{"id":3126,"date":"2017-01-19T14:14:57","date_gmt":"2017-01-19T17:14:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/?p=3126"},"modified":"2017-01-19T14:21:30","modified_gmt":"2017-01-19T17:21:30","slug":"mortalidade-materna-e-neonatal-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2017\/01\/19\/mortalidade-materna-e-neonatal-no-brasil\/","title":{"rendered":"Brasil reduz taxa de mortalidade neonatal em 15 anos, mas fica longe das metas"},"content":{"rendered":"<p><em>Carolina Medeiros\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 15 anos o Brasil conseguiu reduzir as taxas\u00a0de mortalidade infantil e neonatal, por\u00e9m, n\u00e3o atingiu a meta de diminuir a mortalidade infantil, como havia sido proposto pelos <a href=\"http:\/\/www.objetivosdomilenio.org.br\/\">Objetivos do Mil\u00eanio<\/a> para 2015. Os \u00edndices de mortalidade materna ficaram ainda mais distantes dos Objetivos.\u00a0Estes resultados fazem parte de um estudo,\u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/jped.elsevier.es\/pt\/temporal-spatial-evolution-maternal-neonatal\/articulo\/S2255553616300519\/\" target=\"_blank\">\u201cEvolu\u00e7\u00e3o temporal e espacial das taxas de mortalidade materna e neonatal no Brasil, 1997\u20102012\u201d<\/a>\u00a0assinado\u00a0por pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz),<sup>\u00a0<\/sup>Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Instituto Vital Brasil e Georgia Southern University, nos EUA, e foi publicado na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista\u00a0<em>Jornal de\u00a0<\/em><em>Pediatria<\/em>. &#8220;Estes\u00a0indicadores maternos e neonatais refletem os contrastes sociais e a baixa capacidade do sistema de sa\u00fade do Brasil de fornecer assist\u00eancia m\u00e9dica adequada para toda a sua popula\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmam os autores da pesquisa.<\/p>\n<p>O\u00a0estudo que analisou os \u00edndices estaduais e regionais do pa\u00eds e apontou que entre os anos de 1997 e 2012 houve uma queda de 33% na taxa de mortalidade precoce no pa\u00eds (\u00f3bitos entre nascidos vivos nos primeiros seis dias de vida), passando de 10,89 a cada mil nascidos, para 7,36\/1.000. Em todas as regi\u00f5es houve registro de queda, por\u00e9m, a regi\u00e3o Sudeste alcan\u00e7ou a maior delas (42%), enquanto a regi\u00e3o Nordeste a menor (23%).<\/p>\n<p>J\u00e1 as\u00a0taxas de mortalidade neonatal tardia \u2013 \u00f3bitos entre nascidos vivos entre o 7<sup>o<\/sup> e o 28<sup>o<\/sup> dia de vida \u2013 ca\u00edram 21%, passando de 2,92\/1.000 para 2,29\/1.000, entre os anos de 1997 e 2012, e novamente a regi\u00e3o Sudeste apresentou a maior queda, de 26%.\u00a0Rio de Janeiro, Cear\u00e1, Pernambuco, Amazonas e Mato Grosso do Sul foram alguns dos estados que apresentaram as maiores taxas\u00a0de 1997 a 2012. E o Amap\u00e1 apresentou as maiores taxas em todos os per\u00edodos do estudo (mais de 12\/1.000).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_3127\" aria-describedby=\"caption-attachment-3127\" style=\"width: 418px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/01\/Sem-t\u00edtulo.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3127 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/01\/Sem-t\u00edtulo.png\" width=\"418\" height=\"345\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/01\/Sem-t\u00edtulo.png 418w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/01\/Sem-t\u00edtulo-300x248.png 300w\" sizes=\"(max-width: 418px) 100vw, 418px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3127\" class=\"wp-caption-text\">A distribui\u00e7\u00e3o da mortalidade materna e neonatal em estados brasileiros por per\u00edodo, 1997\u20102012. (Imagem retirada do artigo)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante desses n\u00fameros os pesquisadores conclu\u00edram que a taxa de mortalidade neonatal do Brasil melhorou nos \u00faltimos anos, por\u00e9m as taxas de mortalidade neonatal estagnaram, deixando assim de atingir um dos Oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio: reduzir a mortalidade infantil.<\/p>\n<h4>Mortalidade materna longe da meta<\/h4>\n<p>Outra meta brasileira, estipulada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, era\u00a0que o pa\u00eds reduzisse em 75% as taxas de mortalidade materna\u00a0entre 1990 e 2015. Os \u00f3bitos maternos, portanto, precisariam ser reduzidos a 36 por 100.000 mulheres, at\u00e9 2015. Por\u00e9m, apesar de ter havido uma redu\u00e7\u00e3o nas taxas entre per\u00edodos de 1997-2000 e 2001-2004 de 10%, no per\u00edodo seguinte (2009-2012) houve aumento de 11% desde\u00a02001. A\u00a0taxa, portanto, estagnou\u00a0em 54\/100.000, ainda distante da meta.