{"id":1298,"date":"2015-05-21T03:03:25","date_gmt":"2015-05-21T03:03:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdivulgaciencia.wordpress.com\/?p=1298"},"modified":"2015-05-21T03:03:25","modified_gmt":"2015-05-21T03:03:25","slug":"novos-artigos-uma-tipografia-ideal-para-o-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2015\/05\/21\/novos-artigos-uma-tipografia-ideal-para-o-portugues\/","title":{"rendered":"Novos Artigos &#8211; Uma tipografia ideal para o portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Influ\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o anglo-sax\u00e3 afeta legibilidade e apar\u00eancia de textos em portugu\u00eas brasileiros<\/strong><strong><br style=\"font-style:inherit;font-weight:inherit\" \/> <\/strong><em style=\"font-weight:inherit\">Por Bruno Vaiano, publicado na<\/em><em>\u00a0<\/em><em><a style=\"font-style:inherit;font-weight:inherit\" href=\"http:\/\/200.144.182.150\/aun\/exibir.php?id=6711&amp;edicao=1187\">Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias<\/a><\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"  wp-image-1306 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/05\/tipografia2.png\" alt=\"tipografia2\" width=\"186\" height=\"135\" \/>\u201cSe a impress\u00e3o \u00e9 a arte negra, o design de livro pode ser a arte invis\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>Robert Bringhurst, estudioso do design de livros, refor\u00e7a na introdu\u00e7\u00e3o de \u2018Elementos do Estilo Tipogr\u00e1fico\u2019 a quase sempre esperada discri\u00e7\u00e3o do bom projeto gr\u00e1fico em uma obra impressa.<\/p>\n<p>Luiz Fukushiro, em <a title=\"USP\" href=\"http:\/\/www.revistas.usp.br\/posfau\/article\/view\/90259\" target=\"_blank\">artigo<\/a> originado de trabalho apresentado ao final do curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em \u2018Design e Humanidade\u2019, no Centro Universit\u00e1rio Maria Ant\u00f4nia, talvez busque um invis\u00edvel devidamente brasileiro. Sua analise de pares de caracteres na obra de Machado de Assis revelou peculiaridades da composi\u00e7\u00e3o tipogr\u00e1fica ideal para o texto tupiniquim, um estudo que envolveu sociologia, hist\u00f3ria e at\u00e9 matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>A tipografia, como ci\u00eancia ou arte, depende do equil\u00edbrio entre sua vis\u00e3o como uma representa\u00e7\u00e3o visual criativa e em si mesma e como um suporte para outras manifesta\u00e7\u00f5es. O autor cita Jan Tschichold, que, reconhecido por ser expoente not\u00e1vel da aplica\u00e7\u00e3o de premissas modernistas ao design de caracteres, transitou ao longo de sua vida entre os extremos dessa escala. \u201cEle, que fazia parte da Bauhaus (c\u00e9lebre escola alem\u00e3 de design), ajudou a tornar popular, atrav\u00e9s de um manifesto, os tipos \u2018grotescos\u2019 (os \u2018sem-serifa\u2019 estilo Helv\u00e9tica) e o uso de caixa-baixa\u201d.<\/p>\n<p>O que exatamente significa isso? Esta mat\u00e9ria (originalmente) foi composta em uma fonte sem serifas, a \u2018Verdana\u2019. Ela n\u00e3o possui as pequenas hastes e extens\u00f5es que ornam tipos como a c\u00e9lebre \u2018Times New Roman\u2019, e foi projetada para se adequar aos \u2018pixels\u2019 do mundo virtual, que poderiam dificultar a exibi\u00e7\u00e3o de detalhes em baixas resolu\u00e7\u00f5es. H\u00e1 quem defenda que as serifas possam conferir maior ritmo de leitura ao texto pelo seu efeito visual, mas sua presen\u00e7a decresceu com a aplica\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios b\u00e1sicos das artes do in\u00edcio do s\u00e9culo 20. \u201cSe formos pensar, (o uso de tipos \u2018grotescos\u2019) condiz com as premissas modernas: economia, formas geom\u00e9tricas essenciais e universalismo\u201d, afirma Luiz.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, as serifas s\u00e3o encontradas em jornais ou publica\u00e7\u00f5es da \u00e1rea de direito, enquanto sua aus\u00eancia dever\u00e1 lembrar, por exemplo, a sinaliza\u00e7\u00e3o de uma esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 ou de um aeroporto. Os sistemas sobre trilhos de Nova York e S\u00e3o Paulo, de forma curiosa, compartilham a \u2018Helv\u00e9tica\u2019 citada anteriormente.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas coisas essenciais para se compreender aqui: uma \u00e9 que a fonte ao mesmo tempo define e ajuda a veicular o \u2018clima\u2019 que determinado ambiente ou publica\u00e7\u00e3o deve passar, a outra \u00e9 que isso depende diretamente de detalhes de seu desenho: \u201cCat\u00e1logos de arte costumam utilizar grotescas, como a Helv\u00e9tica, para dar neutralidade, replicar a \u2018caixa branca\u2019 do museu, \u00e9 uma sofistica\u00e7\u00e3o pelo m\u00ednimo. Uma Bodoni \u00e9, por suas propor\u00e7\u00f5es, mais imponente, n\u00e3o combinaria com o t\u00edtulo de uma com\u00e9dia em um cartaz de cinema. Assim como os jornais e revistas de not\u00edcias preferem ficar nas serifadas humanistas, para replicar a Times, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de paradigma na \u00e1rea\u201d, afirma Luiz.