Arte na ciência, ciência na arte

gal_1.jpg

Em junho, a ilustradora Larissa Ribeiro recebeu uma encomenda inédita para ela: transformar o gráfico ao lado num móbile.

A ideia era produzir uma ilustração bonita para a reportagem “A vida das palavras“, escrita pelo Igor Zolnerkevic para a Pesquisa, sem perder informação.

Não tive nada a ver com o processo de produzir e ilustrar a reportagem, mas conversei com a Larissa para fazer as legendas da galeria de imagens que mostra o processo de confecção do móbile. Adorei, e como sou de todo jeito louca por móbiles, não resisto a contar.

O gráfico (dá para ver maior, clicando nele) mostra como a popularidade de certas palavras mudou entre 1998 e 2000. Na galeria de imagens a legenda (feita pelo editor de ciência da revista Ricardo Zorzetto e conferida pelo Igor) explica melhor.

O primeiro desafio era montar as palavras. Larissa queria fazê-las do zero, mas acabou se rendendo ao prazo e comprou um pacote de letrinhas de macarrão. O longo processo zen (“minha mãe diz que tem um chinês dentro de mim”, ela contou) de separar as letras acabou sendo providencial para que a ilustradora pudesse bolar a melhor forma de arquitetar o móbile.

Depois de coloridas as letras e montadas as palavras com fitas adesivas e longos fios, Larissa imprimiu o gráfico original e pendurou ao fundo, enquanto ia costurando os fios numa placa de isopor para acertar a altura e a profundidade. O tal chinês dentro dela ficou realizado com trabalho tão meticuloso. E as letrinhas tomaram conta do espaço: até hoje devem estar aparecendo dentro das gavetas.

O resultado é um lindo encontro entre ciência e arte, vale a pena conferir. Tem mais fotos na página da Larissa no flickr. Quem acompanha a Pesquisa reconhecerá ali também as recortagens (existe essa palavra ou tou inventando – para quem sabe perpetuar na rede?) que ilustraram uma das minhas matérias sobre palestras do ciclo do Ano Internacional da Química.

O google não prejudica a memória

google-brain.gif

Google deixa memória mais preguiçosa” era a manchete que abria a página de saúde da Folha de S.Paulo na sexta passada. No mesmo dia, descobri que não é bem assim. “A Internet no fundo não é diferente da maneira como sempre fizemos as coisas”, disse a psicóloga Betsy Sparrow ao podcast da revista Science.

Betsy é professora no Departamento de Psicologia da Universidade Columbia, em Nova York, e a autora principal do estudo que foi publicado na própria Science da semana passada. Ela contou que a ideia surgiu enquanto via um filme em casa com o marido, e não conseguia lembrar o nome da atriz. Fácil: abriu a internet, pôs o nome do filme e achou a atriz. Bolou então a pesquisa, em que verificou que as pessoas retêm mais as informações que recebem quando sabem que não terão acesso a elas mais tarde. Se sabem que terão fontes de consulta, é mais provável que esqueçam, mesmo que o pesquisador peça que tentem guardar na memória.

A internet é mesmo muito presente na vida de muita gente. Na dúvida, abre-se o google ou puxa-se o telefone com acesso à internet. Antigamente, Betsy e o marido teriam telefonado para aquele primo ou amigo que sabe tudo sobre cinema. O fato é que sempre contamos com uma memória externa: artigos de jornal recortados e guardados, enciclopédias, bibliotecas, amigos e familiares que lembram de tudo. Agora, segundo ela, só ficou mais fácil e rápido: internet literalmente à mão quase o tempo todo, sobretudo para quem anda com telefones cheios de recursos.

A pesquisadora norte-americana também deu uma entrevista bem legal ao podcast Science In Action, da BBC. Nela, disse que a internet nem mesmo existe há tempo suficiente para ter podido alterar a estrutura da memória. Temos um cérebro flexível, que se adapta a buscar informação onde ela existir. Se amanhã a internet desaparecer, em dois tempos teremos encontrado outra memória externa. Bem diferente do que sugeriu a Folha. Dá o que pensar sobre a relação entre os resultados de pesquisa científica e o que o jornal considera que atiça o leitor.

Tirei a imagem daqui.

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM