A longa marcha dos grilos canibais

reinach.jpg“Cuidado com a Terra”. É a mensagem que arqueólogos desvendaram nos moais, aquelas gigantescas estátuas de pedra que hoje são os únicos hanigantes da ilha de Páscoa, no meio do oceano Pacífico.

É esse também o mote recorrente em boa parte das crônicas que recheiam A longa marcha dos grilos canibais, recém lançado pela Companhia das Letras. No livro, o biólogo molecular e cronista de ciência Fernando Reinach recupera as origens do homem em túmulos milenares, no DNA e no cérebro das pessoas e até nos genes de piolhos. E mostra que esse bicho humano feito de células e do ambiente em que vive, a começar pelo útero onde inicia seu desenvolvimento, se multiplicou mais do que seria sábio e agora ameaça a própria existência. O autor acusa: depois de destruir a natureza por meio de desmatamento e poluição – causando efeitos desde locais até globais – o homem agora tenta reparar os danos interferindo em processos ecológicos e evolutivos. E, muitas vezes, mete os pés pelas mãos.

A verdade é que, mesmo tendo domesticado centenas de espécies de animais e plantas para uso próprio, estamos longe de controlar a natureza. Ela tem recursos muito mais engenhosos do que podemos imaginar, como a lagarta de borboleta que se faz adotar por formigas e o cão, especialista em explorar o afeto para pôr os companheiros bípedes a seu dispor. Até para o milho cabe perguntar: quem está a serviço de quem?

Das hordas de grilos migradores obrigados a andar depressa para não serem comidos por aves ou até mesmo seus pares a explicações neurológicas para a intuição ou o fetiche por pés; entre uma pessoa que não vê mas enxerga e outra que vê mas não enxerga estão reflexões intrigantes sobre como o conhecimento científico afeta – ou deveria afetar – a vida. Recomendo a (deliciosa) leitura.

Pesquisador de destaque, Fernando Reinach é especialista em biologia molecular e professor no Departamento de Bioquímica da Universidade de São Paulo (USP). Ele foi um dos coordenadores do primeiro projeto genoma brasileiro, que desvendou o material genético da bactéria Xylella fastidiosa, causa importante de doenças em laranjais e outros cítricos de importância econômica. Mais do que achar a cura para a doença, esse trabalho contribuiu para mudar como se faz ciência no Brasil e para que essa ciência ganhasse projeção internacional. Hoje Reinach é diretor executivo da Votorantim Novos Negócios.

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Qualquer semelhança entre o texto acima e o que habita as orelhas do livro não é mera coincidência. Também não é plágio, mas garanto que não ganho direitos autorais – a recomendação é sincera.

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