Salvar vidas é fácil

E (quase) não dói! Virei doadora de medula óssea, única possibilidade de tratamento para doenças como leucemia, em que a produção de células do sangue (glóbulos vermelhos e brancos) e de plaquetas precisa ser substituída.

Em conversas com amigos, vi que a desinformação gera um medo desse tipo de doação, por isso resolvi contar aqui. É bem simples.

Basta ir a um hemocentro (veja lista aqui), fazer o cadastro e deixar uma amostra de sangue, um tubinho de 10 ml. Essa amostra vai ser analisada em termos de marcadores imunológicos, os HLA. É isso que vai determinar a compatibilidade entre doador e receptor.

Essa compatibilidade é um grande empecilho, mesmo dentro da própria família a estatística não ajuda: entre irmãos a chance é de 25% e na família estendida, 7-10%. Se o paciente não consegue na família, o jeito é procurar nos bancos de doadores, que precisam ser muito extensos para que haja chances de se encontrar uma combinação viável. Meus dados estarão no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), instalado no Instituto Nacional de Câncer (ligado ao Ministério da Saúde).

Caso algum dia eu seja selecionada (antes de completar 55 anos, depois não se pode mais doar), me convocarão para retirar um pouco de medula de dentro do meu fêmur. O procedimento é feito com internação de 24 horas e anestesia geral. Depois pode haver um desconforto por uns dias, mas quem vai ligar pra isso se acabou de potencialmente salvar uma vida?

Vou confessar que descobri tudo isso faz uns 4 anos e enrolei até agora só porque tenho um medo danado de agulha. Finalmente consegui superar a barreira, e espero que o exemplo sirva para que alguém mais dê um pulo num hemocentro. Mais informações para doadores aqui.

Discussão - 8 comentários

  1. Sibele disse:

    Parece que ainda há muita desinformação sobre a doação de medula. A própria doação de sangue, embora bem mais simples, impinge certo medo aos menos informados, impedindo a conscientização sobre a importância dessa ação.
    Parabéns pela atitude e pela divulgação, Maria!

  2. Karl disse:

    Hehe. Parabéns. Mais um medo engavetado, hein? É bonito ver o “ser humano” evoluindo, já dizia Charles.
    Sério. Doação de MO salva-vidas. Principalmente de crianças. Pensem nisso.

  3. Maria Guimarães disse:

    quem dera estivesse engavetado! da próxima vez que eu vir uma seringa vai ser o mesmo drama tudo de novo. coragem não é não ter medo, é encará-lo!

  4. Essaê, Guimarães!
    []s,
    Roberto Takata

  5. Bruno Nunes disse:

    Boa iniciativa!
    Fiz meu cadastro a um ano e é como a colheita de sangue de um exame rotineiro qualquer. Muitas pessoas pensam (ouvi muito isso no dia da campanha do hemocentro, já que trabalhei nela) que já terão retiradas amostras de sua medula óssea, assim, a seco, só com anestesia local ali mesmo. Daí o medo e recusa em fazer o cadastro da grande maioria. Puro engano.
    Devemos incentivar, também, a doação de sangue, que não dói, faz bem e ajuda. E como ajuda.

  6. Maria Guimarães disse:

    bruno, obrigada pela contribuição!

  7. Tati Nahas disse:

    Que post legal, Maria! Eu não tinha ideia que era tão simples. Também vou tratar de desengavetar meu medo de agulha 🙂 Obrigada pela dica!

  8. Cleide disse:

    Parabéns pela sua coragem!
    Mais pessoas deveriam ter essa atitude, de salvar vidas.
    Vou pensar mais sobre o assunto ( célula tronco).

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