{"id":2801,"date":"2016-06-07T09:00:10","date_gmt":"2016-06-07T12:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/?p=2801"},"modified":"2016-06-07T11:24:06","modified_gmt":"2016-06-07T14:24:06","slug":"cultura-e-os-numeros-do-estupro-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2016\/06\/07\/cultura-e-os-numeros-do-estupro-no-brasil\/","title":{"rendered":"A cultura e os n\u00fameros do estupro no Brasil"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2802\" aria-describedby=\"caption-attachment-2802\" style=\"width: 484px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/06\/2015-03-06_07-17-30_1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2802 \" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/06\/2015-03-06_07-17-30_1.jpg\" alt=\"Imagem - Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"484\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/06\/2015-03-06_07-17-30_1.jpg 1000w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/06\/2015-03-06_07-17-30_1-300x207.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/06\/2015-03-06_07-17-30_1-768x529.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 484px) 100vw, 484px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2802\" class=\"wp-caption-text\">Imagem &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<h5><\/h5>\n<h5><\/h5>\n<h5>\u00a0 \u00a0 Carolina Medeiros<\/h5>\n<p>Nos \u00faltimos dias o debate a cerca do estupro ganhou for\u00e7a no pa\u00eds em fun\u00e7\u00e3o de um de estupro coletivo, envolvendo uma adolescente de 16 anos e 33 homens no Morro do Bar\u00e3o, no Rio de Janeiro. De acordo com o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, em 2015, o Brasil registrou 47.646 casos de estupro, uma m\u00e9dia de um estupro a cada 11 minutos. Por\u00e9m, os especialistas acreditam que esse n\u00famero pode ser ainda maior \u2013 entre 36 mil e 476 mil casos \u2013 uma vez que a maior parte dos casos n\u00e3o chega ao conhecimento da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Um recente estudo, <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/csc\/v21n2\/1413-8123-csc-21-02-0563.pdf\">\u201cServi\u00e7os de aborto legal no Brasil \u2013 um estudo nacional\u201d<\/a> (<em>Ci\u00eancia e sa\u00fade coletiva<\/em>, v.21, n.2, fev. 2016), analisou 1283 prontu\u00e1rios de mulheres que realizaram o aborto em 68 cl\u00ednicas em todo pa\u00eds. A pesquisa apontou que destas mulheres, 94% foram v\u00edtimas de estupro, sendo essa a causa para a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez; enquanto a anencefalia representou 4% dos casos, e o risco de morte da mulher e outras malforma\u00e7\u00f5es do feto representaram 2% dos casos cada um.<\/p>\n<p>A pesquisa apontou ainda o perfil destas mulheres: idade entre 15 e 19 anos (22%), ensino fundamental completo (35%), s\u00e3o solteiras (71%), se declaram brancas (51%) e cat\u00f3licas (43%). Apesar destes n\u00fameros e o aborto em caso de estupro ser legal no pa\u00eds, os pesquisadores destacam que \u201cainda existem muitos impedimentos para a adequada assist\u00eancia \u00e0s mulheres que buscam o aborto legal no Brasil\u201d. Entre as raz\u00f5es para esta dificuldade o artigo destaca a inexist\u00eancia de equipe m\u00e9dica espec\u00edfica para a realiza\u00e7\u00e3o do atendimento, o despreparo t\u00e9cnico e o desconhecimento da legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar desses significativos n\u00fameros, eles ilustram parte do\u00a0desconhecimento sobre os casos que chegam \u00e0 pol\u00edcia. Conforme declara o relat\u00f3rio \u201c<a href=\"http:\/\/repositorio.ipea.gov.br\/bitstream\/11058\/5780\/1\/NT_n11_Estupro-Brasil-radiografia_Diest_2014-mar.pdf\">Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Sa\u00fade &#8211; 2014\u201d<\/a>, do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), apenas 10% dos casos chegam ao conhecimento da pol\u00edcia, o que mostra que a maioria das v\u00edtimas realiza o aborto, mas n\u00e3o denunciam a viol\u00eancia . O estudo traz ainda dados que definem o perfil predominante das v\u00edtimas: 88,5% eram do sexo feminino, mais da metade com menos de 13 anos de idade, 46% n\u00e3o possu\u00edam o ensino fundamental completo e 51% se declaram de cor negra ou parda.