Mario Schenberg, filme sobre partículas atômicas e Picasso no Ibirapuera

O ciclo de palestras complementar à exposição Einstein, promovido pela revista Pesquisa Fapesp em parceria com o Instituto Sangari, prossegue no próximo dia 29 de novembro, sábado, às 15h, com as palestras de José Luiz Goldfarb, físico, historiador da ciência e professor da PUC-SP, “Albert Einstein e Mario Schenberg nas fronteiras da ciência no século XX”, e de Maria Cristina Abdalla, física e professora da UNESP, sobre o filme “O discreto charme das partículas elementares”, que será exibido em seguida.

No domingo, dia 30, às 11h, Arthur Miller“, professor emérito de história e filosofia da ciência do University College, Londres, conduzirá a palestra “Como Einstein e Picasso inventaram o século XX”.

José Luiz Goldfarb destacará os principais pontos do percurso científico, filosófico, artístico e político do físico brasileiro Mario Schenberg, que Einstein conheceu no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, Estados Unidos. Para Goldfarb, Schenberg representa o pensador brasileiro que mais se aproxima de Einstein, não apenas por suas contribuições científicas, como o efeito URCA (confundido como Ultra Radiation Catastrophe, na verdade referência ao Cassino da Urca do Rio de Janeiro), mas também por suas reflexões sobre os fundamentos da ciência e por suas convicções políticas. Além de grandes cientistas, Einstein e Schenberg são dois grandes pensadores e humanistas, preocupados com os destinos da humanidade e do impacto das aplicações do conhecimento científico.
Maria Cristina Abdalla vai contar como seu livro O discreto charme das partículas elementares, publicado pela Editora Unesp em 2006, transformou-se em um filme homônino.O filme apresenta as partículas elementares como os quarks e os léptons, aproximando-as das grandes estruturas do Universo, tem 44 minutos de duração e será exibido em seguida.

Arthur Miller mostrará que o fato de Albert Einstein ter chegado à Relatividade e Pablo Picasso ao cubismo quase simultaneamente, na primeira década do século XX, decorre da vida freqüentemente turbulenta de cada um deles, da busca incessante por idéias novas e da inspiração, vinda de fontes incomuns, que levou a saltos criativos. Miller, que escreveu um livro sobre a genialidade de Einstein e de Picasso, vai também explorar as similaridades da criatividade entre artistas e cientistas.

Entrada franca
Pavilhão Armando de Arruda Pereira (antigo prédio da Prodam), Parque do Ibirapuera, portão 10, São Paulo, SP
Mais informações: www.revistapesquisa.fapesp.br e www.einsteinbrasil.com.br

Einstein deste fim de semana

Educação, Fractais e Buracos Negros no Ibirapuera

O ciclo de palestras complementar à exposição Einstein, promovido pela revista Pesquisa Fapesp em parceria com o Instituto Sangari, prossegue hoje, às 15h, com as palestras de Lino de Macedo, professor de psicologia do desenvolvimento da USP, “Piaget, Einstein e a noção de tempo na criança”, e de Carmem Prado, física e professora da USP, “Movimento browniano, Caos e fractais”. Amanhã, dia 23, às 11h, George Matsas, físico e professor da Unesp, falará sobre “Buracos negros: rompendo os limites da ficção”.


Sábado:

Macedo conduzirá a palestra com base em três objetivos. Primeiro, apresentar problemas sobre tempo (o da espera, do interesse, do esforço e outros) e, por meio deles, refletir sobre significados do tempo e como as crianças os compreendem. Segundo, analisar porque Piaget confirma experimentalmente idéias de Einstein sobre a relatividade do tempo. Terceiro, propor atividades para alunos da Educação Infantil e da Escola Fundamental. Foi Einstein que sugeriu algumas das idéias que Piaget tratou no livro “A noção do tempo na criança”.

Carmem Prado apresentará de forma simples e intuitiva o que são os objetos geométricos chamados hoje de fractais, exemplificados pela trajetória descrita por uma molécula em movimento browniano, estudado por Einstein. Ela contará como os fractais saíram do mundo imaginário e nada intuitivo dos matemáticos para entrarem de vez no mundo real, onde estão ligados à idéia de caos. Ela também mostrará como, na evolução dos conceitos científicos, as idéias têm o seu tempo, vão e voltam, reinterpretadas e recolocadas à luz de cada novo contexto experimental e teórico.


Domingo:

Matsas abordará, também de forma descomplicada, o que são, como se formam, quão grandes são e de que são feitos os buracos negros. O que acontece quando algo penetra em seu interior? Podem ser uma ameaça à Terra? Ele também explicará por que buracos negros podem se tornar a porta de entrada para a chamada cidade proibida da física teórica: a gravitação quântica, que deve compatibilizar a relatividade com a física quântica e sobre a qual muito se especula, mas quase nada se sabe.

Entrada franca.

Pavilhão Armando de Arruda Pereira (antigo prédio da Prodam), Parque do Ibirapuera, portão 10, São Paulo, SP

Mais informações: www.revistapesquisa.fapesp.br e www.einsteinbrasil.com.br


Gosto não se discute, mas se estuda!

Por que algumas pessoas gostam de uma comida, enquanto que outras acham horrível?

Isso me intrigou pela primeira vez quando eu era bem pequena: será que quando duas pessoas comem uma mesma coisa elas sentem o mesmo gosto, mas uma acha bom e a outra não? Ou será que elas sentem sensações diferentes, talvez por diferenças em como o cérebro interpreta aquele sabor? Há uns 30 anos tento imaginar um teste para distinguir entre essas hipóteses, sem sucesso. Idéias são bem vindas!

