Plástico no papo

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Milhares de filhotes de albatroz morrem recheados de plástico, todos os anos, no atol Midway.

O lugar é uma ilhota no oceano Pacífico, no meio do caminho entre nada e lugar nenhum, mais de 3 mil quilômetros do continente mais próximo. É um santuário de aves marinhas, que fazem ninhos ali e catam no meio do mar aquilo que parece comida. Assim, filhotes que nunca saíram do ninho morrem sufocados, intoxicados e de fome.

O fotógrafo Chris Jordan queria documentar a grande mancha de lixo do Pacífico, mas tinha um problema: segundo ele contou numa entrevista ao podcast da New York Review of Books, o lixo fica meio submerso e é por isso muito difícil de captar em imagens (lembrei de quando mencionei aqui esse problema do lixo no meio do mar e o Igor Santos pôs em dúvida a existência do tal continente de dejetos, já que não se vê no Google Earth).

Então ele achou essa solução: fotografar essas aves que teriam tudo para viver livres do lixo que geramos. Com cuidado documental, registrou as aves por inteiro, como se a pessoa parasse ao lado e olhasse pra baixo. E não tirou nada do lugar. Se por acaso esbarrasse nalgum pedacinho de plástico com o pé ou o tripé, desconsiderava aquela ave.

Tem mais fotos no blog da revista. Belas imagens pra fazer a gente pensar bem antes de jogar fora qualquer pedaço de plástico, que tem grandes chances de passar as próximas muitas décadas boiando pelas águas do mundo. Na melhor das hipóteses.

Natureza etiquetada

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Um banco de dados monumental que funcione como um código de barras para identificar toda a diversidade biológica que existe. Aprendi bastante sobre essa ideia ambiciosa nos últimos dois dias, no Simpósio Internacional sobre DNA Barcoding organizado pelas biólogas da USP Mariana Cabral de Oliveira, Lúcia Lohmann e Cristina Miyaki por meio do programa Biota da Fapesp. Programa e resumos estão aqui.

O canadense Paul Hebert vende a sua iniciativa, o iBOL (international Barcode of Life) como a solução mágica para identificar instantaneamente qualquer organismo: planta, bicho, microrganismo. Ele reconhece que no Brasil há de ser mais complicado do que no Canadá, onde a diversidade biológica é bem mais comedida. E reconhece que ainda falta bastante para se ter um aparelhinho que funcione como um guia de campo mágico para tudo.

Funcionaria assim: os pesquisadores sequenciam um trecho bem pequeno do DNA – por volta de 650 pares de bases – e inserem no banco de dados, junto com fotos e informações diversas. Os botânicos entraram este ano num acordo sobre os trechos específicos a serem usados. Para animais, o marcador que parece funcionar melhor é um chamado CO1. O truque é encontrar trechos que existam em todos os organismos que se pretende comparar, com variabilidade suficiente para que cada espécie tenha um código de barras único. Funciona bem para vários bichos, conforme mostraram participantes do simpósio. Para plantas, nem tanto.

Mesmo assim, a apresentação um tanto simplista feita por Hebert (que, pelo visto, se pronuncia em francês: ebér, mas enrolando o érre porque a conversa é em inglês) das maravilhas dos códigos de barras – que certamente faz sucesso na imprensa e entre empresários financiadores – encontra alguma resistência entre biólogos.

O botânico Alberto Vicentini, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), mostrou que a diversidade de plantas amazônicas é tão imensa que é quase intangível. Um esforço intenso de coleta de plantas numa área relativamente pequena gera pilhas e pilhas de amostras que poucos conseguem identificar – sobretudo quando o esforço é todo de uma vez e se coleta as plantas sem flores ou frutos, que ajudariam bastante na identificação. Como ainda há muitas espécies sem nome na maior floresta brasileira, os códigos de barras dariam origem a um diagrama do tipo árvore genealógica, mas sem nomes nas pontas dos ramos. Ele criticou também a escolha dos marcadores para o código de barras de plantas – ele verificou que muitas vezes diferentes fontes de DNA (o núcleo da célula comparado ao cloroplasto, no caso) fornecem informações desencontradas. Mesmo assim, ele ficou interessado em embarcar na empreitada.

