{"id":2858,"date":"2016-07-06T02:19:11","date_gmt":"2016-07-06T05:19:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/?p=2858"},"modified":"2016-07-08T09:34:02","modified_gmt":"2016-07-08T12:34:02","slug":"revistas-das-ciencias-humanas-sob-pressao-para-internacionalizar-seus-conteudos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2016\/07\/06\/revistas-das-ciencias-humanas-sob-pressao-para-internacionalizar-seus-conteudos\/","title":{"rendered":"Revistas das ci\u00eancias humanas sob press\u00e3o para internacionalizar seus conte\u00fados"},"content":{"rendered":"<p>Por K\u00e1tia Kishi<\/p>\n<figure id=\"attachment_2862\" aria-describedby=\"caption-attachment-2862\" style=\"width: 558px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/07\/23-06-20160015-copy.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2862\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/07\/23-06-20160015-copy-1024x673.jpg\" alt=\"23-06-20160015 copy\" width=\"558\" height=\"370\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2862\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito da imagem: Roberto Jesus Oscar &#8211; COC Fiocruz<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">O <a href=\"http:\/\/blog.scielo.org\/blog\/2014\/12\/16\/a-internacionalizacao-dos-periodicos-foi-tema-central-da-iv-reuniao-anual-do-scielo\/#.V3aYPdIrJdg\">projeto SciELO<\/a> surgiu como uma estrat\u00e9gia de promo\u00e7\u00e3o e melhoria das revistas cient\u00edficas brasileiras, sobretudo das ci\u00eancias humanas em acesso aberto, como forma de melhorar a circula\u00e7\u00e3o, visibilidade e para contribuir em debates mais amplos. Depois de 16 anos, essa biblioteca cient\u00edfica virtual atende a todas as \u00e1reas do conhecimento, cobre 15 pa\u00edses e fortalece as estrat\u00e9gias de internacionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por\u00e9m, no Brasil, as revistas indicam a predomin\u00e2ncia do portugu\u00eas como idioma dos artigos e grande porcentagem de autores nacionais com poucas parcerias plurinacionais. Esse contexto fez com que o SciELO Brasil estabelecesse <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/avaliacao\/20141003NovosCriterios_SciELO_Brasil.pdf\">novos crit\u00e9rios<\/a> de indexa\u00e7\u00e3o na inten\u00e7\u00e3o de uma maior visibilidade e credibilidade internacional. Os crit\u00e9rios definem uma porcentagem geral m\u00ednima de 60%, e recomend\u00e1vel 75% (vari\u00e1vel por \u00e1rea, confira nas tabelas), de artigos na l\u00edngua inglesa, al\u00e9m de porcentagens (tamb\u00e9m vari\u00e1vel por \u00e1rea) de autores, pareceristas e editores estrangeiros nas revistas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2875\" aria-describedby=\"caption-attachment-2875\" style=\"width: 585px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/07\/Nova-Imagem.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2875 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/07\/Nova-Imagem.jpg\" alt=\"Fonte: Crit\u00e9rios SciELO\" width=\"585\" height=\"430\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/07\/Nova-Imagem.jpg 585w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/07\/Nova-Imagem-300x221.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2875\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Crit\u00e9rios SciELO<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2874\" aria-describedby=\"caption-attachment-2874\" style=\"width: 589px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/07\/Nova-Imagem-2.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2874 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/07\/Nova-Imagem-2.jpg\" alt=\"Fonte: Crit\u00e9rios SciELO\" width=\"589\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/07\/Nova-Imagem-2.jpg 589w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/07\/Nova-Imagem-2-300x215.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/07\/Nova-Imagem-2-155x110.jpg 155w\" sizes=\"(max-width: 589px) 100vw, 589px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2874\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Crit\u00e9rios SciELO<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar das justificativas da base indexadora, o termo \u201cinternacionaliza\u00e7\u00e3o\u201d continua gerando conflitos entre editores sobre as exig\u00eancias e o que realmente \u00e9 efetivo e sustent\u00e1vel, principalmente porque ela implica em custos mais elevados com recursos humanos, tradu\u00e7\u00f5es e revis\u00f5es, havendo um desequil\u00edbrio das revistas latino-americanas, por exemplo, com as de pa\u00edses anglos sax\u00f5es, explica Stefan Pohl-Valero, da colombiana <a href=\"http:\/\/revistas.urosario.edu.co\/index.php\/revsalud\"><em>Revista Ciencias de la Salud<\/em><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Regina Horta, editora do peri\u00f3dico brasileiro <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_serial&amp;pid=0104-8775&amp;lng=en&amp;nrm=iso\"><em>Varia Hist\u00f3ria<\/em><\/a><em>,<\/em> tamb\u00e9m argumenta que algumas revistas podem acabar sendo injustas com autores e leitores ao aceitarem um artigo em ingl\u00eas com qualidade inferior de um em portugu\u00eas apenas para atenderem exig\u00eancias de indexa\u00e7\u00e3o. A