<\/p>\n<p>Quanto ao perfil dos agressores os autores apontam que no caso de estupros envolvendo crian\u00e7as, 24,1% dos agressores s\u00e3o os pr\u00f3prios pais ou padrastos e que 32,2% s\u00e3o amigos ou conhecidos da v\u00edtima. Conforme a idade da v\u00edtima aumenta, muda tamb\u00e9m o perfil do agressor, que passa a ser formado por 60% de pessoas desconhecidas \u00e0 v\u00edtima. \u201cO desenvolvimento social e a garantia de direitos b\u00e1sicos de dignidade e liberdade sexual passa por superar a retr\u00f3grada cultura do machismo e o quadro de viola\u00e7\u00f5es sexuais, o que imp\u00f5e enormes desafios ao Estado Brasileiro\u201d, concluem os autores do estudo.<\/p>\n<p>O estudo aponta ainda que quando o agressor \u00e9 o marido ou namorado da v\u00edtima as chances de den\u00fancia diminuem em 45%, um indicador que, segundos os organizadores da pesquisa, \u201crevela, de certa maneira, a dificuldade do Estado em romper um ciclo de viol\u00eancia que ocorre dentro dos lares; o desenvolvimento social e a garantia de direitos b\u00e1sicos de dignidade e liberdade sexual passa por superar a retr\u00f3grada cultura do machismo e o quadro de viola\u00e7\u00f5es sexuais, o que imp\u00f5e enormes desafios ao Estado Brasileiro\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 o artigo \u201cConven\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e Viol\u00eancia Sexual: a Cultura do Estudo no Ciberespa\u00e7o\u201d (<em>Revista Contempor\u00e2nea \u2013 Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura<\/em>, v. 13, n. 2, 2015) procurou analisar as percep\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia sexual em um debate online. O estudo aponta que o car\u00e1ter an\u00f4nimo e as rela\u00e7\u00f5es ef\u00eameras e dissol\u00faveis, comuns ao ciberespa\u00e7o, promoveram e tornaram expl\u00edcitas posi\u00e7\u00f5es que refletem uma sociedade que atribui \u00e0 v\u00edtima a culpa pelo estupro, dificultando assim a criminaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia sexual. Essa \u00e9 uma conclus\u00e3o que pode ser tamb\u00e9m identificada nos coment\u00e1rios em redes sociais como o Facebook ou Twitter em postagens relacionadas a casos de estupro.<\/p>\n<p>Na tentativa de mudar a realidade de viol\u00eancia sexual contra as mulheres, o governo federal anunciou, no \u00faltimo dia 31, a cria\u00e7\u00e3o de um n\u00facleo de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero e um cadastro nacional de medidas restritivas contra agressores. Para o presidente interino, Michel Temer, essa a\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de combater a viol\u00eancia e tamb\u00e9m dar suporte aos estados para que punam os respons\u00e1veis. Para o atual ministro da Justi\u00e7a e Cidadania, Alexandre de Moraes, as medidas s\u00e3o um salto gigantesco e efetivo nas a\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a. \u201cS\u00e3o a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o que v\u00e3o repercutir na ponta, no sistema de seguran\u00e7a dos estados e no combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher\u201d, defendeu ele.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Delegacia de Defesa da Mulher (DDM)<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 31 anos surgia no estado de S\u00e3o Paulo a primeira Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) &#8211; atualmente s\u00e3o 132 unidades no estado \u2013para combater as diversas formas de viol\u00eancia de g\u00eanero. A Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo divulga, mensalmente, dados sobre viol\u00eancia no Brasil. Em 2015, cerca de 13% das v\u00edtimas de homic\u00eddios dolosos ocorridos no Estado de S\u00e3o Paulo foram mulheres, sendo que uma a cada 100 mortes intencionais tem vest\u00edgios de viol\u00eancia sexual.<\/p>\n<p>Ainda em S\u00e3o Paulo, as secretarias de Seguran\u00e7a, Sa\u00fade e Desenvolvimento Social s\u00e3o respons\u00e1veis pelo programa Bem-Me-Quer, no qual crian\u00e7as, adolescentes e adultas v\u00edtimas de estupro recebem um atendimento especial, no Hospital P\u00e9rola Byington, desde 2002. O objetivo \u00e9 oferecer um atendimento humanizado que ajude a v\u00edtima a amenizar as dificuldades e a recuperar a autoestima. O programa prev\u00ea assist\u00eancia social, psicol\u00f3gica e m\u00e9dica, que inclui a oferta de rem\u00e9dios retrovirais para inibir a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus HIV e de outras doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis, al\u00e9m de prevenir a gravidez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 Carolina Medeiros Nos \u00faltimos dias o debate a cerca do estupro ganhou for\u00e7a no pa\u00eds em fun\u00e7\u00e3o de um de estupro coletivo, envolvendo uma adolescente de 16 anos e 33 homens no Morro do Bar\u00e3o, no Rio de Janeiro. 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