Outra crítica comum ao sistema de Hebert é que ele usa uma régua arbitrária para separar espécies. Uma diferença de 2% no código de barras define espécies diferentes. Assim, uma espécie de vespa virou 36 num exemplo que ele apresentou. Talvez haja ali uma grande diversidade oculta, mas é preciso estudar a evolução e a ecologia dessas vespas para saber se as 36 espécies são realmente distintas. O problema é que, mesmo que não haja um consenso sobre o que é uma espécie, a opinião quase geral diz que não dá para usar uma regra única para todos os organismos. Muitas vezes duas espécies diferentes são geneticamente muito parecidas mas seguem linhagens evolutivas distintas. Outras vezes uma espécie que funciona como uma unidade abriga uma enorme diversidade genética.

O mais legal mesmo foi ouvir sobre as aplicações diversas dos códigos de barras, que têm potencial de responder perguntas até agora impenetráveis, e de reunir pesquisadores de diversas áreas como geneticistas, taxonomistas, ecólogos, parasitologistas etc. Muito mais do que fazer catálogos da diversidade biológica, a ferramenta permite ter uma ideia de associações ecológicas entre espécies e comparar as comunidades de espécies entre regiões diferentes.

Mais legal ainda: o grupo de Eduardo Eizirik, da PUCRS, está usando códigos de barras para identificar restos de ratos encontrados dentro do estômago de gatos-do-mato atropelados. Parece tétrico, mas os gatos atropelados têm revelado muito sobre hibridação, como contei aqui. E identificar as espécies que viram comida é uma maneira de entender como duas espécies de gatos convivem na mesma área – elas competem ou têm preferências alimentares diferentes? Essa parte conta com a colaboração de especialistas em ratos, sobretudo o grupo do meu compadre Yuri Leite da Ufes, que se encantaram ao encontrar, na barriga dos gatos, ratos que não estavam no banco de dados. Os gatos talvez conheçam espécies de roedores que ainda não foram descritas pela ciência!

As aplicações de se enxergar uma diversidade que os olhos não veem são inúmeras, por isso os códigos de barras têm potencial de abrir as comportas da imaginação dos pesquisadores. Vou contar mais exemplos na revista Pesquisa de janeiro. O simpósio deu a impressão de que o caminho está se abrindo, agora é vencer a resistência de cientistas e de agências de fomento.

Os organizadores de consórcios internacionais, como o iBOL, o CBOL e outros, estão se esforçando para pôr o Brasil dentro de seus barcos. Em muitos casos a impressão que dá é que, na visão deles, os parceiros brasileiros se limitariam a mandar amostras da riqueza biológica destas bandas. Acho que eles repararam que não é bem assim: o pessoal daqui sabe fazer ciência com as próprias mãos, só falta quem organize e quem financie uma iniciativa de ampla escala por aqui.

Termelétricas e pré-sal são anacrônicos, diz José Goldemberg

Goldemberg2.jpegO governo equivoca-se ao optar pelo petróleo do pré-sal e pela termeletricidade, descurando incentivos a energias alternativas, opina José Goldemberg, uma autoridade em energia e ambiente, no Brasil e no mundo. Nesta entrevista, o físico da USP analisa as opções energéticas do Brasil no contexto da transição para uma economia de baixo rastro de carbono, tema certo da próxima 15a  Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP-15), que se realizará em dezembro em Copenhague.

