Corvos não perdoam

hitchbirds.jpgHitchcock tinha razão: cuidado com os corvos. Num programa da rádio americana NPR, fiquei sabendo que eles reconhecem rostos humanos. E mais: basta que vejam outro corvo gritando para uma pessoa para aprenderem a detestá-la.

O programa entrevistou dois “corvólogos”: Kevin McGowan, da Universidade de Washington, e John Marzloff, da Universidade Cornell. Os dois contam que bastou anilharem corvos em suas respectivas cidades para serem conhecidos por toda a população dessas aves. Quando andam pela calçada, esperam na fila do cinema, passeiam no parque… onde quer que estejam, se houver um corvo por perto, estará gritando.

Para confirmar que é o rosto que fica na memória, Marzloff anilhou corvos usando uma máscara de homem das cavernas. Depois disso, qualquer pessoa – mulher ou homem, grande ou pequena, gorda ou magra, velha ou criança – que andasse com a máscara estava fadada aos protestos acusatórios. E se pusessem a máscara de cabeça para baixo as aves giravam a cabeça (até em voo) e começavam a gritar.

Estamos em desvantagem. Para pessoas, é bem difícil distinguir corvos uns dos outros. Faça o teste aqui.

Contra aquecimento global, proteja a biodiversidade

“Instamos todas as nações e empresas a investir em fundos de carbono para ajudar a preservar as florestas que estão desaparecendo”, diz Lúcia Lohmann, botânica da Universidade de São Paulo. “Mas quando fizerem isso, paguem um pouco mais de maneira a proteger os hábitats mais ameaçados. Assim poderemos conter o aquecimento global e também salvar um pouco da vida silvestre mais deslumbrante e ameaçada da Terra”, completou, no congresso da Associação para Biologia Tropical e Conservação (ATBC) em Marburg, na Alemanha.

Ontem, durante o jantar do conselho científico da ATBC e da Sociedade para Ecologia Tropical (europeia, GTÖ) no castelo medieval de Marburg, ficou decidido que a resolução do congresso, que reuniu cerca de 600 pesquisadores do mundo todo no campus fundado em 1312, seria tratar em conjunto dos dois problemas: aquecimento global e perda de biodiversidade.

Faz sentido: compensar emissões de carbono com plantio de árvores e preservação de florestas é um mercado crescente. A resolução de Marburg visa direcionar essa estratégia recomendando a compra de áreas com biodiversidade importante, no lugar de terras mais baratas. “As espécies mais criticamente ameaçadas estão nos últimos trechos de florestas em lugares como as Filipinas, Madagascar, a África Ocidental e os Andes na América do Sul. Esses lugares são hotspots de biodiversidade – refúgios finais para milhares de plantas e animais ameaçados”, diz William Laurance, da Universidade James Cook na Austrália.

A lição começa em casa. Lúcia conta que todos os participantes da conferência pagam uma taxa para compensar o próprio deslocamento. Esses fundos serão usados conforme a própria resolução, que será levada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de Copenhagen, em dezembro.

Continue lendo se quiser ver a resolução (em inglês).

 

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Evolução versus criação

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Tucano, bicho briguento

Foto Glenn Tattersall

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 Ontem busquei provocar curiosidade sobre o bico do tucano. Remeti ao texto que escrevi, noutro lugar, sobre o artigo publicado ontem na revista Science, trabalho de dois biólogos da Unesp de Rio Claro – Augusto Abe e Denis Andrade-, em colaboração com o canadense Glenn Tattersall.

Hoje ouvi no podcast da rádio americana NPR uma outra boa provocação: tudo bem, o bico é ativíssimo na manutenção da temperatura do tucano (na foto, só a base do bico está quente, em amarelo; o azul significa que o fluxo de sangue está reduzido e o calor também, em consequência). Mas esse bicão absurdo evoluiu para isso? Por que outras aves que enfrentam desafios de temperatura não têm bicos descomunais?

Richard Harris, da NPR, foi falar com o evolucionista Jason Weckstein, do Museu Field de Chicago. Ele é especialista não só em tucanos, mas nos piolhos dessas aves. Para ele, a função primordial do bico do tucano é ganhar brigas. Tão bonitos, são na verdade agressivos entre si. “Os tucanos de bico maior são os mais sociais e têm maior probabilidade de entrar nessas demonstrações agressivas”, diz. E completa que os bicos grandes são na verdade um problema quando se trata de parasitas. Instrumento péssimo para catar piolho.

A evolução, com sua ótima habilidade de reaproveitar peças, acrescentou à arma a função de radiador. Engenhoso.

 

Para que serve o bico do tucano?

glenn tattersall.jpg1. Para impressionar as tucanas

2. Para quebrar frutos duros

3. Para alcançar comida lá longe

4. Para regular a temperatura

5. Para contrabalançar os pés no voo

Veja a resposta no texto que fiz para o site da revista Pesquisa

 

Foto de Glenn Tattersall

Base da Tranquilidade

Tudo parecia certo. Piloto automático em ação, pronto para pousar a Águia na Lua. Um bom tanto de tensão era inevitável, afinal o módulo de aterrissagem lunar estava para ser testado pela primeira vez. Se não desse certo, dois homens ficariam ali para sempre.