Eis que ouço esta semana, no meu podcast favorito The naked scientists, uma possível resposta. Christian Starkenmann e seus colegas da Firmenich, uma empresa suíça de sabor (o que será isso?) estavam tentando descobrir de onde vinha o gosto que surge na boca depois que se toma um gole de vinho Sauvignon. Parece que o segredo está na bactéria Fusobacterium nucleatum (tirei a foto daqui), que vive na boca e quebra umas moléculas que as nossas enzimas não quebram.

A turma do podcast especulou, não sei se com alguma base, que bactérias podem ser o motivo pelo qual sentimos gostos diferentes. Teria aí um componente herdado – as bactérias que herdamos da mãe desde que nascemos – e outro da experiência de cada um. Não sei se é verdade, mas é uma possibilidade de teste para a pergunta que me atormenta.

Não tem aí nenhum microbiologista a fim de fazer esse estudo? Depois não deixe de me avisar!!!

P.S. Falando em como as bactérias comensais são mais importantes do que se imagina, adorei esse estudo que divulgamos na Pesquisa Fapesp, mostra a importância da microbiota para desenvolver o sistema imunológico.

O telescópio Hubble precisa de reparos

Consertar um telescópio espacial não é moleza. A gente vê essas fotos de astronautas flutuando no espaço, mas para mim a impressão sempre foi de que o pior mesmo é chegar lá.

Não é nada disso. Já imaginou ter que desaparafusar alguns daqueles inúmeros parafusos usando essas luvas espaciais? Sem deixar que nenhum literalmente vá para o espaço ou – pior – caia para dentro do aparelho, o que o danificaria para sempre? Meu vídeo-podcast favorito, o Nova Science Now, mostrou como é difícil no programa “Saving Hubble”. Vale a pena ver, para quem se entende com inglês.

Em órbita desde 1990, o Hubble não é um eletrodoméstico descartável. Segundo a Wikipedia, mais de 4 mil artigos científicos foram publicados com base nos dados fornecidos pelo telescópio. “Há 20 anos, antes do Hubble, não sabíamos o tamanho do Universo, nem sua idade; agora sabemos”, diz no vídeo Matt Mountain, do Space Telescope Science Institute. “Não sabíamos se buracos negros existiam, agora sabemos que estão por todo lado.”

O centro que controla as atividades do Hubble tem modelos em tamanho natural para planejar missões de reparo. E para se aproximar das condições de trabalho sem gravidade, astronautas treinam debaixo d’água. Ali, pelo menos, terão uma segunda chance quando tudo dá errado. E uma terceira, uma quarta – até que descubram como cumprir a missão. Antes disso, a missão de manutenção não se concretizará. O risco de morrer é de um em 70, diz Mountain.


A foto é do site do Hubble.

No mundo das partículas

Quer fazer um passeio entre léptons, bósons, quarks e afins? O livro O discreto charme das partículas elementares, da Física Maria Cristina Abdalla, da Unesp, foi adaptado para a televisão. O programa, com a apresentação de Marcelo Tas, vai ao ar na segunda, 10 de novembro, pela rede Cultura. Às 19:30.

Eu, que sou uma ignorante total dessas tais partículas, estou bem curiosa. Veja trecho no You Tube.

Quinto fim de semana com Einstein

No sábado, física e teatro; no domingo, Einstein no Rio

Sábado, 8 de novembro, 15h
“As contribuições e críticas de Einstein à física quântica”, Silvio Chibeni, físico e professor de filosofia da Unicamp

Chibeni tratará das contribuições de Einstein para o desenvolvimento da mecânica quântica: a introdução da hipótese do quantum de luz (1905), a explicação do movimento browniano (1905), a explicação das anomalias nos calores específicos dos sólidos (1906), o desenvolvimento da primeira estatística quântica (1924) e o reconhecimento dos aspectos ondulatórios da matéria (1925).

“Formas de representação do tempo na dramaturgia”, Sérgio de Carvalho, diretor teatral e professor da USP

Carvalho vai explorar alguns exemplos sobre formas de representação da passagem do tempo na dramaturgia: o tempo do coro na tragédia grega, as linhas de ação especulares no teatro shakespeariano, o processo do indivíduo no drama, a crise da unidade do drama no fim do século 19 e a conjugação de tempos contraditórios no teatro épico.

Domingo, 9 de novembro, 11h
“Um cientista nos trópicos: a viagem de Einstein à América do Sul”, Alfredo Tolmasquim, físico e diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) do Rio de Janeiro

Tolmasquim vai contar da viagem de Einstein ao Brasil, à Argentina e ao Uruguai em 1925. No Rio de Janeiro, fez palestras para um público diversificado, visitou o Jardim Botânico, o Museu Nacional, o Observatório Nacional e o Pão-de-Açúcar, provou comidas típicas e participou de recepções e jantares. Intensamente noticiada, sua visita gerou debates entre os positivistas, que se opunham às suas idéias, e seus defensores. Por escrito, Einstein deixou um comentário para um jornalista: “O problema que minha mente formulou foi respondido pelo luminoso céu do Brasil”.

As palestras são parte da série complementar à exposição Einstein promovida pela revista Pesquisa FAPESP e pelo Instituto Sangari. Em linguagem simples, acessível a um público amplo, físicos e especialistas de outras áreas falam sobre as idéias de Albert Einstein e suas implicações em outros campos, nas tardes de sábado (15h) e nas manhãs de domingo (11h), no auditório que integra a exposição. Entrada gratuita.
Local: Pavilhão Armando de Arruda Pereira – antigo prédio da PRODAM
Parque do Ibirapuera – entrada pelo portão 10

Ciência ganha biblioteca em São Paulo!

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