.
– Puxa…
– Não é confete, não. É que tem uma coisa que Eu queria lhe perguntar..
– Pergunte.
– Tudo que você descobriu foi por estudo e observação, certo?
– Bem…
– Quer dizer, foi preciso que Eu criasse um Copérnico, depois um Newton, etc., para que houvesse um Einstein. Tudo numa progressão natural.
– Claro.
– E você chegou às suas conclusões estudando o que os outros tinham descoberto e fazendo suas próprias observações de fenômenos naturais. Desvendando os meus enigmas.
– Aliás, parabéns, hein? Não foi fácil. Tive que suar o cardigan.
– Obrigado. A gente faz o que pode. Mas a teoria geral da relatividade…
– Sim?
– Você tirou do nada.
– Bem, eu…
– Não me venha com modéstia – interrompeu Deus. – Você já está no céu, não precisa mais fingir. Você não chegou à teoria geral da relatividade por observação e dedução. Você a bolou. Foi uma sacada, é ou não é?
– É.
– Maldição! – gritou Deus.
– O que é isso, Todo-Poderoso?
– Não se escapa da metafísica. Sempre se chega a um ponto em que não há outra explicação. Eu não agüento isso!

– Mas…
– Eu não agüento a metafísica!

Einstein tentou acalmar Deus.
– A minha teoria ainda não está cem por cento provada.
– Mas ela está certa. Eu sei. Fui Eu que criei tudo isto.
– Pois então? Você fez muito mais do que eu.
– Não tente me consolar, Einstein.
– Você também criou do nada.
– Eu sei! Você não entendeu? Eu sou Deus. Eu sou a minha própria explicação. Mas você não tem desculpa. Com você foi metafísica mesmo.
– Desculpe, eu…
– Tudo bem, tudo bem. Pode ir.
– Tem certeza que não quer que eu…
– Não. Pode ir. Eu me recupero. Vai, vai.

Quando Einstein saiu, viu que Deus se dirigia ao armário de bebidas.

Luis Fernando Veríssimo

(tirei daqui)

A foto (pequena, pena…) é do dream science circus

Isto é parte da discussão em curso no roda de ciência.
Comentários aqui, por favor

Reciclagem da vida

O tema do Congresso de Genética este ano foi evo-devo, a junção entre evolução e desenvolvimento embrionário. É uma área fascinante que tenta entender como a natureza constrói as formas mais diversas a partir dos mesmos elementos.

Aproveitei para ver um monte de palestras e montar uma matéria, leia aqui. Se quiser mais, tem também o ótimo texto (em inglês) do PZ Myers na Seed.

Tirei o dinossauro de Lego daqui.

Sábado com Einstein, o político

Palestras da série Einstein no dia 25, às 15 h, aproximarão Relatividade, índios sul-americanos e direitos civis

“Pluralismo e relativismo nas sociedades humanas: o impacto das idéias de Einstein”
Mauro William Barbosa de Almeida, antropólogo e professor da Unicamp, mostrará como as idéias de Einstein tiveram um impacto profundo não só na Física e na Filosofia do século XX, mas também no modo de ver a diversidade social do mundo moderno. Segundo Almeida, a substituição de um espaço e de um tempo absoluto por uma pluralidade de espaços e de tempos relativos a distintos observadores serviu de inspiração para antropólogos que descreveram muitos modos de ver e viver o tempo e o espaço em sociedades não-ocidentais. O relativismo cultural de antropólogos, porém, como Almeida comentará em sua apresentação, costuma esquecer um aspecto essencial da relatividade em Einstein: o fato de que sob a diversidade de tempos e espaços de observadores distintos perpassa a unidade profunda das leis da natureza. Almeida apresentará essas idéias com exemplos como o perspectivismo dos índios sul-americanos, que relativizam a oposição entre seres humanos e animais selvagens.

“O dossiê Einstein no FBI: a documentação de sua luta pelos direitos civis”
Olival Freire, historiador da ciência e professor da UFBa que em 2005 escreveu que “a imagem pública de Einstein fica incompleta sem sua atividade política”, falará do cientista que criou a Teoria da Relatividade, enviou uma carta em 1914 ao presidente Roosevelt defendendo a construção da bomba pelos Estados Unidos, manifestou-se contra a discriminação racial nos Estados Unidos e apoiou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.