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Marina Silva contribuiu para a área ambiental ser vista como obstáculo ao progresso… mas elevará o debate, opina José Goldemberg

Nesta segunda parte da entrevista, José Goldemberg opina sobre o que apelida de “romantismo”ambiental, a bioprospecção na Amazônia, a opção nuclear e, sobre a eventual candidatura de Marina Silva à Presidência da República.

sobre mudar os padrões de consumo
“essas ideias são completamente românticas”

sobre bioprospecção

“não acredito que ainda se vá
descobrir alguma pedra filosofal na Amazônia”

sobre energia nuclear
“é completamente inapropriada para resolver
problemas do Brasil”

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O narrador jornalista

Um repórter entalado numa passagem estreita de uma caverna, lutando contra o pânico e a claustrofobia para afinal conseguir cavar até um salão onde nenhum humano (moderno, pelo menos) estivera antes. Me deleitei com “Deep South“, de Mark Jenkins, publicado na National Geographic. O repórter está em ação e leva o leitor a reboque. Fiquei sem fôlego, angustiada, extasiada, fascinada com as revelações dos espeleólogos. Funciona, em grande parte, porque Jenkins usa um recurso proibido no jornalismo brasileiro: a primeira pessoa.

O repórter está na caverna e narra, ele conversa com os pesquisadores e os descreve. Assim o texto reúne emoção, aventura e ciência. O leitor quase conversa também com o espeleólogo. Na minha imaginação eu vi as figuras, suas casas, o entusiasmo com a pesquisa a que dedicam a vida. Meu sonho é um dia escrever uma reportagem assim. Em português. E publicar num veículo oficial, não no blogue onde quem manda sou eu. Não custa sonhar.

Claro que a primeira pessoa não deve ser regra. Não teria lugar na maior parte dos textos que escrevo, e há sempre o risco de quem escreve esquecer que não é o protagonista da história. Mas às vezes é imprescindível, como no caso das cavernas do Jenkins, que me fez lembrar de uma reportagem na Folha de S.Paulo de 1º de novembro (aqui, para assinantes) que me chamou atenção justamente pela falta da primeira pessoa.

Como o Irã tem restringido a entrada de jornalistas, Samy Adghirni aproveitou um convite do governo iraniano para a 16ª Feira Internacional de Mídia de Teerã para andar pelas ruas e falar com as pessoas, em busca de avaliar como as coisas andam por lá passados uns meses da tensão política que seguiu a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad em junho. Copio aqui algumas frases da reportagem da Folha:
“…a
Folha contornou o rígido cerco
imposto pelo governo aos visitantes e circulou por vários setores de Teerã, conversando
com iranianos de todas as tendências políticas.”
“A Folha ouviu relatos de
amizades rompidas e famílias
dilaceradas pela política.”
“A Folha também flagrou no
meio da multidão policiais à
paisana usando telefones celulares para tirar fotos dos rostos
dos militantes pró-Karoubi.”

Ao ler, fiquei pensando como a reportagem seria mais forte e mais convincente se o repórter tivesse se posto em campo também no texto. Se narrasse, se descrevesse as pessoas com quem falou, se as trouxesse à vida para o leitor. Me senti distante e continuo sem saber como andam os ânimos em Teerã.

Em busca da memória

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Vi hoje na livraria Cultura que saiu o livro Em busca da memória, por Eric Kandel – Prêmio Nobel de 2000. A simpática ilustração ao lado é de Joseph Adolphe e está na Columbia Magazine, da universidade onde Kandel está.

Em busca da memória é mais do que uma busca pela memória. Kandel dedicou a carreira a entender as bases biológicas de como a mente armazena experiências e reage a elas – trabalho que além de solucionar um mistério científico pode ser o ponto de partida para novos tratamentos psiquiátricos.

Mas o livro também reúne as memórias do menino que mal teve tempo de brincar com o carrinho de controle remoto que ganhou ao fazer 9 anos porque a família precisou fugir do Holocausto. Apesar de doloroso, esse caminho levou ao homem que em 2000 ganhou o Prêmio Nobel por ajudar a fundar a nova ciência da mente. “Há agora um consenso na comunidade científica de que a biologia da mente será para o século XXI o que a biologia do gene foi para o século XX”, diz o autor.