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1301\" aria-describedby=\"caption-attachment-1301\" style=\"width: 595px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/05\/tipografia.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1301 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/05\/tipografia.png\" alt=\"tipografia\" width=\"595\" height=\"453\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/05\/tipografia.png 595w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/05\/tipografia-300x228.png 300w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1301\" class=\"wp-caption-text\">Nas aventuras de &#8220;Asterix, o Gaul\u00eas&#8221;, a tipografia toma o lugar da l\u00edngua. Os povos germ\u00e2nicos, apesar de perfeitamente intelig\u00edveis para o leitor, carregam a marca cultural nos caracteres g\u00f3ticos. Cr\u00e9dito: majorspoilers.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>A tipografia pretende ser invis\u00edvel, mas n\u00e3o \u00e9. O leitor percebe, consciente ou inconscientemente, suas sutilezas. Pensando nisso, o autor do artigo mergulhou na complexa tarefa de domar o nosso portugu\u00eas \u00fanico, constitu\u00eddo de um mundo de influ\u00eancias variadas, todas fundidas em um contexto de domina\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o cultural. Os problemas j\u00e1 come\u00e7am no nosso pr\u00f3prio alfabeto, compartilhado por boa parte do mundo ocidental. \u201dReportamos aos gregos e aos romanos assim como o alem\u00e3o\u201d, diz Luiz, mas \u201cn\u00e3o temos uma tradi\u00e7\u00e3o brasileira de tipografia como os alem\u00e3es\u201d, o que torna o portugu\u00eas alvo f\u00e1cil da adequa\u00e7\u00e3o a modelos estrangeiros. Isso \u00e9 resultado de nossa tradi\u00e7\u00e3o escrita jovem e da introdu\u00e7\u00e3o tardia, limitada e censurada da imprensa no Brasil, com D. Jo\u00e3o em 1808.<\/p>\n<p>\u201cO que hoje se chama de tipografia brasileira ou \u00e9 a \u201dtipografia vernacular&#8221;, que s\u00e3o tipos inspirados em letreiros de rua (cartazes de pre\u00e7os), ou uma tentativa de construir localmente os princ\u00edpios da tipografia industrial (para a ind\u00fastria editorial e publicit\u00e1ria, principalmente). Acontece que h\u00e1 estudos que mostram que mesmo os letreiros de rua t\u00eam como base as fontes europ\u00e9ias.\u201d<\/p>\n<p>Fukushiro investiu, portanto, em detalhes, tentando vencer algumas barreiras mais discretas da importa\u00e7\u00e3o de fontes. Uma delas \u00e9 a acentua\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica simplificada em rela\u00e7\u00e3o ao design dos demais caracteres, problema herdado dos s\u00edmbolos diferentes do alem\u00e3o ou simplesmente inexistentes, no caso do ingl\u00eas. A outra \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o de vogais acentuadas com os demais elementos: \u201cMuitos manuais de tipografia falam sobre o espa\u00e7amento entre as letras, mas poucos falam dos encontros com vogais com diacr\u00edticos (\u2018\u00e3\u2019, \u00ea\u2019 e \u2018\u00f3\u2019, por exemplo), que s\u00e3o um grande problema ao utilizar as fontes criadas em pa\u00edses de l\u00edngua inglesa e alem\u00e3, que em alguns casos nem os t\u00eam desenhados de forma detalhada\u201d.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es tamb\u00e9m v\u00e3o al\u00e9m da l\u00edngua em si e se pautam no efeito visual das letras no papel. O encontro \u2018rn\u2019, t\u00e3o comum no portugu\u00eas, ser\u00e1 facilmente confundido com um \u2018m\u2019 com o espa\u00e7amento incorreto entre os caracteres. J\u00e1 o encontro \u2018ffl\u2019, encontrado no alem\u00e3o, n\u00e3o representa um problema para n\u00f3s. A diferen\u00e7a tamb\u00e9m aparece na \u2018mancha visual\u2019 dos elementos: o maior n\u00famero de vogais em textos lus\u00f3fonos ocupa mais espa\u00e7o e gera mais \u00e1reas brancas do que a grande concentra\u00e7\u00e3o de consoantes das l\u00ednguas germ\u00e2nicas.<\/p>\n<p>Para informa\u00e7\u00f5es completas, \u00e9 s\u00f3 acessar o artigo, dispon\u00edvel na\u00a0<a style=\"font-style:inherit;font-weight:inherit\" href=\"http:\/\/www.revistas.usp.br\/posfau\/issue\/view\/7016\/showToc\">revista &#8216;P\u00f3s&#8217;, da FAU<\/a>, no portal de revistas da USP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Influ\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o anglo-sax\u00e3 afeta legibilidade e apar\u00eancia de textos em portugu\u00eas brasileiros Por Bruno Vaiano, publicado na\u00a0Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias \u201cSe a impress\u00e3o \u00e9 a arte negra, o design de livro pode ser a arte invis\u00edvel\u201d. 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