editora tamb\u00e9m lembra que a internacionaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um meio \u201cpara garantir um conhecimento de qualidade em circula\u00e7\u00e3o\u201d, mas n\u00e3o deve se basear apenas em porcentagens de autores estrangeiros ou quantos artigos est\u00e3o em ingl\u00eas, principalmente porque devido aos altos custos, algumas revistas podem ter tradu\u00e7\u00f5es que desvalorizam a pesquisa: \u201cS\u00e3o crit\u00e9rios de indexa\u00e7\u00e3o que existem, no entanto, eles n\u00e3o s\u00e3o suficientes. Eles s\u00e3o necess\u00e1rios. \u00c9 importante que haja uma diversidade de l\u00ednguas, \u00e9 importante que haja autores de institui\u00e7\u00f5es diferentes, mas s\u00f3 isso n\u00e3o basta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Horta tamb\u00e9m defende que no caso das revistas brasileiras, o espanhol deve ser repensado como estrat\u00e9gia de internacionaliza\u00e7\u00e3o, principalmente por conta das parcerias na Am\u00e9rica Latina. Alfredo \u00c1vila, editor da <a href=\"http:\/\/www.historicas.unam.mx\/publicaciones\/revistas\/moderna\/moderna.html\"><em>Estudios de Historia Moderna y Contempor\u00e1nea de M\u00e9xico<\/em><\/a><em>,<\/em> tamb\u00e9m intercede pela considera\u00e7\u00e3o do espanhol como l\u00edngua influente, j\u00e1 que \u00e9 a terceira mais falada no mundo, e exemplifica com a experi\u00eancia de sua revista, na qual os autores norte-americanos que publicam mant\u00eam os artigos em espanhol, indo na contram\u00e3o do ingl\u00eas como ferramenta de internacionaliza\u00e7\u00e3o: \u201cNas ci\u00eancias duras se insiste na publica\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas, mas n\u00f3s partimos da ideia que nossa revista publica artigos do M\u00e9xico e Am\u00e9rica Latina e todos os especialistas de M\u00e9xico e Am\u00e9rica Latina no mundo (seja na China, Estados Unidos ou Europa) entendem espanhol, pelo menos leem em espanhol. Ent\u00e3o, acreditamos que o espanhol \u00e9 uma l\u00edngua internacional\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nelson Sanjad, editor adjunto da <em>Hist\u00f3ria, Ci\u00eancia, Sa\u00fade \u2013 Manguinhos (<\/em><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_serial&amp;pid=0104-5970&amp;lng=en&amp;nrm=iso\"><em>HCSM<\/em><\/a><em>), <\/em>lembra que a internacionaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais complexa que a defini\u00e7\u00e3o de uma l\u00edngua comum ou de editores e autores estrangeiros, caindo nas quest\u00f5es sobre a ci\u00eancia produzida no Brasil: \u201cComo conversar sobre a internacionaliza\u00e7\u00e3o se a nossa tradi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, a ci\u00eancia brasileira, tem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, nacionais e soberanas? Temos que olhar esses aspectos todos porque, por mais que tenhamos todos os peri\u00f3dicos escritos em ingl\u00eas, editores de outros pa\u00edses, autores publicando em nossas revistas, pode ser que as nossas revistas continuem sendo vistas no exterior como revistas brasileiras que publicam, sobretudo, artigos realizados no Brasil e sobre o Brasil.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As discuss\u00f5es foram realizadas no Rio de Janeiro durante o \u201c1\u00ba <a href=\"http:\/\/www.revistahcsm.coc.fiocruz.br\/editores-debatem-desafios-de-periodicos-interdisciplinares\/\">Workshop<\/a> Internacional sobre os Desafios de Revistas Interdisciplinares\u201d, organizado pela revista <em>Hist\u00f3ria, Ci\u00eancia, Sa\u00fade \u2013 Manguinhos (<\/em><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_serial&amp;pid=0104-5970&amp;lng=en&amp;nrm=iso\"><em>HCSM<\/em><\/a><em>) <\/em>com o peri\u00f3dico ingl\u00eas <em>Journal of Latin American Studies (<\/em><a href=\"http:\/\/ilas.sas.ac.uk\/publications\/journal-latin-american-studies\"><em>JLAS<\/em><\/a><em>)<\/em> e apoio da <em>British Academy,<\/em> no final do m\u00eas de junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Confira outras not\u00edcias sobre o evento:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2016\/07\/04\/acesso-aberto-de-revistas-cientificas-e-cada-vez-mais-desejado-mas-esbarra-em-desafios-relativos-ao-financiamento\/\">Acesso aberto de revistas cient\u00edficas \u00e9 cada vez mais desejado, mas esbarra em desafios relativos ao financiamento<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2016\/07\/07\/divulgacao-cientifica-e-estrategia-para-visibilidade-de-revistas-interdisciplinares\/\">Divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 estrat\u00e9gia para visibilidade de revistas interdisciplinares<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2016\/07\/08\/produtivismo-academico-traz-novas-demandas-para-as-revistas-cientificas\/\">Produtivismo acad\u00eamico traz novas demandas para as revistas cient\u00edficas<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por K\u00e1tia Kishi O projeto SciELO surgiu como uma estrat\u00e9gia de promo\u00e7\u00e3o e melhoria das revistas cient\u00edficas brasileiras, sobretudo das ci\u00eancias humanas em acesso aberto, como forma de melhorar a circula\u00e7\u00e3o, visibilidade e para contribuir em debates mais amplos. 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