Nos anos 1950, Kandel era um jovem apaixonado por psicanálise. Em vez de clinicar, descobriu uma paixão pela pesquisa científica. Uma paixão que não o afastou do interesse pelos meandros da mente. Na aplísia, um caramujo marinho, ele descobriu que as experiências vividas fisicamente mudam o cérebro.

E também desvendou como o ambiente interage com os genes e os neurônios para provocar aprendizados e comportamentos. Com isso, ele ajudou a desvendar a biologia molecular dos processos mentais mais simples. “Se você lembrar alguma coisa deste livro, será porque seu cérebro terá mudado um pouco quando você terminar de lê-lo”.

Recomendo! A Suzana Herculano-Houzel recentemente festejou cruzar com o Kandel no corredor. O livro é outra forma de encontrá-lo. E de aprender um monte sobre como a mente funciona.

Oi… te conheço de algum lugar?

Latrodectus hasselti (3).jpgO jogo da sedução é cruel. Pode ser poético como nos cavalos-marinhos ou letal como na aranha ao lado, mas de maneira geral não costuma ser fácil.

Se o macho da aranha australiana Latrodectus hasselti, da família das viúvas-negras, não se esforçar o suficiente, ele é morto pela fêmea que tentava conquistar. Jeffrey Stoltz e Maydianne Andrade, da Universidade de Toronto Scarborough no Canadá, mostraram que a donzela exige pelo menos 100 minutos de exibição (vi a notícia aqui). Se o pretendente falha, quem sai ganhando é o rival. E tem mais: no artigo que publicaram em outubro na Proceedings of the Royal Society B, os pesquisadores mostram também que um macho competente deixa a aranha tão siderada, que fica fácil um espertinho que não fez esforço algum copular com ela sem que ninguém note. Malandragens do mundo silvestre.

perus.jpgMenos digno do dia das bruxas, mas não mais fácil, é a dança dos perus selvagens comuns nos Estados Unidos, da espécie Meleagris gallopavo.

Na foto ao lado, que peguei no flickr (johndykstraphotography), dá para ver um pouco da provação. Na época da corte, os machos eriçam as penas, abrem a cauda em leque, alteram a respiração de maneira que a cabeça fica azul, sem sangue, e alguns apêndices da cabeça ficam vermelhos e inflados de sangue. Eles seguram essa postura por um tempo enquanto dão umas corridinhas para a frente e gritam o proverbial “glu-glu-glu” que se ouve de longe, vindo do outro lado dos morros. Fazem isso por horas a fio, ao longo de semanas a fio.

Quando eu estava no doutorado, tinha desses bichos em Hastings, a estação de pesquisa do Museu de Zoologia de Vertebrados da Universidade da Califórnia em Berkeley, onde fiz parte do trabalho. Meu colega de laboratório Alan Krakauer estudava os perus e tive o privilégio de ajudá-lo algumas vezes. Mas mais do que ajudar, eu ficava era siderada com o desfile dos perus. Nada como as peruas, que catavam o chão com ar blasê. Tirei muitas fotos, inclusive, mas não pude usar nenhuma delas aqui porque estão em eslaide. O Alan estava tentando desvendar um mistério: esse trabalho todo para conquistar uma perua. Os machos se exibem em pares, como na foto. Será que ambos saem ganhando? Será que competem?