Segundo Fim de Semana com Einstein

A revista Pesquisa FAPESP e o Instituto Sangari organizam uma série de palestras e debates complementares à exposição Einstein, que segue até o dia 14 de dezembro no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Em linguagem simples, acessível a um público amplo, físicos e especialistas de outras áreas – cinema, sociologia, filosofia, neurologia e história da ciência, entre outras – vão falar sobre as idéias de Albert Einstein e suas implicações em outros campos, no auditório que integra a exposição.
Entrada gratuita.

Sábado, 18 de outubro, 15h
“Espaço, tempo e éter na teoria da relatividade”, Roberto Martins, físico, historiador da ciência e professor da Unicamp.
Roberto Martins falará sobre as diferenças entre os conceitos de espaço e tempo absolutos, sua relação com a concepção de um éter que preencheria todo o espaço, as mudanças ocorridas nos conceitos de espaço e tempo na teoria da relatividade especial, a postura de Einstein frente ao éter na fase da teoria da relatividade especial, depois sua mudança de atitude, quando foi criada a relatividade geral, e seu retorno ao éter em 1920.

Domingo, 19 de outubro, 11 horas
“A preparação de Einstein para o seu ano miraculoso”, Carlos Alberto dos Santos, físico, professor da UFRGS e colunista de Ciência Hoje Online
Carlos Alberto dos Santos mostrará o longo caminho que Einstein percorreu para chegar ao seu Ano Miraculoso (1905), quando publicou artigos científicos que mudariam a física. Não foi obra de uma genialidade momentânea, mas de uma trajetória intelectual que começou aos 4 ou 5 anos quando o menino Albert admira o comportamento de uma bússola – aos 12, demonstra, sozinho, o Teorema de Pitágoras.

No centro do universo

Em Panorama visto do centro do universo, o cosmólogo Joel Primack e a escritora e filósofa de ciência Nancy Abrams chamam atenção para a posição do ser humano no cosmos. Estamos no meio dele, na metade do tempo de vida do universo e somos feitos do material mais raro que há: poeira de estrelas.

O texto acessível e acolhedor conduz o leitor pelos confins e pela história do Universo, em três partes. A primeira descreve cosmologias antigas, como a que vigorava na Idade Média. A segunda expõe o estado da arte do conhecimento sobre o Universo, sempre com metáforas que tornam a teoria mais palpável. Estão aí conceitos como inflação cósmica, matéria escura e energia escura. Na terceira parte o casal de autores discute como usar esse conhecimento para reconstruir uma cosmologia que nos conecte de volta ao universo.

É com base nessa ciência e na necessidade de mitologias para nos situarmos de maneira efetiva e duradoura em nosso mundo que Primack e Abrams propõem uma cosmologia atualizada, baseada numa compreensão do universo que só os conhecimentos mais recentes permitem atingir. Que, esperam, nos ajudará a tomar responsabilidade por este planeta que a própria atividade humana pôs em perigo.

Se quiser mais, veja o site dos autores. Foi de lá que tirei a imagem das esferas cósmicas do tempo.

Panorama visto do centro do universo – a descoberta de nosso extraordinário lugar no cosmos
Joel R. Primack e Nancy Ellen Abrams

Companhia das Letras, 2008

Tradução: eu

R$ 59,00

Primeiro Fim de Semana com Einstein

A revista Pesquisa FAPESP e o Instituto Sangari organizam uma série de palestras e debates complementares à exposição Einstein, aberta para visitação até o dia 14 de dezembro no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Em linguagem simples, acessível a um público amplo, físicos e especialistas de outras áreas – cinema, sociologia, filosofia, neurologia e história da ciência, entre outras – vão falar sobre as idéias de Albert Einstein e suas implicações em outros campos, nas tardes de sábado e nas manhãs de domingo, no auditório que integra a exposição. Entrada gratuita.

Aos sábados, as mesas-redondas exploram o tema O tempo em dois tempos. Nelas, um físico e um pesquisador das ciências humanas falam e conversam sobre a noção do tempo e do espaço em suas especialidades. Aos domingos, na série Muito além da relatividade, físicos e escritores especializados em física do Brasil e do exterior abordam aspectos pouco conhecidos sobre a vida, o contexto histórico e a obra de Einstein.

