O mundo do olfato

Tem pouca coisa mais inebriante do que um jasmineiro em flor. Aquele cheiro que enche a noite e atrai mariposas polinizadoras.

A matéria de capa da Pesquisa de janeiro foi justamente sobre o olfato. Bettina Malnic, do Instituto de Química na USP, dedica sua vida profissional a entender como as moléculas odoríferas são detectadas pelos receptores olfativos e como essa informação chega ao cérebro. Não vou tentar reformular, já deu trabalho que chegue escrever o texto.

Vale também ler a resenha que o Carlos Hotta fez sobre o livro da Bettina, O cheiro das coisas, publicado no ano passado pela Vieira & Lent. Que, aliás, também recomendo.

A Bettina será também uma das entrevistadas no programa “Pesquisa Brasil”, que vai ao ar pela Eldorado AM no sábado às 11h. Dá para ouvir pela internete.

E, falando em cheiros, esta semana a coluna do Fernando Reinach no Estadão está sensacional: conta como uma lagarta engana formigas para faturar proteção e cuidados. Tudo com base em cheiros! Veja aqui, reproduzido no Jornal da Ciência online.


Foto Gagan/Wikimedia commons.

O brilho da pouca atenção

Ouvi recentemente, no podcast “Berkeley Groks”, uma entrevista bem interessante com a psicóloga Lara Honos-Webb, autora do livro The Gift of Adult ADD [O dom do DDA adulto].

Foi nos Estados Unidos que ouvi falar pela primeira vez em distúrbio de déficit de atenção, acho que em 1998. Naquela época não se falava muito no assunto aqui no Brasil, mas lá descobri que era praticamente uma epidemia. Soube que muitas crianças eram medicadas para ficarem mais concentradas e sob controle, e que algumas escolas inclusive separavam essas crianças em ônibus e turmas especiais, para que não importunassem – ou contaminassem – as “normais”.

Mas minha convivência não foi com crianças. Eu era monitora de uma matéria de graduação e, quando chegou a hora da primeira prova, uma aluna me apresentou um documento da universidade dizendo que ela tinha déficit de atenção e tinha direito a condições especiais para fazer provas: uma sala só para ela e o dobro do tempo. Exigências que deveriam valer para todos, porque as provas lá eram um exercício de velocidade no manejo da caneta. Tempo para pensar, de jeito nenhum.

Pois essa tal aluna era brilhante. Estava sempre tendo ideias, toda aula tinha perguntas inteligentes e interessantes. Que saíam do óbvio. Era isso, pensei, que definia o tal déficit de atenção. A pessoa não consegue se concentrar numa coisa só porque o cérebro está vendo mil coisas e tendo mil ideias ao mesmo tempo. Me pareceu um desperdício tentar “curar” aquela moça.

É exatamente isso que o livro fala. Pessoas com déficit de atenção têm talentos: parece que o distúrbio é comum entre bombeiros, que têm que tomar decisões drásticas e arriscadas muito depressa, e jornalistas, que a cada dia têm que mergulhar num assunto completamente novo. O conselho dela para essas pessoas na verdade vale para qualquer um: em vez de tentar ser como todo mundo, ganha-se muito mais em reconhecer os talentos e gostos de cada um e investir naquilo.

Revoluções científicas

O tema deste mês no roda de ciência – que começou no mês passado mas só agora consegui espiar – vem da minha curiosidade sobre quais são os grandes temas atuais na ciência.

Em biologia muito das últimas décadas se concentrou em genomas. Obter seqüências e mais sequências (estou tentando embutir a reforma ortográfica nos meus dedos, nem sempre com sucesso), sem falar nas discussões sobre reducionismo: será que esses sequenciadores acham que tudo vai se resumir aos genes? Doenças, gostos, bebês sob medida…

Eis que, alegria dos que temem o reducionismo, nos últimos anos ficou bem claro que os genes no fundo mandam pouco. Há uma infinidade de pequenas moléculas, como os RNAs (veja aqui matéria que fiz sobre isso), que controlam a ação do material genético. Duas pessoas podem ser geneticamente idênticas, como gêmeos univitelinos, e ter diferenças físicas devido a esses mecanismos de regulação, por sua vez influenciados pelo ambiente. Dois animais podem ter sequências muito parecidas em seu DNA, mas serem diferentes pelo mesmo motivo. Chimpanzés e humanos são mais diferentes do que a pouca diferença genética poderia fazer supor.

E tem a epigenética, de que o João já falou neste blogue, que mostra como o ambiente afeta diretamente a expressão dos genes – e isso pode passar de uma geração para outra (sim, herança de caracteres adquiridos, para quem já estudou a teoria evolutiva de Lamarck).

O que já se sabe sobre esses mecanismos é ainda muito pouco. Não sei se será uma revolução ou, como disse o Osame comentando o João Carlos, uma evolução. Mas gostaria de ver o dia em que geneticistas conseguirão finalmente entender como tudo isso se integra e funciona. Não sei se é possível.

Em astronomia, o João Carlos já mencionou: a busca pela matéria escura e pela energia escura, que compõem a maior parte do universo, parece ser o santo graal do momento.

E tanto se falou do acelerador de partículas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, o Grande Colisor de Hádrons. Quando finalmente for (re) posto em ação, físicos pretendem encontrar partículas que só existem na teoria.

E os químicos, o que procuram? E os paleontólogos? E os…?
Será que é possível prever uma revolução? Ou por definição essas quebras de paradigma da ciência só acontecem de surpresa?

Cadê os filósofos???

Estas ideias jogadas são parte da discussão do roda de ciência.
Comentários aqui, por favor.

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