À custa de muito seguir os bichos, pôr armadilhas imensas, marcá-los, observá-los e fazer análises genéticas, ele descobriu que os perus selvagens são um caso típico de sedução cooperativa. Só um dos machos, sempre o mesmo, vai para o mato com a perua. O outro ajuda, com o balé coordenado, mas fica a ver navios. A genética compensa, segundo Alan: os parceiros são parentes, então de maneira indireta o macho secundário acaba passando seus genes adiante. É a seleção de parentesco (kin selection), ou regra de Hamilton (William D. Hamilton foi quem descreveu matematicamente a teoria). O trabalho com os perus rendeu artigo na Nature, em 2005.

manakin.jpgMas nem sempre a ajuda na conquista vem de solidariedade familiar. Outra parceira de doutorado, Emily DuVal (que agora é professora na Universidade Estadual da Flórida, a foto é do site do laboratório dela), estuda o simpático tangará Chiroxiphia lanceolata, no Panamá. Lá, um par de machos pousa num galho horizontal e salta voando um por cima do outro, como uma roda-gigante. Até convencer a fêmea. No caso deles, os parceiros de dança não são parentes. O que parece é que o macho subalterno ganha experiência enquanto está na função, e quem sabe um dia chega lá.

E Mercival Francisco, da Universidade Federal de São Carlos em Sorocaba, defende que o tangará-dançarino Chiroxiphia caudata, típico da Mata Atlântica, segue outro sistema. Em artigo publicado este ano na The Auk, ele mostra que grupos de machos dançarinos (aí são vários, não um par) podem ser ou não parentes. Como ele me disse quando fiz a matéria sobre o trabalho dele para a Pesquisa, que mencionei também aqui, eles tendem a ficar onde nasceram. Por acaso, podem acabar dançando com parentes.

Quando contei dos tangarás, minha prima Laura lamentou que os machos das aves sejam tão enfeitados e os nossos não. “Os homens têm ferraris”, brinquei. Ia passando um cara, não numa ferrari, mas com som alto e de olho nas mulheres que porventura o observassem. Nunca vi mulher fazer isso.

Imagem0216.jpgRecentemente, chegando a São Paulo, o trânsito apertou por causa de congestionamento na marginal. O cara da ferrari ficou tão entalado quanto eu, só que muito mais aflito. Não pude deixar de pensar que os machos do resto do mundo animal enfrentam custos altíssimos para impressionar as fêmeas. Os nossos não são mesmo muito diferentes. Não imagino que seja confortável, muito menos economicamente viável, ter um carro desses numa cidade de ruas esburacadas onde não se pode apertar muito o acelerador.

Darwin reservou um espaço especial para a seleção sexual em suas teorias, foi uma das maiores discordâncias que teve com Alfred Russel Wallace, codescobridor da seleção natural. Voltarei a isso em breve.

Stoltz JA, & Andrade MC (2009). Female’s courtship threshold allows intruding males to mate with reduced effort. Proceedings. Biological sciences / The Royal Society PMID: 19864292

Krakauer, A. (2005). Kin selection and cooperative courtship in wild turkeys Nature, 434 (7029), 69-72 DOI: 10.1038/nature03325

DuVal EH (2007). Adaptive advantages of cooperative courtship for subordinate male lance-tailed manakins. The American naturalist, 169 (4), 423-32 PMID: 17427119

Francisco, M., Gibbs, H., & Galetti, P. (2009). Patterns of Individual Relatedness at Blue Manakin Leks
The Auk, 126 (1), 47-53 DOI: 10.1525/auk.2009.08030

ResearchBlogging.org

Concurso de fotografias silvestres

Mais uma vez atendo à convocação do Carlos Hotta e escolho as minhas fotos favoritas do Wildlife Photographer of the Year. As do ano passado estão aqui. Cada pessoa pode publicar cinco fotos sem ferir os direitos do concurso. E não é nada fácil escolher só cinco!!! Estou aqui lutando para não pescar do lixo as que descartei. Vamos então às que ficaram. [Atualização: veja as fotos escolhidas pela Lucia Malla, a verdadeira lançadora dessa moda de escolher cinco fotos e mostrar pra todo mundo]

reflections.jpg

“Sem o jogo de luz, seria um retrato sem-graça de passarinho”, reflete o jovem fotógrafo finlandês Ilkka Räsänen. A foto é linda, mas a categoria em que foi premiada me impressionou ainda mais: fotógrafos com menos de 10 anos. Se agora ele tem a paciência e a sensibilidade necessárias para fazer uma foto dessas, espero continuar vendo o trabalho dele nos (muitos) próximos anos.