\u00a0&#8220;Como o \u00f3bito materno \u00e9 um evento sentinela que indica defici\u00eancia na qualidade da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, o Brasil precisa melhorar a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade durante a gravidez e os partos&#8221;, conclu\u00edram os autores do artigo.<\/p>\n<p>\u201cNosso estudo confirma os achados anteriores que mostram discrep\u00e2ncias regionais no risco de mortalidade materna. Em 2009\u20102012, o Sul e o Sudeste mostraram as menores taxas de mortalidade materna, ao passo que o Norte o Nordeste mostraram as maiores\u201d, afirmam os pesquisadores. Para eles a causa deste cen\u00e1rio est\u00e1 na maior disponibilidade de servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablica no Sul e no Sudeste, em compara\u00e7\u00e3o com o Norte e Nordeste.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o dos pesquisadores do estudo essa situa\u00e7\u00e3o\u00a0poderia ser resolvida por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficientes. Eles destacam que mesmo diante deste cen\u00e1rio ca\u00f3tico, algumas medidas governamentais foram tomadas, na tentativa de acelerar o processo de comprimento dos Objetivos do Mil\u00eanio. Entre eles, em 2011, foi criada a <a href=\"http:\/\/dab.saude.gov.br\/portaldab\/ape_redecegonha.php\">Rede Cegonha<\/a>:\u00a0uma rede que envolve diferentes setores p\u00fablico de sa\u00fade e que tem como objetivo de\u00a0\u201cgarantir o direito ao nascimento seguro\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3128\" aria-describedby=\"caption-attachment-3128\" style=\"width: 484px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/01\/Sem-t\u00edtulo-2.png\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-3128 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/01\/Sem-t\u00edtulo-2.png\" width=\"484\" height=\"361\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/01\/Sem-t\u00edtulo-2.png 484w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/01\/Sem-t\u00edtulo-2-300x224.png 300w\" sizes=\"(max-width: 484px) 100vw, 484px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3128\" class=\"wp-caption-text\">Infogr\u00e1fico sobre as a\u00e7\u00f5es da Rede Cegonha (dispon\u00edvel no site do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pode-se dizer na contram\u00e3o dos in\u00fameros contrastes presentes no Brasil, existem a\u00e7\u00f5es como a Rede Cegonha, a cria\u00e7\u00e3o do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (com foco na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria), al\u00e9m\u00a0esfor\u00e7os para prestar assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade no n\u00edvel comunit\u00e1rio, conforme destaca\u00a0 o relat\u00f3rio\u00a0<em>N\u00edveis e Tend\u00eancias da Mortalidade Infantil 2015<\/em>, divulgado em setembro de 2015, pela Unicef, Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), Banco Mundial e o Departamento da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para Quest\u00f5es Econ\u00f4micas e Sociais (Undesa). No relat\u00f3rio o Brasil \u00e9 citado entre os 62 pa\u00edses que alcan\u00e7aram a meta de redu\u00e7\u00e3o da mortalidade infantil, estipulada pela ONU, por meio dos Objetivos do Mil\u00eanio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acesse o artigo completo em:\u00a0Rodrigues NC, Monteiro DL, Almeida AS, Barros MB, Pereira Neto A, O&#8217;Dwyer G, et al. <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0021-75572016000700567&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt\">Temporal and spatial evolution of maternal and neonatal mortality rates in Brazil, 1997-2012<\/a>. J Pediatr (Rio J). 2016;92:567-73<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carolina Medeiros\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nos \u00faltimos 15 anos o Brasil conseguiu reduzir as taxas\u00a0de mortalidade infantil e neonatal, por\u00e9m, n\u00e3o atingiu a meta de diminuir a mortalidade infantil, como havia sido proposto pelos Objetivos do Mil\u00eanio para 2015. Os \u00edndices de mortalidade materna ficaram ainda mais distantes dos Objetivos.\u00a0Estes resultados fazem parte de um estudo,\u00a0\u00a0\u201cEvolu\u00e7\u00e3o temporal e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":3129,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[1025,1023,1024,852],"class_list":["post-3126","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-novos-artigos","tag-jornal-de-pediatria","tag-mortalidade-infantil","tag-mortalidade-materna","tag-saude-publica"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/01\/Screen-Shot-2017-01-17-at-2.40.30-PM.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3126"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3126\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3135,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3126\/revisions\/3135"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3129"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}