Neil Armstrong, que dividia o diminuto espaço com seu colega Buzz Aldrin, mais tarde confirmou: o pouso, repleto de desconhecidos, era o que mais o preocupava. Com razão. Quando o solo lunar se aproximou o bastante, grandes pedras tornavam o alvo previsto inviável para pouso.

Obrigado a assumir o controle, Armstrong tinha pouco tempo para encontrar uma superfície que não destruísse as delicadas patas da Águia. As ações do astronauta eram demais para o computador de bordo, que apitava sinais de alarme.

Finalmente encontraram terreno plano e pousaram no que Aldrin descreveu como a “magnífica desolação” da Lua. Trinta segundos a mais e teriam ficado sem combustível. O momento que entrou para a história, o “pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade”, veio mais de seis horas depois.

Para os astronautas, porém, pisar na Lua era menos interessante. Piloto gosta é de voar. Aconteceu há 40 anos.

(veja mais no site da Nasa)

 

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Foto da Nasa, tirada pelo astronauta Michael Collins depois que a Águia se desprendeu do módulo de comando Columbia.

Elos perdidos entre Darwin e o Brasil

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Há tempos venho querendo escrever algo sobre Fritz Müller, o alemão radicado em Santa Catarina que foi pioneiro em estudos evolutivos. Soube dele por meio de Luiz Roberto Fontes, que já publicou uma série de textos sobre o personagem (e o cita em artigo sobre o médico Miranda Azevedo na Scientific American brasileira de julho). Recomendo também o texto sobre Fritz Müller publicado em 2004 por Neldson Marcolin na Pesquisa Fapesp.

 

Antes que eu conseguisse pôr mãos à obra, o biólogo Klaus Hartfelder, da Faculdade de Medicina do campus de Ribeirão Preto da USP, me mandou um texto que permitiu que eu o publicasse aqui. Leia a seguir.

 

 

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Vulcões de perto

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Quer visitar um vulcão e ter certeza de que ele não vai entrar em erupção e lançar um rio de lava em cima de você? A vulcanóloga e astrônoma Rosaly Lopes propõe algo melhor: visitar um vulcão em erupção. Sem se machucar.

Nunca tinha me ocorrido a possibilidade até conversar com ela para uma matéria que fiz para a edição de junho da Pesquisa. É exatamente o que ela mostra no livro Turismo de aventura em vulcões, publicado no ano passado pela Oficina de textos. O guia mostra vulcões do mundo todo, descreve tipos de erupção e explica como saber se é seguro aproximar-se.

Para a astrônoma carioca que agora é pesquisadora da NASA, nada é mais emocionante do que sentir o chão tremer, a cratera rugir e farejar o enxofre da lava que começa a escorrer. Ou melhor, quase nada é tão emocionante.

A outra paixão dela são viagens espaciais – só não perseguiu o sonho infantil de virar astronauta porque é míope demais, contou. Foi sobre o encontro entre essas duas paixões que escrevi: ela tem estudado vulcões extraterrestres, sobretudo em Titã e Io – luas de Saturno e Júpiter, respectivamente. Para saber mais, veja aqui.

Vulcões são grandiosos, são impressionantes, assustadores. Uma montanha que cospe cinzas e lava e pode soterrar uma cidade, calcinar uma floresta. Mas é também fonte de vida, conforme se descobriu recentemente. Um estudo recente publicado na revista Astrophysical Journal Letters por pesquisadores da Universidade de Washington mostrou que é preciso a quantidade certa de atividade vulcânica para permitir vida num planeta – veja mais aqui (em inglês). O estudo saiu depois da minha conversa com a Rosaly, não tive a chance de perguntar o que ela acha de incluir informações vulcânicas nas buscas de planetas com potencial de abrigar vida.

Uma carioca que foi para a Inglaterra aos 17 anos porque no Brasil não teria chances de alçar o voo que pretendia, Rosaly tem algo de vulcão. Também no sentido de dar vida. Em meio ao atarefado dia-a-dia do Laboratório de Propulsão a Jato da agência espacial norte-americana, ela encontra jeito de dar palestras (ao vivo e por teleconferência) para alunos do sertão nordestino. São os integrantes do projeto de Marcos Luna, que deu o nome da pesquisadora à base de lançamento de foguetes experimentais que montou em Bezerros, no interior pernambucano, para ensinar engenharia, propulsão e geologia a estudantes do ensino médio.

E tem tempo para jornalistas também. Devolveu em poucas horas a matéria que mandei para ela conferir e avisou: se eu precisasse encontrá-la nos dias seguintes que ligasse para o celular, porque ela estaria à beira da cratera do vulcão Kilauea, no Havaí, gravando um documentário para a National Geographic.

As fotos são do site da Rosaly. Acima, chafariz de lava por Scott Rowland. Abaixo, Rosaly Lopes no monte Yasur, em Vanuatu (foto de Ralph B. White).

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