leopard descending.jpgMais uma foto de reflexos, desta vez reflexos rápidos. Ajit Huilgol estava fotografando a leoparda no alto duma árvore no sul da Índia, quando um barulho de carro assustou a felina. Mas não o fotógrafo, que não deixou de registrar como ela desafia a gravidade correndo na vertical. E para baixo, sempre ouvi dizer que gatos só podiam subir, e não descer, por causa da curvatura das garras. Quem sabe voar não precisa de garras.

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O agulhão-vela-do-Atlântico (Istiophorus) é um peixe esplêndido e pode nadar a mais de 100 quilômetros por hora. Ainda por cima é um craque na pesca, como mostra Paul Nicklen nessa foto tirada em mares mexicanos. Ele cerca cardumes, aqui de sardinhas, até elas se condensarem numa bola viva de peixes. Aí basta abocanhar. Me lembrou um vídeo lindo da National Geographic de uma dessas massas de peixes servindo de festim para atuns e outros predadores. Veja aqui.

baboon bonding.jpgA foto é um truque, com resultado quase inacreditável. Não foi tirada na escuridão quase total. No South Luangwa National Park, no Zâmbia, Patrick Bentley fotografou esses babuínos contra a luz, para ressaltar os pelos do contorno, e subexpôs a foto. O resultado me transmite paz, como se esses dois macacos ocupados em catar pulgas um do outro não estivessem em meio a um bando de 30.

sun touched tulip.jpgDe despedida, uma tulipa (Tulipa sylvestris) que Serge Tollari encontrou caminhando pelo sul da França. Uma das minhas flores favoritas (tulipas em geral, essa espécie nunca vi) num dos meus lugares favoritos. Ambos têm uma simplicidade que é beleza pura.

Brasil e a COP-15: afinal, qual é a estratégia?

A economia brasileira é pouco competitiva relativamente às de outros
países emergentes num cenário de transição para uma economia de baixa
emissão de carbono, de acordo com um relatório divulgado no mês passado
(14/9) pelas organizações não governamentais E3G e The Climate
Institute. O relatório, centrado apenas nos países do G20, entra no rol
de documentos que alimentarão a 15a Conferência das Partes sobre
Mudanças Climáticas (COP-15), a realizar em Dezembro em Copenhague. No
Brasil, a competitividade é também a preocupação de grupos de empresas
que assumem um padrão de desenvolvimento futuro baseado em economias de
baixo carbono. Enquanto isso, o Plano de Mudanças Climáticas do Brasil
é enfraquecido pela ausência de relatórios detalhados de emissões de
gases com efeito de estufa.

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Árvores em flor: jacarandá-mimoso

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São Paulo (Campinas também) anda cheia de espetaculares manchas roxas. São os jacarandás-mimosos, que na foto dão um toque de cor às margens do lago do Ibirapuera (aquele mesmo onde há dez dias os peixes não conseguiam respirar).

Nativo da Mata Atlântica Bolívia e da Argentina (correção do Pedro), o jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosaefolia) perde as folhas no inverno e na primavera se veste de flores arroxeadas em forma de sino. São flores parecidas com as do ipê-amarelo, que andou florido há cerca de um mês – são árvores da mesma família, as bignoniáceas.

O fruto é uma cápsula achatada, como dois discos de madeira que acabam por separar-se e liberar montes de sementes bem pequenas, que saem voando com ajuda de uma fina membrana que funciona como asa-delta.

É uma árvore de porte moderado, chega a cerca de 15 metros, e suas raízes não destroem calçadas. É por isso uma boa escolha para arborização urbana, a ponto de ser exportada para outros países onde ela não é nativa, como a África do Sul. Sorte de quem vive nas cidades onde uma vez por ano se pode esperar essa festa colorida.

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