{"id":2914,"date":"2016-08-10T13:25:47","date_gmt":"2016-08-10T16:25:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/?p=2914"},"modified":"2016-09-13T11:59:32","modified_gmt":"2016-09-13T14:59:32","slug":"ataques-de-escorpiao-um-problema-de-saude-publica-no-ceara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2016\/08\/10\/ataques-de-escorpiao-um-problema-de-saude-publica-no-ceara\/","title":{"rendered":"Ataques de escorpi\u00e3o: um problema de sa\u00fade p\u00fablica no Cear\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Carolina Medeiros<\/p>\n<p>Um estudo publicado na <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0036-46652016005000213&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=en\">Revista do Instituto de Medicina Tropical de S\u00e3o Paulo (vol. 58, 2016), \u00a0<\/a>\u00a0e liderado por pesquisadores da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), apontou que entre os anos de 2007 e 2013, o estado do Cear\u00e1 registrou 11.134 casos de ataques por escorpi\u00e3o, o que representa 14% dos casos de todo o pa\u00eds (74.598). A pesquisa, conclui ainda que a frequ\u00eancia de casos foi maior nas \u00e1reas urbanas (86,45%) do que nas \u00e1reas rurais (11,92%). Para os respons\u00e1veis pelo estudo, a alta incid\u00eancia destes casos na regi\u00e3o est\u00e1 associada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e urbanas do Estado. \u201cA f\u00e1cil adapta\u00e7\u00e3o dos escorpi\u00f5es para a vida urbana contribui para o aumento de tais acidentes, e a pouca varia\u00e7\u00e3o no n\u00famero de casos entre os meses pode ser atribu\u00edda \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas da regi\u00e3o, que \u00e9 caracterizada por uma temperatura m\u00e9dia anual de 28 \u00baC, variando pouco entre ver\u00e3o e inverno, especialmente quando comparado com as regi\u00f5es Sul e Sudeste\u201d, afirmam.<\/p>\n<p>A pesquisa apontou ainda que a baixa incid\u00eancia de mortes (0,07%) pode estar associada \u00e0 rapidez com que a maioria dos casos foi tratada, at\u00e9 tr\u00eas horas ap\u00f3s o ataque. Entre estes casos, a soroterapia foi administrada em apenas 835 casos de acidentes. Outro dado apontado est\u00e1 no perfil destas v\u00edtimas, 7.058 (63%) s\u00e3o mulheres.\u00a0 Com isso, os pesquisadores defendem a necessidade de a\u00e7\u00f5es preventivas contra as picadas de escorpi\u00e3o durante o ano, enfatizando que os animais est\u00e3o buscando se adaptar aos espa\u00e7os urbanos, com clara prefer\u00eancia por locais com concentra\u00e7\u00e3o de lixo dom\u00e9stico. \u201cNeste sentido, controle e preven\u00e7\u00e3o s\u00e3o essenciais para reduzir a incid\u00eancia de casos, e sua efic\u00e1cia depende de a\u00e7\u00f5es multidisciplinares que envolvem ag\u00eancias de sa\u00fade p\u00fablica, gest\u00e3o ambiental, e da comunidade com o objetivo de evitar condi\u00e7\u00f5es de sedimenta\u00e7\u00e3o favor\u00e1veis para a prolifera\u00e7\u00e3o de escorpi\u00f5es\u201d, defendem os pesquisadores da Universidade de Campina Grande (UFCG).<\/p>\n<p>De acordo com o boletim epidemiol\u00f3gico divulgado Pela Secretaria de Sa\u00fade do Cear\u00e1 em julho passado, entre 2007 e maio deste ano, foram notificados 28.402 acidentes por animais pe\u00e7onhentos, 24.663 casos (88,5% deles), relacionados a escorpi\u00f5es e serpentes. Dados que refor\u00e7am a decis\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) de incluir os ataques por animais pe\u00e7onhentos na lista de doen\u00e7as negligenciadas em pa\u00edses tropicais. Ainda de acordo com o boletim, em 2016 foram registrados 1.634 ataques, sendo 1.170 dos acidentes (72%) causados por escorpi\u00e3o, seguido da serpente, com 300 (18%), abelha 61 (4%), aranha 47 (3%) e a lagarta 7 (0,4%), com registro de tr\u00eas mortes, uma por serpente e duas por aranha.<\/p>\n<p>As ferroadas de escorpi\u00e3o resultaram em 18.494 casos, causando 14 mortes; n\u00famero superior aos acidentes com picadas de cobra que representaram 6.169 das ocorr\u00eancias, com 33 v\u00edtimas fatais de maio de 2007 at\u00e9 maio deste ano.<\/p>\n<p>Embora os dados apontados pelo estudo sejam alarmantes, a Secret\u00e1ria de Sa\u00fade do Cear\u00e1 afirma ainda que tem tomado diversas medidas na tentativa de evitar os ataques, dentre elas, campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o. O foco dessas campanhas \u00e9 alertar para os riscos de depositar ou acumular lixo e entulhos pr\u00f3ximos \u00e0s casas; fazer piquenique \u00e0s margens de rios, lagos ou lagoas, e n\u00e3o encostar-se a barrancos durante pescarias ou outras atividades. As campanhas incentivam ainda \u00e0 popula\u00e7\u00e3o a limpar regularmente m\u00f3veis e cortinas; vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodap\u00e9s; al\u00e9m da utiliza\u00e7\u00e3o de telas, portas e janelas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2915\" aria-describedby=\"caption-attachment-2915\" style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/08\/Escorpi\u00e3o.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2915 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2016\/08\/Escorpi\u00e3o.png\" alt=\"Escorpi\u00e3o (Tityus stigmurus) conhecido como &quot;Escorpi\u00e3o do Nordeste&quot;, junto com o &quot;Escorpi\u00e3o Marrom&quot; (Tityus serrulatus) s\u00e3o as principais causas de acidentes no pa\u00eds. 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