Cidadãos do lixo

Chamada de um artigo do Público online de hoje:

“Eram cinco minutos de vídeo. Mostravam como 50 mil cidadãos na Estónia
acabaram com dez mil pequenas lixeiras espalhadas pelo país. Num único
dia, 3 de Maio de 2008, fizeram o que custaria ao Estado três anos de
trabalho e 22 milhões de euros.”

O vídeo, do YouTube:

Dois anos depois…a notícia do Público online:

Mais de cem mil portugueses vão limpar Portugal amanhã

As mobilizações de mais de 3% dos estonianos e de cerca de 1% dos portugueses são exemplos do poder da cidadania para empreender ações consensuais, que dificilmente seriam resolvidas na esfera dos poderes públicos formais. Afinal, quem discordaria que é mais agradável viver em “cidades” limpas? Mas quem iria pescar a primeira camisinha do Tietê? Para lusófonos de outras paragens, camisinha é preservativo, Tietê é rio que banha a cidade de São Paulo. Preservativo é igual em qualquer lugar do planeta, o Tietê… nunca vi igual. Por vezes, o esgoto mistura-se com a lixeira do plástico num cenário que, de tão surreal, não é desinteressante. É horrendamente belo.

Fui criança e adolescente no Portugal dos anos 80 e posso afirmar que os portugueses percorreram um longo caminho em direção a uma cidadania mais limpa. O nome da trilha: 36 anos de democracia. O Brasil já totaliza 22, espero apanhar camisinha do Tietê em algum dos próximos 14 anos. Mesmo não sendo ainda brasileiro.

Discussão - 4 comentários

  1. Sibele disse:

    Este vídeo deveria passar de meia em meia hora em cadeia nacional na tv aberta brasileira. Quem sabe assim inspiraria o espírito cidadão em um povo muito mal acostumado a tratar o espaço público como uma grande lixeira a céu aberto…

  2. Olá,
    Parabéns pelo blog e pelo trabalho de divulgação científica.
    Conheçam meu blog de divulgação/educação científica, ciências exatas/naturais e estudos epistemológicos.
    O endereço é:
    http://imperativocientifico.blogspot.com/
    Abraços!

  3. glenn makuta disse:

    muito bacana a idéia contida neste post.
    seria realmente bacana se conseguíssemos isso um dia. é triste ver como o brasileiro trata o espaço público.
    do cotidiano é possível inferir que as pessoas encaram aquilo que é público como não pertencendo a ninguém, e que portanto ninguém seria responsável por isso, exceto o governo.
    não temos a mentalidade de coletividade nem de que o espaço público é de todos, e isso ocorre em todas as esferas sociais. é uma síndrome que assola nosso povo. ainda acredito que a educação seja a saída mais plausível, mesmo num país em que a educação seja quase que totalmente negligenciada. para se ter idéia, aqui é onde professores da rede pública ganham um dos menores salários pagos a funcionários públicos, simplesmente lamentável… mas sonhar com um futuro próspero é necessário.

  4. Claudia Oliveira disse:

    …mas é de actos individuais que se faz um todo… há 10 anos era insultada por apanhar os cócós que o meu labrador (Sirio) fazia na rua, durante os seus passeios… nas zonas onde passeávamos era a única… algum tempo depois já muitos tinham aderido a este cuidado… nos dias de hoje, já não vejo ninguem que não o faça…
    tudo começou com um acto individual… não foi preciso esperar pelo civismo impresso numa lei qualquer…
    Sou fumadora… não há, nas ruas, caixotes do lixo com recipientes próprios para o “nosso lixo”… ok! Tenho um cinzeiro de bolso onde apago o cigarro… os fumadores que conheço já optaram pela mesma solução.
    Portugal até tem crescido muito rapidamente desde ’80

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