Sábado, 11 de outubro, 15h

“O Difícil Legado de Einstein”, com Carlos Escobar, físico e professor da Unicamp
Carlos Escobar mostrará que Einstein, além de um trabalho que guia a física ainda hoje, deixou desafios científicos enormes: a idéia de um espaçotempo dinâmico e a idéia de que teorias podem ser formuladas por meio de argumentos de consistência interna, muitas vezes sem ser necessário que resultados experimentais sugiram caminhos específicos para sua formulação. Outro legado de Einstein diz respeito ao papel do cientista na sociedade. “Einstein nos deixou um padrão muito elevado de compromisso social, humanismo e espírito crítico que faz com que os cientistas hoje pareçam apenas pequenas peças numa grande máquina”, diz Escobar. “Quem tem a grandeza intelectual e moral para rebelar-se contra isto?”

“Mudando o modo de ver o mundo: indivíduos e ‘Zeitkontext’ ou como o movimento Browniano modificou o modo de fazer ciência”, com Peter Schulz, físico e professor da Unicamp
Autodenominado historiador totalmente amador, Peter Schulz contará como Albert Einstein explicou um fenômeno observado 80 anos antes – o movimento browniano –, fundamental na verificação experimental da existência dos átomos, que ainda não era totalmente aceita no início do século XX. Schulz mostrará também como o contexto de época – o “Zeitkontext” do título da palestra – pode atrasar o desenvolvimento científico em geral e especificamente uma atividade ligada ao estudo do movimento browniano que amadureceu 80 anos depois – a nanotecnologia.

Mediador: Marcelo Leite, jornalista e colunista da Folha de S.Paulo, que lançará seu livro mais recente, Ciência: use com cuidado (Editora da Unicamp), após as palestras.

Domingo, 12 de outubro, 11 horas

“Einstein Inventor”, com Nelson Studart, físico e professor da UFSCar
Além de inventor, Einstein foi engenheiro e consultor. Aos 15 anos já se envolvia na solução de problemas técnicos com engenheiros. Depois criou a “Maquininha” como ele chamava sua primeira e única tentativa de projetar um equipamento para testar sua teoria sobre o movimento browniano. Como consultor de uma empresa de fabricação de aviões, a LGV, projetou uma asa para avião militar na Primeira Guerra Mundial. Para evitar o vazamento de gases tóxicos e reduzir o barulho dos refrigeradores da época, colaborou no desenvolvimento de um protótipo que foi construído em 1931 pela empresa AEG, mas a máquina nunca foi comercializada. Nelson Studart também apresentará as patentes requeridas por Albert Einstein em colaboração com outros inventores de 1928 a 1936 – a última foi uma câmara fotográfica com intensidade de luz auto-ajustável.
veja programa completo aqui

Livro que recomendo

“O canto do dodô, se é que ele cantava, permanecerá para sempre desconhecido, pois nenhum ser humano que tenha deixado um testemunho deu-se ao trabalho de se sentar nas floresta de Maurício e abrir os ouvidos”, escreve David Quammen em O canto do dodô, recentemente publicado pela Companhia das Letras. O que essas aves extintas deixaram foi um alerta sobre como a ocupação humana altera o mundo de forma irremediável.

Quammen vez e outra aparece por este blogue. Porque tenho a sorte de me envolver profissionalmente com os livros publicados por aqui, mas sobretudo porque tudo o que leio dele me fascina. Foi o caso do Monstro de Deus, que traduzi. E da bela biografia do Darwin.

“É provável que você ainda não tenha ouvido o que os cientistas andam murmurando sobre o decaimento dos ecossistemas. E é igualmente provável que saiba pouco ou nada sobre uma disciplina aparentemente marginal conhecida como ‘biogeografia de ilhas'”. Quase oitocentas páginas depois, o leitor não só ouviu falar dessas coisas como entendeu e se encantou.

Quammen percorre e investiga ilhas, buscando entender as particularidades da evolução e da extinção nesses pedaços isolados de terra. E chega à Amazônia e à Mata Atlântica, onde o desmatamento na prática transforma a floresta em arquipélago. Vivemos em plena onda de extinções, comparada por especialistas ao meteoro que deu cabo dos dinossauros. Desta vez o meteoro tem nome: Homo sapiens.

Peguei o desenho aqui.

O canto do dodô – biogeografia de ilhas numa era de extinções
David Quammen

Tradução: Carlos Afonso Malferrari

792 páginas
Companhia das Letras
R$ 88,00

Interlúdio doméstico

Quem quer um golden retriever?

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM