A química da arte

pedro américo02.jpgIr a um museu de artes plásticas nunca mais será a mesma coisa.

Agora sei que é possível usar fluorescência de raios X para enxergar, de certa forma, os átomos que compõem cada tinta usada num quadro.

E as tintas não são todas iguais. Elas são compostas por pigmentos que podem ser altamente reveladores. Alguns foram inventados há poucas décadas, outros estão nas pinturas em cavernas; alguns saíram de circulação por serem cancerígenos, outros se mantêm em uso.

O fato é que dá para destrinchar um quadro do século XIX, como o de Pedro Américo ao lado, e encontrar desgastes, descobrir onde e quando foram feitos retoques. E, se for o caso, desmascarar falsificações.

É o que faz a carioca Cristiane Calza, da Coppe/UFRJ. Escrevi sobre o trabalho dela na edição de fevereiro de Pesquisa, aqui.

A foto me foi cedida por ela. E para ver o quadro, e outros tantos deslumbrantes, vale ir ao Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro.

Lua de virar a cabeça

moon_phases.jpgUns meses atrás fiquei encafifada. A gente vê a lua de cabeça pra baixo em relação ao pessoal do norte?

As luas do alto dessa imagem são minguantes; as crescentes estão embaixo, em forma de C. Isso vale pra São Paulo, no hemisfério Norte as luas do alto são as crescentes. Lá se vão uns 20 anos desde que aprendi isso, e só agora a minhoquinha se agitou: por quê??

Sem achar quem me contasse, escrevi pros naked scientists, meu podcast favorito. Além de estar com nó na cabeça tentando entender como a lua vira de ponta-cabeça, queria saber como é na linha do Equador e nos polos.

Hoje recebi um aviso de que eles puseram minha pergunta no fórum deles e que tinha uma resposta (de um tal DiscoverDave, pelo visto assíduo por lá). A coisa é complicada à beça, ainda estou aqui fazendo ginásticas mentais. Vou traduzir, o original está aqui.

“Para começar, a Lua está a cerca de 390 mil Km da Terra e a Terra tem um diâmetro de uns 13 mil Km. Então a distância da Lua é por volta de 30 vezes o diâmetro da Terra. Em termos cotidianos, isso é mais ou menos o comprimento de uma régua de 1 metro comparado à sua largura. Isso quer dizer que do polo Norte ou do polo Sul (ou do leste ou do oeste), a medida de ‘fase’ da Lua não parece muito diferente. Então, os únicos aspectos que restam é que a aparência da Lua envolve: 1) sua posição no céu, e 2) a aparente ‘direção’ para onde o crescente aponta.

Como a Terra gira de oeste para leste, objetos celestiais parecem surgir no leste e sumir no oeste. Estando no hemisfério Sul, você em geral olha para o norte para ver a Lua. Estando no hemisfério Norte, eu costumo olhar para o sul para vê-la. Uma pessoa perto do Equador em geral olha para cima para vê-la. Mesmo assim, como eu disse, para todos nós ela aparecerá no horizonte mais para leste e desaparecerá no horizonte mais para oeste.

Em relação à aparência da Lua em conforme a sua fase, você está certa que, quando o hemisfério Sul vê uma lua em C ou em D, o hemisfério Norte vê o contrário – uma lua em D ou em C. Porém, perto do Equador, o crescente da lua aparece mais virado para cima () ou para baixo (U) em vez de para a direita ou a esquerda. O crescente da Lua obviamente aponta na direção do Sol. Então, durante a noite, o crescente da Lua sempre aponta para baixo (U) porque o Sol está sempre abaixo do horizonte.

Durante o dia, se a Lua segue o Sol, o crescente parecerá apontar para cima () até que passe por cima do observador, e parecerá apontar para baixo depois disso. Se a Lua precede o Sol, ela parecerá apontar para baixo até que passe por cima do observador, e parecerá apontar para cima depois disso. A fase da Lua não muda muito ao longo do dia, mas a direção aparente do crescente parece mudar acima da cabeça do observador porque o observador muda de direção. O observador olhará para leste para vê-la subir, mas depois olhará para oeste para vê-la descer.

Você tinha razão em estar confusa. Durante o dia, crescentes ‘para a direita’ ou ‘para a esquerda’ vistos dos hemisférios nunca mudam de direção (exceto uma vez a cada ciclo lunar quando a Lua parece ‘ultrapassar’ o sol, como durante um eclipse). Porém, todos os dias no Equador, quando o crescente aponta para ‘cima’ ou para ‘baixo’ isso diz respeito à direção para a qual o observador está virado, especificamente porque a Lua parece nascer e se pôr em direções totalmente opostas.”

O que me dizem? Alguém aí pode me contar se é assim mesmo na linha do Equador? Alguém já olhou a Lua nalgum polo?

 

 

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